Convento masculino franciscano, construído no séc. 17 e redecorado no séc. 18, composto por igreja e núcleo conventual, implantado no lado esquerdo da mesma, o qual foi ampliado com outros corpos após a sua adaptação a hospital da misericórdia, no séc. 19, e depois a centro de saúde já mais recentemente. A igreja é de planta retangular composta por duas naves antecedidas por galilé, e capela-mor mais estreita, possuindo coberturas internas diferenciadas em masseira e falsas abóbadas de berço, de madeira, e sendo iluminada pelos vãos da fachada principal e laterais. Fachadas com cunhais apilastrados e remates em friso e cornija, coroados por pináculos. Fachada principal tripartida, seguindo o esquema seiscentista da região, com cada pano rasgado por vãos em eixo, composto por arcos de volta perfeita e janelas de verga reta entre pilastras, rematada em tabela vazada por óculo, espaldar recortado e com aletas laterais. No lado esquerdo, dispõe-se recuado, sobre a galilé, torre sineira com dois vãos e remate em balaustrada. No interior, a organização espacial não corresponde à divisão da fachada, sendo um dos poucos templos do arquipélago com duas naves. Assim, a nave principal tem acesso pelo portal central da galilé, a secundária pelo portal direito e o portal esquerdo acede à portaria da zona regral. As naves separam-se por arcos sobre pilares, o primeiro menor, tendo a principal os topos posteriores truncados, exterior e interiormente, e coro-alto sobre a galilé e avançando para a nave, com guarda em balaústres torneados e órgão positivo, do séc. 19, que constitui o quarto maior dos nove órgãos executados por João Nicolau Ferreira e que é composto apenas por tubos labiais, na sua maioria construídos em madeira, caso raro entre os órgãos portugueses. No lado do Evangelho possui púlpito quadrangular, sobre mísula, com guarda em balaustrada e baldaquino mais tardio. Quer os vãos da galilé, quer os do interior possuem igual modinatura, de perfil reto encimado por friso convexo e cornija reta, indicando contemporaneidade da obra. Lateralmente existem duas capelas laterais e duas colaterais, com retábulos, executadas na 1.ª metade do séc. 18, em talha joanina com introdução de elementos de estilo rocaille, de corpo reto e três eixos. O arco triunfal é revestido a talha do mesmo período. A capela-mor é bastante profunda e tem retábulo-mor joanino de transição para o tardo-barroco, de corpo côncavo e três eixos. A nave secundária, mais curta e estreita, possui capela lateral dedicada a Nossa Senhora das Dores, invocação muito comum nos Franciscanos, e a cabeceira tem retábulo dedicado ao Santo Cristo, ambos da 2ª metade do séc. 18. O convento encontra-se muito alterado, desenvolvendo-se em torno de claustro quadrangular, com as alas de dois pisos, separados por friso, rasgando-se no primeiro cinco arcadas de volta perfeita e no segundo três janelas de varandim. A escada regral arranca de arco em asa de cesto e a casa do lavabo conserva o lavabo, de espaldar retangular, definido por pilastras e rematado em cornija, possuindo bacia retangular frontal.
Convento formado por igreja e zona regral implantada no lado esquerdo. A IGREJA é de planta retangular, composta por duas naves desiguais, a principal de topos facetados interna e externamente e a secundária, disposta à direita, mais estreita e menos profunda, antecedidas por galilé, e por capela-mor mais estreita. À nave secundária adossa-se corpo retangular com instalações da Irmandade da Ordem Terceira de São Francisco, que se prolongam sobre a capela da nave. Volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas nas naves e de quatro nas dependências da Irmandade, rematadas em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, terminadas em friso e cornija, a igreja com pilastras nos cunhais. Fachada principal virada a nordeste, rematada em tabela retangular horizontal, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos tipo balaústre, sobre plintos paralelepipédicos, vazada por óculo circular, com moldura envolvida por bosantes, e rematada em frontão recortado de volutas, coroado por cruz latina de braços retangulares e contendo no tímpano cartela recortada de volutados e concheados com as insígnias da Ordem de São Francisco. A tabela é ladeada por aletas. A fachada, com soco galbado, divide-se em dois registos, marcados por friso e cornija, e três panos, definidos por duas ordens de pilastras toscanas, cada um dos registos rasgado por vãos, correspondendo no primeiro a arcos de volta perfeita, assentes em pilastras, de acesso à galilé, fechados por portões de ferro, e no segundo a janelas de varandim entre pilastras, atualmente de peitoril, com pano de peito rebocado e pintado de branco. A galilé, atualmente seccionada por parede, que individualiza a entrada da antiga portaria, é rasgada por três portais de verga reta, o central mais alto, com moldura encimada por friso convexo e cornija. Atrás da