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Igreja de Nossa Senhora da Estrela

Igreja de Nossa Senhora da Estrela

O ponto de interesse Igreja de Nossa Senhora da Estrela encontra-se localizado na freguesia de Ribeira Grande (Matriz) no municipio de Ribeira Grande e no distrito de Ilha de São Miguel (Açores).

Igreja paroquial reconstruída a "fundamentais" em 1728, sobre uma outra de fundação quinhentista, seguindo o esquema mais comum das igrejas da ilha, de três naves e cabeceira e frontaria tripartida, possivelmente com risco do vigário João de Sousa Freire e, após a morte deste, continuada por Inácio Manuel de Vasconcelos, que altera o projeto inicial quanto às cantarias, botaréus e "chaparias". Apresenta planta composta de três naves, cada uma com seis tramos, e cabeceira escalonada, interiormente com ampla iluminação axial e bilateral, e coberturas em falsas abóbadas de berço, de estuque. A fachada principal termina em tabela, ladeada de aletas e encimada por frontão em canopo, e tem três panos definidos por pilastras, coroadas por pináculos, rasgados por vãos retilíneos em eixo, composto por portal e janela entre pilastras sustentando frisos e cornijas, as das janelas formando aletas inferiores e tendo pano de peito de cantaria. No eixo central existe maior esforço decorativo, surgindo a janela entre colunas torsas e abrindo-se duas outras iguais ladeando nicho na tabela. À esquerda o batistério insere-se num corpo de dois pisos, de fenestração simples, e à direita surge torre sineira, bastante robusta e com soco em esbarro, do templo anterior, de que conserva o remate de dois registos em ponta de diamante, ainda que tenha caído parcialmente em 1681, e, posteriormente, tenha sido alteada com outro registo de ventanas. Nas fachadas laterais abrem-se, na nave, amplas janelas retilíneas e porta atravessa de verga reta, entre pilastras sustentando frisos, cornija e aletas, formando falso frontão. As capelas profundas terminam em empena com janelas retilíneas. No interior, com as naves separadas por arcos de volta perfeita sobre pilares de ângulos curvos, as paredes e coberturas são decoradas com estuques pintados, de estilo revivalista, executados, possivelmente, pelo pintor Sebastião Ribeiro Alves, de Lisboa, entre 1871-1878, na sequência do desabamento do teto em 1834. Possui coro-alto sobre as três naves, o central com órgão positivo oitocentista. Atualmente não tem púlpito, mas sabe-se que, antes de morrer, Pedro de Araújo de Lima iniciou a feitura de dois, em 1837, e antes das obras de 1959 tinha um, no lado do Evangelho, de talha em branco, de bacia circular e guarda vazada. O batistério abre-se na nave do Evangelho, interiormente abobadado e com retábulo tardo-barroco, de corpo côncavo e três eixos, com painéis pintados. As naves laterais, ritmadas por pilastras, têm três capelas à face e uma profunda com retábulo, todos em talha pintada e dourada. O de Nossa Senhora da Aflição, rococó, foi feito por José Francisco para o convento das freiras, de onde foi transferido, recebendo acrescentos de Pedro de Araújo de Lima. O da Senhora das Dores e o de São João Evangelista são tardo-barrocos e o dos Reis Magos é de estilo nacional, mas reformado, integrando duas tábuas pintadas quinhentistas. Quatro retábulos laterais e o retábulo-mor, este de corpo côncavo e um eixo, são em barroco nacional, datam da década de 1740 e são do entalhador André Fontes, dadas as semelhanças entre si e três deles estarem documentados, ainda que o da Piedade tenha o remate reformado. Em 1754 o visitador considera defeito do retábulo-mor não ter nicho para a imagem do orago, mandando fazê-lo, o que não se concretizou. O absidíolo do Evangelho possui acesso emoldurado a talha rococó, mas os estuques pintados do interior devem ser já oitocentistas. O da Epístola, dedicado ao Santíssimo, tem igualmente acesso por talha rococó, executada em 1757, pelo entalhador José Araújo de Lima, e no interior retábulo em barroco joanino, com ampla tribuna, e as paredes e a cobertura são revestidos a talha vazada, sensivelmente posterior. Na ante-sacristia tem amplo lavabo, com espaldar em arco, definido e seccionado em dois, por pilastras e colunas torsas, de duas bicas, que vertem para taça retangular frontal.

