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Reformatório de Vila do Conde

Reformatório de Vila do Conde

O ponto de interesse Reformatório de Vila do Conde encontra-se localizado na freguesia de Vila do Conde no municipio de Vila do Conde e no distrito de Porto.

Arquitectura religiosa, setecentista, e civil judicial do séc. 20. Convento de clarissas adaptado a estabelecimento judicial de internamento para menores, cuja disposição actual resultou das obras de adaptação feitas no séc. 20. Do antigo mosteiro, que permanecia inacabado, apenas se mantiveram as fachadas e o refeitório, tendo sido tudo o mais reconstruído para a sua ocupação enquanto estabelecimento tutelar de menores. Complexo implantado em contexto urbano, dedicado a menores do sexo masculino e com um programa reeducativo de feição industrial, que se reflecte no conjunto oficinal erigido em terrenos adjacentes à escola, na antiga cerca do convento. A construção deste conjunto caracteriza o único momento de expansão do estabelecimento em toda a sua história, ao contrário da maioria dos estabelecimentos da rede, resultando de um momento específico da evolução do programa, cujo objectivo era a formação profissional dos jovens que ali eram recolhidos, para a sua efectiva inserção no mundo profissional. Este estabelecimento funcionou sempre em torno do antigo edifício conventual, que alojou todas as valências necessárias, e as novas oficinas, não se multiplicando em edifícios e estruturas edificadas, de novo à semelhança do que se registou noutros casos. Dentro da arquitectura judicial do séc. 20, no que diz respeito aos estabelecimentos de internamento de menores, partindo da matriz criada com as obras de 1930, integra-se na seguinte tipologia: estabelecimento com lotação entre os 100 e os 150 menores, para o sexo masculino, em contexto urbano, com estruturas de alojamento dos educandos em edifício único preexistente, de planta em U, com separação por grupos mas adaptada à administração salesiana, de áreas funcionais por pisos: no térreo as oficinas, salão de conferências, celas disciplinares e armazéns, no 2º as salas de família, salas de aula e os refeitórios, a par dos serviços administrativos, e no último estavam concentrados as camaratas dos menores e os quartos para alojamento dos religiosos.

