Paiol geral construído no séc. 19, sem ser à prova de bomba, em local sobranceiro à cidade onde existira um outro mais antigo. Apresenta planta circular, composta por armazém e corredor de ressalva, interiormente com cobertura de madeira, de volumes escalonados e telhados, envolvido por alto muro corta-fogo. Caracteriza-se pela grande sobriedade das linhas, possuindo como único elemento decorativo, uma falsa empena alteada, em reboco mais cuidado, sobre o portal do muro corta-fogo, integrando brasão com armas reais. O armazém implanta-se em cota mais elevada, com porta fechada por três chaves, tendo a cobertura apoiada em possante pilar de madeira.
Planta circular, composta por armazém e corredor de ressalva, envolvido por muro corta-fogo também de planta circular. Volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de uma água, no corredor de ressalva, e de quatro águas com os ângulos salientes, no armazém, ambos rematados em beirada simples, sendo o do armazém, mais alto e coroado por pináculo piramidal. O muro corta-fogo é rebocado e caiado, apresentando a sul portal de verga reta, com moldura de cantaria, e porta de madeira, pintada a verde-escuro, encimado pelas armas reais, em cantaria cinzenta regional, e cartela inscrita. O recinto interior é empedrado a calhau rolado e a zona da entrada a cantaria, possuindo tanque de água adossado, a sudoeste, à face interna do muro. O paiol tem as fachadas rebocadas e pintadas de branco, com acesso, também sensivelmente a sul, por portal de verga reta, moldurado a cantaria cinzenta e porta de madeira, pintada a verde, com ferrolho de ferro e fechadura para uma chave. INTERIOR com o corredor de ressalva assoalhado a grandes pranchas de "casquinha" e cobertura de uma água, sobre travejamento de madeira. O armazém, com as frestas de arejamento entaipadas, surge em plano mais elevado, com acesso por portal moldurado a cantaria e com porta contendo ferrolho e fechadura de três chaves, precedido por degrau; no interior apresenta soalho de casquinha e cobertura de quatro panos, de madeira sobre estrutura do mesmo material, apoiado em grande pilar central, também de madeira.
Materiais
Estrutura em alvenaria de pedra regional rebocada; molduras dos vãos e brasão em cantaria regional, aparente; portas de madeira pintadas; forro interior da cobertura e amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro; cobertura de telha de "marselha" e beiral de telha portuguesa de meia cana.
Observações
*1 - Paulo Dias de Almeida queixa-se de que, a "pouca distância desta fortaleza (São João) está o Paiol da Pólvora, onde se guarda a do governo e se deposita a que vem ao comércio. Este paiol e muito pouco acautelado, tem moradores muito próximos e a própria casa da guarda militar, lhe dista somente 14 palmos. Qualquer incêndio que nela haja, imediatamente se lhe comunica, além disso, como mui perto deste edifício ficam os moradores, passam bem perto com archotes acesos, e por isso precisa muito de um recinto, e de mudar-se a casa da guarda para maior distancia". *2 - No Tombo, António Pedro de Azevedo elogia "o paiol da pólvora reedificado em 1825, está situado em local apropriado nos subúrbios sobranceiro à cidade do Funchal, 143m acima do nível do mar"; possui uma boa área de terreno à volta, como proteção, casas da balança, corpo da guarda e alojamento para o fiel de munições; "o acesso do paiol é defendido pelo Castelo de São João Baptista, que lhe fica à distância de 400metros, podendo-se considerar resguardado de qualquer surpresa com pouca vigilância; acrescenta"a configuração circular da casa do paiol e selecta".