aleta do eixo esquerdo da fachada, surge recuada a torre sineira, de cunhais apilastrados, e rasgada por dois vãos em arco peraltado, albergando sinos, com pano de peito rebocado e pintado; é rematada em friso e cornija encimada, na face frontal, por balaustrada e acrotérios nos cunhais, coroados por pináculos, e, nas restantes faces, por platibanda plena, rebocada e pintada. A fachada lateral direita é rasgada por seis janelas, tendo a primeira moldura junto ao remate e pano de peito em cantaria, sendo ladeada por quatro mísulas de sustentação de antigas rótulas; a do topo é de sacada, com moldura encimada em friso e cornija e com guarda em ferro. No piso térreo abrem-se duas janelas. Quase no topo da nave possui corpo saliente, terminado em empena, correspondendo à capela lateral, e no topo tem corpo maior, também saliente, com dois registos, sendo o segundo rasgado por janela de peitoril. Nas fachadas laterais da capela-mor abrem-se duas janelas retilíneas e na posterior, terminada em empena reta, com cornija, abre-se janela retangular jacente e janela retangular. INTERIOR com as duas naves desiguais, separadas por três arcos, de volta perfeita, o primeiro mais baixo, sobre pilares quadrangulares de ângulos em toro, com as paredes rebocadas e pintadas de branco e coberturas em masseira, de madeira envernizada, assente em cornija de cantaria. A nave principal, disposta à esquerda, é mais larga e comprida, tem as paredes seccionadas em dois registos por cornija, abrindo-se ao nível do segundo, de ambos os lados, quatro janelas retilíneas. Coro-alto desenvolvido sobre a galilé e avançando para a nave, de madeira, com guarda em balaústres torneados e tendo, encostado à parede fundeira, sob o óculo, o órgão positivo; lateralmente possui porta de verga reta encimada por cornija, no lado do Evangelho de comunicação com o claustro e, no oposto, de ligação à nave secundária. O portal é ladeado por pia de água benta hemisférica. No lado do Evangelho abre-se porta de verga reta, com moldura encimada por duplo friso convexo e cornija reta, seguindo-se o púlpito, de bacia retangular, sobre mísula, com guarda em balaustrada, acedido, a partir do segundo piso do claustro, por porta de verga reta encimada por cornija e baldaquino facetado, em talha a branco, coroado por dois pináculos vegetalistas, lambrequim e inferiormente decorado por resplendor. A nave possui dois retábulos laterais, de talha pintada de bege e dourado, dedicados a Santa Ana (Evangelho) e a Nossa Senhora da Piedade (Epístola), seguidos de um eixo de vãos, formado por porta de verga reta com moldura encimada por cornija, e janela de igual modinatura, com rótulas de madeira, as do lado da Epístola de comunicação com as dependências da Irmandade dos Terceiros. Nave secundária com coro-alto, disposto num nível mais baixo que o da nave principal, inferiormente com o espaço fechado, acedido por porta de verga reta, no interior do qual se desenvolvem as escadas modernas de acesso ao coro, com guarda em balaústres torneados. No lado da Epístola tem retábulo de talha pintada a bege e dourado, dedicado a Nossa Senhora da Soledade ou de Nossa Senhora das Dores, de corpo convexo e três eixos. Um arco de volta perfeita sobre pilastras, revestido a talha pintada de bege e dourado, dá acesso à cabeceira, menos profunda que a capela-mor. Possui retábulo dedicado ao Senhor Santo Cristo, em talha pintada de bege e dourado, de corpo côncavo e três eixos. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, revestidos a talha pintada de branco e dourado, decorados com acantos, ladeado por dois retábulos colaterais, postos no ângulo da nave, dedicados a Santo António (Evangelho) e ao Bom Jesus (Epístola), de talha pintada de bege e dourado. A capela-mor, muito profunda e com cobertura em falsa abóbada de berço, de madeira envernizada, tem sobre o supedâneo o retábulo-mor, em talha pintada de bege e dourado, com corpo côncavo e três eixos, definidos por quatro colunas de fuste liso, assentes em altos plintos paralelepipédicos almofadados e com motivos vegetalistas e de capitéis coríntios; no eixo central abre-se tribuna, em arco contracurvo, com boca ornada de concheados, festões e chave vegetalista; interiormente a tribuna é facetada e tem pintada painéis azuis com símbolos eucarísticos, delimitados por guarda plena a imitar cantaria, integrando falsos plintos sustentando colunas jónicas, de fuste azul e capitel dourado, e com drapeados vermelhos, sustentando a cornija onde assenta a cobertura, em cúpula tronco-piramidal com um Agnus Dei pintado no remate. A tribuna alberga trono expositivo de degraus contracurvos, decorados com acantos e volutados. Nos eixos laterais dispõem-se mísulas hemisféricas com acantos, sustentando imaginária, encimada por baldaquino de perfil curvo, com motivos vegetalistas e lambrequim e reposteiros a abrir em boca de cena. A estrutura remata em fragmentos de frontão e espaldar com as insígnias