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Igreja dos Terceiros de São Francisco

Igreja dos Terceiros de São Francisco

O ponto de interesse Igreja dos Terceiros de São Francisco encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cedofeita no municipio de Porto e no distrito de Porto.

Igreja de confraria / irmandade, a primeira a utilizar a linguagem neoclássica no Porto, sob projecto de António Pinto de Miranda de 1794, que também executou o risco do retábulo-mor, construído pelo afamado entalhador Manuel Moreira da Silva. Fachada principal dividida em dois andares, com quatro colunas dóricas-romanas assentes em alto embasamento no andar inferior e quatro colunas jónicas no superior. Frontão triangular de tímpano quebrado. Programa iconográfico da fachada principal composto pelas estátuas da Humildade e Penitência nos intercolúnios do primeiro andar e pelas estátuas da Fé, Esperança e Caridade sobre o frontão. Igreja de nave única longitudinal e capela-mor mais baixa e estreita com tectos em abóbada de berço decorados, tal como as paredes, com estuques relevados e pinturas de cenas angélicas. Guarda-vento, coro-alto e dois retábulos em talha branca e dourada em cada parede da nave. O retábulo-mor segue o mesmo estilo dos colaterais e apresenta uma tribuna em arco pleno ladeada por dois pares de colunas compósitas douradas. Capela e sacristia adossadas a todo o comprimento da igreja, do lado do Evangelho. Linguagem arquitectónica neoclássica na fachada, com linhas simples e sem a profusão decorativa barroca, que se continua a usar em época coeva. O arquitecto recorreu às ordens clássicas e ao frontão triangular de acordo com modelos clássicos, mas fez avançar os panos laterais, salientando os volumes e imprimindo-lhes um movimento adicional. As estátuas que ornamentam a fachada apresentam uma escala contida e inspiram-se nos modelos greco-latinos. No interior, retábulos, estuques e pinturas murais remetem-nos para um ambiente romântico erudito, de influência italiana. decoração de estuques bem como os retábulos colaterais são da autoria de Luís Chiari, um dos introdutores do neoclacissismo italiano em Portugal. A igreja destaca-se pelo eruditismo, modernidade e coerência na utilização do novo estilo. O cemitério privado da ordem, em cripta abobadada e assente em arcos plenos, procura a analogia com as catacumbas de Roma.

