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Muralhas da Praça de Almeida

Muralhas da Praça de Almeida

O ponto de interesse Muralhas da Praça de Almeida encontra-se localizado na freguesia de Almeida no municipio de Almeida e no distrito de Guarda.

Arquitetura militar, seiscentista e setecentista. Fortaleza terrestre de traçado abaluartado, da responsabilidade do engenheiro Pedro Gilles de Saint-Paul, segundo o método de António de Ville, representando uma das últimas tendências da arquitetura militar francesa. Tem planta hexagonal irregular, composta por seis baluartes poligonais, irregulares e desiguais entre si, interligados por cortinas, reforçadas por seis revelins, sendo circundada, em todo o seu perímetro, por fosso, estrada coberta e esplanada. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior em cantaria, coroados por cordão e parapeito liso ou de merlões e canhoneiras nos baluartes, tendo no ângulo flanqueado dos revelins e baluartes, no ângulo de espalda e sobre as portas guaritas cilíndricas, cobertas por domo, e sendo circundados em grande parte por berma. Os baluartes, acedidos por rampas, possuem obras a cavaleiro no ângulo de flanco, em alvenaria, com plataformas para lançamento de morteiros, alguns têm plataformas de tiro a barbete no ângulo flanqueado, adaptadas ao seu perfil, revestidas a alvenaria e precedidas de rampas, e / ou traveses. Quatro integram sob o terrapleno o paiol da respetiva bateria (baluartes de São Francisco, São Pedro, Santo António e Santa Bárbara), um integra amplas casamatas (o de São João de Deus) e um outro tem sobre o terrapleno o Trem de Artilharia (baluarte de Nossa Senhora das Brotas). As cortinas são rasgadas por duas portas, em arco de volta perfeita entre duplas colunas ou pilastras, suportando frontão, da ordem toscana ou dórica, respetivamente, ladeadas ou flanqueadas por compartimentos abobadados e com trânsito em curva, seccionado e fechado por portas nos extremos e rastrilhos intermédios. Têm as faces internas apenas com um arco simples e a cobertura em cantaria acedida por largas escadas. Subsistem duas poternas de verga reta. Os revelins, têm paramentos virados à praça rematados superiormente em crista e predominantemente acedidos por rampas, apresentando diferentes tamanhos e tipologias, existindo quatro apenas com faces (revelim da Cruz, dos Amores, do Paiol e da Tasqueira ou da Brecha), um com faces e flancos, anda que pequenos (revelim de Santo António) e um doble, com fosso intermédio. As portas dos revelins têm características semelhantes, mas mais simples e os trânsitos são retos. Num deles, conforme atestado pelo nome, ergue-se sobre o terrapleno paiol. O caminho coberto, acedido por rampas, possui travesses, praças de armas re-entrantes e salientes nos vértices, e, encostada à esplanada, uma banqueta de tiro corrida que era protegida por uma estacada de madeira. Ampla fortaleza constituindo simultaneamente praça de guerra, considerada a principal fortificação beirã a partir do séc. 17. Teve a sua construção iniciada logo em 1641 e prolongada até finais do séc. 18, marcada por ciclos de aceleração, abrandamento ou interrupção de obras, devido a ataques inimigos e dificuldades de financiamento, bem como por alterações às próprias técnicas de fortificação. Foi projetada com sete balauartes, possivelmente ainda implantados no terreno, mas passados dois anos abandona-se o projeto inicial e procede-se a alterações no traçado, sobretudo nos lados E. e O. onde se reforçaram as obras exteriores. Interiormente, o parapeito de todo o polígono principal possuía adarve, elemento invulgar nas fortificações abaluartadas portuquesas, contudo, com o alargamento de alguns baluartes após as invações francesas, o perfil do reparo foi retificado,eliminando-se o adarve. O reparo exterior apresenta algumas diferenças de aparelho devido às destruições causadas nos conflitos e posterior reconstrução, como é notório, por exemplo, a diferença entre o troço da escarpa do séc. 17 e a ampliação do séc. 19 no baluarte de Santo António, ou no baluarte de São Pedro. Relativamente às suas dimensões e