Arquitectura religiosa, manuelina, rococó. Igreja mparoquial de planta longitudinal, de três naves, com 4 tramos cobertos interiormente com tectos, sem clerestório, de tipologia espacial e decorativa manuelina, bem expressa nos pórticos principais e laterais e nas arcadas de volta perfeita que definem as naves, sobre potentes colunas de capitéis lavrados com elementos característicos do reportório manuelino nos quais se inserem já motivos renascentistas; capela-mor rectangular escalonada, muito profunda, com cobertura em abóbada de canhão, talvez já fruto da reconstrução setecentista. Fachada principal com intervenção oitocentista no frontão de remate. Apontamentos rocócó na decoração exterior, como o frontão da capela lateral S.. Retábulos laterais tardo barrocos, retábulo-mor rocócó e retábulo colateral da Epístola revivalista; painéis da capela-mor rocócó. A espacialidade interna com as naves quase à mesma altura. O portal principal é a obra de escultura aplicada manuelina melhor conseguida em todo o Algarve, fruto da liberdade criadora de um mestre escultor de primeira qualidade e inspirado em motivos orientais ou arabizados; conjuga o melhor do reportório iconográfico manuelino com alguns elementos já renascentistas, patentes na parte superior. Com as igrejas Matriz de Estômbar (v. PT050806010003) e Misericórdia de Silves (v. PT050813070006) esta campanha manuelina de Alvor é atribuível a um mesmo e desconhecido mestre. Morábito embebido na fachada N. (v. PT050811010059).
Planta longitudinal composta por três naves e capela-mor escalonada, tendo adossados a S.: torre sineira de planta rectangular disposta na transversal; capela lateral (antiga capela de Nossa Senhora do Verde), rectangular disposta na transversal, à direita do corpo das naves; sacristia rectangular, paralela ao corpo das naves e capela-mor. Volumes articulados, com as naves laterais quase â mesma altura que a central e capela-mor mais baixa; massas dispostas na vertical com cobertura diferenciada em telhados de duas águas, na nave central e capela-mor, nesta de abas ligeiramente curvas, de uma água sobre as laterais e em cupulim em urna sobre a torre sineira. Alçados de alvenaria, rebocada e caiada; pilastras e cunhais de alvenaria pintados a cinza, embasamentos, molduras de alguns vãos, cornijas e apontamentos de massa, pintados a cor amarela. Fachada principal a O., de dois corpos, correspondentes às naves e torre sineira; primeiro corpo, de pano único, delimitado por pilastras munidas de bases e capitéis, organizado em dois registos definidos por cornija repetindo a molduração dos capitéis; inferiormente, rasga-se, ao centro, o portal principal de seis arquivoltas de volta perfeita (três salientes e três reentrantes) assentes em embasamento proeminente e complexo; primeira arquivolta de fino colunelo adossado com capitel vegetalista e arquivolta lisa; segunda arquivolta de pé-direito vegetalista organizado em secção em aduelas dispostas verticalmente e arquivolta de aduelas caneladas definindo uma decoração radial em relação ao eixo do arco; terceira arquivolta repete o mesmo esquema decorativo da arquivolta anterior, mas com aduelas maiores e elementos decorativos igualmente de maiores dimensões; quarta arquivolta repete o formulário da primeira arquivolta, com pé-direito composto por colunelo adossado e capitel vegetalista, seguido de arquivolta lisa, com a única diferença de ser de maiores proporções; quinta arquivolta de pé-direito composto por aduelas historiadas, rectangulares e dispostas horizontalmente com decoração individual em cada uma delas (músicos, dragões e aves ladeando a Árvore da Vida; cenas de luta; dragões ou animais fantásticos num mundo vegetalista, punição da ave que debica folhas da Árvore da Vida, etc.), seguindo-se uma arquivolta com elementos vegetalistas entrelaçados de aduela em aduela; arquivolta exterior uniformemente decorada com nódulos (como se se tratasse de um tronco de pinheiro), mantendo os capitéis vegetalistas e um fecho de arco decorado com uma cabeça felina cuja boca segura uma mensagem; a ladear o portal, ao nível do fecho de arco da arquivolta exterior, duas mísulas piramidais. Segundo registo rasgado por janelão rectangular com molduras de cantaria; remate em empena contracurvada e cornija moldurada, com pináculos nos extremos e cruz ao centro. Fachada lateral N. adossada a vários anexos e tendo parcialmente embebido Morábito (v. PT050811010059). Fachada lateral S. de quatro corpos correspondentes à torre sineira, corpo das naves, capela lateral