Planta poligonal composta por três naves, cabeceira tripartida, tendo adossado à esquerda batistério, sacristia e ante sacristia, formando vários corpos, e à direita torre sineira quadrangular, arquivo, sacristia do Santíssimo e instalações sanitárias, estas circundadas por muro formando pátio. Volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave, três na capela-mor e de uma ou três nos corpos adossados, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria, de cunhais apilastrados, rematadas em friso e cornija e rasgadas por vãos retilíneos, os do piso térreo gradeados. A fachada principal surge virada a poente, rematada em tabela retangular horizontal, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos tipo pera sobre acrotérios, ladeada por aletas, percorridas por frisos e com florões, e encimada por frontão em canopo, de iguais características, coroado por cruz latina sobre plinto paralelepipédico. A fachada divide-se em três panos, definidos por pilastras toscanas, cada um deles rasgado por duas ordens de vãos retilíneos, correspondendo inferiormente a portais, o central maior, entre pilastras toscanas que sustentam múltiplos frisos e cornijas. Superiormente abrem-se janelas, entre pilastras formando volutas inferiores e definindo pano de peito em cantaria, igualmente sustentando frisos; a janela central surge entre colunas de fuste torso e terço inferior canelado sobre mísulas e de capitéis coríntios. Na tabela abrem-se duas janelas retilíneas, também entre colunas torsas, de terço inferior marcado e sobre mísulas, enquadrando nicho, em arco, de volta perfeita, sobre pilastras decoradas por lanceolados, interiormente de perfil curvo e albergando imaginária sobre mísula. No tímpano do frontão surge estrela relevada em cantaria e entre as aletas elemento fitomórfico. À fachada esquerda, sensivelmente recuado, dispõe-se corpo de dois pisos, rasgado em cada um deles por janela de peitoril. À direita, também recuada, surge possante torre sineira, de cinco registos, definidos por cornijas ou, em dois deles por friso decorado com pontas de diamante e cornija; o primeiro registo em alvenaria rebocada e pintada, tem esbarro sobre soco, e os restantes em cantaria. No segundo registo abre-se janela de verga reta, entaipada, encimada por cornija, com guarda em balaústres de cantaria; nos dois últimos registos abre-se, em cada uma das faces, duas ventanas, em arco peraltado, inferiormente sobre pilastras, e com guarda em balaustrada e no superior albergando sinos e com pano de peito rebocado e pintado de branco. A estrutura remata em friso, cornija e balaustrada, com acrotérios sustentando pináculos. Nas fachadas laterais rasgam-se, na nave, janelas retilíneas e porta travessa, de verga reta, entre pilastras, sustentando frisos e cornija, sobreposta por aletas formando falso frontão. Na fachada lateral esquerda os dois primeiros corpos têm dois pisos, o primeiro rasgado no segundo por janela de peitoril, e o segundo, por três eixos de vãos, correspondendo a porta entre janelas, e, no segundo piso, a janelas de peitoril; a nascente possui duas janelas em cada um dos pisos. Os restantes corpos, de dois ou um piso, têm diferentes tipos de fenestração, e a capela profunda, terminada em empena, tem duas janelas. Na fachada lateral direita, o corpo adossado à torre tem dois pisos, separados por friso, rasgado por janelas e portas; o da capela lateral profunda termina em empena e tem três panos, rasgados por janelas a diferentes níveis. Segue-se pano de muro formando pátio, acedido por porta. Fachada posterior terminada em empena reta, rasgada por dois vãos em cada um dos pisos, as do superior, desalinhados. INTERIOR com as naves separadas por seis arcos de volta perfeita sobre pilares, de ângulos curvos, com as paredes e coberturas, em falsas abóbadas de berço, sobre cornija, decoradas com estuques pintados. Os arcos são encimados por motivos vegetalistas e sob a cornija, corre friso de cogulhos vegetalistas sobre marmoreado fingido a verde. Na cobertura da nave central surgem apainelados recortados contendo cartelas polilobadas com símbolos Marianos, enquadrados por friso vegetalista e açafates. As naves laterais, com tramos marcados por pilastras, no alinhamento dos pilares, têm as paredes com marmoreados fingidos a verde, e a cobertura forma apainelados com motivos vegetalistas. Pavimento de madeira na nave central e em lajes de cantaria nas laterais. Coro-alto sobre as três naves, que nas laterais se dispõe a um nível inferior, com guarda em balaústres torneados, comunicando por vão de verga reta