apesar de ter tido quatro poternas, apresenta um reduzido número de portas (apenas duas), construídas sensivelmente no mesmo período, mas possuindo características diferentes, apontando para autoria distinta. O portal da porta magistral da Cruz, de ordem toscana, com aparelho almofadado e perfurado, é o mais exuberante e monumental, sendo semelhante ao que surge representado na gravura do frontispício do Tratado Les Fortifications, de Antoine de Ville. O portal da porta magistral de Santo António, construído em granito de grão mais fino, possui afinidades com o da Igreja da Misericórdia, podendo ser atribuído ao engenheiro Jerónimo Velho de Azevedo. A análise da porta magistral da Cruz, das suas alvenarias do trânsito e face posterior indicia que a forma inicial retangular do corredor foi alterada no lado interior da praça para curva, talvez devido à destruição de que parece ter sido alvo a construção inicial. As portas de Santo António possuem um sistema defensivo mais complexo, com o trânsito flanqueado por compartimentos abobadados e apresentando as paredes um pé direito invulgarmente alto e lateralmente reforçadas por arcos sobre pilares, funcionando como contrafortes sucessivos de suporte de terreno. A sua altura permitiu a criação de um piso intermédio, em madeira, assente em pilares e vigas. As portas da fortificação possuíam vários sistemas de defesa no trânsito, nomeadamente bueiro (porta da Cruz), rastrilhos e fojos, já que Vilhena de Carvalho refere em 1818, que os "alcapõees das portas não eram levantados há anos, por estarem quebrados e podres as lanças que os susoendiam". A atual ponte da porta magistral da Cruz foi construída sobre a rampa que temporariamente substituiu a ponte dormente destruída em 1810, conforme denota o aparelho da mesma. Dos baluartes, destaca-se o de São João de Deus com um sistema complexo de casamatas, com 20 compartimentos à volta de um corredor e pátio central, o qual serviria de embasamento à obra a cavaleiro projetada para o baluarte e que nunca chegou a ser construída. Os compartimentos à volta do pátio são do projeto inicial, mas os que flanqueiam o corredor foram construídos só no final do séc. 18, quando se abandonou definitivamente a ideia de construir a obra a cavaleiro. A remoção do terrapleno sobre as casamatas do pátio, ainda que possa constituir um elemento descaracterizador, acaba por permitir ver a invulgar e complexa estrutura das suas cobertudas, em telhados de cantaria. Quer o corredor, quer alguns compartimentos foram divididos em dois níveis, por um pavimento de madeira, para maior aproveitamento do espaço à prova de bomba,sendo um deles e o trânsito iluminados por janelas então abertas. Segundo Ana Luísa Quinta, os túneis abertos nos compartimentos devem ter sido realizados de forma apressada, provavelmente durante as guerras das Invasões Francesas, e os vãos em arco nos compartimentos 9 e 12 com túneis abertos na escarpa interior do baluarte, deviam permitir o acesso a galerias de contraminas. Relativamente às obras exteriores, destaca-se a existência de um revelim duplo, o único construído na Europa, com frente virada a Espanha, sendo o interior como que um reduto inacessível, visto não possuir vestígios da antiga estrutura de acesso, fazendo pensar que seria uma estrutura amovível em madeira. Desse, passava-se para o reduto exterior por ponte levadiça. Destaca-se ainda o revelim de Santo António, de grandes dimensões de modo a cobrir uma cortina mais prolongada, e com o pavimento do trânsito inclinado, para vencer o grande desnível entre o interior da praça e o revelim. Chegou-se a pensar subdividi-lo em dois volumes por fosso, mas abandonou-se a ideia. Os compartimentos do revelim da Cruz possuem lareira de desenho mais elaborado do que o das outras portas. Da antiga fortificação tardo-medieval subsistem as primeiras fiadas dos paramentos da escarpa e contra-escarpa do castelo, construído no séc. 16 e representado por Duarte de Armas, constituindo um castelo de transição. Segundo António Pires Nunes constitui um dos poucos ou o único castelo medieval que conserva o seu fosso (NUNES, 121).