e sacristia à face, e capela-mor. Torre sineira tendo adossado, paralelo ao corpo das naves, corpo das escadas de acesso, de alvenaria. Corpo das naves de pano único, com remate em beirado muito saliente; entre o corpo das escadas e a capela lateral rasga-se porta travessa em arco polilobado de uma arquivolta, composta por fino colunelo que descarrega em embasamento proeminente e com capitel do lado O. vegetalista, semelhante aos do portal principal, e do lado E. com três cabeças humanas inseridas em molduras de folhagem; superiormente o arco canopial adopta uma feição festonada, sendo o vértice axial o mais elevado, terminando num elemento vegetalista em forma de pinha invertida; intradorso do arco integralmente composto por motivos vegetalistas de fino detalhe idênticos aos do portal principal, à excepção de duas máscaras humanas que antecedem o festão, de cujas bocas partes dois cogulhos de decoração vegetalista que se desenvolvem no sentido vertical para o eixo do vão. Superiormente rasgam-se duas janelas rectangulares de cantaria aparelhada, em capialço. Capela lateral (antiga sacristia), mais baixa, de pano único definido por cunhais de cantaria e remate em empena contracurvada, com coroamento em cornija de perfil borromínico, com apontamentos de massa de orelhões; cruz de ferro forjado no vértice e aos lados, no coroamento dos cunhais pináculos; porta central, em arco de volta perfeita, com molduras de alvenaria, sobre impostas e fecho assinalado por estrelinha de massa; acesso por quatro degraus de cantaria; alçados laterais cegos com remates rectos. Sacristia, adossada ao alçado E. da Capela lateral, mais baixa, de pano único delimitado por cunhais e embasamento pintados; remate em cornija moldurada e platibanda ritmada por medalhões em massa pintada a amarelo, rectangulares e de ângulos chanfrados, intervaladas por pequenas pilastras decoradas com os mesmos motivos a branco, que se repetem na parte superior dos cunhais; a platibanda remata em cornija semelhante à inferior; acesso à sacristia por porta central, de verga recta saliente e ombreiras de cantaria aparelhada; acesso por dois degraus de cantaria; é ladeada por duas janelas, simetricamente equidistantes, quadrangulares, com peitoril e verga rectos, salientes. Fachada posterior de dois corpos, o S. correspondente à capela-mor; apresenta pano único definido por cunhais de cantaria aparelhada com remate em empena curva, seguindo as abas do telhado; ao centro óculo circular, reentrante, com pequena rosácea, ladeado por duas gárgulas zoomórficas, ao nível do arrranque da empena; o corpo N. corresponde a corpo anexo à igreja, mais baixo que a capela-mor, de pano único, com remate em cornija moldurada e beirado saliente e embasamento pintado; ao centro porta axial de molduras pétreas e verga recta com a inscrição "1816"; empena recta de beiral assente em cornija; o alçado E. do corpo das naves, elevado face ao corpo da cabeceira, apresenta remate em empena rasgado ao centro por janelão rectangular com molduras pétreas; à esquerda do janelão, na linha do seu peitoril, pequeno corpo adossado em meia empena. Torre sineira de dois registos definidos por filete, de pano único, delimitado, inferiormente por cunhais de cantaria aparelhada e superiormente por cunhais pintados com esgrafito fingindo cantaria aparelhada; remates rectos, em cornija moldurada com pináculos angulares e embasamento saliente de cantaria aparelhada idêntica aos cunhais, parcialmente rebocado e pintado; alçado O., com registo inferior cego, delimitado, à esquerda, pela pilastra do corpo das naves substituindo o cunhal; registo superior com óculo reentrante; registo inferior do alçado S. com óculo semelhante mas mais pequeno, e mostrador circular de relógio; superiormente sineira de volta perfeita e molduras pétreas; alçado E. rasgado por porta recta, descentrada e com molduras pétreas, abrindo para o corpo da escadas; superiormente sineira idêntica à do alçado S.. INTERIOR: três naves, de quatro tramos, definidos por arcadas de volta perfeita, com cobertura em tectos de madeira, de masseira, quase à mesma; as arcadas, de cantaria, descarregam em colunas, munidas de bases semelhantes às dos portais exteriores e com capitéis decorados por elementos vegetalistas entrelaçados, aves; máscaras humanas, cordas, etc.; nos alçados O. e E. as arcadas descarregam em meias colunas, as do lado O. com pias baptismais pétreas, em forma de mísula e lavradas de motivos semelhantes aos dos capitéis das arcadas. Alçados de alvenaria rebocada e caiada, com