Planta poligonal composta por nave única e capela-mor mais estreita e baixa, rectangulares, dispostas em eixo, a que se adossa lateralmente a O. corpo longitudinal, mais baixo, correspondente a capela e sacristia. Disposição horizontal das massas, contrariada pelas estátuas do acrotério e ático da fachada principal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachada principal orientada a S., em cantaria de granito aparente, de dois registos, definidos por entablamento com triglifos, e de três panos delimitados por colunas avançadas, sobre pilastras, as do primeiro registo dóricas-romanas e as do segundo jónicas. No primeiro registo, as colunas assentam em embasamento alteado em dois registos e apresentam nos intercolúnios imagens de vulto da Humildade no lado esquerdo e da Penitência no lado direito. No pano central, portal axial de ombreiras e verga rectas encimado por cartela, com inscrição, rematada por cornija. Em cada pano do segundo registo, rasga-se janelão, com gradeamento em losangos, encimado por cornija com óvulos, sendo maior o janelão central. É rematada por frontão de tímpano quebrado, com entablamento avançado e suportado nos extremos pelas colunas do segundo registo, apresentando-se a cornija decorada com óvulos. No tímpano, ao centro, surge em relevo o brasão da ordem, encimado pela coroa real. Sobre o frontão, em posição central e sobrelevada, a imagem da Fé e nas extremidades do ático as imagens da Esperança e Caridade. INTERIOR de nave única dividida em seis tramos e capela-mor em três tramos. Coberturas da nave e capela-mor em abóbada de berço, ritmada por arcos torais, com uma janela com verga de arco abaulado em cada tramo. Assentam em entablamento com dentídulos, na nave sobreposto por muro divido por pilastras toscanas, suportado por pilastras compósitas assentes em pedestais que ritmam as paredes laterais. Paredes e coberturas rebocadas e decoradas com estuques relevados e pinturas a fresco e pavimento em lajes de granito, revestido na nave por tábuas de madeira longitudinais. Na parede fundeira, portal protegido por guarda-vento em madeira de planta quadrangular e coro-alto em arco abatido assente em pedestais nas paredes laterais do sub-coro e servido por varanda avançada com guarda-corpo em talha branca e dourada. Apresenta órgão de tubos com caixa em talha branca e dourada. Paredes laterais da nave simétricas. No segundo e último tramo, porta de ombreiras e verga rectas, sobreposta por frontão circular decorado no tímpano por grinaldas e volutas, sobre o qual surge janela de sacada com grinalda na base, guarda-corpo em talha branca e dourada e frontão triangular. No terceiro tramo, retábulo de talha branca e dourada de invocação a São Luís Rei de França do lado da Epístola e a Santa Margarida Cortona do lado do Evangelho. No tramo central, púlpitos confrontantes, assentes em coluna de pedra adossada, com guarda-corpo semicircular em madeira, dividido em três campos decorados com ramagens, e porta com cornija em arco canopial sobre grinalda. Sobre estes, janela de sacada semelhantes às descritas, com frontão circular e rosetão no tímpano. No quinto tramo, retábulo em talha branca e dourada de invocação a Santa Isabel do lado da Epístola e a Nossa Senhora da Conceição do lado do Evangelho. Arco triunfal de volta perfeita com pé direito marcado por pilastras compósitas de três faces. Sobre o arco, entablamento com urnas nas extremidades assentes em mísulas, sobreposto por pano de cantaria enquadrado por pilastras toscanas e decorado pelos escudos da Ordem e de Portugal encimados por coroa régia e rematado por frontão circular. Capela-mor com paredes laterais simétricas, rasgadas nos tramos dos extremos por porta de ombreiras e verga rectas sobreposta por dois frisos concêntricos circulares sobrepostos por frontão em arco canopial, encimada por janela de sacada semelhante às da nave, com frontão em arco inflectido. Nos tramos centrais, mais largos, surge, de cada lado, cadeiral em talha encerada, sobreposto por janela de sacada com frontão em arco canopial. Retábulo-mor, sobre supedâneo de granito de três degraus, em talha branca e dourada, de planta côncava e um só eixo vertical. Sotobanco composto por mesa de altar ladeada por quatro embasamentos decorados por composições de ramagens e flores. Banco com sacrário em forma de templete com porta em arco pleno com imagem de Cristo envolta em raios lanceolados, em relevo e dourada. Assentes nas extremidades do banco imagens de vulto. A ladear a porta do sacrário dois pares de colunas estriadas sobrepostas por entablamento e cobertura em cúpula onde assenta pomba de asas abertas. Nicho central em arco pleno a albergar trono de sete degraus, ladeado por dois pares de colunas compósitas estriadas e douradas a sustentarem entablamento onde assentam, no alinhamento das colunas quatro imagens femininas de vulto e douradas. Frontão triangular quebrado com uma imagem feminina reclinada em cada extremo e no vértice dois anjos a segurarem cruz latina. Adossada do lado do Evangelho e com acesso pelas portas laterais da nave, surge a CAPELA DE NOSSA SENHORA DAS DORES, de planta longitudinal que, tal como a sacristia, possuí pavimento em tábuas de madeira envernizadas, paredes rebocadas e pintadas de branco e tecto em abóbada abatida com relevos vegetalistas em estuque. Na parede fundeira, coro-alto apoiado nas paredes laterais, com balaustrada em madeira, servido por duas portas, e no sub-coro rasgam-se duas portas. Parede do lado da Epístola rasgada por duas portas, entre as quais surge retábulo em talha encerada de invocação da padroeira, e parede oposta com três janelas. Parede testeira com retábulo em talha encerada de invocação a Santo António, ladeado por duas portas, que dão acesso à sacristia. SACRISTIA de planta quadrangular com tecto em abóbada de barrete de clérigo ornamentado por relevos vegetalistas e de iconografia episcopal e pinturas de temática religiosa. Apresenta duas portas na parede lateral a ladear arcaz de pau-brasil com três espelhos, três janelas na parede oposta e entre as janelas duas mesas de apoio com espelhos. Na parede fundeira, retábulo em talha encerada de invocação a Nossa Senhora da Conceição e na testeira retábulo em talha encerada de invocação a São Francisco com Cristo Morto na Cruz ladeado por duas portas com acesso a compartimento de apoio à sacristia. Neste surge lavabo em pedra com taça semicircular apoiada em balaústre e espaldar em dois registos, com cartela rectangular de ângulos truncados no registo inferior e no superior duas pilastras com mísulas a enquadrarem vaso oval com torneira cravada no bojo, rematadas por entablamento onde assenta urna em pedestal atravessada por grinalda.

Materiais

Granito, estuque trabalhado e pintado, talha dourada.

Observações

*1 - Antes foram recusados os projectos do arquitecto Damião Pereira de Azevedo e do arquitecto Theodoro.