Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em encosta. Arrabalde de Vila fortificada resultante da justaposição de várias frentes de crescimento, estruturadas numa sequência de largos e terreiros, na qual se destaca a centralidade da Praça do Arrabalde - Praça Velha, em redor da qual se identifica o esboço de uma rede reticulada composta por quarteirões alongados. A consistência da malha urbana, irregular e complexa, evidenciando em parte uma tendência radial, deriva da conjugação de dois eixos estruturantes paralelos entre si, a Rua Direita e a Rua Nova, esta última uma via rectilínea aberta no séc. 16. O conjunto construído, ainda que caracterizado pela casa de um piso com grande chaminé à face da fachada, é dominado maioritariamente pela casa de dois pisos. Distinguem-se dois grupos: a casa com chaminé paralela à frontaria, em geral apresentando apenas um módulo de vãos em alinhamento vertical (porta-janela) e a casa com chaminé perpendicular à fachada, libertando a superfície murária para uma mais ampla fenestração, generalizando-se o esquema compositivo de dois vãos por piso. Assumem especial valor as janelas de sacada e respectivos gradeamentos, assim como as molduras que guarnecem os vãos, sublinhando-se os casos com decoração manuelina e classicista, enquanto a decoração de influência barroca se tende a concentrar nas grandes casas nobres. Regista-se ainda um grupo de casas revivalistas. Crescimento orientado a N., sucessão de percursos bifurcados originando terreiros de configuração triangular. Conjugação de ruas de matriz medieval com ruas quinhentistas (Rua Nova, Rua de Avis, Ruinha). Praça Velha de planta muito irregular, acolhendo a Casa da Almotaçaria, enquanto a Casa da Câmara e Cadeia foi transferida no séc. 18 da Vila intra-muros para o Largo do Poço Tapado. Apesar disso, a Praça do Arrabalde não perdeu vitalidade, funcionando como pivot entre o Terreiro do Corro e o Terreiro de S. João de Deus, espaço definido pela Misericórdia e pelo Convento construído no séc. 17. Os edifícios religiosos surgem quase sempre encaixados no quarteirão, sendo de salientar o caso do Hospital do Espírito Santo e respectiva arcaria, ou a Capela de Nª Sª da Paz cuja cúpula singulariza um dos alçados da Praça Velha. A instituição de casas conventuais na periferia do Arrabalde não sedimentou núcleos de povoamento autónomos. Diversidade do católogo tipológico da arquitectura religiosa e civil, com destaque para o núcleo de casas nobres e para alguns casos isolados mas significativos, como a casa - torre com janela manuelina na R. D. Vasco ou a casa com janela de ângulo renascentista na Praça Velha.
O Arrabalde é composto pela justaposição de várias frentes de crescimento urbano, organizadas através de uma sucessão de largos e terreiros, associados a edifícios marcantes. A formação destes espaços estruturantes potenciou um desenvolvimento de tendência radial, relacionado com a direcção dos antigos caminhos de ligação ao território envolvente. Apresenta uma malha irregular e complexa, cuja eficácia é garantida pela concorrência entre dois eixos viários fundamentais, a Rua Direita - Rua da Cadeia e a Rua Nova, eixos paralelos entre si e com orientação E. / O., seguindo a pendente mais suave do terreno. Mas, reflectindo o crescimento da mancha construída em direcção a N., observa-se a consistência de uma rede de transversais a este eixo estruturante, destacando-se a linha que parte da Porta da Vila - Rua do Quebra Costas - Praça Velha - Terreiro de S. João de Deus, em direcção à R. de Avis. Com efeito, a zona mais antiga do Arrabalde corresponde a um conjunto de vias paralelas de orientação N.