Mosteiro feminino dominicano, localizado nas imediações de uma preexistente Igreja Paroquial - Igreja de Santiago (v. 0706040048), intramuros, estratégicamente encorporado parcialmente nas muralhas do Castelo (v. PT040706040011) e explorando o acentuado desnível do terreno em que se implanta. Igreja de planta tranversal de eixo longitudinal interior, composta por capela-mor, sala de trono e nave única de elevada altura, constituindo a igreja de Fora ( vedada à comunidade monástica ) com acesso público a S.; a esta adossam-se a O. dois coros sobrepostos coro-baixo e coro-alto, constituindo a igreja de Dentro ( reservada à comunidade ), com acesso reservado pelo claustro, situado ao nível do coro-alto, ou por corredor de acesso ao coro-baixo. No interior, unidade espacial entre as duas igrejas conferida pela abóbada de canhão da nave que se prolonga pelo coro-alto com decoração de estuques do mesmo tipo e com coros e nave espacialmente orientados para o altar-mor " num sistema visual de escalas cujo ritmo aumenta de dramatismo na aproximação do Altar " (BARBOSA, 2002). Nave forrada a azulejo de tipo tapete, policromado azul e amarelo sobre fundo branco, seguindo duas padronagens, a inferior mais rica; retábulo-mor de estrutura maneirista, seguindo os elementos da tratadística de Vignola, com nicho central, encimado por tabela rectangular horizontal e aletas; retábulos colaterais rococó, com decoração de concheados e nicho flanqueado por quarteirões. Coro-baixo com cobertura de abóbada nervurada de perfil abatido, integralmente decorada de pinturas murais de temática religiosa e brutescos. Claustro renascentista, atribuível a Mateus Neto, de planta trapezoidal e dois pisos, com alçados de três panos definidos por contrafortes de granito rematados por pináculos piramidais; no piso térreo 2 arcos de volta perfeita por cada pano sobre 3 colunas de granito, toscanas, uma central e 2 adossadas aos contrafortes; no 2º piso disposição idêntica mas com ausência de arcaria substituída por arquitraves na qual assenta a cimalha de remate; encontros das fachadas em ângulos rectos aos quais se vêm adossar as colunas; galerias do piso térreo abobadadas de perfil abatido com lunetas decoradas por estuques e vestígios de pinturas murais. Apresenta semelhanças com o claustro do Convento de Nossa Senhora da Assunção de Faro (v. PT050805050003), de c. de 1548, e com o do Convento de São Francisco de Montemor-o-novo (v. PT040706040025); segundo Carvalho Marques (MARQUES, 1991) tem como protótipo o claustro do Convento da Graça de Évora (v. PT040705210028), de 1586, no qual trabalhou o Arq. Mateus Neto *11. Sala do Capítulo com cobertura manuelina também revestida de pinturas murais de temática religiosa e de brutescos com dois oratórios abertos para o claustro, seiscentistas, decorados com pintura mural, formando estruturas fingidas. Refeitório de 2 naves definidas por fiada de colunas toscanas suportando abóbadas de aresta nervurada, que segundo Ricardo Averini apresenta uma tipologia espacial característica das bibliotecas italianas da ordem dominicana *12. Na Capela de Nossa Senhora da Boa Morte azulejos joaninos, com molduras recortadas. Único convento feminino quinhentista da Vila, nele tendo professado os membros das mais importantes famílias da nobreza e burguesia abastada montemorense, o edíficio, ainda que muito degradado e delapidado da quase totalidade do seu património móvel, mantém, caso raro, não só a integridade tipológica de casa conventual feminina de clausura, conservando intacta a vivência da sua raiz inicial de "mulheres emparedadas", concebida como uma fortaleza quase sem aberturas ao exterior, como conserva igualmente quase inalterados os percursos