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Núcleo intramuros de Setúbal

Núcleo intramuros de Setúbal

O ponto de interesse Núcleo intramuros de Setúbal encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Setúbal (São Julião no municipio de Setúbal e no distrito de Setúbal.

Núcleo urbano sede distrital. Cidade implantada em margem fluvial. Vila de jurisdição de ordem militar (ordem de Santiago) com cerca urbana. Núcleo urbano muralhado tardo-medieval, localizado na orla costeira junto a um porto fluvial, apresentando um perímetro de configuração rectangular. Identifica-se a sua génese nas proximidades da Igreja de Santa Maria, ponto mais elevado de uma base topográfica generalizadamente plana. Traçado urbano organizado a partir dos eixos de orientação E.-O., paralelos à margem ribeirinha e referenciados a partir do percurso das antigas Ruas Direitas. O sistema rua-travessa assegura a ligação às portas da muralha e ao cais. O Largo do Sapalinho e o (antigo) Largo da Ribeira Velha, onde antes se localizava a Casa da Câmara, constituem espaços e topónimos que reflectem essa proximidade do rio. A malha urbana regista ainda, em especial na planta trapezoidal do Largo da Misericórdia, a articulação entre o núcleo de Santa Maria e o núcleo mais tardio (e ribeirinho) de S. Julião. Este último tem como referência principal a Praça do Bocage, o terreiro medieval transformado no séc.16 em Praça do Sapal, que agrega hoje a Igreja Matriz de São Julião, a Casa do Corpo da Guarda e os Paços do Concelho. Núcleo urbano com características relativamente homogéneas, mas apresentando várias intervenções contemporâneas que o descaracterizam. Inicialmente encontrava-se inserido num contexto físico diferente do actual, rodeado por ribeiras e equipado com várias pontes, desembarcadouros e cais, chegando o rio Sado até junto da muralha. Apesar de afectada por vários terramotos desde o séc. 16 até ao séc. 19, a cidade não sofreu, ao longo deste período, grandes alterações ao nível do traçado urbano. Isto deve-se ao facto de nunca ter sido objecto de uma intervenção planeada de reconstrução, que normalmente era feita mantendo a implantação original dos edifícios, com eventual aumento do número de pisos e/ou de cércea. Da muralha medieval ainda se conservam alguns troços, torres, postigos e uma porta. Assinala-se que, de um total de 20 entradas para a vila muralhada medieval (3 portas e 17 postigos), 12 dos postigos estavam orientados a S.. Conservam-se troços de muralha na Av. 22 de Dezembro (passando quase despercebidos, pois encontram-se rebocados e pintados), no cruzamento da Av. 5 de Outubro com a R. Tenente Valadim. Por fim, encontram-se os restantes troços na zona envolvente da Igreja de Santa Maria da Graça, adossados à Casa do Corpo Santo, e nas proximidades da R. da Paz. De assinalar ainda que o edifício da Antiga Alfândega (actual Biblioteca Municipal) foi construído adossado à muralha, integrando-a na sua fachada principal. As torres, ambas em alvenaria de pedra irregular rebocada, localizam-se na Av. 22 de Dezembro. A torre quadrangular encontra-se frente ao Monumento dos Mortos na Grande Guerra, e a torre hexagonal integrada no edifício da P.S.P., na esquina da Av. 22 de Dezembro com a Av. Luísa Todi. Passando aos postigos, encontram-se todos virados a S., na Av. Luísa Todi: o Postigo da Ribeira, que se encontra enquadrado num edifício do séc. 18 e que dá acesso ao antigo Lg. da Ribeira Velha; o Postigo das Fontainhas, que dá acesso à R. dos Mareantes; o Postigo do Cais, que dá acesso à Trav. do Postigo do Cais; e, por último, o Postigo do Sol, que dá acesso à Trav. do Postigo do Sol. A única porta existente hoje em dia é a Porta de São Sebastião, que liga a R. Arronches Junqueiro ao Lg. Defensores da República. Durante o séc. 20 as várias obras públicas realizadas tiveram como consequência a demolição de vários troços e postigos da muralha, o que introduziu várias rupturas na cerca já bastante afectada. Existem alguns exemplos de arquitectura com influência Arte Nova, Art Deco, Ecléctica e Revivalista. Os edifícios com dois e mais pisos apresentam no enfiamento da varanda um duplo beirado, bem como óculos na fachada, ao nível dos pisos superiores, geralmente colocados no eixo das escadas, permitindo assim a sua iluminação. É também bastante comum a ocorrência de edifícios com poços no seu interior, principalmente naqueles pertencentes a famílias mais abastadas, facto que poderá dever-se às rígidas normas que durante vários anos regeram o abastecimento público de água (fontes, chafarizes e poços públicos), optando os moradores por ter o seu poço privado, no interior do edifício.

