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Capela de Nossa Senhora das Lezírias

Capela de Nossa Senhora das Lezírias

O ponto de interesse Capela de Nossa Senhora das Lezírias encontra-se localizado na freguesia de São Lourenço do Bairro no municipio de Anadia e no distrito de Aveiro.

Arquitectura religiosa, maneirista. Capela maneirista de planta longitudinal e nave única, inscreve-se no puro estilo coimbrão, desenvolvido pela arquitectura mondeguina por toda a região de influência, quer a N., quer a S., como se documenta pelos também periféricos exemplos de Pereira do Campo (Capela do Santíssimo Sacramento) ou de Mogofores (Igreja Paroquial - Capela dos Pintos, dedicada a Nossa Senhora da Piedade). Capela-mor com retábulo tardo-maneirista, com ferragens flamengas, colunas ornadas com grotescos e a continuidade da linguagem renascentista de querubins e hieratismo das imagens.

Planta rectangular. Desenvolve, num eixo longitudinal, profunda capela-mor e sacristia adossada. Volumes articulados e cobertura em telhado de 2 águas. Verticalidade acentuada e cobertura em telhado de 2 águas. Fachada com frontão triangular circunscrito ao corpo interior, tendo nos cunhais dois pináculos de remate piramidal. Portal emoldurado por cantaria com remate semicircular interrompido, onde se ergue uma cruz, entre dois vãos quadrangulares gradeados e sineira lateral. Nave única, a capela incorpora dois bancos corridos em L, duas pias baptismais e um púlpito paralelepipédico decorado, assente em corpos misulados. A iluminação lateral é realizada por quatro janelões rectangulares chanfrados, repartidos dois a dois pelo corpo do templo, com marcação da capela-mor pelo desenvolvimento de um arco cruzeiro decorado com ferragens na arquivolta, motivos vegetalistas e querubins, adaptando a ordem arquitectónica a um sistema pilastral, onde óvulos e pendentes ornamentam o entablamento que corre ao longo da capela-mor, mas de molduras lisas ao longo da nave, marcando o arranque da abóbada. O sistema decorativo estende-se ao fuste das pilastras com cartelas e ao intradorso do arco cruzeiro, com molduras geométricas. Na capela-mor, de abóbada de esquadria, rasgam-se lateralmente dois arcos cegos e ergue-se na parede fundeira, sobre dois vãos rectangulares e um elevado altar-mor assente em degraus, um retábulo de talha dourada, em dois registos, com escultura de vulto redondo no piso inferior e baixos-relevo no piso superior, tripartido numa estrutura vertical marcada pela ordem arquitectónica, dupla ao centro, e com coroamento circular central e em aletas, lateralmente. Pelos vãos inferiores, acesso a sacristia decorada com azulejaria monocromática, tal como as paredes da capela-mor, incluindo um lavatório pétreo decorado com duas carrancas.

Materiais

Alvenaria, tijolo (abóbada da nave e sacristia), calcário (púlpito, pias baptismais, bancos corridos, arco cruzeiro e entablamentos, capela-mor, lajedo e cantarias), madeira (estatuária e retábulo) e barro (deposição no Túmulo), talha dourada, pavimento de lajes.

Observações

Embora tenha existido, muito possivelmente, um oratório anterior, a esculturinha da Virgem que se abriga no nicho central do retábulo-mor, obra do séc. 15, é o seu único vestígio. Iconograficamente, às esculturas de madeira carnadas de Santo António e São Gonçalo de Amarante correspondem baixos-relevos, no segundo registo, com a temática da Epifania e da Creche, enquanto ao centro, a Assunção da Virgem concorda com o nicho central, onde se guarda a patrona da capela, estatueta em pedra policromada, do séc. 15, única obra anacrónica perfeitamente goticizante. No altar e num dos arcos cegos da capela-mor, encontram-se figuras de meio corpo de uma Deposição no Túmulo, na linha do modelo coimbrão.