O Centro Educativo de Santa Clara é composto por um edifício principal, o antigo convento de Santa Clara, que foi alvo de uma importante campanha de obras de restauro na década de 1930, e por quatro pavilhões para as oficinas, construídos entre 1952 e 1974. EDIFÍCIO PRINCIPAL de planta em U, que se desenvolve em 3 pisos, em redor de um pequeno pátio que funciona como recreio. Edifício de volume único, com coberturas em telhado de 2 águas na ala principal, e de 3 nos topos. Como o terreno de implantação da igreja e do claustro se situa numa cota superior, este recinto encontra-se limitado pelo muro de suporte do terreno, a N., e pelas fachadas do edifício principal nas restantes frentes. A única forma de acesso, pelo exterior, é através de um portão situado a NO. do pátio. A fachada principal, integralmente revestida em pedra, marcada pela definição dos 3 pisos que compõem o edifício, apresenta, no térreo, embasamento proeminente vazado apenas por 1 porta e 2 janelas. O 2º e 3º pisos apresentam 3 janelas de sacada cada um, separadas entre si por pilastras. As janelas ao centro têm balaustrada em pedra, e as restantes em ferro. Na platibanda, que encerra a fachada, existem 4 fogaréus, um por cada uma das pilastras. As fachadas que dão para o exterior têm o mesmo tratamento: verticalmente marcadas por pilastras em pedra, encimadas por fogaréus, com janelas de peito no piso térreo, e janelas de sacada nos restantes; todas elas estão protegidas por grades de ferro. As fachadas que limitam o pátio, viradas a N., têm também um tratamento muito simples. A separação dos pisos é marcada por friso de pedra que corre todo o edifício horizontalmente, registando-se uma alternância entre janelas de sacada, com guarda-corpo em ferro, e de peito. Os acessos verticais são feitos apenas por escadas, duas situadas na ala poente, que se entrecruzam, e uma na ala nascente. Os espaços do estabelecimento estão distribuídos segundo uma lógica funcional, ou seja, no piso térreo encontramos os espaços de convívio reservados aos menores e de logística, no 2º as salas de aula, refeitórios, gabinetes dos técnicos e da direcção, e no 3.º o alojamento dos menores e dos funcionários (à data apenas para os padres da comunidade salesiana), e as instalações sanitárias e balneários dos menores. No piso térreo, na ala poente, a entrada é feita por vestíbulo por onde se acede à sala de conferências, escadas de acesso aos pisos superiores e para a porta que dá para o recreio; tem ainda uma pequena sala, junto à parede N., que serve de portaria. A sala de conferências, que foi inicialmente refeitório das freiras, apresenta uma planta rectangular e tecto abobadado, com palco junto à parede S.; são ainda visíveis molduras em cantaria onde estariam telas de temática religiosa que decorariam o refeitório, e que hoje enquadram pinturas murais de temática salesiana; ocultado pelo palco está uma moldura mais elaborada, com medalhão inscrito em frontão; existe ainda o local do antigo púlpito, apenas com o suporte e sem guarda, e a escada de acesso, inserida na parede O.. Na ala S. estão situadas as salas de convívio dos internados (sala de televisão, de jogos e bar), um atelier de fotografia com sala escura, e a rouparia. Estes localizam-se no primitivo local das oficinas e o seu acesso é feito pelo exterior. Na ala nascente localiza-se o ginásio, lavandaria e engomadoria, garagem e duas arrecadações, para além de instalações sanitárias. Estes espaços são acessíveis tanto pelo exterior, por porta no canto a SE. do recreio, como por escada interior. No 2º piso, no topo da ala O. localizam-se os gabinetes da direcção, precedidos por antecâmara. Nesta ala, para sul, e viradas a O, encontra-se 1 sala de aula do 2º ciclo e outras salas de apoio, como sala de professores e da comunidade salesiana, sala de estar, sala de estudo, e de coordenação pedagógica, todas no mesmo local onde já estiveram instaladas as salas de família quando o estabelecimento funcionava como reformatório. Na ala S. existem mais 2 salas de aula, sala de monitores, informática, e o gabinete dos técnicos do Instituto de Reinserção Social. Há ainda uma sala que alberga uma pequena capela particular, utilizada apenas pela comunidade salesiana residente. A ala E. é preenchida com o refeitório dos menores, no topo, precedido pelo refeitório para os funcionários e padres. O antigo refeitório dos menores, a O. dos outros foi transformado em dispensa, com a instalação de câmaras frigoríficas. O 3º piso encontra-se ocupado na quase totalidade com os dormitórios dos menores, e as respectivas instalações sanitárias e balneários. Dos 3 dormitórios existentes, apenas 2 se encontram em funcionamento, mas em todos eles foram colocadas estruturas em madeira que permitem maior privacidade aos menores ali recolhidos. Estas estruturas são compostas de cubículos separados entre si, que podem alojar entre 2 a 3 camas, com respectiva mesa-de-cabeceira, cómoda e roupeiro. No dormitório reservado aos rapazes mais velhos a estrutura instalada permite que cada um dos menores tenha o seu cubículo, fechado por cortina. No topo da ala E. encontra-se a enfermaria, composta por gabinete do médico, sala de curativos e pequeno dormitório, com 8 camas, mas também com os respectivos quartos de isolamento, junto dos quais existem quartos para os elementos da comunidade salesiana ali residente. No topo da ala poente encontra-se o arquivo do centro educativo. OFICINAS: construídas entre 1954 e 1974, compõem-se de quatro pavilhões, inscritos em propriedade murada a toda a volta, e implantados no sentido N./S., paralelos à R. D. Nuno Álvares Pereira. Pavilhões de planta rectangular e volumes simples, com cobertura em telhado de 2 águas, e de igual tratamento: janelas amplas rasgadas a todo comprimento das paredes, por vezes intercaladas por portões. A oficina de mecânica de automóveis, destacada das restantes, a N., está implantada junto ao caminho de acesso, tem fachada principal virada a O., de dois pisos. O interior encontra-se compartimentado segundo as necessidades do trabalho oficinal: no piso térreo é feita a recolha dos carros, com espaço para lavagem, lubrificação, fossa e depósito de óleos; o 2º piso está dividido em secção de serralharia civil, secção de montagem, secção de serralharia mecânica e secção de serralharia de mecânica de automóveis, com compartimentações específicas para armazenagem de materiais, de ferramentas, pintura de automóveis, tratamentos térmicos, soldadura, e ainda as instalações sanitárias e vestiários para os rapazes. As restantes oficinas estão agrupadas com disposição em U, estando a N. a oficina de marcenaria-carpintaria e a S. as oficinas de tipografia-encadernação e electrónica, adossadas nos topos. A de marcenaria tem um só piso, com entrada a S., composto pelas seguintes secções: carpintaria, acabamentos, de máquinas, de marcenaria, de materiais, para além da sala de móveis, gabinete dos mestres e as instalações sanitárias. Esta partilha a mesma escadaria de acesso e átrio que a oficina de tipografia. A de encadernação, de 2 pisos, tinha no térreo apenas a casa da caldeira e monta-cargas, servindo o restante espaço de armazém. O piso superior, cujo acesso se faz pelo topo a N., é composto pela secção de encadernação, impressão, composição manual, e de composição mecânica, e as divisões para dourador, aparas de papel, depósito de obra feita, arrecadação de materiais, para além dos gabinetes dos mestres e instalações sanitárias. O pavilhão mais a S., que foi planeado inicialmente para a alfaiataria e sapataria, foi dividido em dois, fazendo-se o acesso ao centro, na fachada virada a N..Com o fim do ensino profissional, estas oficinas deixaram de funcionar como tal, mantendo-se apenas como salas para ateliers ocupacionais.

Materiais

Granito, madeira, alvenaria, betão, telha, azulejo industrial, vidro, betonilha

Observações