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Igreja de São Tiago

Igreja de São Tiago

O ponto de interesse Igreja de São Tiago encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santiago do Cacém no municipio de Santiago do Cacém e no distrito de Setúbal.

Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, barroca, pombalina. Igreja de ordem militar, progressivamente aumentada e alterada, com vestígios de várias épocas: gótico - 4 tramos da nave central e laterais, separados por arcos quebrados sobre pilares octogonais de capitéis cúbicos; Porta do Sol com arquivolta quebrada, inscrita em gablete, e capitéis com animais afrontados, numa decoração naturalista característica da transição do séc. 13 para o Séc.14; alto-relevo no sub-coro; manuelino - estrutura da primitiva cabeceira (hoje incluída no corpo da nave), com abóbada rebaixada de cruzaria de ogivas e estrelada, com fechos decorados, assente em capitéis cónicos com torsais; barroco - fachada cenográfica com remate de linhas ondeantes, com abertura cenográfica para a escadaria fronteira. Altares e púlpito em talha polícroma, pombalina; revestimento azulejar de padronagem seiscentistas no baptistério e altares laterais; azulejos oitocentistas no primitivo absidíolo N. e na Capela do Santíssimo Sacramento estes últimos de inspiração seiscentista. Alteração da orientação da igreja, com construção de nova cabeceira e adaptação da primitiva a coro-alto, associada à abertura cenográfica da actual fachada principal sobre a vila. O monumental alto-relevo figurando Santiago combatendo os mouros. A nível epigráfico destaque para a excelente qualidade gráfica da letra gótica de forma da inscrição nº 1 com realçe para os ornatos dos traços descendentes do"y" ,no antropónimo, e do "p"; o sinal de pontuação em forma de "S", utilizado para separar as palavras, é por três vezes confundido com essa letra pelo "ordinator"; destaque também para certas letras de tipo capital quadrada usadas na inscrição nº 4, nomeadamente o "T" do apelido "TALAGRO".

Planta longitudinal, composta pela justaposição do rectângulo das naves e do rectângulo de menores dimensões da capela-mor, a O., a que se adossam, a N. e S., a sacristia, várias capelas e a torre sineira. Volumes articulados, massas dispostas na vertical, cobertura diferenciada em telhado cerâmico de 2 águas sobre a nave principal e capela-mor, de 1 água sobre sobre as naves e capelas, 4 águas cimentadas sobre a torre sineira. Fachada principal a E., de 3 panos definidos por pilastras e cunhais rematados por fogaréus; 3 registos sendo os inferiores rasgados por portas e janelões de verga curva; ao centro o portal com tímpano contacurvado; remate em cornija arquitravada a que se sobrepõe frontão em arco de carena flanqueado de aletas; no tímpano abre-se grande óculo. Na fachada N. ressalta a torre sineira, a seguir à porta lateral. Na fachada S. rasga-se a Porta do Sol, apresentando decoração zoomórfica ( pavões afrontados, pequenas aves, felinos ) e zoo-fitomórfica ( pássaros, fohas de hera, videira, etc. ), inscrita em gablete triangular, vão em arco quebrado enquadrado por uma arquivolta assente em colunas cilíndricas. INTERIOR: três naves, de 9 tramos, a central, com abóbada de berço sobre sanca envolvente, comunicando com as laterais, cobertas por abóbada de berço rebaixada amparada por arcos aviajados assentes em mísulas esculpidas, por 4 arcos quebrados assentes em pilares octogonais e 1 arco redondo de maior vão. A E., no prolongamento das naves, abrindo-se por arcos quebrados, o corpo mais baixo da primitiva cabeceira, com ábside (na qual se inscreve hoje o coro-alto) e absidíolos intercomunicantes, de 2 tramos cobertos por abóbada de nervuras e abóbada estrelada, com chaves decoradas de elementos heráldicos, vegetalistas e cristocêntricos; no espaço da antiga capela-mor, adossado à parede S. do sub-coro, monumental alto-relevo ( 1,65m x 2,47m ) figurando "Santiago combatendo os Mouros"; o degrau que dá acesso à entrada da igreja é uma tampa sepulcral epigrafada quinhentista reaproveitada. Na nave lateral N.: o Baptistério ( antiga Capela do Santo Lenho ), sob a torre sineira, revestido a azulejos de tapete, polícromos, com cercadura; o altar do Santo Lenho, onde se destaca relicário de 3 chaves e uma tela figurando "Santa Helena Segurando a Vera Cruz"; o altar de Nossa Senhora da Conceição, com retábulo de mármores fingidos, policromados em verde, azul e rosa, no pavimento uma tampa sepulcra armoriada e com inscrição cercada por uma estrutura de ferro solta que a protege; a Sacristia, no prolongamento do corredor de acesso à escadaria do campanário. Na nave lateral S.: o altar de Nossa Senhora do Carmo; a Capela do Santíssimo Sacramento ( antiga Capela de Santo Estevão ) onde se encontra tela figurando "A Última Ceia" e silhar de azulejos de produção industrial de motivos geométricos e fitomórficos; o altar de Nossa Senhora do Rosário; a Capela de Nossa Senhora da Conceição ( que serve de casa de arrumos ) onde se encontra uma pintura mural encoberta pelo reboco; junto à Porta do Sol, no pavimento, a servir de degrau uma tampa sepulcral. Os espaços entre os altares e capelas, bem como na abóbada do 1º tramo da nave lateral direita ( primitivo absídiolo ), são preenchidos por silhar de azulejos de tapete e cercadura, azuis e amarelos, onde se repete o motivo floral da rosa. Púlpito de talha. Capela-mor com abóbada de lunetas à mesma altura da nave central, com ela comunicando por arco triunfal pleno sobre pilastras; retábulo-mor de talha. Fenestração: 3 janelões e óculo a E., janelas no tramo junto à capela-mor, também rasgada por lunetas *1.