Fortificação constituída por fortaleza de planta hexagonal irregular, composta por seis baluartes poligonais, irregulares e desiguais entre si, denominados de São Francisco, de São João de Deus, Santa Bárbara, de Nossa Senhora das Brotas ou do Trem, Santo António e São Pedro, interligados por cortinas, e pelas seguintes obras exteriores: o fosso, circundando a fortificação em todo o seu perímetro, seis revelins, designados da Cruz, dos Amores, Doble, do Paiol, de Santo António e da Brecha, estrada coberta e esplanadas. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior em cantaria, coroados por cordão e parapeito liso, exceto nos baluartes que têm merlões e canhoneiras; no ângulo flanqueado dos revelins e baluartes, no ângulo de espalda e a meio da cortina entre o baluarte de São Francisco e o de São João de Deus, bem como sobre as portas, dispõem-se guaritas cilíndricas, assentes em mísulas, rasgadas por três frestas de tiro e cobertas por domo sobre friso e cornija. Os paramentos são circundados em grande parte por berma e, interiormente, por adarve. Possui duas portas, uma a SE., denominada da Cruz, e outra a NO., denominada de Santo António, e duas poternas, uma junto à face N. do baluarte de São João de Deus, junto às casamatas, e a outra na gola do baluarte de são Francisco, perto da porta de são Francisco. Existem ainda dois acessos dissimulados para o fosso, talvez mais antigos, um complementar à segunda poterna e situado na gola do baluarte de São Pedro, e uma abertura escondida no Trem de Artilharia, à qual se acede através de longa escada de ligação à galeria acasamatada respetiva. FORTALEZA: A PORTA MAGISTRAL atualmente mais usada, designada DA CRUZ, rasga-se entre o baluarte de São Pedro e o de São Francisco, e apresenta portal em arco de volta perfeita, sobre os pés direitos, encimado por escudo liso oval envolvido por concheados e panóplias militares, assente em cornija sobre falsas mísulas relevadas; é ladeado por quatro colunas toscanas, sobre plintos comuns, com largos intercolúnios, sustentando frontão semicircular interrompido por guarita, tendo a cornija do frontão inferiormente quatro mísulas laterais; os plintos, fuste das colunas e o tímpano apresentam aparelho picotado. O portal insere-se em pano de muro trapezoidal, percorrido no terço inferior por cordão, assente em alambor. Possui trânsito em cotovelo coberto por abóbada de berço rasgada por um bueiro, acessível pela cobertura, existindo na base da parede, no seu enfiamento uma pia em cantaria, embebida. À esquerda desenvolve-se a casa da guarda, de planta retangular irregular, acessível por porta de verga reta e interiormente seccionada em três compartimentos, cobertos por abóbada de berço; o maior tem lareira central, assente em quatro pilares, é rasgado por três frestas de tiro de diferentes orientações para o trânsito e é iluminado por uma janela virada à praça e uma fresta quadrangular virada ao fosso; no extremo direito possui dois compartimentos, confrontantes, iluminados por janelas viradas à praça, o mais pequeno individualizado. Na face interna da porta, o trânsito é acessível por portal em arco de volta perfeita sobre os pés direitos, e as janelas da casa da guarda são molduradas e gradeadas. A porta tem cobertura exterior em lajes de cantaria, de perfil abatido, acessível por larga escada através do caminho coberto e, a NE., por uma mais pequena. O BALUARTE DE SÃO FRANCISCO apresenta os paramentos incompletos e a cota inferior ao reparo, com parapeito sobrelevado aos mesmos, com dezoito canhoneiras, de baterias lajeadas e com corredor no ângulo de espalda para a guarita e de ligação ao adarve. No ângulo de flanco esquerdo dispõe-se obra a cavaleiro, de perfil curvo a N., em alvenaria de pedra capeada a cantaria, com plataforma lajeada para tiros, acedida por rampa. No terrapleno dispõem-se ainda três traveses. Paralelo ao flanco do baluarte desenvolve-se escada de cantaria, flanqueada por muro para o paiol subterrâneo, de planta retangular, composto por dois compartimentos abobadados, acedidos por portal de verga abatida. O BALUARTE DE SÃO JOÃO DE DEUS apresenta o parapeito com vinte e oito canhoneiras, de baterias lajeadas, plataforma para tiros a barbete no ângulo flanqueado, precedida de rampa, e, no ângulo de flanco direito, praça alta com plataforma quadrangular para lançamento de morteiros. Na zona central o terrapleno foi removido, deixando