e, inferiormente, por arcos de volta perfeita. Na nave central possui órgão positivo. No sub-coro, o portal axial possui guarda-vento de madeira envernizada, flanqueado por colunas de fuste estriado e terço inferior marcado, sustentando o remate em frontão, o central interrompido por brasão. Na nave do Evangelho abre-se batistério, em arco de volta de perfeita, sobre pilastras, com porta em ferro forjado, rematada em cartela recortada entre aletas sobreposta pela figura de São Miguel relevada e policroma. No interior, com as paredes rebocadas e pintadas de branco e cobertura em abóbada de berço, decorada com motivo vegetalista relevado, possui retábulo em talha pintada e dourada, de corpo côncavo e três eixos, e alberga pia batistal de taça hemisférica lisa. As naves laterais possuem três capelas retabulares à face e uma profunda, estas com acesso por arco, de volta perfeita, sobre pilastras de ângulo curvo, tendo no interior as paredes e a cobertura, em falsa abóbada de berço, decoradas com estuques pintados e contendo retábulo. São dedicadas, no lado do Evangelho, a Nossa Senhora da Aflição, Santo Antão, Nossa Senhora da Piedade e aos Reis Magos, e, no da Epístola, a São Miguel, Nossa Senhora das Dores, Santo António, de São José e de São João Evangelista. As capelas são encimadas por vãos retilíneos ou óculos polilobados, As portas travessas são envolvidas por estuques pintados, formando falsas pilastras almofadadas com motivos vegetalistas, sustentando cornija e tabela recortada contendo cartela, de onde parte friso vegetalista a enquadrar a janela superior. Presbitério delimitado por guarda, em ferro forjado, decorada com figuras antropomórficas, festões, e outros elementos vegetalistas. Arco triunfal, de volta perfeita, sobre pilastras, enquadrado por estuques decorativos com acantos e pâmpanos, encimado por sanefão, em talha pintada de branco, vermelho e dourado, rematado em frontão interrompido pelas armas de Portugal e com lambrequins. A capela-mor possui nas paredes estuques pintados, formando apainelados de vermelho com molduras em cinzento, a que se encosta cadeiral, de talha em branco, com alto espaldar, seccionado por quarteirões, individualizando os assentos, coroados por pináculos adelgaçados sobre o remate, formado por dupla ordem de frisos almofadados vegetalistas. A cobertura, em falsa abóbada de berço, é pintada em grisaille, formando quadraturas com açafates e festões policromos, e apainelados, tendo no central uma estrela relevada sobre glória. Sobre supedâneo, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada de branco, azul e dourado, de corpo côncavo e um eixo, definido por seis pilastras decoradas de acantos e quatro colunas torsas, ornadas de aves e pâmpanos, sobre dupla ordem de mísulas e de capitéis coríntios, as quais se prolongam pelo remate em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio, e tendo no fecho cartela com estrela, encimada por coronel. Ao centro abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, com boca rendilhada, interiormente albergando trono facetado com apainelados de acantos, encimado por baldaquino com resplendor. Sotobanco com apainelados de acantos e altar paralelepipédico com frontal de tecido. Absidíolos com acesso revestido a talha, sendo o do Evangelho dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e o da Epístola ao Santíssimo Sacramento. Na ante-sacristia existe amplo lavabo, com espaldar de cantaria, composto por quatro pilastras e duas colunas torsas de capitéis coríntios, que se prolongam em três arquivoltas, tendo no fecho quarteirão com cartela inscrita, que assenta em coluna torsa que secciona o espaldar. Este é côncavo e possui duas bicas inseridas em almofadas retangulares, que vertem para taça frontal retangular inseridas no arco do espaldar.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruz e elementos decorativos no exterior em cantaria de basalto aparente; portas de madeira pintada; vidros simples ou vitrais; pias de água benta, pilares, arcos, pias de água benta, pia batismal e lavabo em cantaria aparente; retábulos em talha pintada e dourada ou de estuque; guarda do coro-alto e cadeiral de talha em branco; porta do batistério em ferro forjado; estuques pintados; pavimento em soalho e lajes de cantaria; coberturas em falsa abóbada de berço, de estuque; cobertura de telha.

Observações

*1 - Segundo Santos Simões, estes azulejos podem ter pertencido a uma outra dependência da igreja ou até mesmo à ermida de Nossa Senhora da Caridade ou Caridades, mandada construir em meados do séc. 17 no adro da igreja e anexa a esta.