Núcleo definido pelo perímetro muralhado medieval, de traçado aproximadamente rectangular, delimitado a N. pela Av. 5 de Outubro, a S. pela Av. Luísa Todi, a E. pelo miradouro de S. Sebastião e pelo jardim de Palhais e a O. pela Av. 22 de Dezembro. Topograficamente caracterizado por terrenos mais ou menos planos, tem na colina de S. Domingos / S. Sebastião (onde se localiza a Rua Arronches Junqueiro) o seu ponto mais elevado, sendo que se localizava aqui, e na área definida pela Rua Álvaro Castelões e até à Praça do Bocage, a zona mais antiga da cidade. A estrutura urbana caracteriza-se por um traçado pouco regular. Os principais eixos estruturantes têm uma orientação E.-O., paralelos à margem do rio, tal como a muralha medieval com as suas portas principais, enquanto as vias secundárias se apresentam normalmente perpendiculares aos eixos principais. Dentro do conjunto destacam-se apenas duas ruas curvilíneas (que correspondiam, segundo estudos arqueológicos, ao limite da restinga), ruas essas que delimitam a zona da judiaria e correspondem a um dos mais antigos núcleos de Setúbal. A judiaria ocupava assim uma área privilegiada na antiga vila. A mouraria ocupava uma área menor e estava localizada no extremo SE. do perímetro muralhado, próxima do Postigo da Moura Encantada (única porta existente do período medieval), e que mais tarde viria a ser designado como Porta do Sol. O principal espaço público deste núcleo é a Praça do Bocage (que começou por se chamar Praça das Couves e mais tarde Praça do Sapal) e que apresenta uma configuração irregular. É pontuada no seu centro pelo monumento ao poeta Bocage, estando também aí localizados o edifício dos Paços do Concelho, a Igreja Matriz de São Julião (v. PT031512030002), a Casa do Corpo da Guarda (v. PT031512030043), uma Capela dos Passos da Paixão (v. PT031512010034) e o Palácio Salema (v. PT031512030058), situado já a O., na Rua de Bocage. Próximo da praça, a SO., e virado para a Av. Luísa Todi, encontramos ainda o Palácio Araújo onde funciona o Governo Civil, local onde em tempos existiu o Palácio dos Duques. Em meados do séc. 14 já no terreiro, então chamado do Sapal, se encontravam alguns edifícios, documentados pelos aforamentos então realizados. Cerca de um século mais tarde encontra-se aí referência a um chão de secar pescado. No reinado de D. João II a praça foi alargada e reordenada. Na época Manuelina e de D. João III foi definida a nova Praça do Sapal, procedendo-se então à demolição de vários edifícios e construção de outros, bem como a diferentes melhoramentos. No séc. 19 foi cedido à Câmara o terreno do picadeiro do Paço do Duque, situado a O. da Igreja Matriz de S. Julião, para alargamento e aformoseamento da Praça do Sapal, que passou a designar-se como Praça do Bocage, tendo sido nesta época arborizada, tal como o largo anexo, onde se situava a praça das frutas e hortaliças (espaço depois absorvido pela Praça do Bocage). Próximo da Praça do Bocage, a NO., fica localizado o Largo do Sapalinho, topónimo que faz referência ao sapal que em tempos ali existiu, possuindo uma forma aproximadamente quadrangular. A E. da Praça do Bocage encontramos o Largo Dr. Francisco Soveral, antigo Largo da Ribeira Velha, também de forma quadrangular. De assinalar que o antigo topónimo está relacionado com a anterior existência de uma praia banhada pelo rio Sado, onde se fazia a descarga do peixe. O edifício que encerra este largo pelo lado S. integra o Postigo da Ribeira, estabelecendo uma ligação pedonal com a Av. Luísa Todi. Todo o espaço é dominado pela presença central de uma árvore centenária de grande porte. Aqui se localizou