principais e mesmo secundários da vida monástica, mantendo-se as ligações entre as dependências conventuais e a Igreja e nesta a quase independência entre Igreja de Fora ( nave e capela-mor ) e Igreja de dentro ( coros ) e respectivos acessos pelo exterior. Destaque para o conjunto de pinturas murais atribuíveis a José de Escobar, de uma unidade estilística invulgar, ao qual se atribuem igualmente as pinturas murais da capela-mor da Igreja de São Pedro da Ribeira em Montemor-o-novo. Pouco comum é o piso térreo do claustro situado a um nível inferior ao da entrada no edifício sendo o seu acesso feito pelo 2º piso; atribuído a vários arquitectos, de Manuel Pires a Miguel de Arruda (Espanca) passando por Francisco de Holanda (Ricardo Averini), constitui um notável exemplar de arquitectura claustral renascimental. O coro-alto não se localiza ao nível da enfermaria não permitindo as freiras enfermas assistirem à missa. No retábulo-mor verifica-se a existência de apainelados a ladear os quarteirões da tabela, que prolongam o ático horizontalmente, fugindo à estrutura mais comum, aparecendo teia torneada a proteger a tribuna; Espanca considera-o um exemplar único na região e vê nele a influência da Escola Real de Valladolid (ESPANCA, 1975). Os retábulos colaterais, muito deteriorados, possuem lambrequins e cartelas concheadas ao nível do banco, sendo os altares revestidos a azulejo padrão, com marcação de sebastos e sanefa. Os Oratórios do claustro possuem estruturas fingidas, a imitar retábulos e embutidos de mármore. As pinturas murais do Coro-baixo são executadas sob uma prévia composição esgrafitada quinhentista, cujo motivo de arabesco se inspira segundo Espanca no papel picado da doçaria conventual. A nível epigráfico destacamos a lápide anepígrafe colocada na igreja, entre as grades dos coros alto e baixo, por enunciar o método usual na elaboração de uma inscrição; nela são ainda visiveis restos de letras desenhadas pelo ordinator que nunca foram esculpidas pelo lapicida.
Planta rectangular irregular, composta por vários corpos adossados, organizados em torno de claustro e terreiro conventual, sem coincidência entre o interior e o exterior dado o acentuado desnível do terreno, no sentido N. - S., obrigando a disposição em 4 pisos * 2 na qual o claustro funciona como núcleo distribuidor a nível das articulações horizontais e verticais, estabelecendo as ligações às dependências conventuais: no piso térreo, a S. a Igreja e a O. e E. cisternas; no piso 1, o piso térreo do claustro, a S., o coro-alto da Igreja; a E. a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, uma Sala abóbadada, a Sala do Capítulo e escadas de acesso ao piso superior e à Horta e ao Olival; a O. a antecâmara do coro-alto, zonas de serviço abrindo para o Pátio das Noviças e o corpo tranversal, ligeiramente inflectido para SO. do Lavabo e do Refeitório; a N. o Dormitório das Professas, a Ucharia e a Cozinha; no piso 2 a S. a Horta e Olival; a E., organizados em torno do primitivo pátio conventual, Portaria, Salas da Roda de Fora e de Dentro, Locutório, Vestíbulo e, abrindo para a galeria do claustro, uma Sala com cobertura artesoada e uma outra Sala, provável sala de trabalho comunitário ( BARBOSA: 1996) ; para E. destes espaços, celeiros, Casa do forno e a Vigararia; a O. corredor de acesso aos telhados, extradorso da abóbada da igreja e ao campanário, o primitivo Dormitório das Noviças e o 2º Dormitório das Noviças sobre o Refeitório; a N. o Dormitório das professas que abre para o terreiro conventual, constituindo a fachada principal do complexo conventual, delimitado a E. pelo corpo da Enfermaria, a O. pelo Dormitório das Noviças e a N. pela cerca da muralha; sob estes 