à vista a cobertura das casamatas, construídas à prova de bomba e cobertas por múltiplos telhados de cápeas de cantaria. Têm acesso por pátio retangular irregular, rebaixado cerca de 2m relativamente ao nível da praça, pavimentado a lajes de cantaria e a alvenaria de pedra, acedido por rampa. As casamatas têm fachada terminada em cornija reta e são rasgadas por portal de verga reta, de aduelas em cunha sobre os pés direitos, e janela jacente gradeada e, superiormente, por duas janelas de peitoril, de diferentes tamanhos. Ladeia o portal poço e bebedouro, inicialmente alimentado pelo tanque existente sobre o primeiro compartimento disposto à esquerda do corredor. No interior possui vinte compartimentos de planta retangular ou quadrangular, organizados à volta de um corredor e pátio retangular central, descoberto, os cinco dispostos nos ângulos do baluarte não comunicando diretamente com o pátio. Na sequência do baluarte de São João de Deus, junto a uma zona convexa da escarpa interior, rasga-se num plano rebaixado uma POTERNA, de verga reta, com aduelas em cunha sobre os pés direitos, encimado por inscrição. Interior da galeria coberta por abóbada de berço, com dois vãos laterais confrontantes, de verga reta, de acesso aos compartimentos acasamatados, um deles tendo funcionado como paiol. Segue-se-lhe amplo vão retilíneo moderno, a denominada PORTA NOVA. O BALUARTE DE SANTA BÁRBARA em vinte e três canhoneiras com plataforma para tiros a barbete no ângulo flanqueado, precedida de rampa. Paralelamente ao flanco direito, desenvolve-se praça alta retangular, em alvenaria de pedra, com plataforma lajeada em U invertido, acedida por rampa também lajeada, e, à direita, praça baixa quadrangular irregular, com os ângulos direitos facetados, em cantaria, com plataforma quadrangular lajeada. O terrapleno não possui traveses. O BALUARTE DE NOSSA SENHORA DAS BROTAS OU DO TREM apresenta os paramentos da escarpa exterior do flanco direito destruídos superiormente, dispondo-se o terrapleno e parapeito em plano superior. Tem treze canhoneiras com baterias lajeadas e grande parte do seu terrapleno foi desbastado para construção do trem de artilharia. Entre este baluarte e o de Santo António, rasga-se a meio da cortina, com alambor e perfil em empena, a PORTA MAGISTRAL DE SANTO ANTÓNIO, com arco de volta perfeita sobre os pés direitos, encimado por brasão muito delido e ladeado por duplas pilastras sustentando entablamento dórico, de friso decorado por triglifos e métopas com elementos espiralados e flores, sustentando frontão triangular interrompido por guarita. O trânsito desenvolve-se com pavimento rampeado, pé direito elevado com uma primeira secção curva e uma direita mais comprida, definidas por arcos de volta perfeita que eram fechados por portas e um rastrilho. Entre a porta exterior e o rastrilho existe uma latrina à esquerda. Apresenta cobertura em abóbada de berço e as paredes laterais com nichos em arco de volta perfeita, doze do lado esquerdo e sete do direito, com espaçamento e dimensões mais ou menos regulares, para distribuição das cargas e estabilização da estrutura. No trânsito foi construído um piso intermédio de madeira, de que subsiste a escada de cantaria, com guarda plena do mesmo material, que lhe dava acesso na parede lateral direita, quatro pilares ao longo dessa parede que serviam de apoio à estrutura do pavimento elevado, e, de ambos os lados, os orifícios regulares onde encaixavam as vigas. Esse pavimento superior era iluminado pela janela retangular, moldurada e gradeada, rasgada sobre a porta interior do trânsito. Lateralmente, desenvolve-se de cada lado um compartimento, de planta retangular, avançando relativamente ao trânsito, formando um U na face interna da porta. Os compartimentos têm acesso por porta de verga reta moldurada, a da direita encimada por pequeno nicho em arco. Junto ao compartimento da direita existe escada de pedra de acesso à cobertura lajeada, de duas águas, e terrapleno. O BALUARTE DE SANTO ANTÓNIO possui os paramentos da escarpa exterior terminados num plano inferior ao terrapleno e parapeito, que tem treze canhoneiras com baterias lajeadas. No terrapleno dispõem-se três traveses em L e, no ângulo de flanco esquerdo, obra a cavaleiro, em cantaria, com plataforma acedida por rampa, sob a qual existe porta de verga reta de acesso a paiol. O BALUARTE DE SÃO PEDRO, com os paramentos da escarpa exterior