Materiais

Cantaria e alvenaria em paredes, telha cerâmica na cobertura, azulejo, vidro, madeira em elementos secundários, talha.

Observações

*1 - No Séc. 19 o Padre Macedo e Silva (SILVA, 1866) refere inúmeras sepulturas, entretanto desaparecidas ou destruídas quando "mandou um juiz da Ordem, Braz Ferreira Duarte, fazer em pedaços, para calcar o átrio da Porta do Sol"; entre elas contavam-se a lápide trecentista de Martim Vinagre e mulher, os panteões dos Condes da Calheta e de Castelo-Melhor na Capela de Santo Estevão e uma sepultura junto à porta do Baptistério tendo epigrafada em latim " ANTONII FREI OSSA NOMENQUE / SERVO OPERA ANIMAM"; *2 - alguma da historiografia oitocentista considerou, dadas as arcadas ogivais, uma fundação pagã do templo, interpretação esta completamente ultrapassada; a historiografia mais recente considera, relativamente à construção ducentista, que o primitivo espaço foi transferido - de um edifício ou edícula pré-existente construida junto do alcaçar antes da invasão de Al-Mansor em 1191 - para o local onde se encontra hoje; as obras deste período são datadas por uns de 1218 (SILVA, 1866), de 1234 (FALCÃO e FERREIRA, 1987) outros; *3 - as obras de beneficiação trecentistas teriam sido iniciadas, segundo alguns autores (SILVA, 1866, ANJOS, 1933, FALCÃO E FERREIRA, 1987, DIAS, 1994 ), entre 1314 e 1336, altura em que D. Vataça deteria a Comenda da Vila que teria habitado entre 1317 - 1332; outros autores (TORRES E BOIÇA, 1995) consideram a posse da comenda por D. Vataça entre 1310 - 1336 que teria deixado a vila em 1325 para se estabelecer em Coimbra; *4 - A Confraria de Nossa Senhora do Rosário constituia-se como a mais antiga da igreja; *5 - a Confraria do Santo Lenho saía em procissão quando os agricultores requeriam necessidade de chuva.