2 corpos, paralelos entre si, nos seus topos N. e S., correm túneis abobadados, desenvolvendo-se paralelamente à muralha e à fachada principal, conduzindo para E. à Igreja de Santiago ( v. PT040706040048 ) e para O. à Porta da Vila; o piso 3 corresponde ao corpo do Dormitório Novo e Mirante ( sobre o tunel abobadado, disposto tranversalmente ao topo N. da Enfermaria ), ao 2º piso dos corpos do Dormitório das Noviças e da Enfermaria e ao Dormitório das Conversas na ala N. do Claustro ( sobre o Dormitório das Professas ) e ao 3º piso das dependências a E. do claustro. Volumes escalonados e articulados com cobertura diferenciada em telhados de 1 água, na nave igreja, sacristia, galerias claustro, casa do forno, de 2 águas na capela-mor, sala-trono, coro-alto, dormitório professas, e dependências a E., de 3 águas no refeitório e primitivo dormitório noviças, de 4 águas no dormitorio noviças, enfermaria e dormitório novo. IGREJA: de planta transversal com eixo longitudinal interior, composta por coro-baixo, com corredor de acesso que lhe corre paralelo, nave, capela-mor, sala do trono e sacristia adossada a S., coro-alto e cripta sob o coro-baixo; volumes da capela-mor e sala do trono escalonados. Fachada principal a S. de 6 panos definidos por contrafortes de secção rectangular que se elevam até à altura do beirado que remata os panos; no 3º pano a contar de O. rasga-se o pórtico principal de molduras de mármore e verga recta a que se soprepõe ao centro a esfera armilar; alguns panos são rasgados superiormente por janelas rectangulares; o último pano a E. é ocupado pelo corpo rectangular da sacristia rasgado na fachada S. por 3 frestas rectangulares. Fachada O., correspondendo ao topo do coro-baixo, abre para o Pátio das Noviças através de vão rectangular gradeado completamente aterrado pelo alteamento do terreno. Fachada E. correspondente à capela-mor e sala do trono, de panos únicos com remates rectos em beirado, todos eles cegos excepto o alçado S. da capela-mor, onde se rasga janela rectangular. Fachada N. tendo adossado, ao nível do piso térreo, o corredor de acesso ao coro-baixo e, ao nível do piso 1, a ala S. do claustro e, a O., a ante-câmara do coro-alto. Alçados de alvenaria rebocada e caiada. INTERIOR: nave rectangular, cobertura em abóbada de canhão, em alvenaria de estuque esgrafitado figurando motivos geométricos baseados no octógono e cruz grega; arranca de sanca envolvente de alvenaria de estuque figurando óvulos e dardos; pavimento de cerâmica de estereotomia de malha rectangular na qual se inserem tampas de sepulturas, 4 em mármore e 3 em greanito, encontrando-se ao centro, junto aos degraus de acesso à capela-mor, a sepultura da fundadora; junto ao alçado O., alçapão de acesso à Cripta dos Mascarenhas, constituido por grande lage rectangular de pedra. Alçados completamente revestidos a azulejos de padrão policromo, branco, azul e amarelo, com dois tipos de padronagem, o superior com o P-604 e, inferiormente, P-405, divididos por friso, que também envolve os vãos. O alçado O., oblíquo *3, comunica com o coro-baixo e o coro-alto através de 2 amplos vãos quadrangulares gradeados; o vão superior com verga em arco abatido e molduras de azulejo; o vão inferior com molduras pétreas e grade munida de portinhola destinada a comungatório das freiras; é ladeado por dois confessionários-comungatórios constituídos por duas pequenas aberturas quadradas gradeadas, interrompendo o revestimento azulejar, comunicando o da esquerda com o coro-baixo; entre os dois vãos grande lápide anepígrafe enquadrada por molduras pétreas; ao centro da sua moldura inferior escudo oval pintado; o alçado remata com trabalhos de estuque figurando 2 festões ladeando