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Fonte de Aldeia de Oleiros

Fonte de Aldeia de Oleiros

O ponto de interesse Fonte de Aldeia de Oleiros encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Azeitão (São Lourenço e São Simão) no municipio de Setúbal e no distrito de Setúbal.

Arquitectura infraestrutural, barroca, rococó. Chafariz de espaldar alto, com tanque oval, da época pombalina com decoração barroca, de frontão contracurvado e azulejos policromos, com tons de azul, ocre e vinoso, figurativos, da família iconográfica dos porteiros, alabardeiros, criados militares, frequentes nas escadas e entradas de edifícios nobres, dentro de molduras de recorte exuberante e irregular, sublinhadas contra a superfície mural, com orelhões, concheados.

Planta longitudinal, composta por espaldar, tanque, mãe de água, tendo na retaguarda um lavadouro. Frontispício voltado a N., com embasamento, cujo espaldar é formado por alta parede disposta em três panos, delimitado lateralmente por duas pilastras que terminam em urnas que se erguem no seu enfiamento, sendo rematado superiormente por frontão com o perfil superior contracurvado, assente em cornija arquitravada; o pano central destaca uma tabela lisa rectangular toda moldurada por lista colorida que forma no topo um frontão com decoração vegetalista central, tendo no plano inferior no remate das bicas de água duas placas em relevo, com pedras em grande ressalto, decoradas; nos panos laterais há realce para dois painéis de azulejos policromos colocados um de cada lado da cartela central, representação de duas figuras de convite. Na banda esquerda pequena porta moldurada a cantaria. Ao nível do pavimento da fonte, abre-se um pequeno tanque receptor da água das bicas, de planta oblonga, rectangular, cujos lados menores são em semicírculo e cuja parede é formada por pedras gateadas com o rebordo plano, vendo-se um rasgo na pedra formando caleira para o escoamento a nível superior da água. Tardoz liso de um pano, tendo adossado um corpo de planta rectangular, de panos lisos com um janelo lateral e remate superior em empena. Lavadouro com pavimento rebaixado em relação ao exterior, com tanque central dividido em dois menores por parede, com pedra de lavagem de roupa colocada no sentido do comprimento; o espaço é murado, com uma entrada pelo lado da fonte, com portão de gradeamento em ferro, e outra diametralmente oposta com entrada pela quinta que lhe fica anexa; a cobertura é em telhado de duas águas assente em travejamento e asnas em madeira, suportado por paredes e por pequenas pilastras colocadas sobre murete.

Materiais

Pedra: calcária; alvenaria de pedra e cal; cerâmica: azulejos tradicionais; ferro.

Observações

*1 Alabarda elemento do armamento ofensivo e defensivo usado pelos archeiros da guarda dos príncipes ou usado nas batalhas pelos alferes. Santos Simões refere estes azulejos propondo a leitura iconográfica: dois porteiros compostos por 12 x 9 azulejos. *2 "Libré" que está de acordo com a reforma introduzida pelo Conde de Lippe, cujas disposições para fardamentos datam de 1764. A indumentária das figuras dos painéis é considerada única na utilização deste tipo de iconografia barroca (Arruda, 1989). *3 Peça dada com proveniência provável do Paço dos Duques de Aveiro, embora tenha vindo a ser identificada tradicionalmente, como representando a "Maria da Fonte" (CALADO, 1993), reminiscência da Guerra Civil da Patuleia (termo depreciativo usado pelos cabralistas, referindo as forças militares do Governo).