Arquitectura militar, oitocentista. Reduto de planta pentagonal irregular, composta por face comprida, dois flancos menores e gola, tendo na linha média uma caponnière, voltada à retaguarda, coberto por reparo, rodeado por fosso, com contra escarpa em alvenaria de pedra, e com esplanada, de acentuada pendente para o exterior, cobrindo frontalmente corpo trapezoidal irregular, formando duas massas de terra sobrepostas, criando a ilusão de um pequeno outeiro. Segue a tipologia das fortificações voltadas para o interior do recinto, fazendo do terrapleno interior o centro de todas as actividades desenvolvidas no reduto e pelo qual se articulavam os três principais núcleos construtivos. Portal principal rasgado na gola, precedido inicialmente por ponte levadiça, flanqueado por casa da guarda, rasgada por frestas de tiro, a partir do qual se desenvolve túnel de perfil curvo de acesso ao terrapleno interior. À esquerda deste surge o edifício central com piso térreo trapezoidal, parcialmente enterrado, e o segundo rectangular, com fachadas de um e dois pisos, terminadas em platibanda, a fachada principal rasgada regularmente, no primeiro piso por portais e duas janelas em arco de volta perfeita, e, no segundo, por janelas de verga abatida, de diferentes molduradas. No interior possui, no piso térreo, compartimentos acasamatados, dispostos paralelamente, os frontais virados ao terrapleno interior, com pilares centrais, e os posteriores integrando vários paióis, circundados por corredores de distribuição, em falsa abóbada de berço, com elevadores de comunicação e, nos extremos laterais do edifício, dois outros corredores transversais que comunicam com o edifício sob a esplanada. À direita do terrapleno interior existe poterna para a caponnière, ladeado por quartéis da gola, com fachadas viradas ao fosso rasgadas por portas de verga recta e frestas de tiro. Os cofres sob a esplanada, de dois pisos, possuem igualmente portas de verga recta e frestas de tiro. O projecto do reduto baseia-se no traçado dos fortes que na época eram construídos na Europa, em que todas as instalações do pessoal, material e galerias de comunicação têm cobertura de "beton", ou seja, vigas de aço de carris de caminho de ferro interligadas com material de enchimento, composto por pedra miúda, areia e cal gorda, cobertas por espessas massas de terra, que absorviam o impacto dos projécteis de artilharia e o mantinham imperceptível do exterior. Jardim contemporâneo, com características mediterrânicas e prevalência de espécies vegetais endémicas e materiais adaptados às condições edafoclimáticas do local.
Planta pentagonal irregular, composta por face comprida, voltada a NE., o principal eixo de aproximação, dois flancos de menor dimensão e na linha média da gola por uma caponnière, voltada à retaguarda, com duas faces de ângulo obtuso, coberto por reparo, parcialmente em aterro, rodeado por fosso, com escarpa de terra e contra escarpa revestida a alvenaria de pedra rebocada e pintada, suportando as terras da esplanada, de acentuada pendente para o exterior, e cobrindo a NE. corpo trapezoidal irregular com duas alas poligonais, formando duas massas de terra de níveis sobrepostos que, à distância, dão a ilusão de um pequeno outeiro. Entrada na retaguarda do reduto, a O., por portal em arco de volta perfeita de aduelas rusticadas, de diferentes dimensões, com porta de ferro, reforçada e à prova de tiros de bala, com brasão nacional na bandeira; é precedida por ponte de betão sobre o fosso, apoiada em pilar rectangular central e pegão encontro, com cunhais de cantaria, pavimentada a paralelos de granito, com passeios laterais em calçada à portuguesa e guarda em corrente de ferro. Na face da escarpa, o portal é ladeado, de cada lado, pelas antigas casas da guarda, com fachada rebocada e pintada a ocre, rasgada por cinco frestas de tiro, molduradas e envidraçadas, surgindo ainda, à esquerda, na escarpa, escada de acesso ao fosso. Transposto o portal, existe de cada lado, vão de verga abatida e moldura contracurvada para a antiga casa da guarda, e túnel de acesso, de secção bastante