conjunto de edifícios de raíz medieval, de planta rectangular, irregular, com articulação entre si. Fachada principal voltada para pátio marcada por dois pisos com entradas individualizadas em todos os corpos e pisos. Ao 2º piso acede-se por escadaria de dois lanços divergentes, cada um com um balcão com colunas que sustenta cobertura em aba corrida. Os dois edifícios laterais apresentam interiormente 2 momentos distintos de construção, correspondendo a uma hierarquização do espaço que no primeiro piso do edifício a O. corresponde às antigas cavalariças da rainha, de colunas policromas de capitéis cúbicos com anel, (época medieval, séc. 13 / 14), e o da lado E. aos celeiros, espaço de pilares toscanos de ângulos chanfrados, (idade moderna, séc. 16 / 17), e no 2º piso de ambos os corpos, de espaços amplos, apresentavam colunas em madeira que suportavam a cobertura em telha vã com as asnas decoradas por pendentes e pequenas mísulas, actualmente substituído por material metálico. O conjunto das cavalariças e celeiros foram adaptados a Museu com a destruição do corpo central existente dando origem a uma nova construção apresentando uma linguagem formal modernista e concedendo uma nova leitura estética ao espaço. Os corpos E. e O. mantêm a estrutura interna. Destaque para o corpo central saliente de gramática depurada, cujos vãos são recortados na superfície lisa da parede de forma aparentemente aleatória, de orientações, dimensões e expressões diferentes; a nível do segundo piso o volume é apoiado sob vão transparente dando a sensação de suspensão.
Conjunto de 3 edifícios de planta rectangular irregular, articulados entre si, sem coincidência exterior/interior, de 2 e 3 pisos, implantado em terreno de declive acentuado a O.e formando sub-cave nos corpos E. e central; volumes de disposição horizontalista, quebrada pela verticalidade do corpo central; coberturas diferenciadas, sendo no corpo E. em telhados de 4 águas, no qual as duas principais se prolongam para lá do encontro das duas menores, formando óculos triangulares nos vértices, em terraço no corpo central e de uma água no corpo O.. Fachadas em alvenaria mista, rebocadas e pintadas de branco. Vãos de acesso e iluminação rectangulares de moldura em cantaria, nos corpos laterais e em estrutura metálica no central. Fachada principal voltada a S., em meia empena no edifício A, liga ao edifício B através de um corredor de distribuição de espaços nos 3 pisos, que por sua vez liga ao edifício C, mais comprido, tendo o topo S. adossado à Capela de São Pedro, através de um passadiço de estrutura transparente assente em perfis metálicos; sendo a entrada principal feita pelo corpo central, a fachada apresenta 3 entradas distintas a nível do primeiro piso, correspondendo aos 3 corpos que compõem a mole construtiva. A porta lateral esquerda no edifício A; a entrada principal e de acesso público no edifício B e uma entrada em arco de volta perfeita, antigo acesso ao hall do edifício C; as janelas, de diferentes modinaturas, rasgam-se somente a nível do segundo e terceiro pisos. Fachada lateral direita, de dois pisos, é rasgada por seis vãos quadrangulares e uma fresta rectangular a nível do primeiro piso e por três grandes janelões rectangulares no segundo piso. Fachada lateral esquerda, de acentuada pendente com coincidência interior; modinaturas irregulares sendo o primeiro piso aberto por quatro janelas rectangulares colocadas horizontalmente e no segundo por três janelões rectangulares todos de moldura em cantaria. Fachada posterior, com rampa de acesso ao interior, é composta por três corpos escalonados, e articulados entre si; o corpo E. com sub-cave e dois pisos rasgados por três vão, em cada um, de moldura rectangular em cantaria; o corpo central saliente de gramática depurada, cujos vãos são recortados na superfície lisa da parede de forma aparentemente aleatória, de dimensões e expressões diferentes; a nível do segundo piso o volume é apoiado sob vão transparentes dando a sensação de suspensão; o corpo O. de 3 pisos tem no primeiro e segundo modinaturas irregulares e o terceiro, que corresponde a uma galeria interna, é cego. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco apresenta os espaços ligados entre si através de corredores de circulação e escadas. A sub-cave ou piso 01, acompanhando a diferença de cotas dos edifícios C e B, à qual se acede por lanço de escadas a partir do edifício A, a O..e pelo exterior da fachada posterior através de rampa, divide-se em salas distintas de apoio às actividades do Museu, como depósitos, arquivos, comportando também as casas das máquinas e instalação eléctrica. O edifício C de dois pisos com espaços estruturados correspondendo a uma hierarquização em que no piso 1 é feita através de pilares toscanos de ângulos chanfrados, de diferente policromia, com as divisões em vidro para instalação de gabinetes e serviços diversos de apoio ao museu; paredes interiores rebocadas e caiadas tendo na zona do antigo hall um silhar de azulejos de padrão policromo formando entrelaçados fitomórficos, delimitado por friso, e com rodapé de pedra torta em manganês e um registo em cantaria onde se vê uma sigla de canteiro; no piso 2 com pilares metálicos, que antes da intervenção eram em madeira sustentando cobertura em vigamento, apresenta espaço amplo onde funcionará a sala de exposição permanente do museu. O edifício B, de três pisos, tem no primeiro o hall principal de acesso ao público, ladeado por dois corredores de circulação e distribuição e de acesso aos corpos laterais; do lado direito abrem-se as portas para o corpo E. (edifício C) e do lado esquerdo é feita a ligação através de escadas (de emergência e principais) ao corpo O. (edifício A) e à sub-cave, sendo dividido por áreas de apoio ao público, de lazer e cafetaria; no segundo piso tem o gabinete de projecção e régie, sala polivalente e instalações sanitárias e lateralmente, a E. um corredor com dois passadiços de acesso ao edifício C e sala de exposição permanente, e a O. corredor de ligação às escadas de emergência e principais que ligam ao edifício A (corpo O.); o terceiro piso é dividido por gabinetes e sala de reuniões com o corredor do lado O. articulando com o corpo deste lado através de escadarias. Corpo O. (edifício A) de 3 pisos, ligado à sub-cave por corredor e escadas de acesso; o primeiro pavimento apresenta uma ligeira inclinação correspondente à pendente exterior, de espaço amplo dividido em três naves e sete tramos de arcos formados pelas colunas medievais de fuste circular e com capitéis cúbicos com anel e vestígios de policromia; paredes rebocadas e pintadas de branco e molduras dos arcos em cantaria aparente; segundo piso com acesso através de lanço de escadas para sala ampla com pilares em metal correspondentes às colunas do piso inferior, elevando-se sobre a nave a E. o terceiro piso formando uma galeria com guarda em ferro e madeira.acesso; o primeiro pavimento apresenta uma ligeira inclinação correspondente à pendente exterior, de espaço amplo dividido em três naves e sete tramos de arcos formados pelas colunas medievais de fuste circular e com capitéis cúbicos com anel e vestígios de policromia; paredes rebocadas e pintadas de branco e molduras dos arcos em cantaria aparente; segundo piso com acesso através de lanço de escadas para sala ampla com pilares em metal correspondentes às colunas do piso inferior, elevando-se sobre a nave a E. o terceiro piso formando uma galeria com guarda em ferro e madeira.
Materiais
Estrutura em alvenaria mista, betão, reboco de argamassa de cal com pintura de resina acrílica; placas de poliesterino; telha cerâmica de canudo; caixilharia metálica com vidro duplo; pavimentos do 1º piso de laje aligeirada com estrutura de coprolex, escadas em cantaria com corrimão em ferro e madeira; galeria com guarda em madeira; pilares metálicos nos corpos A e C a nível do 2º piso; sistema AVAC.
