Núcleo urbano sede freguesia (região autónoma). Vila situada em costa marítima. Vila piscatória. Núcleo urbano com origem no séc. 16 e consolidado no séc. 19 / início de 20, composto por um tecido urbano heterogéneo com diversos tipos de formação: linear, regular e dispersa, relacionados com épocas de expansão distintas. A génese do traçado é linear, à semelhança dos núcleos urbanos costeiros de ocupação do arquipélago. Assente num pequeno núcleo com um tecido edificado muito denso de ruas estreitas, expande-se ao longo da linha de costa e posteriormente, ao longo de um eixo em direcção ao S.. Predomina a função habitacional a par de uma ocupação intensa da rua como espaço de extensão da casa e para actividades comunitárias relacionadas com a actividade piscatória e agrícola. A arquitectura corrente organiza-se em três tipos definidos na obra "Arquitectura Popular dos Açores" (OA): a casa térrea, a casa urbana com falsa e a casa urbana de dois pisos. A casa térrea surge em lotes estreitos e largos, com porta e uma janela ou com porta e duas janelas respectivamente. A casa térrea é mais comum nas zonas de expansão. A casa com falsa é um tipo especificamente açoriano, associado a famílias numerosas, dependentes da actividade piscatória. A falsa consiste num espaço de sótão aproveitado para quarto, iluminado por uma pequena janela, normalmente sobre a porta da casa e junto ao beirado. Este tipo é comum na zona central, apesar de estar presente em todas as áreas de carácter urbano. A casa com falsa de transição para piso constitui uma ampliação, em que o piso superior é esconso, mas com um pé direito superior ao da falsa. A casa de dois pisos encontra-se predominantemente em lotes estreitos, com um esquema de porta e janela no piso térreo e duas janelas de parapeito no piso superior. Estes tipos representam uma arquitectura muito simples, pontuada por elementos arquitectónicos com um carácter decorativo, como os beirados duplos e as grades de parapeito. Devem destacar-se as cancelas nas portas, elementos característicos da arquitectura popular de São Miguel, garantindo a delimitação entre espaço público e privado. A casa abastada tem dois pisos e distingue-se por ocupar lotes largos e possuir elementos arquitectónicos que a notabilizam, como cantarias trabalhadas, janelas de avental, óculos, varandas e cimalha sob o beirado duplo ou platibanda. A casa térrea rural surge nas zonas de expansão, em que convivem características de transição entre o espaço rural e o urbano. Os bairros de habitação social representam unidades urbanas independentes, mas adoptam os tipos tradicionais de habitação. Os bairros dos pescadores e do Património dos Pobres são compostos por casas térreas urbanas de lote encostado. Nos bairros de São Sebastião e da Alameda do Bom Jesus recorreu-se à casa urbana popular de dois pisos. Característica comum a todo o conjunto é a utilização de cores fortes na pintura das fachadas e das barras decorativas.
Estrutura urbana complexa formada por diversas zonas bem delimitadas, com tecidos urbanos e vivências distintas. Podem distinguir-se três grandes áreas: a zona central que corresponde ao núcleo fundacional, a zona alta que se encontra a S. desta e corresponde à de expansão dos séc. 19 e 20, onde se instalou a pequena/média burguesia e a zona baixa a N., que corresponde ao núcleo de ocupação dos séc. 17, 18 e 19, por população relacionada com a actividade piscatória. Apesar de ser uma vila de carácter marcadamente piscatório, o assentamento inicial não se desenvolveu a partir do porto. Tal facto deve-se à sua localização na costa N. da ilha, de falésias altas e íngremes, contrariando o que é característico na primeira fase de ocupação do território açoriano. O núcleo fundacional desenvolveu-se a partir do cruzamento de dois eixos estruturantes, a ENR 1, paralela à linha de costa, e a R. do Rosário, perpendicular à primeira, estabelecendo-se um pólo centralizador constituído pelo Lg. Frei António do Presépio Moniz, onde se encontra Igreja Matriz, e pelo Lg. Padre António Vieira, lateral a esta. O Lg. Padre António Vieira, de proporções regulares e forma aproximadamente rectangular, tem ao centro um coreto e zonas