óculo central, tapado, decorado com esgrafitos de simbologia solar, e delimitado inferiormente por friso esgrafitado com motivos de enrolamentos de natureza zoomórfica. No alçado do lado da Epístola rasga-se a porta principal, actualmente entaipada com blocos de cimento, e superiormente dois janelões rectangulares; inferiormente, pia de água benta, de mármore rosa, da qual resta apenas a bacia e parte do pé. Do lado do Evangelho, porta de acesso ao coro-baixo e ao claustro; segue, à direita, púlpito, de que resta apenas a base pétrea em mísula *4, com acesso por porta simples, a que se acede por escadaria curva, aberta na espessura do muro, com entrada por porta estreita simples, rasgada à direita do púlpito; as escadas e corredor assim formado, bem como as ombreiras e vergas das portas são completamente revestidos azulejos de padrão polícromo, tipo P- 432. Retábulos colaterais de talha dourada e policromada de branco, de planta recta e flanqueados por quarteirões assentes em mísulas, com nicho central, o da Epístola com o fundo pintado de azul e estrelas douradas, a imitar o firmamento, com pomba do Espírito Santo, rematado por cornija contracurvada, do tipo borromínico, com lambrequins e concheados; altar paralelepipédico revestido a azulejo de padrão policromo, com pano central apresentando o P-405 e sebastos e sanefas com fragmentos da barra; sobre o altar, banqueta de talha dourada decorada com elementos geométricos e fitomórficos estilizados; no do lado do Evangelho, no banco, rasga-se pequeno sacrário emoldurado por acantos, actualmente vazio. Diante de cada retábulo colateral, fixo aos alçados laterais, balaústre em pedra rosa, restos da primitiva teia *5. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras totalmente revestidas a azulejos de padrão e mísulas de alvenaria com decorações de estuque de óvulos e dardos; intradorso decorado por pinturas murais de natureza vegetalista e simbólica; no paramento sobre o arco 3 medalhões em estuque, o da esquerda com a inscrição "IHS", abreviatura do nome "JESUS", o da esquerda com o emblema das dominicanas e ao centro a data de 1673; inferiormente friso esgrafitado idêntico ao do alçado O.. Capela-mor com acesso por 3 degraus, ligeiramente inflectida para NE. em relação à nave; cobertura em abóbada de canhão sobre sanca de alvenaria, totalmente revestida por pinturas murais, nas quais predomina a cor dourada, figurando putti segurando cestas de fruta, anjos músicos e pássaros, envoltos por decoração de carácter vegetalista e fitomórfico, envolvendo grande medalhão central sustentado por busto com turbante tendo aos lados dois mastins deitados; pavimento de soalho de madeira, em parte levantado deixando ver o primitivo em mármore verde; alçados totalmente revestidos a azulejos de padrão polícromo, branco, azul e amarelo; do lado da Epístola, porta para a Sacristia de verga recta e molduras enquadradas por barra de azulejo de padrão e superiormente óculo oval entaipado com molduras também de azulejo; nas ilhargas, junto ao arco triunfal, colunelo, forrado a azulejo, de descarga de uma primitiva abóbada de nervuras, já desaparecida. Sobre supedâneo de 3 degraus centrais, com as zonas laterais protegidas por guarda de madeira plena apainelada, retábulo-mor de planta recta, e 1 eixo, flanqueado por 2 pares de colunas com fuste decorado de grotesco assentes em plintos paralelepipédicos decorados por acantos, surgindo no intercolúnio, pequena mísula vazia, e por 2 pilastras com fuste de acantos pintados, com mísulas estriadas adossadas; no centro, tribuna bastante alta, em arco de volta perfeita e cobertura interna em caixotões decorados com florões, comportando plinto e protegida por guarda