Observações
*1 - A descrição do conjunto antes das obras: "Planta composta por 3 corpos, com disposição horizontal, sendo os 2 do lado O. adossados e o de E. separado por estreito logradouro e ligado a nível do 2º piso por passadiço; corpo E. longitudinal regular, mais comprido; corpo central rectangular regular e corpo O. trapezoidal; de 2 pisos, apresentam coberturas diferenciadas em telhados de 4 águas. Remates em empena e beiral. O acesso ao pátio é feito por um entrada rectangular, adossado à fachada lateral esquerda da igreja de São Pedro, fechada por portão em chapa e ferro com a sigla R.A.L.4 e pela fachada posterior da igreja através de uma porta rectangular à qual se chega vencendo um lance de escadas que dão para um hall com paredes rebocadas, com azulejos neoclássicos, policromos de padrão amarelo, branco e azul e rodapé em azulejo esponjado cor de vinho, formando silhar; pavimento em calçada e cobertura com dois arcos abatidos; este hall dá acesso directo ao corpo E. e ao pátio por onde se acede aos restantes espaços. Fachada principal voltada para pátio marcada por dois pisos com entradas individualizadas em todos os corpos e pisos. Ao 2º piso acede-se por escadaria de dois lanços divergentes, cada um com um balcão com colunas que sustenta cobertura em aba corrida. O corpo central tem por cima do lintel o monograma M. G. (Ministério de Guerra) gravado em pedra. Porta de moldura recta com jambas boleadas. Fachada lateral direita do corpo E. é rasgada por 6 janelas e posterior com 2 janelas e uma porta; lateral esquerda 3 janelas e 1 porta. Fachada lateral direita do corpo central aberta por 3 janelas, 2 de pequenas dimensões e fachada posterior com uma porta e 2 janelas; fachada lateral esquerda adossada ao corpo O. que por sua vez é aberto na fachada principal ao nível do 1º piso por porta rectangular e na fachada posterior com 3 janelas; fachadas laterais cegas. Todos os vãos de janela têm gradeamento em ferro. Nas fachadas posteriores dos três corpos foram construídas estruturas de apoia ao quartel. INTERIOR: o acesso é feito de forma independente nos 3 corpos . À direita (edifício C), no corpo longitudinal de maior comprimento, a entrada faz-se através do hall já referido, lateralmente por porta rectangular e na fachada posterior por porta a que se acede através de um lance de escadas. O espaço, é dividido em duas salas separadas por parede aberta por uma porta de moldura rectangular e uma janela interior; cada um dos compartimentos tem 3 naves formadas por pilares quadrangulares chanfrados com capitéis cúbicos, ligadas longitudinalmente por arcos de volta perfeita, 9 de cada lado, com 4 e cinco tramos; tecto com travejamento em madeira. Na parede fundeira abrem-se 2 janelas e a porta já referida. O corpo central, rectangular, de menor dimensão tem entrada através do pátio e pela fachada posterior; de uma só divisão, onde funcionavam os antigos balneários, tem duas naves e quatro tramos formados por pilares quadrangulares colocadas 3 no centro e três de cada lado, adossadas às paredes, ligadas transversalmente, formando arcos de volta perfeita; pilares e paredes forradas com silhares de azulejos brancos industriais; pavimento e tecto em cimento; O acesso ao interior do corpo a O. é feito através de um pequeno túnel com porta de moldura rectangular com jambas boleadas, apresentando o pavimento uma ligeira inclinação vencida por 3 largos degraus; este corpo central dá acesso às diferentes salas obtidas pelo encerramento dos vãos dos arcos formados pelas colunas medievais de fuste circular e com capitéis cúbicos. Nas paredes são visíveis as colunas e os arcos; pavimento em paralelepípedos e tecto com travejamento de madeira. O 2º piso de espaços amplos com colunas em madeira que suportam a cobertura em telha vã com as asnas decoradas por pendentes e pequenas mísulas. A tipologia atribuída ao edifício com função de cavalariça e celeiro era a seguinte: Arquitectura agrícola e pecuária. Conjunto de 3 edifícios, de planta rectangular, irregular, com articulação entre si. Fachada principal voltada para pátio marcada por dois pisos com entradas individualizadas em todos os corpos e pisos. Ao 2º piso acede-se por escadaria de dois lanços divergentes, cada um com um balcão com colunas que sustenta cobertura em aba corrida.Os dois edifícios laterais apresentam interiormente 2 momentos distintos de construção, correspondendo a uma hierarquização do espaço que no primeiro piso do edifício a