dos Franciscanos em cartela, sobreposta por querubins e motivos vegetalistas, envolvido por frontão adaptado ao perfil da cobertura, definido por friso côncavo denticulado, e tendo acantos enrolados formando pináculos no alinhamento das colunas exteriores. No sotobanco abrem-se as portas de acesso à tribuna, de perfil curvo e decoradas com elementos vegetalistas. Altar paralelepipédico, com friso superior rendilhado e lateralmente volutado, tendo o frontal pintado por moldura com acantos estilizados e tendo ao centro vários símbolos da Paixão de Cristo e o lenço de Verónica inserido num círculo. É encimado por sacrário tipo templete, cilíndrico, decorado com lambrequim sob a cornija, onde assenta cobertura em domo, e tendo a porta, com cruz, envolvida por motivos vegetalistas. Sob o pavimento da capela-mor, existe cripta. CONVENTO de planta irregular composto por claustro quadrangular, a que se adossou, em data mais recente, várias alas, a mais moderna disposta perpendicularmente e um pátio retangular posterior. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com soco e remate em friso de cantaria. A principal, virada a nordeste, é rasgada por eixo de vãos, retilíneos e com molduras de cantaria, correspondendo no piso térreo a portas e no segundo a amplas janelas, com pano de peito rebocado e pintado de branco, e caixilharia de guilhotina. INTERIOR: portaria acedida pelo portal esquerdo da galilé, com escadas de ligação ao claustro. Este tem quadra quadrangular, de dois pisos, separados por cornija, com as alas definidas por cinco arcos de volta perfeita, assentes em pilares toscanos sobre bases; no piso superior, terminado em cornija, abrem-se três janelas de varandim, atualmente transformadas em peitoril, por pano de peito rebocado e pintado, e com moldura terminada em cornija. No centro da quadra, existe tanque recortado. As alas do primeiro piso apresentam pavimento de lajes, cobertura sobre travejamento de madeira e acesso às várias dependências por portas de verga reta. Na ala noroeste, possui ao centro, a escada regral para o segundo piso, de dois lanços, acedida por vão em arco em asa de cesto sobre pilastras toscanas. Próximo do corpo da igreja, há um outro vão, mais estreito que dá acesso a uma escada secundária que também conduz ao piso superior. A sul, um arco, de volta perfeita, dá acesso à casa do lavabo do antigo refeitório, o qual tem espaldar retangular, definido por duas pilastras, coroadas por pináculos tipo balaústre, e terminado em cornija reta, com uma bica, tendo frontalmente bacia retangular, pouco profunda, sobre mísula. Na ala norte existem duas portas, de diferentes dimensões, para comunicação com a igreja e, ao nível do segundo piso, existe porta de acesso ao púlpito.
Materiais
Estrutura em cantaria ou alvenaria de pedra, rebocada e pintada; socos, cunhais, cornijas, pilastras, frisos, molduras dos vãos, volutas, pináculos, elementos decorativos bacia do púlpito, pias de água benta e lavabo em cantaria aparente ou pintada; pavimento cerâmico, em lajes de cantaria ou de madeira; retábulos em talha pintada e dourada; púlpito com balaustrada e baldaquino em talha a branco; teto da igreja em madeira envernizada; coberturas em telha cerâmica de meia-cana.
Observações
*1 - DOF: Igreja e claustro do antigo convento da Ordem de São Francisco. *2 - Uma das principais atribuições dos irmãos da Ordem Terceira de São Francisco era a realização de várias festividades na época da Quaresma. Para além da procissão dos Penitentes, frequentemente conhecida por procissão dos Terceiros, organizavam a festividade do Enterro do Senhor, da Ressurreição e as celebrações em honra de São Francisco e da Rainha Santa Isabel da Hungria. A Procissão do Terceiros, iniciada talvez desde a criação da Irmandade na vila, é também chamada, na Ribeira Grande, por "Procissão do Senhor da Coluna" ou "Senhor atado à coluna", devido ao culto prestado à imagem com essa invocação existente na capela da nave secundária do convento. Antigamente, a procissão era antecedida e sucedida por uma missa na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, saindo da igreja, normalmente por volta das 15 horas. Era uma das maiores procissões da Ribeira Grande, tanto em percurso, visto percorrer quase toda a vila, como em comprimento, uma vez que, comportava onze andores, no meio da procissão, vários homens de opas, na frente da procissão, todos os irmãos, sem descriminação social, os religiosos e todos os clérigos da vila, os representantes máximos da vila, no final da procissão, e um número considerável de mulheres, a maioria em cumprimento de promessa. Atualmente a procissão é acompanhada por seis andores, representando a vida de São Francisco de Assis e outros Santos, como Santa Isabel, Santo Ivo, Santa Margarida de Cortona e São Roque. No conjunto processional das imagens de roca, duas são entalhadas: a do Senhor dos Terceiros, e a de São Francisco deitado nas silvas.