torneada; ático formado por tabela central, flanqueada por quarteirões, 2 apainelados de acantos e pilastras com aletas, rematando em frontão interrompido em volutas; altar paralelepipédico ladeado por portas de verga recta de acesso à tribuna e, sob esta, ao nível do banco, zona apainelada, à qual se encostava o sacrário *6. CORO-BAIXO: planta rectangular, cobertura em abóbada de berço abatido, arrancando de sanca sob a qual corre friso, de 5 tramos definidos por arcos torais, tudo revestido por pinturas murais: nos panos da abóbada cenas da vida de Cristo e de São Domingos ( 3 cenas por cada pano ), nos arcos torais, sanca e friso, motivos de grutescos; as pinturas dos panos da abóbada são executadas sobre uma primitiva decoração a esgrafito; pavimento de madeira, rebaixado em relação ao da nave c. de 0,50m, em parte levantado deixando ver o primitivo de tijoleira cerâmica onde se inserem mosaicos quadrados de cerâmica vidrada de cor branca. Alçados totalmente revestidos a azulejo de caixilho enxaquetado branco e verde; ao longo das paredes corre banco envolvente com alçado forrado a azulejo idêntico; no alçado O., janela rectangular gradeada, obstruída, ladeada por 2 composições murais figurando santos; no alçado fronteiro, a ladear a grade de comunicação com a nave, 2 composições murais figurando santos, à esquerda São Domingos e inferiormente, à direita, confessionário-comungatório. O Coro-baixo é antecedido por pequeno vestíbulo, coberto por abóbada totalmente revestida por pinturas murais figurando anjos, flanqueada por 2 arcos ligeiramente abatidos sobre pilastras totalmente revestidos com pinturas murais de brutescos e anjos, alguns ainda ao nível da sinopia. Este vestíbulo abre para corredor abobadado, com diferentes perfis e nervurações que faz a ligação entre este e a nave da igreja; no seu topo O. as escadas de ligação com a antecâmara do coro-alto estabelecento a ligação ao claustro. CORO-ALTO: planta rectangular, trapezoidal, cobertura em abóbada de canhão semelhante à da nave sendo os motivos geométricos baseados no quadrado e no hexágono; alçados com rodapé alto caiado *7 e superiormente revestimento azulejar de enxaquetado verde e branco; nos remates dos alçados E. e O. , decorações em estuque de óculos cegos e medalhões com inscrições e decorações de simbologia solar; friso envolvente com decorações em estuque de natureza geométrica com a data 1647 no alçado O.; neste rasga-se janelão rectangular que abre para o Pátio das Noviças e à esquerda portinhola de acesso às latrinas; no alçado S. rasgam-se 3 janelões quadrangulares e no N. duas portas de acesso, uma que abre para o piso térreo do claustro outra para ante-câmara do coro-alto, a O.. CLAUSTRO: planta trapezoidal, 2 pisos, alçados de 3 panos definidos por contrafortes de granito, munidos de incipientes bases e capitéis dos quais despontam gárgulas em forma de meios balaústres, divididos em 2 registos pela cornija envolvente que delimita os 2 registos e rematados por pináculos piramidais. No piso térreo cada pano com 2 arcos de volta perfeita sobre 3 colunas toscanas de granito ( 1 central e 2 adossadas à face interna dos contrafortes ) assentes em soco contínuo interrompido no pano central para acesso à quadra; nos encontros das fachadas os contrafortes são suprimidos criando-se ângulos rectos a cujos paramentos interiores se vêm adossar as colunas; galerias com cobertura em abóbada de aresta nervurada de perfil em arco abatido, de 8 tramos; nos alçados internos descarregam em pequenas mísulas correndo-lhes inferiormente filete de estuque envolvente; nas lunetas trabalhos de estuque de natureza geométrica, fitomórfica e de carácter religioso; nalgumas delas, sob os estuques, vestígios