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Dispensário da Assistência Nacional aos Tuberculosos, IANT, de Sesimbra

Dispensário da Assistência Nacional aos Tuberculosos, IANT, de Sesimbra

O ponto de interesse Dispensário da Assistência Nacional aos Tuberculosos, IANT, de Sesimbra encontra-se localizado na freguesia de Sesimbra (Santiago) no municipio de Sesimbra e no distrito de Setúbal.

Arquitectura, assistencial, modernista, vernácula. Equipamento social de saúde, numa tipologia modesta, congregando a expressão estilizadamente modernista às características tradicionais vernaculares da casa portuguesa. Modernismo nos volumes cúbicos assentes em embasamento rusticado, aproveitando o declive característico da vila, onde se destacam as geometrias das linhas das fachadas; mantém espaços bem articulados numa planta em L, e expressão plástica das fachadas que abdicam da simetria e exibem liberdade de desenho onde há realce para faixas de fenestração contínua, o embasamento e o remate em cunhal com função decorativa. O vernàculo de casa portuguesa está patente no gosto pela diversidade plástica das fachadas, com uso de grelhas cerâmicas e alpendre de arco redondo, nas coberturas de telhados de várias águas com beiral, com remate arrebicado.

Planta em L, composta, regular, com coincidência exterior / interior; massa composta por 2 volumes paralelipipédicos, articulados em L, com disposição horizontal, tendo como cobertura exterior telhados de 2 águas sobre cada um dos 2 corpos. As fachadas são de 1 piso; a principal está orientada a O., tem embasamento revestido a pedra, destaca-se nela 2 panos, é rematada lateralmente por cunhal em pedra rusticada; no pano da direita, ressalta, à direita em relevo, a inscrição Dispensário / Antituberculoso e uma cruz de Lorena *1; à esquerda, abrem-se os vãos de iluminação em 2 níveis, em faixa contínua, estando a faixa inferior organizada em grelha de elementos altos verticalizantes e, a superior, em faixa estreita de grelha geometrizante; o pano da esquerda apresenta um discreto avançamento, onde se rasga um arco de volta inteira de acesso ao alpendre, onde se rasga a porta principal de entrada, e onde avulta uma grelha aberta de arejamento que repete os elementos geometrizantes já descritos. A fachada a N. é de 1 pano, à esquerda tem 1 vão de acesso ao alpendre em verga rectilínea a que se sobrepõe uma faixa de iluminação semelhante ao descrito, à direita apresenta uma série de vãos de fenestração contínua de iluminação com elementos verticalizantes. A E. avultam as fachadas que formam entre si ângulo recto, de 1 só pano, com vãos de iluminação abertos em continuidade. A fachada a S. é de 2 panos; no da direita abre-se uma porta de verga rectilínea, de acesso ao interior, sobrelevada por um degrau; no da esquerda rasga-se uma faixa de vãos de iluminação semelhante ao já descrito, remata lateralmente por cunhal onde está inscrito, em ressalto, VACINA / B C G. As fachadas rematam superiormente em cornija e beiral; destacam-se nelas elementos rectilíneos em ressalto, onde assentam as faixas de fenestração. O INTERIOR é um espaço diversificado, onde se abrem os várias compartimentos respeitantes a salas de espera, secretaria, gabinetes de atendimento médico e de enfermagem, gabinetes de diagnóstico médico, sanitários, entre outros, os alçados e os tectos são planos rebocados e pintados, apresenta divisórias em vidro. A iluminação é conseguida através dos vãos já descritos.

Materiais

Pedra: calcário; cerâmica: tijolo, azulejo industrial, ladrilho, telha; vidro simples; estuque pintado, metal: ferro, alvenaria de pedra e cal, betão armado; madeira.

Observações

*1 A cruz de Lorena foi símbolo das cruzadas e missões depois de Godofredo de Boillon, príncipe da Lorena, a ter colocado no seu estandarte na conquista de Jerusalém (no ano de 1099); em 1902, é proposta para símbolo da luta travada contra a tuberculose, no IV Congresso Internacional da Tuberculose que decorreu em Berlim, quando a doença era já preocupação mundial. Só em 1928, no Conselho da Unidade Internacional Contra a Tuberculose foi oficialmente adoptada como insígnia mundial anti-tuberculose. *2 A utilização do edifício foi acordada através de conversações havidas entre a CMS e a ARS - Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo - Sub-Região de Setúbal, em contrapartida de um Contrato de Comodato.