-S. que, descendo a encosta, se conjuga com Rua do Carvoeiro - Rua Direita (R. Teófilo Braga). Os eixos entretanto delineados consolidaram-se tendo como referência o Rossio e a Rua Nova (R. Cinco de Outubro). A articulação entre as diferentes zonas de crescimento foi assegurada pelos espaços estruturantes, destacando-se a centralidade da Praça do Arrabalde - Praça Velha (Pç. Cândido dos Reis), onde se cruzam os eixos principais. Enquadrando lateralmente esta Praça, o Terreiro do Corro e o Terreiro de S. João de Deus configuram espaços de planta rectangular quase simétricos. A Rua Direita permite a comunicação entre este último terreiro e o Largo do Poço Tapado (Lg. Paços do Concelho), espaço alongado e fusiforme, que inscreve a Casa da Câmara e que comunica com o Terreiro dos Álamos, já na proximidade da Rua Nova. O espaço urbano é ritmado por percursos bifurcados, que se unem em pequenos terreiros de planta triangular (Terreirinho, Terreiro das Pinas, Terreiro Novo), áreas de encaixe entre as sucessivas frentes construtivas, proporcionando uma significativa variedade de campos visuais. A complexidade do traçado é evidente nas características dos quarteirões. Entre o Castelo e o Rossio, em torno da Praça e do Corro, os quarteirões, densamente edificados, apresentam uma planta rectangular alongada, denunciando o esboço de uma rede reticular formada pela sequência de vários quarteirões paralelos de características idênticas. Nas imediações da R. Direita os quarteirões adquirem um formato mais irregular, maior dimensão e uma ocupação mais rarefeita, aspecto acentuado na zona N. em direcção à R. Nova. Contudo, apesar da diversidade tipológica, as construções ocupam a parcela em profundidade e apenas as grandes casas nobres exibem uma frontaria extensa. O espaço construído é dominado pela casa de dois pisos, com paredes caiadas e cobertura com telhado de duas águas. Os vãos podem ser guarnecidos com molduras em cantaria ou apenas pintadas, tal como por vezes aparece o lambril. Todavia, é frequente a casa de um piso, caracterizada pela presença da chaminé, cujo volume prismático se destaca à face da fachada (podendo ainda surgir recuada ou avançada), compondo um pano cego ao lado do qual se abre apenas uma porta. Uma variante deste tipo é a casa com a chaminé perpendicular à frontaria, libertando superfície para a abertura de uma janela. No grupo das casas de dois pisos encontra-se também presente a chaminé à face da fachada, neste caso acentuando a verticalidade de um módulo porta - janela. As variações observáveis neste tipo referem-se à janela de sacada, ao alinhamento porta - janela centralizado e, em especial, à decoração manuelina e classicista de alguns vãos, preferencialmente concentrados na Rua Direita. Um outro grupo de casas de dois pisos mostra já a chaminé perpendicular à fachada, proporcionando uma fenestração mais generosa. Aparece a casa de um módulo de porta - janela nas parcelas mais estreitas (composição que pode ser lateralizada ou centrada) ou, mais correntemente, a casa de dois módulos de vãos. Neste caso pode mostrar duas portas ou porta e janela no piso térreo com uma janela no piso superior, ou ainda, tendendo para uma composição mais regular e mais elaborada do ponto de vista decorativo, a frontaria com dois vãos em cada piso. As casas de três pisos são, em geral, mais tardias e de grandes dimensões. Já o grupo das casas nobres caracteriza-se pela grande extensão da frente e maior riqueza dos elementos decorativos. Organizadas em dois pisos, nem sempre a composição do piso térreo tem equivalência com a do andar nobre, raramente se destacando um portal bem definido. Por outro lado, no panorama do espaço edificado, notabilizam-se no enriquecimento da imagem urbana alguns pormenores construtivos e decorativos, designadamente o volume e forma das chaminés, os socos, as platibandas e cornijas, as molduras das janelas, os gradeamentos das varandas, a decoração esgrafitada.
Materiais
Não aplicável
Observações
O Plano de Salvaguarda constitui uma das principais fontes de informação, em particular no que se refere aos elementos gráficos. A Câmara Municipal publicou um roteiro de Tascas e Tasquinhas de Montemor-o-Novo. Foi efectuado o levantamento fotográfico digital de um troço da Rua Direita (compreendido entre o Terreiro Novo e o Largo dos Paços do Concelho) com o objectivo de demonstar a rapidez do levantamento arquitectónico através deste procedimento. Apresentamos o desenho de um pequeno troço da referida via, em confronto com o levantamento já elaborado pelo G.T.L., a fim de constituir uma amostragem da possibilidade de desenho sobre fotografia rectificada, processo que ocupou apenas cerca de cinco horas de trabalho para a representação de cinco fachadas numa extensão de 32 metros.