embasamento envolvente pintado a cinza. Alçado O. rasgado pelo pórtico principal em arco muito abatido, de molduras simples; sobre ele janelão em ligeiro capialço. Na nave lateral do Evangelho dois altares laterais, com arcos de volta perfeita pétreos sobre pilastras munidas de bases e capitéis, munidas de retábulos de talha dourada e polícroma; retábulo da esquerda de planta plana, à face, e de estrutura vertical tripartida definida por colunas torsas decoradas de pâmpanos, suportando entablamento e assentes em altos pedestais decorados cada por pequeno atlante vestido; no corpo central nicho em arco de volta perfeita sobre o banco, ladeado de cachos de elementos vegetalistas; nos corpos laterais nichos idênticos, mais estreitos sobre mísula; ático em frontão curvo coroa de louros ao centro; mesa de altar em urna, pintada imitando mármores policromos; retábulo da direita com banco reservado à mesa de altar, sobre a qual se conserva o sacrário; corpo delimitado por duas arquivoltas de talha dourada, sendo a exterior assente em colunas salomónicas e a interior em colunelos, enquadrando um nicho muito amplo; entre os dois retábulos pequena porta simples dando acesso ao Morábito embebido no alçado N. ( v. PT050811010059). Do lado da Epístola, inserida no corpo da torre sineira, a capela baptismal com acesso por arco de volta perfeita, pétreo e cancela de ferro; altar lateral a E., semelhante ao altar O. do lado do Evangelho *1. Altares colaterais semelhantes, em arco de volta perfeita, pintado fingindo mármores policromos, com retábulos de planta recta e eixo único em arco de volta perfeita; retábulo colateral do Evangelho de dupla arquivolta a exterior sobre colunas torsas; sotobanco com sacrário; retábulo colateral da Epístola com mandorla, na qual se insere a imagem do Crucificado, da qual partem raios dourados; arco sobre colunelos decorados de pâmpanos em talha dourada e arquivolta decorada por motivos vegetalistas também em talha dourada; intradorso do arco e das pilastras sobre o qual descarrega, decoradas com painéis quadrados de talha dourada de motivos vegetalistas sotobanco pintado imitando mármores policromo e mesa de altar em urna. Arco triunfal duplo repetindo o esquema dos arcos das naves e dos portais eexteriores, com colunas adossadas de capitéis formalmente idênticos aos restantes, um deles, lavrado de máscaras humanas e elementos vegetalistas, semelhante ao capitel direito do portal S.. Capela-mor rectangular profunda, com cobertura em abóbada de canhão sobre sanca assente em entablamento com decorações de talha dourada; alçados com revestimento azulejar compondo painel central figurativo, em manganês, o do Evangelho com cena da Lavagem dos Pés, o da Epístola com a Última Ceia; cada painel é envolto por cercadura, em azulejos azuis e brancos, amarelos e manganês de compondo dos lados pilastras sobre pedestais, envoltos por enrolamentos e concheados, e superiormente por dois anjinhos regendo cartela envolta de concheados; inferiormente silhar de azulejos azuis e brancos, amarelos e manganês, compondo medalhões, com cercadura de concheados e querubins, com símbolos vos a Cristo; do lado da Epístola, ladeando o painel figurativo, rasgam-se dois amplos janelões, de vergas curvas e capialços forrados a azulejo repetindo cores e motivos semelhantes aos do silhar; do lado do Evangelho, no lugar dos janelões, revestimento azulejar, azul e branco fingindo vãos idênticos de caixilharias; neste alçado, à esquerda, e interrompendo o revestimento azulejar, rasga-se porta recta de molduras pétreas. Retábulo-mor de madeira dourada e policroma, de planta recta de estrutura vertical tripartida; banco de madeira policromada decorado com orelhões; corpo com grande painel central alusivo à Ascensão da Virgem, enquadrado por arco de volta perfeita; corpos laterais delimitados por estípites decoradas ao centro por grande orelhão; ático sobre entablamento com 4 mísulas volumosas na correspondência das estípites; o ático mantém a organização tripartida, definida por duas pilastras das quais arranca início de frontão curvo; ao centro brasão com a inscrição "IHS", ladeado por concheados; dos lados enrolamentos e concheados.
Materiais
Alvenaria caiada e rebocada; cantaria; madeira; talha; mosaico; azulejo; vidro; telha
Observações
*1 - O altar da Epístola esconde muito provavelmete a primitiva comunicação da antiga Capela de Nossa Senhora do Verde para a nave; *2 - a obra de restauro foi dirigida por Joaquim da Silva Pereira, afilhado do Prior da igreja entretanto falecido.