Arquitectura agrícola, vernácula, oitocentista. Moinho de vento, de torre circular, de alvenaria rebocada e caiada de branco, de uma moenda, do tipo mediterrânico "fixo", de planta circular, com telhado em cone de lona pintada de negro. Composto por vestíbulo, soto e sobrado, com aproveitamento da grande espessura da parede para espaços de arrumos; porta aberta a SE. próximo dos moinhos característicos do Sul, cujas aberturas são geralmente a E., de provável origem inglesa *3. Tejadilho cónico, negro contrastando com a brancura que ressalta da parede de alvenaria rebocada e caiada de branco, com faixa colorida em baixo; Painel de azulejos com figuração central "rocaille" pela policromia em tons de azul e branco, amarelo e manganês, e pela profusão e sumptuosidade dos ornamentos da cercadura, com orelhões e concheados, com marcação acentuada de volumes; registo devocional e de intenção provavelmente protectora.
Planta, circular, simples, não coincidência exterior / interior, de massa simples, com disposição verticalizante; cobertura cónica em tabuado recoberto de lona pintada com alcatrão, breu e sebo, que acaba dentro do capeado de remate da parede (fechal de baixo ou fechal de pedra), encimado por cata-vento (prolongamento de cata-vento interior que dá ao moleiro, dentro do moinho, a direcção rigorosa do vento) que se opõe ao frechal de madeira, fixo. As paredes espessas estreitando para cima dão-lhe um formato ligeiramente cónico, com barra colorida junto ao solo; porta de verga e ombreira rectas, de pedra, encimada por registo de azulejo. Junto à cimalha rasgam-se 3 janelas voltadas a SE., NE. e NO., de vergas e ombreiras de pedra; a janela que se abre sobre a porta é a maior e apresenta a laje do peitoril avoada, trabalhada em semicírculo; a portada é de madeira; ladeando a porta e no eixo das janelas andorinhas embutidas no centro de círculos de pedra ligeiramente reentrantes. Mecanismo: mastro oitavado, 4 varas (par que entra na mesma fura, apertado por cunhas), 4 velas de pano triangulares, presas pelos vértices: um à ponta da vara, outro a um gancho cravado no mastro e outro amarrado com a escota à vara da retaguarda, com disposição helicoidal, havendo 5 mudas de velas que compreendem a vela inteira, a meadela, o traquete, o bolacho e as pontas; 4 escotas com os búzios e cordame de ligação às pontas das varas, alternado com travessas de madeira. INTERIOR: de espaço diferenciado, composto por vestíbulo onde nasce, junto à porta, uma escada adossada à parede de acesso ao sobrado no topo, assente em arcos de alvenaria, e soto ou casa do meio (sobrado que divide o pé da parede) assente e suportado por grossas vigas de madeira; a escada é assente sobre um arco de berço aberto na parede; fronteiro à porta, também aberto na espessura da parede, uma pilheira (armário). No sobrado: o mastro ou eixo das velas, gira sobre duas chumaceiras firmadas ao anel móvel; a da frente é mais alta que a de trás, o que dá ao mastro a sua ligeira inclinação; entrosga de madeira com 32 dentes, aplicada ao mastro entre as duas chumaceiras; por meio do carrinho a entrosga transmite o movimento ao veio de cima, cuja espiga da extremidade inferior entra na caixa da segurelha, imprimindo-lhe o movimento de rotação; cunha ou parafuso levanta ou baixa o urreiro; duas mós, sendo uma fixa, corvo suporte do tegão, quelha e cadelo e 8 fusos. O telhado gira sobre rodas (carros) no trilho que encima a parede; o processo de rotação do telhado é efectuado por meio de um sarilho, cujo eixo tem uma das chumaceiras no anel giratório, e outra numa peça da sua armação, a canga; a corda passa por dois moitões, prende-se aos ganchos que estão espaçados ao longo do anel e da parede; para prender o moinho amarra-se com fortes cabos a armação às andorinhas (argolas de ferro cravadas na parede abaixo do capeado: para impedir o deslocamento de toda a armação, as pontas das vigas têm um dente que encosta à face interna do anel fixo à parede.
Materiais
Pedra: calcária, mármore; vidro: simples; metal: ferro forjado, fundido; alvenaria: mista de pedra e tijolo, e cal, rebocada e caiada; madeira: diversos tipos de pinho, exótica (mastro); lona pintada com alcatrão, breu e sebo.
Observações
*1 Presentemente o moinho é dedicado essencialmente às actividades pedagógicas junto das escolas do concelho, mas também a turistas; há a ideia de arranjar um local, que poderá ser na Quinta da Atalaia (onde funciona um museu agrícola), onde se possa fazer o pão para ser levado por quem visite o moinho. 2* Segundo informação do assessor cultural da Câmara Municipal do Montijo (ao Jornal de Notícias) nem os mais idosos residentes no Montijo se lembram de alguma vez ter visto o moinho em funcionamento, pelo que, provavelmente, o seu encerramento se teria dado no início do século XX. *3 Os serviços culturais da Câmara Municipal do Montijo estão a levar a cabo pesquisa sobre a actividade moageira e sobre todos os moinhos de vento e de maré existentes no Concelho do Montijo, na Biblioteca Nacional e na Torre do Tombo. *4 Esta Associação é a representante de Portugal na Sociedade Internacional de Molinologia.