anteriormente a Casa da Câmara, depois transferida para a Praça do Bocage. Se seguirmos para E., pela Rua Dr. Paula Borba, encontramos o Largo da Misericórdia, onde se localiza o Antigo Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal (v. PT031512030009). O largo apresenta uma forma trapezoidal e é um dos principais espaços públicos devido à sua localização central, fazendo a ligação entre a Rua Álvaro Castelões e a Rua Dr. Paula Borba com o eixo que se dirige para E.. Seguindo pela Rua António Girão, encontramos a meio do percurso a Praça do Exército, que apresenta uma planta quadrangular e é dominada pela presença da Igreja de Santa Maria (v.PT031512020013), implantada a uma cota ligeiramente mais elevada. Continuando pela Rua António Girão chegamos ao Largo do Poço do Concelho, a N. da igreja, onde estava localizado o poço do Concelho, actualmente desaparecido. A S. da igreja, no Terreiro de Santa Maria, localiza-se o edifício da albergaria medieval, depois hospital João Palmeiro, talvez a mais antiga construção de todo o núcleo intra-muros. Ainda relacionado com a área de influência da igreja matriz, encontra-se o Largo Joaquim António de Aguiar, que apresenta uma forma rectangular alongada e está lateralizado em relação à Rua Arronches Junqueiro. A igreja de Santa Maria localiza-se a NO., mas apesar de se encontrar bastante próxima não é visível a partir do largo, já que a ligação entre ambos faz-se através de estreitas ruas. De assinalar ainda que o largo possui uma ligeira inclinação, subindo em direcção a N.. Se seguirmos pela Rua Arronches Junqueiro (antiga Rua Direita) até ao fim encontramos a Porta de S. Sebastião, através da qual se sai do perímetro muralhado medieval para o Largo dos Defensores da República, onde se localiza o Palácio Fryxell (v. PT031512050046). O conjunto do espaço construído apresenta-se homogéneo, com algumas excepções nos seus extremos, principalmente junto à Av. 5 de Outubro e à Av. Luísa Todi. Os espaços verdes públicos são quase inexistentes, à excepção de pequenas manchas na Praça do Bocage e na Av. 5 de Outubro, salientando-se o enorme plátano existente no antigo Largo da Ribeira Velha. Do ponto de vista urbanístico é notória a existência de três pontos fulcrais de organização: em redor da Igreja de Santa Maria, que apresenta quarteirões regulares e onde impera o sistema rua-travessa, o segundo junto da Igreja de São Julião é constituído por quarteirões irregulares, tendo a Praça do Bocage como referência principal, e um terceiro enquadrado entre ambos, que apresenta uma organização radial e corresponde aproximadamente à área da antiga judiaria. Na periferia deste último encontramos a Igreja de Santo António do Postigo (v. PT031512020038) e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (v. PT031512020079). Neste conjunto destacam-se algumas cantarias manuelinas, como vãos decorados ou o simples acabamento biselado em pedra. Um dos melhores exemplos situa-se na Travessa de São José, a S. da Igreja de Santa Maria, sendo constituído por duas portas: uma de habitação, mais estreita, que dava acesso ao piso superior, e outra de loja, mais larga e que dava acesso ao piso térreo.

Materiais

Não aplicável

Observações

*1 Existiam ainda dois outros forte que completavam o sistema defensivo terrestre, o Forte Velho e o Forte da Estrela, situados a NO. e N. respectivamente. Do primeiro ainda se conservam alguns vestígios, enquanto o segundo desapareceu completamente. *2 A Feira de Santiago ainda se realiza todos os anos a 25 de Julho. Fazia-se primeiramente no Largo de Jesus mas hoje faz-se no Largo José Afonso e na Av. Luísa Todi.