Arquitectura religiosa, manuelina e maneirista. Ermida de planta longitudinal composta por nave e capela-mor mais estreita e baixa. Fachada principal rematada em frontão triangular, rasgada por portal de verga recta. Alçado lateral direito rasgado por uma janela. Cobertura da nave em abóbada de berço e em abóbada manuelina na capela-mor, onde surge uma simples ara de altar. Edifício com mais interesse cultural e histórico do que arquitectónico, modesto exemplar da arquitectura chã eborense, enriquecido com singela e modesta ábside manuelina de cobertura ogival nervurada com bocetes comuns no manuelino regional. O edifício actual é resultado da reedificação seiscentista que deixou intacta a ábside. Escultura de São Miguel barroca da época de Dom João V. O espaço de sociabilidade litúrgica é definido por um banco em alvenaria, circundante em todo o perímetro da capela. Existência de porta travessa no alçado lateral esquerdo, solução rara na região.
Planta longitudinal, composta pela articulação da nave rectangular com c. de 14 X 6 m. com a abside de planta quadrada com c. 3,5 m. de lado. Cobertura diferenciada, de duas águas sobre a nave e radial sobre a ábside. A frontaria de frontão triangular ladeado por botaréus, é marcada por um pórtico simples em cantaria de granito, com jambas emolduradas, bases de decoração geométrica clássica, losangos inscritos em rectângulos, cornija simples encimando uma inscrição alusiva à reabertura do templo ao público. A nave é interiormente coberta de abóbada de berço, de meio canhão, dividida em cinco tramos que repousam em arcos falsos, apoiados sobre um banco corrido de alvenaria que rodeia todo o templo. A capela-mor, de dimensões apertadas, é coberta por cúpula de ogiva, com cruzaria torcida apoiada em mísulas poliédricas e bocetes cilíndricos ornados de elementos naturalistas. É rematada com fecho ostentando a cruz de Aviz. Sobre o altar, simples nicho de alvenaria, que alberga o ícone do padroeiro, peça lenhácea dourada e estofada.
Materiais
Alvenaria, cantaria granítica, mármore branco de Estremoz em pormenores escultóricos, mísulas e chaves de abóbadas.
Observações
*1 - durante o restauro de 1965 recolheram-se dos paramentos da ábside um fragmento de inscrição em caracteres árabes e um cipo funerário romano que reza: D. M. S. / Q. JVLI / ANVS AN XV / SSE STTL / JVLIA MARCI / ANA ET JVLIVS / VERNACLVS HE / REDES PC //