mais baixa que o portal e formando duplo cotovelo, de ângulos obtusos, com paredes rebocadas e pintadas a ocre, pavimentado a paralelos graníticos e cobertura em falsa abóbada de berço abatido; sensivelmente a meio, à esquerda, possui portal para pequeno compartimento onde estava instalado o guincho de manobra da antiga ponte levadiça. Terrapleno interior, pavimentado a calçada à portuguesa, articulando o edifício central, disposto a NE., junto ao qual corre passeio em calçada decorada com motivos geométricos, com a caponnière, a NO., e o acesso ao reparo, às várias casernas sob o mesmo e ao segundo piso do edifício central através de duas rampas. EDIFÍCIO CENTRAL com o piso térreo de planta trapezoidal, parcialmente enterrado, e o segundo rectangular, com cobertura homogénea em telhados de duas águas, tendo, adossado a NE., corpo rectangular, coberto por terraço. Possui fachadas de um e dois pisos, conforme o declive, rebocadas e pintadas a ocre, terminadas em cornija e platibanda plena, rematada em cornija que, nas fachadas laterais, forma pequena empena central. Fachada principal virada a SO., de dois pisos separados por friso, pintado de branco, percorrida por embasamento de cantaria e rasgada regularmente; no primeiro piso abrem-se oito portais em arco de volta perfeita, com moldura de cantaria e chave saliente e, junto aos topos, duas janelas de peitoril com o mesmo perfil; no segundo piso, igual número de janelas, de verga abatida e moldura de alvenaria pintada de branco. Fachadas laterais com o segundo piso cego e a posterior, rasgada por dois módulos de quatro janelas de verga abatida centradas por portal de verga recta e moldura simples. INTERIOR com piso térreo de compartimentos acasamatados, dispostos paralelamente, os frontais correspondendo actualmente a salas com vários serviços públicos, como arquivo e biblioteca, bar, copa, sala de exposições e auditório, e os posteriores com instalações sanitárias e de apoio aos utentes, de acesso restrito. Apresentam paredes rebocadas e pintadas de branco e tectos em placa, com vigas de carril em I e material de enchimento; os espaços públicos, são pavimentados a soalho de madeira, comunicam entre si por vãos de verga recta, moldurados por viga e com portas envidraçadas e têm, a meio, pilar com chanfro, de suporte da placa; os espaços de apoio apresentam pavimento em betonilha pigmentada e portais de verga abatida e moldura contracurvada em tijolo, rebocada e pintada, e portas em ferro; ambas as zonas têm rodapés metálicos. Posteriormente e adossado à fachada, desenvolve-se corredor de distribuição, com cobertura em falsa abóbada de berço, contornando, nos terços iniciais, dois paióis gerais, quadrados, e, no terço central, em ressalto, dois paióis rectangulares, os antigos paióis de munições de infantaria, paralelo ao qual se desenvolve, na face interna, um outro corredor, com ligação ao anterior, protegida por portas de ferro; neste corredor intermédio existiam, nos extremos, os elevadores de comunicação entre os paióis gerais e os paióis de distribuição, actualmente entaipados. Todos os paióis possuem duplas portas de acesso e frestas de tiro para os corredores, permitindo a sua iluminação, conservando o sistema de ventilação; os antigos paióis gerais, têm pilar quadrangular central, conservando, o do N., forro integral de madeira, prateleiras para as munições e moldura da porta em tijolo à vista e interiormente de madeira, tal como o capialço das frestas de tiro. Nos extremos laterais do piso térreo, a N. e a E. do edifício, desenvolvem-se dois corredores, acedidos pelos portais extremos da fachada principal, com portões de ferro, existindo junto ao da esquerda instalações sanitárias (anteriormente dos oficiais e sargentos), permitindo a comunicação do terrapleno interior com os dois cofres sob a esplanada a NE., interligando-se com o corredor paralelo à fachada e tendo na metade inicial escadas e na posterior rampa. A meio do edifício e, a partir do corredor paralelo intermédio, desenvolve-se um outro, transversal, terminado na poterna de acesso ao fosso, onde existe cais, com