de pinturas murais de natureza figurativa; pavimento de argamassa esgrafitada com motivos florais de arabesco e inscrições e algumas sepulturas epigrafadas. No 2º piso disposição idêntica mas com ausência de arcaria, substituída por arquitraves na qual assenta a cimalha de remate; a parte superior do parapeito na qual assentam as colunas decorada com rectângulos almofadados; no alçado N. colunas centrais encorporadas em pilares de alvenaria de secção rectangular; galerias com cobertura em madeira de travejamento à vista; pavimento de ladrilho cerâmico polícromo e lages de pedra. Na quadra, ao centro, poço e cisterna. Na ala E. do claustro a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte: planta rectangular, cobertura abóbada de aresta nervurada, de perfil abatido, alçados revestidos até 3/4 de altura com painéis de azulejo figurativo, monócromo azul sobre fundo branco, nas ilhargas, figurando o Nascimento da Virgem ( Evangelho ) e uma "Anunciação" na Epístola; na parede testeira azulejos de enchimento com "putti" e árvores; molduras recortadas, encimadas por urnas e "putti", apresentando intensa decoração de volutas, enrolamentos e concheados. Entre o 2º e o 3º tramo, Sala de planta rectangular com cobertura em abóbada idêntica, de 2 tramos com arco toral divisório; na parede testeira vários nichos escavados nos muros, tipo columbário, e no alçado S. vão de acesso a pequeno compartimento rectangular. No 4º tramo porta que conduz a escada de tiro de acesso ao Vestíbulo e Portaria. SALA DO CAPÍTULO: acesso por porta de molduras de granito e verga em arco abatido chanfrado, planta quadrangular, cobertura abóbada cruzaria de ogivas nascendo de coluna central octogonal de granito decorada na face afrontando o claustro por pintura mural figurando "Cristo atado à coluna"; panos da abóbada, nervuras e chaves decorados com pinturas murais de brutescos, emblemas sacros e temática religiosa; banco de alvenaria envolvente e a ladear a porta o corpo dos oratórios, à esquerda o de Nossa Senhora da Trindade à direita o de Nossa Senhora da Saudação, com remates em aleta, abertos para a ala do claustro; junto à coluna urna de alvenaria rectangular com frontal revestido a azulejo polícromo envolvendo cartela em azulejo com inscrição alusiva ao recolhimento de ossadas; nos alçados vestígios de pinturas murais de temática religiosa. No último tramo escadaria de 3 lanços de aceso ao 2º piso do claustro actualmente fechada ( no 1º patim dá acesso à cerca, horta e olival ). Na ala N. vestígios de vãos que abriam para o DORMITÓRIO das PROFESSAS: 3 celas intercomunicantes por pequenas janelas quadradas,cobertura em abóbadas berço, a última cela a O. comunica com a UCHARIA com cobertura em abóbada de aresta nervurada. COZINHA de planta rectangular e cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, 4x2 tramos, com grande lareira no alçado N. e porta no S. que abre para corredor que do 1º tramo desta ala do claustro faz a ligação com o corpo do REFEITÓRIO: de 2 naves definida por 4 colunas de granito toscanas ( com bases almofadas idênticas à decoração do parapeito do claustro ), suportando cobertura em abóbada de aresta de 5 tramos e alçados com vestígios de pinturas murais figurativas. NO 2º Piso a PORTARIA revestida a azulejo de padrão idêntico ao do corredor do púlpito da igreja e VESTÍBULO com abóbada com pinturas murais de brutescos e alçados revestidos a azulejos de padrão.
Materiais