terminados num plano inferior ao terrapleno e parapeito, tem dez canhoneiras com baterias lajeadas e dois traveses dispostos perpendicularmente ao ângulo flanqueado. Sob o terrapleno possui paiol subterrâneo, de planta retangular composta por dois compartimentos, abobadados, acedido por porta de verga reta sobre os pés direitos, rasgada na escarpa interior da gola. Sob a rampa de acesso ao baluarte existe ainda vão em arco de volta perfeita sobre os pés direitos e chave relevada, parcialmente entaipado, de comunicação com o fosso. OBRAS EXTERIORES: a fortaleza é circundada por FOSSO, com pavimento em terra, exceto junto ao revelim doble, onde passa estrada de ligação ao interior pela denominada porta nova. À frente de cada uma das cortinas dispõem-se revelins, de tamanhos e tipologia distinta. Em frente da porta magistral da Cruz, dispõe-se o REVELIM DA CRUZ OU DE SÃO FRANCISCO, estruturado por duas faces, com trânsito retangular e casa da guarda desenvolvida à direita, avançando para além do corpo do trânsito, ambos construídos à prova de bomba, e com cobertura em abóbada de berço. Tem portal em arco de volta perfeita, de aduelas largas, ladeado por pilastras toscanas sustentando entablamento encimado por espaldar recortado, decorado por brasão oval liso envolvido por volutas, entre duas almofadas retangulares relevadas, ladeado por dois plintos paralelepipédicos coroados por pontas de diamante; atrás do espaldar, ergue-se guarita. A casa da guarda, retangular, é composta por dois compartimentos, o maior de eixo longitudinal, acedido por porta de verga reta rasgada no extremo do trânsito, e iluminado por duas frestas viradas à esplanada, gradeadas. No topo possui porta de ligação ao compartimento mais pequeno, o aposento do oficial, iluminado por duas janelas molduradas e gradeadas, uma virada a NO. e outra a NE.; cada um dos compartimentos possui lareira. No ângulo flanqueado existe uma plataforma para tiros de barbete. O REVELIM DOS AMORES, mais pequeno que os outros e sem acesso atual ao terrapleno e à guarita, é composto por faces, com os paramentos virados à praça formando ângulo e lateralmente rematados em crista. Entre o baluarte de São João de Deus e o de Santa Bárbara, ergue-se o REVELIM DOBLE composto por dois volumes separados por fosso, com escarpa exterior em talude, ângulos exteriores facetados e os interiores formando crista recortada. O revelim interior tem atualmente uma escada de ferro disposta no ângulo interior para aceder ao terrapleno e à guarita. Ao interior, composto por uma galeria à prova de bomba, coberta por abóbada de berço, e com paiol próprio, acede-se por portal de verga reta sobre os pés direitos, com porta envidraçada, ladeado de escadas. Deste, passa-se para o revelim e reduto exterior por ponte em ferro, com guarda do mesmo material, através de portal de verga reta sobre os pés direitos. Entre o baluarte de Santa Bárbara e o do Trem implanta-se o REVELIM DE SANTA BÁRBARA OU DO PAIOL, composto apenas por faces, com guarita no ângulo flanqueado e tendo os paramentos virados à praça em crista recortada, formando ângulo, com rampa e escadas de dois lanços opostos de acesso ao terrapleno. Este é atualmente delimitado por estacas de madeira e arame. Nele ergue-se paiol de planta retangular e cobertura em telhado de duas águas, rematadas em beirada simples. As fachadas, em alvenaria de pedra aparente, são rasgadas a NE. e a SO. por porta de verga reta e a SE. por vão quadrangular. Interiormente possui sistema de ventilação com condutas em cotovelo. Nas imediações, ergue-se um outro edifício mais pequeno, também retangular e com coberturas em telhados de duas águas; as fachadas, são igualmente em alvenaria de pedra, rasgadas a SE. por janela quadrangular e a SO. por porta de verga reta. Em frente da porta magistral de Santo António ergue-se o REVELIM DE SANTO ANTÓNIO, de grandes dimensões e composto por faces e pequenos flancos, com paramentos da gola terminados em crista. Na face direita, inserido em falso alfiz delimitado por largas pilastras e terminado em cornija reta, abre-se portal em arco de volta perfeita encimado por brasão entre enrolamentos, e ladeado por orifícios de acionamento da antiga ponte levadiça; sobre o alfiz surge guarita. No seu enfiamento, desenvolve-se o trânsito retangular, coberto por abóbada de berço, e seccionado em três setores desiguais, por arcos de volta perfeita sobre os pés