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Museu Arqueológico do Carmo

Museu Arqueológico do Carmo

O ponto de interesse Museu Arqueológico do Carmo encontra-se localizado na freguesia de Santa Maria Maior no municipio de Lisboa e no distrito de Lisboa.

Arquitetura religiosa, gótica e barroca. Igreja de Convento Carmelita, seguindo o esquema mendicante, de planta em cruz latina, composta por três naves escalonadas, com quatro tramos definidos por pilares fasciculados, com transepto saliente e cabeceira escalonada, composta por abside e quatro absidíolos, todos poligonais, com coberturas interiores diferenciadas, de aresta nos absidíolos e em abóbada de lunetas, barroca, na capela-mor. A fachada principal deixa antever a estrutura interna, embora arruinada, tripartida com ressalto central e portal escavado, composto por várias arquivoltas apontadas, assentes em colunas ornadas por figuras antropomórficas e com capitéis de ornamentação vegetalista, esquema que se repete na porta travessa, inscrita no transepto, apesar de se encontrar encimada por alfiz. É rasgada por amplo óculo circular. O interior não era iluminado uniformemente, com as naves laterais a receber iluminação directa, através de janelas em arco apontado. Este possui as paredes divididas por enormes pilares, de construção barroca, que circunscreviam as inúmeras capelas laterais. Sacristia surge no lado esquerdo, com acesso pelo absidíolo exterior do Evangelho, fazendo parte da zona museulógica. Igreja arruinada, na sequência do terramoto de 1755, tendo permanecido, por falta de meios e pela extinção das Ordens Religiosas, com o aspecto de ruína, correspondendo ao espírito romântico que se iniciava, tendo sido levadas a cabo obras de consolidação das mesmas Constitui, em Lisboa, um dos raros edifícios que mantém uma estrutura gótica, possuindo uma cabeceira de vulto, com cinco capelas, duas delas abrindo para o braço do transepto. Manifesta ainda influência batalhina nos 2 andares da capela-mor e na decoração vegetalista de 2 filas nos capitéis. Grande parte do imóvel revela um nítido neogótico romântico na forma híbrida dos pilares da Igreja e nos restauros levados a cabo nos sécs. 18 e 19. As janelas da capela-mor são baixas e mal proporcionadas, contrastando com a elegância das frestas dos absidíolos. Os restauros da segunda metade do séc. 18, procuraram recriar o que existia, não resultando num neogótico mas sim num falso gótico, feito numa época tardia, misturado com soluções típicas do período, como a utilização de abóbada de lunetas na capela-mor. Constitui o núcleo da Associação dos Arqueólogos Portugueses, reunindo um importante acervo de lápides de várias proveniências, tumulária, escultura, azulejo, cerâmica e algumas antiguidades orientais.

