Arquitectura recreativa, oitocentista. Passeio Público Romântico de planta rectangular, estruturado por um percurso principal, ladeado por árvores de grande porte, cruzado por caminhos secundários, o que confere normalmente ao espaço uma rede de caminhos ortogonais. Presença de exemplares notáveis de grande porte, raros na época, que testemunham coleccionismo de plantas exóticas, característico do período romântico. Sensivelmente ao centro possui fonte central octogonal, de tanque baixo, com uma taça e repuxo, e, no topo do jardim, fonte tardo-barroca, do tipo caixa de água, de planta rectangular e corpo de cantaria, coroado por elemento piramidal com vaso; a face frontal forma espaldar rectangular, ladeado por falsas pilastras recuadas, e tendo ampla cartela com inscrição e festão; o corpo é flanqueado por duas alas curtas e baixas, formando murete, com uma zona avançada onde surgem as bicas que vertem para tanque, de planta rectangular, com bordo saliente, e no alinhamento das quais surgem réguas metálicas para apoio de vasilhame. Ladeia a alameda principal um coreto, constituído por base, de planta octogonal, com paramentos em cantaria, tendo adossada à fachada principal escada, e com colunas de ferro fundido, sustentando a cobertura, em cúpula facetada rematada por harpa.
Jardim de planta rectangular, delimitado a O. por muro de sustentação das terras, em cantaria de granito, e por murete a N., E. e a S., onde é encimado por gradeamento em ferro, de metro e meio de altura, e se processa o acesso ao interior, através de portão em ferro, encimado por espaldar decorado com motivos lanceolados e volutados, ladeado por dois pilares de cantaria de secção quadrangular, sobrepostos frontalmente por pilastras em silharia fendida, com a inscrição dividida C. M. e 1871, coroados por vasos. O murete nesta face virada a S. é ritmado por plintos paralelepipédicos coroados por urnas. O jardim tem acesso ainda por dois portões a E., no limite confinante com a estrada, também flanqueados por pilares quadrangulares de cantaria, coroados por urnas, e sendo o murete nessa zona encimada por gradeamento. A O. existe uma escadaria adossada ao muro de suporte que dá acesso por dois lances ao jardim. Antes de entrar no jardim pelo portão principal, existe a E. uma plataforma ajardinada adjacente, delimitada a S. e a E. por guarda em ferro forjado, a primeira ritmada por plintos paralelepipédicos; a plataforma é arrelvada e tem um percurso de placas de pedra quadrangulares com cerca de meio metro de lado, colocadas isolada e desencontradamente; conduzem a pequeno oratório, com esqueleto em cantaria, paredes envidraçadas e cobertura em telhados de quatro águas, albergando imagem da Virgem. Este percurso é acompanhado a S. e a N. por canteiro de herbáceas anuais da espécie Viola cornuta (amor perfeito). Sensivelmente ao centro encontra-se uma Phoenix dactylifera (tamareira). Junto ao limite S. da plataforma existe outro percurso de placas de pedra quadrangulares, colocadas isoladamente. O jardim é estruturado por três caminhos longitudinais, o principal ao centro, com cerca de vinte metros de largura, e dois bilaterais, com cerca de três metros, junto aos limites do jardim, os quais são cortados ortogonalmente por vários caminhos secundários. Todos estes percursos, pavimentados em macadame, intercalam placas arrelvadas, tendo no todo de cada uma um exemplar de Magnolia grandiflora (magnólia). Junto ao caminho central inscrevem-se nas placas uma faixa de canteiro com cerca de dois metros de largura onde são plantadas Viola cornuta (amor perfeito), plantas herbáceas de estação de cores garridas com vista á obtenção de um efeito contrastante. Este caminho é ladeado bilateralmente por alinhamento de espécies arbóreas de grande porte onde predomina a espécie Tilia cordata (Tília), bancos de jardim em ripas de madeira, papeleiras e candeeiros em ferro forjado de estilo romântico, constituindo o seu eixo estruturante. Encostados ao muro de suporte encontram-se várias pedras de armas, distribuídas ao longo do percurso adjacente. Um pouco antes da zona central do jardim flanqueiam a alameda central, à esquerda, junto ao muro de suporte, um busto em bronze do escritor Camilo Castelo Branco, assente em plinto quadrangular com chanfros e arranque mais largo, assente numa base, igualmente com chanfro e plataforma de um degrau de granito; superiormente o plinto é rematado por cornija assente em falsas mísulas. À direita, ergue-se um coreto em ferro forjado assente em base de cantaria. Sensivelmente