ajardinadas. O largo é um espaço de transição para o Bairro do Caranguejo, que apresenta um traçado urbano definido por uma malha em quadrícula irregular, adaptada à morfologia do terreno. A quadrícula define duas direcções principais, que todas as ruas seguem de uma forma aproximada, mas não muito rigorosa, estruturando quarteirões de pequenas dimensões. As três ruas principais são estreitas, com orientação N. / S. e perpendiculares à linha de costa: R. do Pires, R. da Cruz e R. Dr. Galvão de Carvalho. As ruas secundárias são ainda mais estreitas e o seu traçado concordante com as curvas de nível do terreno. Zona de lotes estreitos, com um espaço construído muito denso e homogéneo, onde predominam as casa de dois pisos e casas com falsa de transição para piso. A E. deste bairro encontra-se o Bairro dos Pescadores, bairro de habitação social construído nos anos 60 do séc. 20, constituído por lotes de dimensões reduzidas e de frente estreita, de traçado aproximadamente radioconcêntrico e polarizado pelo Lg. da Boa Viagem. O tecido edificado é constituído por casas térreas, apresentando grande unidade formal. A estrutura urbana / implantação deste bairro revelou-se potenciadora de problemas de segregação social. Para E. desenvolve-se uma grande área de expansão, entre a ENR 1 e a costa, com zonas habitacionais (são de salientar o Bairro Património dos Pobres, o novo bairro social ainda em construção e o condomínio fechado junto ao campo de tiro), indústria (COFACO) e equipamentos (Campo de Jogos e Campo de Tiro de S. Miguel). A O. do núcleo central, estruturada ao longo da R. de S. Sebastião e da Av. D. Paulo José Tavares, encontra-se uma formação urbana linear, que se desenvolveu ao longo da linha de costa, com predominância de lotes de pequenas dimensões e frente estreita. É um eixo secundário, que teve um papel preponderante na expansão em direcção a Calhetas. Do encontro desta via com a R. Gonçalo Velho resulta um espaço fundamental de transição / entrada na vila. Este espaço é notabilizado pela ermida de São Sebastião, cujo acesso principal seria a rua com o mesmo topónimo, que, no séc. 18, se encontrava no limite urbano. Adossado a esta, encontra-se o Solar do Morgado Maurício da Arruda. O tecido edificado é predominantemente constituído por casas térreas e de dois pisos. A R. de Belém, eixo fundamental da rede viária, que corresponde à consolidação da vila no séc. 18, concentra grande parte do comércio e faz a ligação entre a zona nascente e a zona poente da vila, estabelecendo-se como charneira para a zona "de cima". A denominada zona "de cima" tem características morfológicas muito diferentes das anteriores. Possui uma formação urbana mais dispersa e tendencialmente orgânica, que teve origem nos eixos perpendiculares à linha de costa que faziam a ligação com o interior. A R. do Rosário é o eixo estruturante da zona "de cima" e corresponde à expansão urbana do séc. 19, marcadamente linear, com um tecido parcelar de maiores dimensões e um espaço edificado com características próprias. É na zona de influência do eixo R. do Rosário / R. Nossa Senhora de Fátima que se encontram os imóveis mais notáveis; entre eles, destacam-se o edifício da Junta de Freguesia, a casa do mirante (R. do Rosário nº 10), a Capela de Nossa Senhora do Rosário, a sede da Sociedade Filarmónica Progresso do Norte, a Igreja Matriz e o Mercado Municipal. As áreas a E. da R. do Rosário e entre esta e a R. de Gonçalo Velho são zonas de expansão dos séc. 20 e 21, com uma formação urbana dispersa, à excepção dos quarteirões entre a R. dos Serafins e a R. da Inocência e de outras intervenções pontuais como o bairro da R. da Diáspora e as escolas. Nestas zonas, predominam os quarteirões de grandes dimensões, com um tecido edificado constituído por casas de 1 e 2 pisos. Apesar da diversidade do traçado urbano, o conjunto apresenta um tecido edificado muito homogéneo e com características tipológicas uniformes. A análise cartográfica é indispensável para a compreensão da descontinuidade da estrutura morfológica e para a identificação de espaços com carácter marcadamente rural, que persistem no seio do espaço urbano.
Materiais
Não aplicável
Observações