Escola primária, construída ao abrigo do Plano dos Centenários. Escola primária construída durante a vigência do Estado-Novo, de planta longitudinal regular, que alia a arquitectura modernista (visível, por exemplo na importância das superfícies de vidro dispostas rectangularmente em molduras de cantaria que acentuam as linhas rectas do conjunto) a um certo gosto tradicionalista entendido como característica da arquitectura nacional ( edifício de piso térreo, completamente caiado, com beiral acentuado ) e não dispensando os símbolos do poder estado-novistas (o escudo da República a coroar a fachada principal e o letreiro identificativo da funcionalidade do imóvel). Arcos aviajados que suportam o alpendre, colocados de forma oblíqua em relação aos alçados, representam uma tipologia comum em edifícios semelhantes.
Planta longitudinal regular. Massa simples disposta horizontalmente, com cobertura em telhado a quatro águas, sobre o núcleo principal do edifício, e a uma água sobre o alpendre da fachada posterior. Fachada principal composta por três panos, sendo o central o único que se organiza a dois registos, com embasamento homogéneo de cantaria a toda a volta do edifício; primeiro registo composto por portal de acesso ao interior, de volta perfeita com dupla moldura de cantaria em toda a sua extensão, antecedido por dois degraus; segundo registo rompe em altura a horizontalidade da fachada, compondo-se por um frontão festonado, enquadrando ao centro o escudo da República Portuguesa e o letreiro "ESCOLA PRIMÁRIA"; escudo sobrepujado por candeeiro; frontão festonado delimitado superiormente por dupla linha de beiral, comum a todo o edifício; panos laterais simétricos, organizados a um só registo, contêm três janelas rectangulares dispostas horizontalmente, integradas numa moldura de cantaria contínua, sobrepujadas por arco de volta perfeita em cada janela, de cor amarela, e já fora da moldura rectangular; duplo beiral suporta a linha de telhado. Fachadas laterais N. e S. organizadas a um só registo de dois panos; pano E., que corresponde ao interior do edifício, sem elementos decorativos, vãos ou separação em registos, ostentando o duplo beiral no prolongamento natural dos elementos de suporte ao telhado da fachada principal; pano O. corresponde a um espaço alpendrado adossado ao longo de toda a fachada O., compõe-se de amplo arco aviajado, com curvatura a E. até praticamente ao nível do solo, funcionando como arcobotante, que suporta o telhado; supressão do duplo beiral, descarregando o telhado directamente na parede. Fachada posterior virada a O. compõe-se de uma sucessão de arcos, definidos pelo espaço intercolúnio dos arcos aviajados que suportam o telhado do alpendre, em número de oito e de secção rectangular, implantados em posição ligeiramente oblíqua em relação à linha de telhado; alçado O. do edifício, recuado em relação ao alpendre, compõe-se de uma massa pétrea sem elementos divisores, ostentando apenas uma porta de arco recto, aberta ao centro do alçado, que comunica com o alpendre. Quatro chaminés colocadas nos extremos do edifício, de secção circular, com abertura superior rendilhada, terminando em pináculo, sendo as duas sobre o alçado O. as de maior dimensão.
Materiais
Alvenaria rebocada e caiada; madeira; vidro; cantaria; tijoleira; telha
Observações