O. corresponde às antigas cavalariças da rainha, de colunas policromas de capitéis cúbicos com anel, (época medieval, séc. 13 / 14), e o da lado E. aos celeiros, espaço de pilares toscanos de ângulos chanfrados, (idade moderna, séc. 16 / 17), e no 2º piso de ambos os corpos, de espaços amplos, apresentam colunas em madeira que suportam a cobertura em telha vã com as asnas decoradas por pendentes e pequenas mísulas." *2 - «"Mitra da Diocese de Leiria - Cópia do Inventário dos Bens de Raiz na posse e administração da Mitra - Freguesia da Sé - Bens Livres" - Nº 15 : Paço Episcopal, uma casa nobre, sita no monte do castelo de Leiria quase quadrada com dois pátios ou claustros internos para o lado sul, uma varanda descoberta e uma capela com sua sacristia, que parte do nascente, poente e norte com a cerca anexa ao mesmo paço e do sul com o largo da torre da Sé de Leiria e rua pública. Foi este prédio visto e examinado pelos competentes louvados e disseram que atendendo à sua natureza não lhe podia fixar rendimento anual e por isso só a avaliavam por estimação na quantia de 35 centos e 500 mil reis. :Nº 16: Uma cerca murada anexa ao paço episcopal acima descrito com seus passeios, pátio, pomar de laranjeiras e outras frutas, terra para horta com seu poço e nora e aquedutos e terreno adjacente pelo lado de fovalaria ra dos muros; que tudo parte do nascente, poente e norte com caminho público que vai a Peralvito e do sul com o paço episcopal, armazém de azeite (------) com uma casa que serviu de celeiro da mitra e hoje é quartel de cavalaria e com estrada pública que vai para o Arrabalde de Aquém. Foi esta cerca e suas pertenças vista e examinada pelos competentes louvados; e disseram com intervenção do desempatador, que atendendo à sua estimação a avaliavam na quantia de 15 centos e 500 mil reis (15.500$500). Nº 18: Uma casa com dois andares pegada à cerca pelo lado do poente, que antigamente serviu de celeiro da Mitra e hoje de quartel de cavalaria; que parte do nascente com a cerca e o Teatro de Sam Pedro e Norte com a mesma cerca e do sul com uma casa pertencente à Mitra (1.200$000); Nº 19: Duas terças partes de uma casa situada ao norte do teatro de Sam Pedro desta cidade e que antigamente também serviu de celeiro da Mitra, o qual era misto com o do cabido desta cidade, as quais duas terças partes confrontam do norte com a casa da Mitra que serve de quartel de cavalaria, do sul com a terça parte desta casa pertencente à dita Fábrica, do nascente com o largo do teatro e do poente com logradouros da cerca episcopal.». *3 - Relatório de 1895 para avaliação do terreno: Antigos quartéis de Cavalaria: é uma propriedade urbana com três cavalariças no pavimento térreo, e casernas e outras dependências no 1º andar. Situado na cidade de Leiria, ao pé do castelo, freguesia de Nª. Srª: da Assumpção, concelho e distrito de Leiria, tem os nºs. 7, 8, 9 e 10 de polícia do largo de S. Pedro, confronta pelo N. e nascente com terrenos do antigo Paço episcopal, pelo poente com caminho público, S. com largo de S. Pedro. Mede em edifícios c. de 1.081 m2. Renda anual atribuída ao prédio - 60$000 reis. O estado está na posse deste edifício há proximamente 50 anos, tendo o domínio útil; o direito parece pertencer ao Paço Episcopal, mas nada se lhe paga de foro e também pela prescrição se possa considerar hoje o domínio como perfeito estado de conservação; muito regular. Ocupação actual - três praças reformadas, guardas do castelo de Leiria; tem aquartelado muitas vezes forças de cavalaria. Nunca esteve arrendado este edifício. Avaliação por metro quadrado.900.000 réis. *4 - "Prédio Militar nº 6/27. / ANTIGOS QUARTEIS DE CAVALARIA. / Situado na freguesia de Leiria, Largo de S. Pedro ao Castelo. / Tem placa. /Consta de um edifício com 2 pavimentos, destinado a: / Casernas; / Cavalariças;/ Aquartelamento do R.A.L.4. / Confronta: Norte com terreno do Castelo e cerca (...); Sul, com a / antiga igreja de S. Pedro e cerca do ex-Paço do Bispo; Nascente com cerca do ex-Paço do Bispo e Poente, com Largo de S. de S. Pedro e caminho público. / Tem as áreas: coberta de 1.084 m.q. e descoberta de 1.244 m.q. / Valor em 31-12-940 - 2.130.000$00" (DSE:Rep. Pat., Tombo Militar) *5 - Do espólio das escavações é de referir materiais cerâmicos datáveis da época medieval e moeda cunhada identificada como Ceitis. O projecto apresenta o encerramento do espaço do pátio por portão revestido a chapa de ferro tratada e pintada, ainda não executado.