a meio da alameda central implanta-se fonte central, com tanque de planta octogonal, composta por lajes muito baixas e exteriormente côncavas, possuindo plinto octogonal encimado por quatro pilares sustentando taça facetada e repuxo. No topo N. da mesma alameda, ergue-se uma fonte monumental em granito. A O., implanta-se café com esplanada seguido de ringue multiusos, junto ao qual se localizam instalações sanitárias inscritas no muro de suporte. A E., fronteiro ao café, dispõe-se um parque infantil seguido de zona de estadia, frontal a um ringue de patinagem e, tal como ele, envolta por vedação em ferro, constituindo uma composição simétrica. Na placa nascente, entre esta e o coreto, encontra-se uma Araucaria colunaris (araucária). Do lado oposto, entre os dois lances da escada inscrita no grande muro de suporte, encontra-se uma Camellia japonica (cameleira). Junto à fonte do topo N. encontramos inseridos na alameda central cedros. Estas espécies arbóreas encontram-se estrategicamente posicionadas, chamando a atenção do público para sítios chave deste jardim: a entrada principal, o coreto, a escadaria de acesso poente e finalmente a grande fonte. CORETO de planta centralizada, octogonal, de volume simples, constituído pela base e cobertura metálica, também octogonal. Base com paramentos em cantaria, com cunhais apilastrados nos vértices e terminada em cornija. A fachada principal possui uma escada adossada, de cinco degraus semicirculares, e posteriormente é rasgada por porta de verga recta de acesso a espaço de arrumos, com porta em ferro, pintada de verde. Sobre a base, corre gradeamento em ferro forjado, pintado de verde, decorado com motivos estilizados, onde se insere a entrada, cerrada por portão de ferro forjado ladeado por colunelos coroados por motivo ovalóide; nos ângulos do polígono, erguem-se oito colunas, de fuste canelado e tendo a meio e nos topos anéis decorados, em ferro fundido, pintado de verde; os falsos capitéis são ladeados por mísulas de volutas estilizadas, as quais suportam uma armação em ferro, onde assenta a cobertura; esta é em cúpula, facetada, exteriormente pintada de verde e interiormente de branco, rematada no vértice por harpa. Ao longo da cúpula corre lambrequim de ferro, decorado e tendo nos ângulos colunelos. Pavimento em cantaria. FONTE de planta rectangular formando caixa de água, em cantaria de granito, com espaldar rectilíneo, de zona central avançada, possuindo soco inferior e sendo flanqueado por duas falsas pilastras toscanas, que surgem mais recuadas; é rematada por cornija encimada por elemento piramidal elegante, coroado por cornija e sustentando urna. O espaldar da fonte possui apainelado rectangular, com moldura formando ligeiro recorte, contendo lápide de mármore inscrita e, lateralmente, dois pingentes destacados; sob o painel sai de um silhar um festão fitomórfico. As faces laterais da fonte são lisas. Flanqueiam a fonte duas pequenas alas formando muretes, compostas por uma zona mais saliente, onde surge no topo a bica, decorada com motivos vegetalistas, e é coroada por fogaréu, e a zona extrema, mais estreita e em silharia fendida, coroada por bola de cantaria. Frontalmente, dispõe-se o tanque, rectangular, prolongando-se quase até ao fim do corpo avançado das alas laterais, com bordo saliente e possuindo réguas metálicas no alinhamento das bicas, para suporte do vasilhame. Na face posterior da fonte existe a caixa da mina, com porta de ferro.
Materiais
Vivos: árvores - Tilia cordata (tília), Phoenix dactylifera (tamareira), Magnólia grandiflora (magnólia), Araucaria colunaris (araucária), Camellia japonica (cameleira); herbáceas - Viola cornuta (amor perfeito). Inertes: base e escadas do coreto, pilares e plintos, brasões, fonte central e fonte do topo N. em cantaria de granito; caminhos em macadame; varandim, portões e estrutura do coreto em ferro forjado; vedação da zona de estadia e do ringue polivalente, candeeiros e papeleiras em ferro; busto em bronze, bancos de jardim em madeira.
Observações
Inicialmente, o jardim desenvolvia-se numa série de canteiros triangulares em ambos os extremos do jardim e em canteiros irregulares na parte central, presididos por uma fonte. Posteriormente, procederam-se a algumas modificações do seu traçado; assim, alterou-se o traçado da zona central, os canteiros triangulares tornaram-se mais compridos e em algumas zonas modelados pela linha curva. Mandaram-se vir do Gerês árvores desconhecidas para com elas se conseguir manter uma temperatura amena no jardim.