CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS. ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS. Relevo: Praticamente plano, com altitudes muito próximas do nível do mar (inferiores a 50m em cerca de 85% da unidade). As cotas mais elevadas localizam-se a Oeste, no município de Almada (Vértices Senhora do Monte - 124m; Pragal/Cristo Rei - 118m; Montinhoso - 113m). Declives: Planície praticamente sem declives, exceptuando as arribas a N, junto ao rio Tejo e Arriba Fóssil da Costa de Caparica (município de Almada). Exposição de vertentes: Devido aos baixos declives, a exposição de vertentes assume pouca relevância em praticamente toda a unidade. No município de Almada predominam as exposições a E. e SE. na envolvente da Cova da Piedade e a S. no Pragal. Geologia: Bacia Sedimentar do Tejo, que corresponde à deposição de sedimentos marinhos e fluviais (Cenozóico), em áreas deprimidas, provenientes do desgaste ocorrido pela acção do rio Tejo e oceano, dando origem às actuais planícies. Esta bacia corresponde a uma unidade geomorfológica recente, no entanto as formações sedimentares mais antigas localizam-se no município de Almada (Mio-Plistocénico - iniciadas a 23 MA). Nos municípios do Seixal e Almada encontram-se formações do Plistocénico (início a 1,8 MA) e nos municípios do Montijo e Moita são sobretudo do Holocénico (início a 0,01 MA) da Era Quaternária (Cenozóico). Litologia: As areias, calhaus, arenitos e argilas dominam toda a unidade. Em Almada (Pragal) são frequentes os arenitos, calcários e areias. No Seixal e limite E de Almada (Cova da Piedade) encontram-se, para além das areias, os calhaus rolados, arenitos pouco consolidados e argilas e no Montijo e Moita as estão presentes as dunas e areias eólicas. Solos: Em Almada (Pragal) os solos predominantes são os Cambissolos Cálcicos. Mais para E (na Cova da Piedade, Seixal e parte do Barreiro e Montijo), são mais frequentes os Cambissolos Êutricos e Podzóis Órticos na Moita. Junto à frente ribeirinha sobretudo nas áreas mais baixas do Seixal, Barreiro Moita e Montijo encontram-se os Solonchaks. CLIMATOLOGIA: Clima temperado mediterrânico, com Invernos de temperaturas amenas e verões relativamente quentes e secos, dos quais se referem os valores médios anuais: A Temperatura é de aproximadamente 17ºC; o Vento sopra predominantemente de N; a Humidade relativa varia entre 70 e 75%; a formação de geada ocorre aproximadamente durante 1-5 dias/ano em Almada e 10-20 dias/ano na Moita e Montijo; Precipitação: a precipitação média anual ronda os 700 mm em Almada e 600 mm na Moita e Montijo; No Escoamento, a quantidade média de água na rede é de 100 mm; A Evapotranspiração é de aproximadamente 600 mm; A Insolação é de 3000 a 3100 horas de sol/ano em Almada, enquanto que na Moita e Montijo é de 2800 a 2900 horas de sol/ano; Radiação Solar: varia entre 155-160 Kcal/cm2. HIDROGRAFIA: A rede hidrográfica é pouco desenvolvida, estando condicionada, sobretudo por uma litologia com elevada permeabilidade e por se situar sobre uma superfície aplanada. O escoamento faz-se, na generalidade no sentido sul-norte (para o Tejo) através de um rio (Moita), pequenas ribeiras (Ribeira Queimada do Milhaço no Seixal e Ribeira Real Montijo) e valas (Vala Guarda-mor em Almada e Vala Fontainhas na Moita). A elevada permeabilidade desta unidade, permite a alimentação do aquífero da península de Setúbal, muito importante para toda a região. Esta unidade tem no seu limite N a frente ribeirinha do estuário do Tejo, que tem uma enorme influência em toda a unidade de paisagem, não só pela enorme riqueza biofísica e paisagística associada ao estuário, desde sempre utilizado como um recurso fundamental ao homem, como se deve ainda a própria génese desta unidade que ao longo dos anos foi desagregando e depositando materiais que originaram e modelam esta unidade. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS. Segundo Prichard (in Odum E., 1997), "um estuário é uma massa de água costeira semi-cercada que tem uma ligação livre com o mar; deste modo, é fortemente influenciada pela acção das marés, e no seu interior, a água do mar mistura-se...Os estuários podem ser considerados como zonas de transição ou ecotonos10 entre habitats de água doce e marinho, embora muitas das suas mais importantes características físicas e biológicas não sejam de transição, mas sim específicas.". Odum refere que "a variabilidade é uma característica fundamental, e os organismos que vivem nesse habitat necessitam de possuir grandes tolerâncias. Enquanto que as condições físicas nos estuários são frequentemente extremas, e a diversidade em espécies correspondentemente baixa, as condições alimentares são tão favoráveis que é uma região cheia de vida."