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Aqueduto da Prata

Aqueduto da Prata

O ponto de interesse Aqueduto da Prata encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Bacelo e Senhora da Saúde no municipio de Évora e no distrito de Évora.

Aqueduto de fundação romana sobre cujos vestígios se ergueu a actual estrutura quinhentista, de tipologia renascentista e maneirista. Pela análise prestada aos elementos arquitectónicos e arqueológicos ainda hoje visíveis em boa parte do itinerário, firmada numa atenção renovada às referências documentais constantes nas demarcações cadastrais dos séculos 13 e 14, o aqueduto romano constituiria uma superestrutura, bastante mais alta que o aqueduto quinhentista, destinada a conduzir a água até ao Forum localizado no ponto mais alto da urbe. Com uma extensão inicial de 18Km, desde a Herdade do Divor, onde se abastecia de água, até ao centro da urbe, o aqueduto foi restaurado no Séc. 17, após os danos sofridos durante a Guerra da Restauração, e posteriormente nos Séc. 19 e Séc. 20, intervenções que não alteraram o traço original. A sua conduta de água foi edificada na sua maior extensão, em caixa tubular quadrada de alvenaria emergindo por vezes à superfície, lançando-se em arcaria de volta perfeita, e regularmente interrompido por caixas de recepção e distribuição da água de diversa tipologia, na maioria de remate cónico; duas delas monumentais, sem paralelo com as restantes, em forma de templete clássico, das quais resta apenas uma (caixa da Rua Nova) com colunata toscana e arquitrave; a outra desaparecida, era em templete cilíndrico rematado por lanternim e ornamentado por volutas *2. Três chafarizes monumentais, de cariz maneirista, localizados em três das mais importantes praças da cidade, faziam a distribuição da água que chegava à urbe pelo Aqueduto: o Chafariz da Praça do Geraldo (v. IPA.00003855), o Chafariz do Largo das Portas de Moura (v. IPA.00002742) e a Fonte do Largo de Aviz (v. IPA.00008851). Destaque para a utilização das arcarias como suporte para um grande número de edificações, anichadas nos vãos, que confere às ruas que acompanha um aspecto pitoresco.

A conduta de água, na sua maior extensão em caixa tubular de secção sensivelmente quadrada, percorre, acompanhando cotas estáveis e serpenteando pelas curvas de nível das colinas, todo o itinerário em precária estrutura de alvenaria soterrada, emergindo por vezes à flor da superfície, interrompido regularmente por caixas de remate cónico. Raras vezes alça-se sobre arcaria de volta perfeita de alvenaria para ultrapassar acidentes hidrográficos, como acontece nas imediações do Monte de Brito, aí nomeado por Arcos do Divor, atingindo a maior monumentalidade num troço de c. de 1200 m, à entrada de Évora. Dentro da área cercada da Cidade, as arcarias foram utilizadas como suporte para um grande número de edificações, anichadas nos vãos. Entre a Quinta da Torralva e o Convento da Cartuxa (v. IPA.00006503), transpõe sobre sólidos pilares em silharia granítica a EN 114-4, antigo caminho de Évora para Arraiolos; aí a cimalha rompe em três torrelas. Ao atingir a cota suprema da colina de Évora, na confluência da Rua Nova com a Travessa de Sertório, remata-o caixa de distribuição em forma de templete prismático, de planta rectangular, de cantaria aparelhada, com alçados dispostos em 3 registos, constituído por podium, alçado cego e entablamento; a fachada principal a sul apresenta sobre o alto embasamento 4 colunas toscanas, adossadas ao alçado e sustentando o entablemento sobreposto de arquitrave. A Fonte do Largo do Chão das Covas é composta pelo corpo da fonte e pelo corpo da caixa de água, dispostos paralelamente entre si e interligados por arcada e conduta do Aqueduto no qual ambos os corpos se encontram transversalmente embebidos.

Materiais

Alvenaria, cantaria de granito, mármore em raros elementos secundários

Observações

EM ESTUDO. *1 - abrange também a freguesia de Sé e São Pedro; *2 - Antigas gravuras e desenhos documentam o desaparecido templete de remate no término de um dos mais nobres ramais do aqueduto, junto dos Paços Reais de São Francisco (v. IPA.00001185), que a partir dos Arcos do Divor se separavam; constituia composição arquitectónca de feição clássica mas silhueta exótica; *3 - esta última fonte está actualmente no largo da Rua de Avis.