Igreja de planta em cruz latina, composta por três naves longitudinais, um transepto pouco saliente e cabeceira escalonada, formada por abside e quatro absidiolos laterais intercomunicantes, dois deles abrindo para o transpeto, tendo a antiga sacristia adossada à fachada lateral esquerda, de volumes escalonados e sem coberturas, excepto nas zonas alvo de projecto de museulização, em terraço. Fachadas em cantaria de calcário aparente, em aparelho isódomo, percorridas por embasamento do mesmo material. Fachada principal virada a O., tripartida, denotando o esquema interno do templo, com a zona central saliente, flanqueada por contrafortes de esbarro, onde se enquadram mísulas e lápides com inscrições, rematada por pequeno talude, que se une à zona superior do centro da fachada, onde é visível um enorme arco, correspondente a um janelão circular que iluminava o coro-alto. Sob este, o portal escavado, em arco apontado e composto por sete arquivoltas, as exteriores prolongando-se até ao pavimento e as interiores assentes em colunas de fuste liso, entrecortadas por muro biselado, onde se enquadram pequenas figuras antropomórficas, que se repetem no capitel, com o cesto preenchido com folhagem em relevo *2. O vão está protegido por portas de madeira almofadada. Lateralmente, surgem dois panos, rematados em empena e cornija saliente, cada um deles rasgado por janelão rectilíneo. A fachada lateral esquerda encontra-se adossada à zona conventual, sendo a oposta, virada a S., marcada por quatro possantes contrafortes, marcando as capelas laterais, com o pano mural rasgado por janelas em arco apontado, formando ligeiro capialço e com molduras de cantaria. A estes sucede-se a porta travessa, actualmente sem função, junto à qual ainda é visível a antiga Calçada de acesso ao Convento, a partir do Rossio. A porta é saliente, em gablete, enquadrando vão trilobado, sobre o qual evoluem quatro arquivoltas apontadas, assentes em quatro colunas de fuste liso, com capitéis em colchete e os intercolúnios ornados por flores-de-lis. A porta está protegida por folhas de madeira almofadada. Sucede-se a cabeceira, sustentada por um arcobotante. Fachada posterior escalonada, composta por cinco espaços poligonais, com os segmentos definidos por contrafortes bastante salientes e profundos. Ao centro, a abside, rasgada por dois registos de janelas, as inferiores de maiores dimensões, todas em arcos apontados e com três arquivoltas. Os absidíolos intermédios rematam em platibandas plenas, assentes em cachorradas e encontram-se rasgados por altos lumes em arcos apontados, esquema que se repete nos absidíolos exteriores, o do lado direito parcialmente integrado na zona conventual. INTERIOR de três naves escalonadas divididas em quatro tramos definidos por pilasres fasciculados, compostos por quatro colunas embebidas, criando uma planta crucífera, com altos capitéis estriados e ornados por folhagem, que sustentam os arcos torais apontados. As paredes laterais encontram-se divididas em dois registos, por friso saliente, sendo em cantaria de granito aparente, com as juntas argamassadas, onde se enquadram, confrontantes, os vestígios de oito capelas laterais *3, flanqueadas por duas ordens de pilares, assentes em altos plintos paralelepipédicos, de onde partem os arcos apontados, com apenas uma arquivolta, que circunscreviam as estruturas retabulares. Sobre estes, janelas em arcos apontados com uma arquivolta e varadim vazado por elementos lobulados. O pavimento é em calçada de calcário, que enquadra duas zonas relvadas. O portal axial acede ao templo por escadaria descendente, no topo da qual surge a bilheteira. São ladeadas por dois corpos de cantaria, rasgados por portas e janelas de peitoril rectilíneas com molduras de cantaria e caixilharias de madeira com vidros simples. Os arcos de acesso ao transepto são apontados e este seria mais elevado, tendo, no lado da Epístola, a porta travessa, em gablete, que enquadra duas arquivoltas apontadas, tendo no topo cogulho, rodeando o vão trilobado, encimado por quadrifólio entaipado. No topo oposto, uma réplica desta estrutura. O acesso à cabeceira processa-se, actualmente, por pequeno portal de verga recta, flanqueado por colunelos finos, apresentando, no intercolúnio, grotesco e, superiormente cordame torso, criando cogulhos internos. Sobre esta, uma janela mainelada, constituída por colunelos assentes em duas carrancas, e ornada por elementos cordiformes e vegetalistas, proveniente do Mosteiro dos Jerónimos. No interior, a abside tem quatro tramos definidos por pilastras e arcos da abóbada, em tijoleira, rasgada por janelas de lunetas, que reforçam a existência de duas ordens de lumes. Os absidíolos apresentam abóbadas de aresta, com bocetes decorados, que se apoiam em colunas adossadas às paredes laterais. Partindo do absidíolo do Evangelho, tem-se acesso à antiga sacristia, transformada em loja do Museu.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e mista, revestida a cantaria de calcário; pilares, arcobotante, portais modinaturas, pavimentos em cantaria de calcário; abóbadas em tijoleira; portas e caixilharias em madeira; janelas com vidro simples.