..."O estuário consegue um bom equilíbrio entre as componentes física e biótica e, a partir daí, uma elevada taxa de produtividade biológica". FLORA: A unidade de paisagem tem como principais valores florísticos, uma flora marinha muito diversificada onde a vegetação de Sapal tem uma importante função, enquanto produtor primário. Nas zonas húmidas ribeirinhas de sapais e salgados, onde as marés e os níveis de salinidade são determinantes, verifica-se a predominância de espécies halófitas (adaptadas ao sal). Na área que fica submersa na preia-mar, é frequente encontrar a Spartina marítima (morraça) e nas áreas sob influência de água salobra e água doce, podem desenvolver-se caniçais (Phragmites sp.), cujas raízes contribuem para a remoção de poluentes de águas e solos, bem como as canas (Arundo donax), ainda que mais próximo da água doce. Mais distante da frente ribeirinha, predominam a salgadeira (Atriplex halimus); a gramatas Salicornea radicans, Sarcocornia sp., Suaeda vera e Halimione portucaloides. Nas zonas húmidas interiores (vales), surgem como espécies arbóreas dominantes os freixos (Fraxinus angustifolia), salgueiros (Salix sp.), amieiros (Alnus glutinosa), choupos (Populus sp.) e como espécies arbustivas e herbáceas mais frequentes o sabugueiro (Sambucus nigra), os juncos (Juncus sp.), o loendro (Nerium oleander), o Litrum salicaria e as silvas (Rubus sp.). É ainda frequente encontrar o pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e de sobreiro (Quercus suber), surgindo pontualmente grupos de pinheiro-manso (Pinus pinea), muito abundante em toda a península de Setúbal. No coberto arbustivo, dominam espécies como as estevas (Cistus sp.), as urzes (Calluna sp.), os tojos (Ulex sp.), o rosmaninho (Lavandula sp.), o pilriteiro (Crataegus monogyna), o sanguinho (Rhamnus sp.), a aroeira (Pistacia lenticus) e as santolinas (Santolina sp.). FAUNA: A zona ribeirinha é constituída na sua maior parte por antigas marinhas, sapais, caniçais, lodos e areias. Estas áreas constituem um excelente habitat para a avifauna aquática do estuário, que aí encontra refúgio, alimentação e local para reprodução e nidificação. Durante todo o ano, mas sobretudo durante o Outono e Inverno, pode observar-se uma grande quantidade de aves na zona ribeirinha, muitas das quais são protegidas por Directivas Comunitárias. Na unidade encontram-se espécies como: Perna-longa (Himantopus himantopus); Alfaiate (Recurvirostra avosetta); Flamingo-comum (Phoenicopterus ruber); Garça-branca-pequena (Egretta garzetta); Garça-real (Ardea cinerea); Pilrito-comum (Calidris alpina); Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa); Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus); Corvo-marinho (Phalacrocorax carbo); Guincho-comum (Larus ridibundus); Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus); Gaivota-argêntea (Larus argentatus); Pato-real (Anas platyrhynchos); Galinha-de-água (Gallinula chloropus); Galeirão-comum (Fulica atra); pintassilgos (Carduelis carduelis); rouxinóis dos caniços e felosas (Acrocepahus sp. e Locustella sp.); pintarrôxo-comum (Carduelis cannabina) e o guarda-rios-comum (Alcedo atthis). Nas áreas de pinhal e montado de sobro, podemos encontrar espécies como a andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica); lugre (Carduelis spinus); tordo-comum (Turdus philomelos); calhandrinha-comum (Calandrella brachydactyla); picanço (Lanius sp.); petinhas (Anthus sp.); alvéolas (Motacilla sp.); verdilhão-comum (Carduelis chloris); estorninho-malhado (Sturnus vulgaris); tentilhão-comum (Fringilla coelebs); chamariz (Serinus serinus); trepadeira-comum (Certhia brachydactyla); trigueirão (Miliaria calandra); poupa (Upupa epops); cegonha-branca (Ciconia ciconia); A gralha-preta (Corvus corone); melros-pretos (Turdus merula), pardal-comum (Passer domesticus), chapins (Parus sp.); andorinha-dos-beirais (Delichon urbica) e os pombos domésticos (Columba livia). Existem ainda algumas aves de rapina, que podem ser vistas ocasionalmente: peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus); o tartaranhão-ruivo-dos-paúis (Circus aeruginosus) e a coruja-das-torres (Tyto alba). Em relação aos invertebrados encontram-se vários tipos de crustáceos nos lodos como a lambujinha (Scrobicularia plana) e outros como as ostras, berbigão, búzios ou amêijoa (Alguns já extintos ou em vias de extinção), podemos ainda encontrar a minhoca-de-pesca (Hediste diversicolor) e os caranguejos (Carcinus sp.), entre muitos outros organismos que em conjunto com a microflora são de elevado valor para as cadeias tróficas do estuário. Quanto aos peixes, a sua entrada nas e esteiros depende sobretudo das maré, sendo mais comuns os seguintes: taínhas (Liza sp.), robalo (Dicentrarchus labrax), dourada (Sparus aurata), solha (Platichthys flesus), linguado (Solea sp.), enguia (Anguilla anguilla), biqueirão (Engraulis encrasicholus), congro (Conger conger), savelha, (Alosa fallax), entre outros. No que respeita a pequenos mamíferos, podemos encontrar espécies como o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), toupeira (Talpa europaea), lebre (Lepus europaeus), coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), rato-de-água (Arvicola sapidus), rato-do-campo (Apodemus sylvaticus), ratazana (Rattus norvegicus), rato-caseiro (Mus musculus), rato-das-hortas (Mus sxetus), doninha (Mustela nivalis) e morcegos, entre outros. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ANTRÓPICOS. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: Unidade bastante artificializada, sendo que na metade O da unidade predomina o tecido urbano continuo nos grandes aglomerados (como Almada, Seixal e Barreiro) com uma envolvente de tecido urbano descontinuo, áreas portuárias e outros espaços de grandes equipamentos como áreas industriais e/ou comerciais. Na metade E do arco ribeirinho prevalecem as áreas agrícolas heterogéneas, exceptuando alguns lugares como o Montijo, Moita, Afonsoeiro, Gaio-rosário e Alhos vedros e áreas envolventes, que à semelhança à metade O da unidade se verifica o tecido urbano contínuo e descontínuo. TIPO DE POVOAMENTO: Polinucleado/Periurbano. Aglomerados de grandes dimensões (edifícios plurifamiliares e de elevadas densidades populacionais), junto aos principais acessos a Lisboa (Proximidade dos nós: de auto-estrada e acessos às pontes 25 de Abril e Vasco da Gama; às estações da Ferroviárias - sobretudo do Pragal, Corroios, Foros de Amora, Fogueteiro e Coina; Metro Sul do Tejo-Cacilhas/Corroios, Corroios/Pragal e Cacilhas/Universidade; e estações fluviais - Cacilhas, Trafaria, Seixal, Barreiro e Montijo), bem como às sedes de concelho (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo). Elevadas extensões de Habitação unifamiliar (de forma continua) nas localizações mais distantes destes nós, numa primeira fase, muitas vezes construção clandestina e de segunda habitação e actualmente de primeira habitação. DADOS DEMOGRÁFICOS: Em 2001 residiam por concelho (população residente em milhares): Almada-160; Seixal-150; Barreiro-79; Moita-67; Montijo-36. Esta unidade caracteriza-se por elevadas densidades populacionais (valores aproximados hab/km2: Almada-2300; Seixal-1650; Barreiro-2500; Moita-1250; Montijo-117, este último atenuada pela média, considerando também Canha), com uma variação da população fortemente positiva (variação entre 1991 e 2001 em percentagem: Almada-6 ; Seixal-29; Moita-4 ; Montijo-9), exceptuando o Barreiro que perdeu cerca de 8% da sua população entre 1991 e 2001. PATRIMÓNIO CULTURAL: Esta unidade pela sua proximidade a Lisboa regista um elevado número de elementos de arquitectura industrial (antigas fábricas, centrais de energia, oficinas, núcleos navais, estaleiros, entre outros.). Destacam-se ainda os moinhos de maré, associados à posição geográfica ao estuário e a sua ligação aos sistemas agrícolas do passado, assim como um número elevado de quintas e alguns solares. Existem ainda núcleos antigos com uma arquitectura tradicional, que atestam as vivências do passado (fortes ligações aos recursos e às actividades da pesca e/ou agrícolas) como: Trafaria, Ginjal, Gaio, Rosário, Alhos Vedros, Montijo, Sarilhos Grandes e Sarilhos Pequenos, entre outros. A arquitectura religiosa está presente um pouco por toda a unidade entre ermidas, capelas e igrejas, destacando-se ainda alguns conventos e o monumento ao Cristo Rei. A