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Palácio e Quinta de Valflores

Palácio e Quinta de Valflores

O ponto de interesse Palácio e Quinta de Valflores encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santa Iria de Azoia no municipio de Loures e no distrito de Lisboa.

Arquitectura residencial, medieval e renascentista. Palácio erguido numa propriedade rural, de planta quadrangular com dois pisos e um sobrado nos torreões, e capela adossada. Coberturas e volumes escalonados, empenas laterais e torreões rematados por merlões piramidais. Fenestração irregular de vãos rectangulares de verga recta e emolduração simples. "Loggia" a todo o comprimento do alçado principal. Acesso à casa localizado na fachada posterior, antecedida por pátio. Compartimentação interior realizada a partir de dois muros longitudinais e dois transversais, criando uma divisão regular feita de um grande rectângulo e dois quadrados. Este palácio foi construído na tradição do paço régio medieval, de que o Paço de Leiria é modelo, embora transporte elementos renascentistas, especialmente visíveis na decoração da capela e na maior importância conferida à "loggia" (tanto na área que lhe é consagrada, como na decoração). Constitui um dos melhores exemplares da arquitectura residencial do séc. 16 no distrito de Lisboa, acrescido do facto de conservar a sua estrutura original.

Edíficio de planta quadrangular regular de dois 2 pisos, contando ainda com um terceiro restringido à área dos torreões.Tem adossados uma capela, a N., e um anexo de construção posterior, a E. e no prolongamento da fachada N.. As coberturas são diferenciadas e escalonadas, com telhados a duas, três e quatro águas, elementos que acentuam a volumetria do edifício, escalonada ao ritmo da topografia e da organização dos espaços interiores fundamentais. O edifício volta-se a S., com uma fachada dominada pela extenso pano do piso térreo, com fenestração reduzida a duas aberturas, e marcada superiormente pela ampla "loggia" do piso nobre que percorre todo o alçado: é composta por arcos abatidos sobre colunelos toscanos, apoiados num peitoril e interrompidos nos 2 arcos centrais por balaustrada de ferro. O acesso à casa faz-se a N., onde o terreno tem uma cota mais elevada e por isso a fachada posterior se define em alçado pelo piso único do andar nobre com um corpo central delimitado por dois torreões quadrangulares, desenhados sobre a divisão posterior da casa e aqui se criando mais um sobrado; esta fachada abria para um pátio, do qual hoje apenas restam algumas estruturas murárias, em particular a E., onde subsistem um troço de muro e o portal *2 e cujo traçado deixa no exterior o volume da capela. Os alçados laterais apresentam prospecto idêntico, exceptuando os volumes das construções adossadas que lhes conferem a diferenciação: a E., o anexo de planta rectangular com dois pisos, que oculta parte do pano do torreão; a N. e no prolongamento da fachada O., a capela, de planta próxima de um quadrado e levantada ao nível do piso nobre. Nestas fachadas, de perfil escadeado e coroado por merlões piramidais, definem-se claramente os 3 pisos, bem como as características de construção e composição comuns a todo o edifício: alçados de pano único rebocado, com cunhais de aparelho rusticado, fenestração feita por vãos rectangulares de verga recta e emolduração simples. Interior - Mostra uma organização espacial concebida a partir de uma divisão essencial: piso térreo reservado a lojas e pavimentos superiores para habitação. A compartimentação respeita igualmente o modus de habitar da época, traçada simetrica e regularmente num quadrado de 17 m x 20 m: ao centro, a sala rectangular, o espaço mais generoso da casa em área (11.85 m x 6.10 m) e pé direito (sobe acima das câmaras laterais), de disposição longitudinal ligando a entrada à varanda; da cada um dos lados duas câmaras quadrangulares (cerca de 6m x 5.30 m para cada uma), os aposentos reservados, comunicantes internamente, com os do lado S. abertos também para a varanda e os do lado N. um com saída para o pátio *3 e outro com ligação à capela. Os torreões, circunscritos às câmaras a N., aproveitaram-se para um sobrado suplementar. A capela, de pequenas dimensões e carácter privado, tem cobertura em abóbada e lambril de azulejos enxaquetados. No piso térreo repete-se de alguma forma esta compartimentação.

Materiais

Alvenaria rebocada e cantaria. Calcário, argamassa, madeira e azulejos.

Observações

*1 - DOF: Quinta de Valflores, na Rua de Valflor, junto às escadinhas da fonte, em Via Rara, freguesia de Santa Iria de Azoia, município de Loures, distrito de Lisboa. *2 - o portão de acesso ao terreiro tinha pedra de armas dos Barros de Melos na padieira, mas já desapareceu. *3 - muito provavelmente umas escavações arqueológicas realizadas nos terrenos a N. e no espaço imediatamente fronteiro à fachada posterior poriam a descoberto outras estruturas necessariamente aqui existentes ao tempo da construção do palácio: na verdade, além do muro delimitador do pátio, qualquer outra estrutura deveria aqui existir, dado ser notório o edifício se encontrar incompleto, nomeadamente pela ausência de um espaço vestibular. Qualquer intervenção que venha a ser feita neste imóvel, deverá incluir, pelo menos, uma prospecção arqueológica, face ao interesse que este palácio comporta para o estudo da arquitectural residencial nobre no séc. 16.