direitos, que tinham portas nos extremos e um rastrilho intermédio. É flanqueado por dois compartimentos de planta retangular irregular, mais largos na zona virada à praça, rasgados por quatro frestas de tiro orientadas para a ponte dormente sobre o fosso e por outras oito frestas nos dois primeiros setores do trânsito; são acedidos por porta de verga reta no terceiro setor do trânsito. No interior, o compartimento da esquerda, utilizado como prisão, possui lareira contígua à escarpa, ladeada por latrina e denota remodelação posterior com acréscimo de um piso intermédio e de pequeno compartimento quadrangular para paiol. O compartimento era iluminado por uma janela retangular, moldurada e com dupla grade, rasgada ao nível do piso térreo e do piso intermédio, o qual tinha acesso por escada, com um primeiro troço em cantaria que se conserva junto à entrada. O compartimento da direita, destinado ao corpo da guarda, é iluminado por janela retangular, virada à vila, moldurada e gradeada, e possui ao centro da zona mais larga lareira assente em quatro pilares. Adossada à face posterior da casa da guarda existe guarita quadrangular em cantaria, com cobertura piramidal. O conjunto da porta e compartimentos laterais tem cobertura de cantaria, de duas águas, acedida por extenso lanço de escadas que acede também à guarita sobre a porta; na zona das lareiras, erguem-se chaminés. Entre o baluarte de Santo António e o de São Pedro ergue-se o REVELIM DA TASQUEIRA OU DA BRECHA, apenas composto por faces, possuindo os paramentos virados à praça em crista e tendo no ângulo central rampa de acesso ao terrapleno. Para além da fortaleza e dos revelins, percorrendo todo o perímetro exterior do fosso e no alto da contara escarpa do mesmo, desenvolve-se o CAMINHO COBERTO, acedido por rampas, protegido por um reparo que servia de parapeito e possuindo nos vértices as denominadas praça de armas saliente ou re-entrante, conforme o ângulo em que se localizam. O caminho coberto apresenta ainda traveses dispostos irregularmente e, para além dele, a esplanada.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou cantaria degranito; placa de betão; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; pavimentos em cantaria; painéis de azulejos ou de granito a revestir o intradorso da porta nova; cobertura em telhado de telha ou de pedra.

Observações

*1- Os desenhos de Duarte de Armas representam o castelo de planta retangular irregular, composto pela torre de menagem a N., quadrangular, com dois pisos abobadados e balcões com matacães em cada uma das fachadas, uma outra quadrangular, disposta no ângulo NE., de três pisos, um cubelo circular a SE., e outro de base retangular e remate circular, em ressalto sobre pendente, a SO., interligadas por muralhas. Apresentava paramentos terminados em ameias e abertas, abrindo-se nos cubelos troneiras cruzetadas. As torres quadrangulares, cobertas por telhados, eram rasgadas por frestas e o cubelo circular por uma janela de dois lumes. A porta era protegida por barbacã da porta, retangular, com dois balcões de matacães, um virado a E. e outro a N..O interior do recinto tinha pátio com construções sobradadas a O., S. e E., duas delas com escadas exteriores de acesso, e um poço. O castelo era envolvido por uma barbacã completa, de planta trapezoidal irregular, com paramento de ameias e abertas e provido de troneiras cruzetadas, composta por quatro cubelos circulares nos vértices e um corpo retangular, tripartido, adossado a N., contendo a porta de acesso ao castelo. Na vista da banda do Sul existe legenda sobre a barbacã "esta barreira e cubelo se fez de novo". Após a explosão de 1695, o castelo terá perdido a cintura muralhada interna e a torre de menagem, tendo-se reconstruído apenas a muralha externa com os cubelos circulares nos ângulos, o fosso e os armazéns. *2 - Pela planta levantada após a saída dos franceses, em 1811, percebe-se que a face direita do baluarte de São Francisco e a face esquerda do baluarte de Santo António estavam em ruína total; a porta magistral da Cruz sofreu grandes danos, ficando destruídas as pontes dormentes; o mesmo aconteceu no flanco direito do baluarte de Santo António, nos flancos e face esquerda do baluarte de Nossa Senhora das Brotas, no flanco do revelim da Tasqueira e contra-escarpa contígua e face direita do revelim da Cruz, junto à porta; a poterna do baluarte de São Pedro ficou intransitável.