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Lumiar

Lumiar

O ponto de interesse Lumiar encontra-se localizado na freguesia de Lumiar no municipio de Lisboa e no distrito de Lisboa.

Sector urbano. Área urbana correspondente a povoação de raiz medieval, desenvolvida em torno de propriedade régia rural, que evoluiu a partir do séc. 16 para uma formação urbana linear, não chegando a consolidar traçado em retícula, apesar do cruzamento ortogonal dos eixos estruturantes. Um dos eixos principais articula dois largos, o espaço religioso do adro da igreja e o espaço civil do largo fronteiro ao palácio. Apresentando quarteirões irregulares, nos quais se inserem lotes quadrangulares, com casas uni e plurifamiliares, estreitas ou largas, na maior parte dos casos com logradouro nas traseiras, o espaço construído é profundamente marcado pela implantação de quintas de recreio e respectivas edificações. Área representativa de um pequeno núcleo rural dos arrabaldes de Lisboa, quase uma aldeia na periferia de Lisboa, que teve vocação agrícola e de lazer e que se definiu pela conjugação de dois factores: o facto de ser uma porta de Lisboa, um local de contacto e troca entre a zona saloia e a cidade, e a existência, desde tempos muito remotos, de quintas e respectivos complexos edificados para residência de proprietários, empregados e apoio à produção (armazéns, cavalariças, tanques, etc.). Núcleo seccionado pela abertura de uma via rápida.

O primitivo núcleo medieval, caracterizado por uma estrutura irregular, nascido à sombra protectora dos muros senhoriais, cresceu e desenvolveu-se com o decorrer do tempo, tanto pela proximidade com a estrada que ligava Lisboa a Coimbra, como pela fundação da Igreja de São Baptista (v. PT031106180408) e criação da respectiva feira. Durante os séculos 16 a 18, a povoação, caracterizada já por uma formação urbana regular, foi tomando a forma que hoje conhecemos: uma estrutura linear gerada pelo cruzamento ortogonal da Rua do Lumiar com a Rua do Alqueidão / Estrada do Lumiar, não chegando a consolidar um traçado reticulado. Este núcleo, cujos limites são definidos pela articulação entre a Rua do Lumiar / Calçada de Carriche e a Azinhga do Porto (assim denominada por aí existir um "porto" ou portagem que ficava fora do Paço do Lumiar), estruturou-se à volta de uma importante saída da cidade para N., no eixo definido pela Alameda das Linhas de Torres, Rua do Lumiar e Calçada de Carriche, concentrando-se o aglomerado na área de articulação da Rua do Lumiar com a Rua do Alqueidão / Estrada do Lumiar. O cruzamento destes dois eixos não foi suficientemente forte para assegurar a formação de uma verdadeira malha urbana, apesar da presença de vias, de reduzido perfil (2 - 5 m ), definidas pela orientação N.-S. da Rua do Lumiar e a E.-O. do feixe de ruas, travessas e calçadas (Travessa do Prior actual Rua Pena Monteiro, Travessa do Coutinho, Travessa do Morais, Travessa do Canavial, Travessa do Picadeiro e Calçada do Picadeiro), que ligavam a Rua do Lumiar ao Largo da Duquesa, actual Largo Júlio de Castilho, fronteiro ao Palácio do Monteiro-Mor (v. PT031106180107). Este largo e o Largo de São João Baptista assinalam os dois espaços urbanos não lineares mais significativos, ambos abertos para a Rua do Alqueidão. Enquanto o Largo da igreja assume as características do tradicional adro trapezoidal, derivado do alargamento das vias que dão acesso à igreja, o antigo Largo da Duquesa define-se como uma pequena praça rectangular quase um espaço de representação que enquadra o Palácio Angeja-Palmela. A Rua do Lumiar, provavelmente constituída nos séculos 16 a 18, com prolongamentos para a Rua Alexandre Ferreira, é uma das mais antigas artérias desta zona e parte constituinte do pequeno núcleo habitacional de típica formação linear, ligado ao processo de construção do paço do Lumiar. Em meados do século 20, o núcleo da Rua do Lumiar foi envolvido pela recente expansão urbana, tendo sido rasgado pela Avenida Padre Cruz / Via Rápida de Loures, interrompendo as travessas que uniam as duas partes da antiga povoação. O espaço edificado é composto por casas uni e plurifamiliares, dos séculos 19 e 20, embora incorporando estruturas preexistentes, inseridas em lotes quadrangulares ou em lotes grandes mas com frente estreita, apresentando dois ou três pisos e águas furtadas. Muito característica desta área é a presença de antigas quintas, palácios e palacetes, dos séculos 18 e 19, ou até mesmo do 16, entre os quais se destaca claramente o complexo da Quinta do Monteiro-Mor (v. PT031106180381), que ocupa uma área de 11 hectares, onde se incluem caminhos, lagos, prados, pomar,horta, horto botânico, jardim, mata, estufas, viveiros, aviários e um centro de jardinagem.

Materiais

Calcário, mármore, tijolo, betão, madeira, telha de canudo, telha de aba e canudo, telha marselha, ferro forjado, ferro fundido, cobre, alumínio e zinco

Observações

*1 - o núcleo da Rua do Lumiar, que se encontra inserido no classificado Conjunto do Paço do Lumiar ( IIP, Dec.n.º 67 / 97, DR 301 de 31 de Dezembro 1997 ), foi definido no anterior Plano Director como Zona a Preservar e constitui no actual Plano Director Municipal de Lisboa uma Unidade Operativa de planeamento (UOP 05), definida como Área Histórica Periférica, que deu origem em 1996 a um Plano de Pormenor de Salvaguarda realizado pelos Gabinetes Técnicos Carnide-Luz / Paço do Lumiar e Rua do Lumiar / Ameixoeira (Câmara Municipal de Lisboa); *2 - documentação dos séculos 12 - 14 revela os vários nomes derivados do topónimo latino original, "liminare", que significa entrada: lamenere, lemear, lomear, lumear e lumiar. Ao nome Lumiar (situado num antigo local conhecido por Vale de Flores) estão atribuídas três explicações: situava-se junto de uma estrada que permitia o acesso ao N. do país e, como tal, era um ponto de entrada; em Telheiras existira uma torre com 28 a 30 metros, situada por trás do antigo Convento de Nossa Senhora das Portas do Céu ( v. PT031106180278 ), no qual ardia um amontoado de palha e uma substância ardente, com o objectivo de iluminar (alumiar) o vale para as embarcações e circulação; e, ainda, uma lenda relacionada com o rei D.Dinis, onde o vocábulo "alumiar" surge também como sinónimo de iluminar; *3 - Santa Brígida foi martirizada pelos bárbaros em 1 se Fevereiro de 518. Segundo a lenda, por volta de 1300, D.Dinis mandou três cavaleiros levarem a relíquia de Santa Brígida ao Mosteiro de Odivelas. Ao pararem para descansar no Lumiar, a cabeça de Santa desapareceu e foi encontrada milagrosamente no alto de um pinheiro, junto à Igreja de S. João Baptista. Ao ver o sucedido, o prior de então quis que a relíquia ficasse naquela igreja. Mas os cavaleiros quiseram cumprir a ordem do rei e seguiram caminho. A cena voltou a repetir-se e, a partir daquele momento, a relíquia foi finalmente depositada no Lumiar.