arquitectura civil tem diversos elementos inventariados, destacando-se diversos edifícios pontuais e equipamentos como: teatros, cinemas, auditórios, coretos, mercados, tribunais, entre outros. ORGANIZAÇÃO SOCIAL E MODOS DE VIDA: Numa primeira fase, as principais actividades foram: a piscatória (Trafaria, Alhos Vedros e Montijo), agrícola (em toda a unidade), Pecuária, administrativa (Sedes de concelho) e com uma importante componente de segunda residência (em toda a unidade). Numa segunda fase (Meados do séc. 20) verificou-se um forte crescimento do tecido industrial (sobretudo dos sectores: químico, construção naval, componentes automóveis e indústria transformadora) e dos serviços, potenciada pela construção da ponte 25 de Abril e Auto-estrada do sul. Actualmente as características dominantes são sobretudo função residencial, industrial/empresarial, comércio e serviços, administrativa e segunda habitação. Forte crescimento de construção (residencial-suburbano), muito associado às mais recentes acessibilidades a Lisboa (ponte Vasco da Gama, Auto-estradas, transporte ferroviário na ponte 25 de Abril, Metro Sul do Tejo) e aos núcleos empresariais, pólos tecnológicos/Universidades e grandes superfícies comerciais. Verificam-se ainda fortes movimentos pendulares da população residente nesta unidade que se desloca diariamente para a cidade de Lisboa para trabalhar ou lazer e um aumento destes movimentos (no sentido oposto) na altura do verão com a vinda de pessoas de toda a Área Metropolitana de Lisboa para lazer/férias (com deslocações diárias mais frequentes que estadias prolongadas) nas praias da Península de Setúbal (Costa de Caparica, Fonte da Telha, Lagoa de Albufeira, Meco, Sesimbra e Arrábida). Prevê-se um elevado crescimento urbano-industrial, considerando os recentes compromissos de construção de um novo aeroporto de Lisboa a NE da unidade. SISTEMA DE VISTAS: Destaca-se o relevo plano, a frente ribeirinha e o rio Tejo como um elemento comum e sempre presente em toda a unidade. A paisagem da unidade é marcada por um sistema predominante polinucleado e peri-urbano, onde se proximidade a Lisboa é de certa forma atestada, pela quantidade de vias, densidades e congestionamentos (muitas vezes provocados pelos estrangulamentos das duas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama). Estas duas obras de engenharia, bem como o monumentos ao Cristo Rei e a presença da cidade de Lisboa do outro lado do Tejo, são elementos imponentes e marcantes na unidade, atribuindo-lhe um carácter urbano e artificializado, prevendo-se ainda o seu crescimento futuro. Distinguem-se ainda as grandes extensões agrícolas, que marcam profundamente a paisagem, com alguns elementos urbanos/industriais, polinucleados ou dispersos, tendendo para a continuidade nomeadamente em redor dos principais acessos viários e rodoviários. PERCEPÇÃO DA PAISAGEM: O Tejo é o elemento preponderante na paisagem, assim como a proximidade do estuário e a cidade de Lisboa. O clima ameno e a proximidade às praias da península de Setúbal atribuem-lhe um carácter de veraneio ainda que muito próximo da capital. É uma unidade bastante artificializada e com elevadas densidades populacionais (das mais elevadas do país). Tem um carácter peri-urbano, onde muitas vezes a vivência urbana está inserida num meio algo tradicional (muitas vezes descaracterizado) e próximo a um espaço semi-natural (estuário), em algumas ocasiões incompreendido e desprezado.
Materiais
Inertes: Areias, Arenitos, Argilas, calcários, dunas
Observações
INSTRUMENTOS LEGAIS DE GESTÃO DO TERRITÓRIO: Plano da Bacia Hidrográfica do Tejo (Decreto Regulamentar nº 18 de 2001, de 7 de Dezembro); Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa - PROTAML (Resolução do Conselho de Ministros n.º68 de 2002, de 8 de Abril). Plano Director Municipal de Almada (Resolução do Conselho de Ministros nº 5/97, de 14 de Janeiro - em revisão); Plano Director Municipal do Seixal (Resolução do Conselho de Ministros nº 65/93, de 11 de Novembro - em revisão); Plano Director Municipal do Barreiro (Resolução do Conselho de Ministros nº 26/94, de 4 de Maio - em revisão); Plano Director Municipal da Moita ( Dec.-Lei 308/97, de 13 de Novembro aprova a suspensão parcial do PDM - em revisão); Plano Director Municipal do Montijo (Resolução do Conselho de Ministros nº 15/97, de 1 de Fevereiro - em revisão)