Arquitetura residencial, tardo-barroca e oitocentista. Casa nobre de planta poligonal irregular, composta por vários corpos, o principal construído em finais do séc. 18, com fachadas de dois pisos, separados por friso, com cunhais apilastrados, terminadas em frisos e cornijas e rasgadas regularmente por vãos abatidos. A fachada principal termina em cornija alteada ao centro em perfil curvo, contendo brasão de família, correspondendo os vãos no piso térreo a portais intercalados por janelas jacentes e de peitoril, com molduras terminadas em cornija e, no andar nobre, a janelas de peitoril e de sacada ao centro, de perfil contracurvo, com molduras de avental, brincos e espaldar com motivos vegetalistas e cornija contracurva. No interior, o corpo principal revela a divisão espacial e social típica dos solares durienses, tendo no piso térreo vestíbulo ladeado pela adega e lagar e no andar nobre a zona social virada à rua e a íntima virada ao jardim posterior. Constitui a casa nobre de Provesende com a decoração das fachadas mais rica e exuberante, denotando ter sido construída sobre uma outra pré-existente, terminada em cornija simples. Segundo Ricardo Vaz, Eunice Salavessa e Aníbal Costa, a casa evidência três fases construtivas, "uma pré-pombalina, outra pombalina, e uma intervenção menos avultada, de finais do sec. XIX, com diferente organização espacial, geometria das proporções e técnicas construtivas". O corpo virado ao pátio e jardim apresenta linhas simples, denominada de maneirista ou de "estilo chão". No interior algumas zonas conservam a estrutura de "gaiola" de madeira, estrutura tridimensional, embebida na alvenaria das fachadas e constituída por perfis de madeira notavelmente solidarizados.
Planta poligonal irregular, composta por vários corpos, com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com dois pisos separados por friso, com embasamento de cantaria, pilastras coríntias nos cunhais, remate em múltiplos frisos e cornijas e rasgada por vãos de verga abatida. Fachada principal virada a E., rematada ao centro por falso frontão semicircular alteado, contendo brasão de família. É rasgada por sete eixos de vãos, correspondendo no primeiro piso a três portais, duas janelas de peitoril nos extremos, e duas janelas jacentes e gradeadas ladeando o central, todos com molduras terminadas em cornija e a do portal central ladeado por festões de flores relevados e com amplo fecho volutado, constituindo a base do vão superior. Ao nível do andar nobre, abre-se ao centro janela de sacada, de perfil contracurvo, e de guarda em ferro forjado, com dupla moldura, recortada lateralmente, encimado por espaldar recortado terminado em cornija de lanços com chave relevada, e ornada por vieira ladeada de elementos vegetalistas. Lateralmente abrem-se seis janelas de peitoril, três de cada lado, com molduras formando pingentes laterais e avental delimitado por cornija com elementos vegetalistas muito relevada e terminada em espaldar sobreposto por palmas entrelaçadas, rematada em cornija contracurva. Sobre a cobertura desenvolve-se águias furtadas, revestidas a telha ou chapa metálica ondulada, com trapeiras, com janelas de guilhotina. Fachada lateral esquerda rasgada no piso térreo por portal longilíneo entre duas janelas de peitoril, formando brincos retos, todos com molduras terminadas em cornija, e no andar nobre com janelas de peitoril iguais às da frontaria. Fachada lateral direita mais simples, rasgada apenas por janela de peitoril descentrada, de moldura formando brincos retos e terminada em cornija, por pequena janela, com molduras de madeira no segundo e janela de peitoril, com caixilharia de guilhotina e molduras de madeira nas águas furtadas. INTERIOR do corpo principal com zona de lagar e adegas; nos andares superiores, o alinhamento a N., voltado para o pátio e jardim, corresponde à zona íntima familiar, da cozinha, sala de refeições e quartos; o alinhamento central é o do acesso, com corredor de ligação e caixa de escada, alinhamento que está duplicado na direção S. por uma zona preambular doméstica de antecâmaras; o alinhamento meridional, junto à rua, a crescer para O., corresponde à zonanobre, com vestíbulo, escada e zona social, com salão de festas e salasde reunião. A zona das águas furtadas possui quartos onde dormiam os criados.
Materiais
Estrutura em alvenaria de xisto, rebocada e pintada ou aparente; pilastras, frisos e cornijas, molduras dos vãos, e outros elementos em cantaria de granito; gatos e grades em ferro; vidros simples; caixilharia, portas e portadas de madeira; pavimento do piso térreo em lajes de granito e nos superiores de vigas e soalho de castanho; tetos de esteira ou de masseira em madeira de castanho, pintados, com as tábuas ligadas segundo o sistema "saia camisa" ou em falsas abóbadas de estuque, sobre cornija de estuque; escadas para o 1º piso revestidas a lajes de granito e as restantes em madeira de castanho; cobertura em telha de canudo ou marselha, introduzida, colocada ou não sobre um guarda-pó.
Observações
EM ESTUDO