Paramentos: tijolo burro com argamassa, rebocados e caiados; alvenaria de granito; cantaria de granito; vigas de betão e tirantes de ferro; tabiques de alvenarias mista e madeira. Estruturas: granito em colunas e pilares; granito e alvenaria em arcos, contrafortes e cunhais. Vãos: molduras de granito, mármore, madeira e alvenaria rebocada; caixilharias de madeira; gradeamentos de ferro; varandas de alvenaria e cimento. Coberturas exteriores: telha cerâmica, cumeeiras em telha, gárgulas e goterias em pedra, caleiras em alvenaria, beirados em telha, pedra e reboco, algerozesxem zinco. Coberturas interiores: asnas de madeira, vigas de madeira e betão, lages de betão e abobadilha, abóbadas de alvenaria; tirantes de ferro. Pavimentos: sob vigamento de madeira em ladrilho cerâmico, laje de pedra, mármore verde de Viana, soalho, alvenaria e argamassa de betão. Escadas: madeira, pedra e tijolo. Revestimentos: reboco tradicional e cal, estuques, esgrafitos, azulejos, pinturas murais e a fresco, talha dourada e polícroma, madeira
Observações
*1 - *1 - classificado conjuntamento com o Castelo de Montemor-o-Novo (v. PT040706040011); *2 - diferença entre o piso térreo e o piso1 e entre este e o psio 2 de c. de 3,5m ( PORTELA e QUEIROZ, 2002 ); *3 - segundo Ana Lúcia Barbosa devido a construções preexistentes; *4 - Túlio Espanca observou ainda a caixa do púlpito in situ, em madeira, na qual existia a data de 1651; Ana Lúcia Barbosa refere ter encontrado os destroços da caixa espalhados pela Igreja, e entre eles o fragmento com a referida data; * 5 - fragmentos da teia encontram-se dispersos sobre os bancos do coro-baixo; *6 - Vítor Serrão refere no retábulo-mor um baixo-relevo da Anunciação no tímpano e sacrário de 3 corpos com esculturas de atlantes, pâmpanos e na face principal relevo da Ressureição ( SERRÂO: 1983 ); Barbosa refere o sacrário ainda integrado ( BARBOSA, 1996 ); *7 - Ana Lúcia Barbosa refere rodapé pintado imitando mármore substituindo " a zona da parede onde encosta o espaldar do cadeiral do coro "; *8 - por este motivo Damião de Góis atribui a D. Manuel a fundação do Mosteiro; o rei escolheu a Ordem dominicana e por sua ordem e do Vigário da Congregação vieram 3 religiosas do Mosteiro de Santa Ana de Leiria ( v. 1009120011 ) com o objectivo de iniciar a regra no Convento da Saudação; uma destas freiras era Madre Isabel Vaz, nomeada a 1ª prioressa do Convento; *9 - segundo a autora os diferentes tipos de abóbada do corredor de acesso ao Coro-baixo e as deficientes articulações entre os seus tramos apontam para uma sua reformulação; *10 - segundo Barbosa este reforço de estruturas levaria ao entaipamento das arcarias do piso térreo deste corpo que primitivamente seriam abertas; Portela e Queiroz defendem ao invés a existência de uma primitiva arcaria fechada, como actualmente, no piso térreo deste corpo ( bem como no seu similar a O. ), dada a existência de um portal quinhentista ( em tudo semelhante ao da Portaria mas sem esfera armilar ) no interior do túnel a S., bem como o próprio tipo de cobertura do piso térreo das galerias; *11 - Horta Correia considera o claustro da Saudação uma cópia fiel em escala reduzida do claustro da Igreja de S. Damaso ou de Santa Maria della Pace em Roma de Bramante, de 1500; todavia neste último verifica-se a ausência de colunas, sendo a descarga dos arcos feita em pilastras adossadas aos contrafortes, não existindo sequer a divisão de duas arcadas por pano; a própria solução de ângulo é diferente, comungando a desgarga dos arcos um único pilar, numa solução inovadora; *12 - segundo Barbosa inicialmente as colunas alinhavam com a entrada tendo esta sido reposicionada; segundo a autora teria existido no Refeitório um púlpito de pedra retirado e reaproveitado para chaminé aquando da instalação do Asilo; ainda segundo Barbosa, na Sala do Lavabo os bancos nas paredes confinantes sugerem uma localização centralizada para a bacia que deveria estar colocada ao centro da sala.