Observações

*1 - DOF: Igreja do Carmo (ruínas). *2 - a fachada, antes de 1755, era tripartida, com portal axial flanqueado por dois contrafortes, rematado em empena com óculo; as laterais com dois janelões rectangulares; no lado esquerdo os arcobotantes de apoio; no lado direito, a portaria, de verga recta e encimada pela armas da Ordem, rasgada por várias janelas, elevada na zona central em dois pisos, com duas janelas de peitoril em cada um. *3 - nas naves existiam, nove capelas no lado do Evangelho e sete na Epístola; no Evangelho, a de São Roque, Santa Catarina, São Miguel e Almas, São João Evangelista, Jesus Maria José, Santo Alberto, Santa Luzia, Santo António, com confraria e tendo uma imagem a representar o "Milagre da Mula", e Santa Ana, mais tarde do Socorro, com confraria; no lado da Epístola, a ladear o portal, a Capela de São João Baptista e junto à porta travessa a de São Simão Stoch; as naves eram divididas por teias de jacarandá, guarnecidas a bronze. *4 - a Capela da Senhora da Piedade possuía tecto de madeira pintada e, atrás do altar, uma sacristia com a imagem da Senhora das Angústias; o retábulo tinha cinco pinturas e a imagem da Senhora. *5 - na Capela dos Prazeres, existiam vários túmulos, um com a inscrição: "Aqui jaz Duarte Brandão, Cavaleiro da Garroteia, a qual ganhou no reino de Inglaterra por muitos afamados serviços, que fez a El Rey Duarte, que a este tempo era no Reyno, do Conselho dos Reys de Portugal: o qual faleceo aos 18 dias de Novembro de 1508". *6 - o túmulo de Nuno Álvares Pereira estava sobre três leões de pedra, tendo, nas faces, a representação de um Calvário, uma Virgem com o Menino, São Francisco a receber os estigmas, dois anjos e as armas do defunto, surgindo, noutra face, o Condestável com uma massa nas mãos; possuía figura jacente, com o hábito carmelita, um bordão na mão e um livro aberto; no pavimento, uma inscrição: "Aqui jaz a Duqueza D. Joanna de Castro, molher de D. Fernando 2.º Duque de Bragança, e netto del-Rey D. João o 1.º". *7 - A capela dos Fiéis de Deus tinha retábulo de talha e, nas ilhargas, revestidas a talha, as pinturas do "Passamento da Virgem" e "Coroação da Virgem". *8 - a Capela da Encarnação e da Vera Cruz tinha a imagem de Nossa Senhora do Socorro, proveniente da Capela de Santa Ana, um Cristo, que estivera na Capela dos Fiéis de Deus, e pinturas, tendo as ilhargas revestidas com azulejo padrão seiscentista e duas pinturas a representar o "Triunfo" e "Exaltação da Cruz". *9 - junto ao túmulo de Iria Gonçalves, a inscrição: "AQUI JAS A MVITO HONRADA E VIRTVOSA DONA EIRIA GONÇALVES, MADRE DO SANTO CONDE QUE MANDOV FAZER ESTE MOSTEIRO". *10 - na Capela de São Roque, sobre a entrada, existia uma inscrição: "Esta Capella he de Dona Isabel de Mello, tem Missa quotidiana, para o que deixou a sua fazenda"; junto a ela, o túmulo de D. Miguel de Almeida, mordomo-mor da rainha D. Luísa de Gusmão. *11 - o encerramento prendeu-se com a intensidade do culto que aí se desenvolvia em torno de Nossa Senhora do Carmo, cuja imagem fora mandada colocar no exterior do portal por D. Nuno Álvares Pereira, que culminava a escadaria que subia do Rossio para o Convento; esta era em cantaria e estava protegida por uma grade de ferro e iluminada por uma lâmpada; a antiga pedra do altar encontra-se integrada no portal S.; no lado interno do portal, existiam o túmulo do instituidor e, no oposto, o de Vasco Gil Moniz e D. Leonor de Lusignan. *12 - o primitivo retábulo era de cantaria, com uma imagem de calcário de Nossa Senhora do Carmo, existindo uma pintura de D. Afonso V no retábulo; a nova estrutura tinha, no topo, Cristo, rodeado de anjos, a abençoar; na tribuna, um sacrário com o Santíssimo, com cofre de prata, protegidos por dossel, flanqueada por Santo Elias e Santo Eliseu e a imagem de roca de Nossa Senhora do Carmo, ladeada por Santa Maria Madalena de Pazzi e Santa Teresa de Jesus; nas ilhargas da Capela, nove nichos de cada lado, com quadros da Ordem. *13 - na Capela do Espírito Santo, uma imagem de Nossa Senhora da Pedrada, cópia da existente em Itália. *14 - a Capela de Santa Luzia tinha um retábulo decorado com três painéis a representar Santa Luzia, flanqueada por São Brás e Santa Apolónia. *15 - a Capela possuía um painel do "Menino entre os Doutores", preservado no Museu Nacional de Arte Antiga; *16 - A Capela de Santa Catarina estava decorada com um painel pintado por André Reinoso, no primeiro quartel do séc. 17, existente no Museu Nacional de Arte Antiga. *17 - nesta Capela, existia a imagem de São Simão Stoch, flanqueada pelas de Santo Elesbão e Santa Efigénia, ambos pretos.