Casa oitocentista de planta rectangular simples e dois pisos, rasgada regularmente por vãos - portas, janelas de peitoril ou de sacada -, com molduras simples em cantaria. No pano do lado esquerdo, os vãos são em arco abatido, revelando, talvez, uma feitura mais tardia. Possui registo azulejar hagiográfico.
Planta rectangular simples e regular, composta por dois corpos adossados longitudinalmente, de volumetria paralelepipédica simples, de dois pisos, de disposição horizontal e coberturas diferenciadas em telhados de quatro e duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de amarelo, rematadas em beirada simples, com os vãos emoldurados a cantaria de calcário. Fachada principal flanqueada por cunhais apilastrados e rematada em cornija, dividida em dois panos separados por uma pilastra toscana colossal, o do lado esquerdo de menores dimensões. No lado esquerdo, duas portas de verga recta, protegidas por duas folhas de madeira encerada, e uma janela de peitoril, encimadas por um óculo circular, uma janela de sacada, com bacia de cantaria e guarda metálica, e uma janela de peitoril. No lado direito, surgem, no piso inferior, três portas, duas de verga recta e uma de menores dimensões, em arco abatido, com acesso por três degraus, vencendo o desnível do terreno, surgindo, ainda, duas janelas de peitoril. No piso superior, os vãos são em arco abatido e rematados por pequeno friso saliente, formando duas janelas de peitoril, que centram duas janelas de sacada, com bacia de cantaria e guarda de metal, formando motivos geométricos. Entre estas, registo azulejar, de perfil ovalado e recortado, com 8x5 azulejos figurativos, em monocromia, azul sobre fundo branco, com a representação hagiográfica num promontório de Nossa Senhora da Nazaré e de D. Fuas Roupinho; em primeiro plano, do lado direito da composição, D. Fuas Roupinho *1 à beira do precipício está montado num cavalo que tem as duas patas dianteiras levantadas, veste traje de aristocrata, tem o chapéu caído, segura na mão esquerda o cavalo e tem a direita erguida em direcção a Nossa Senhora da Nazaré. Junto a si, ao centro da composição, encontra-se um veado desconcertado. Em segundo plano, à esquerda da composição, Nossa Senhora da Nazaré paira sob nuvem. Em pé, tem a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda, resplendor e manto e segura nos braços o menino para quem olha. O conjunto encontra-se rodeado por cercadura em manganês, ocres e verdes, formando enrolamentos, elementos concheados e folhagens, rematando o conjunto superiormente uma albarrada florida e, inferiormente, elemento vegetalista que assenta em plinto. A fachada lateral esquerda, virada a SO., encontra-se parcialmente adossada e cega. Fachada lateral direita, virada a SE., composta por dois panos, o do lado esquerdo de empena recta, rasgado por uma janela de peitoril rectilínea, em cada piso e correspondentes. O pano do lado direito, rematado em empena, possui duas portas de verga recta com molduras comuns, e pequena janela quadrada; no topo da empena, pequena fresta. INTERIOR não observado.
Materiais
Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada; modinaturas, degraus, bacia das sacadas, cornija em cantaria de calcário; portas e caixilharias de madeira ou em alumínio lacado, com vidro simples; guarda das sacadas em ferro fundido; azulejo industrial; cobertura exterior em telha.
Observações
*1 - em Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho (cavaleiro lendário do século 12, companheiro de armas de D. Afonso Henriques, primeiro almirante da frota portuguesa e alcaide-mor de Coimbra) perseguia um veado que o encaminhou até à ponta do promontório do sítio; vendo-se entre a vida e a morte pediu auxílio à Nossa Senhora da Nazaré que lhe apareceu; o cavalo estancou, de imediato, as patas em terra firme; em honra deste milagre, D. Fuas Roupinho mandou construir, junto ao precipício, a Ermida da Memória, na Nazaré (v. PT031011020011).