Conjunto arquitetónico residencial unifamiliar. Habitação económica de promoção privada. Conjunto operário de pequena dimensão, composto por casas unifamiliares banda térreas com logradouro no tardoz, e fachada principal orientada para a rua.
Conjunto de casas em banda, constituído pela associação de três módulos de 12 m de frente, com logradouro, sendo os dos extremos duas casas geminadas e o central uma única casa. Volumes articulados de acordo com os módulos, com coberturas em telhado de duas águas, de onde se erguem pontualmente ao eixo na frente e traseiras dois volumes alinhados, águas furtadas com cobertura de duas águas e beiral saliente. A fachada principal, orientada a O., de embasamento rebocado e totalmente revestida a azulejo padrão facetado, é marcada nas casas geminadas pela associação de duas portas de entrada de verga curva, separadas por uma coluna de ferro fundido e emolduradas por elementos em tijolo cerâmico vidrado amarelado, raiado a preto e vermelho. No módulo da casa única, no lugar das duas portas associadas, um corpo ligeiramente destacado onde se insere a porta de entrada apresenta nas esquinas elementos cerâmicos, iguais ás molduras. A ladear as portas de entrada, duas janelas rectangulares de duas folhas de verga curva com a mesma moldura. O elemento central da padieira de todos os vãos, é uma peça única saliente em tijolo vidrado cerâmico em relevo com uma sucessão de elementos vegetalistas: folhas de acanto. Superiormente uma barra com azulejo com o mesmo tratamento cromático serve de transição a uma cornija cerâmica denteada. A fachada posterior rebocada é caracterizada por telhados salientes no alinhamento das águas furtadas de duas janelas, gerando alpendres. Alguns deles foram fechados com caixilharias. INTERIORMENTE, a casa ligeiramente elevada relativamente à rua apresenta um hall com uma escadaria com lambrim de azulejos padrão. Do hall, um corredor que acede lateralmente a uma sala com duas portas de ligação a dois compartimentos interiores tipo alcovas. Ao fundo do corredor dois compartimentos, sala e cozinha confrontam com o logradouro. Entre estes dois espaços e as alcovas uma escadaria estreita de dois lanços opostos leva ao 2º piso, a um pequeno corredor de acesso a quatro compartimentos tipo alcova, dois na frente e traseiras, sendo iluminados por telhas de vidro ou pelas aberturas das águas furtadas. Neste piso o tecto estucado mantém as pendentes da cobertura. Todos os espaços, à excepção da cozinha são soalhados e apresentam uma caracterização simples e despojada, com altos rodapés e portas almofadadas pintadas.
Materiais
Paredes exteriores em alvenaria de tijolo maciço revestidas a reboco ou elementos cerâmicos; cobertura em estrutura de madeira revestida a telha marselha; paredes interiores estucadas; tectos estucados; pavimento em estrutura de madeira forrada a soalho; caixilharias de madeira pintadas; cornija em tijolo cerâmico vidrado
Observações
*1 - Incluído no "Conjunto da Fábrica de Cerâmica das Devesas, incluindo núcleo fabril 1, núcleo fabril 2, Casa António Almeida da Costa, Bairro dos Operários, Bairro dos Contramestres, Creche Emília de Jesus Costa, Asilo António Almeida da Costa, Conjunto Habitacional e Depósito de Materiais do Porto (R. José Falcão e R. da Conceição)". A Fábrica de Cerâmica das Devesas, fundada por António Almeida da Costa possuía incorporada na mesma uma Fundição. Esta Fundição além da produção de artefactos de ferro produzia as máquinas ligadas à produção cerâmica. O sócio de António Almeida e Costa era o Mestre José Joaquim Teixeira Lopes, Mestre de Escultura Cerâmica. A sua formação vinha da Escola de Belas Artes do Porto e da Escola Imperial de Paris. A unidade industrial das Devesas, assim como a do Carvalhinho e a de Massarelos estão ligadas à produção de "azulejo de relevo". Inicialmente era conhecida pela Fábrica A. A. Costa & Cª., depois Fábrica Cerâmica e Fundição das Devesas e posteriormente Companhia Cerâmica das Devesas. Deve-se à Fábrica das Devesas a introdução em Portugal da telha marselha. A ela estiveram ligados grandes artistas cerâmicos, como Teixeira Lopes (pai), Teixeira Lopes, Oliveira Ferreira, Diogo Macedo, Sousa Caldas, Henrique Moreira e etc. Na sua produção, além do fabrico de azulejos relevados, louça artística comum, ferros forjados e fundidos, mosaicos de pavimento distinguiu-se na reprodução de obras da Escola de Gaia, nomeadamente estatuária e painéis decorativos. Dada a importância da Fábrica das Devesas e sendo o Porto um centro de comércio por excelência é construído este edifício na R. D. Carlos I (actual R. José Falcão) como casa-depósito dos materiais produzidos para mostruário e comercialização dos mesmos. A existência de duas tipologias neste conjunto leva a pensar que havia uma hierarquia na atribuição das mesmas tendo em conta a importância do trabalhador e cargo que ocupava na fábrica. Este facto não tinha relação na melhoria dos acabamentos da habitação, mas sim na área, neste caso duplicava. *1 - Incluído no conjunto da Fábrica Cerâmica das Devesas que fazem parte : A- núcleo fabril 1; B- Núcleo fabril 2; C- Casa António Almeida Costa; D- Bairro dos operários; E- Bairro dos Contramestres; F- Creche Emília de Jesus Costa; G- Asilo António Almeida da Costa; H - conjuntos habitacional do concelho de Vila Nova de Gaia e o Depósito de Materiais na R. José Falcão no Porto; *2- o nº 229; *3 - da autoria de Mestre Teixeira Lopes (pai); *4 - estabelecida em Vila Nova de Gaia em 1865, constituía na época uma das maiores e mais bem equipadas unidades fabris no género na Península Ibérica; *5 - após o decreto de 6 de Maio de 1884 foram decretadas treze escolas de desenho industrial, uma delas em Gaia; *6 - a data inscrita na placa de ferro de "1875", apenas indica a data da fundação Companhia de Seguros Douro, sediada no Porto no Lg. de S. Domingos no chamado Edifício Douro; *7 - no testamento " depois de dispor algumas verbas a favor de familiares e de instituições e entidades diversas, legou o remanescente da sua grande fortuna - terrenos, prédios, etc. - ao Asilo António de Almeida Costa e Creche D. Emília de Jesus Costa (nome da sua falecida esposa), cujo funcionamento confiou ás creches de Santa Marinha, designando uma Comissão administrativa, para que se encarregasse da respectiva administração, e conferindo à mesma o direito de, se tal se mostrasse aconselhável e conveniente, transferir a direcção e manutenção do Asilo e da Creche para quem melhor pudesse garantir o seu bom funcionamento."; *8 - " ficando desde então todos os valores da herança assim como o funcionamento do Asilo (actual Lar António de Almeida Costa) e da Creche D. Emília de Jesus Costa a cargo da Misericórdia..."; *9 - da autoria do Arquitecto António Pereira das Neves.