escada de dois patamares. O segundo piso, com guarda-vento de vidro na porta principal, encontra-se seccionado em vários gabinetes de trabalho por divisórias envidraçadas, com estores, e em tabique, possuindo corredor de distribuição a NE.; no corpo adossado, os antigos balneários, surgem as actuais instalações sanitárias, tendo nas paredes placas de mármore reaproveitadas e azulejos monocromos, e uma sala de estar, com ampla janela para o exterior. A SO. do terrapleno interior, surge a CAPONNIÈRE ladeada por duas galerias de escarpa, antigos quartéis, apresentando as fachadas viradas ao fosso rebocadas e pintadas de ocre, terminadas em cornija, rasgadas por frestas de tiro, molduradas, nas galerias e nas faces da caponnière e por porta de verga recta de acesso ao fosso. É acedida por uma poterna no terrapleno interior, em arco abatido, com portão de ferro envidraçado, encimada por cornija e pala de ferro, ladeada, à direita, por instalações sanitárias (anteriormente dos soldados), sob o reparo, e apresentando para a escarpa interior 3 frestas de tiro, com molduras superiormente avançadas, pintadas a ocre. Da poterna parte corredor inclinado, com pavimento e rodapé em chapa metálica e cobertura em falsa abóbada de berço, apresentando, a meio, ventilador e, ao fundo, portas para o interior, de verga abatida. No INTERIOR, a caponnière tem duas alas longitudinais, separadas por quatro amplos arcos abatidos sobre largos pilares com cunhais e rodapé de cantaria, e as galerias ou quartéis da escarpa possuem igualmente duas alas, mas paralelas à escarpa, com seis pilares quadrados de cantaria, de capitel bastante saliente, alguns com reforço de ferro. Apresentam as paredes pintadas a branco, pavimento em betonilha pigmentada e tecto em placa com vigas em I; a porta da caponnière para o fosso tem guarda-vento em vidro. COFRES - ARQUIVO II: planta composta por corpo trapezoidal irregular, moderno, e por duas alas poligonais, correspondentes aos antigos cofres, articulados por saguões de iluminação e ventilação. Fachada principal correspondendo à contra escarpa do fosso, revestida a alvenaria de pedra rebocada e pintada de ocre, rasgada, no corpo central, por três portas de verga recta, e, nas alas laterais, por módulos de quatro / cinco frestas de tiro, molduradas, centrados por portas rectilíneas. INTERIOR com paredes de alvenaria rebocada ou de betão e tectos de lajes ou também de betão, pintadas de branco, e pavimentos em betonilha pigmentada. No piso térreo a articulação entre as zonas antigas, de espaço amplo com câmaras intermédias poligonais, e a recente, seccionada por divisórias envidraçadas, é feita através de saguões, de paredes envidraçadas, cobertos por grelha metálica. No sub-piso, não existe esta articulação e as alas poligonais ou os cofres, a esquerda com um espaço amplo e a direita com três, igualmente com câmaras intermédias poligonais, comunicam com o edifício central por túneis; a ligação entre os dois pisos dos cofres é feita por escadas, na ala esquerda com guarda plena, e na oposta, de lanços convergentes e vão inferior, com guarda de ferro.
Materiais
Paredes de alvenaria rebocada, de tijolo furado e de betão, pintadas; tectos em lajes com perfis de aço e material de enchimento e de betão, pintados, e tectos falsos em placas de gesso cartonado e em painéis sanduich; pavimentos em soalho de madeira de jatobá, em betonilha com tinta époxi, cerâmico em chapas de aço inox; rodapés em aço inoxidável; paredes da copa e instalações sanitárias com azulejos monocromos e placas de mármore; portas de chapa de ferro metalizado ou aço inoxidável; guarda ventos, portas e janelas com vidros simples; divisórias envidraçadas corta-fogo; divisórias envidraçadas com persianas; vidros duplo fosco; persianas de lâminas de alumínio; caixilharia e portas em aço inox; cobertura do 2º piso do edifício central em telha e do edifício de apoio logístico em chapa de zinco; taludes em terra; escadas em sulipas de madeira; pavimentos em betonilha esquartelada, gravilha, cubos de basalto; lancis dos canteiros em contraplacado marítimo. Vegetal: árvores: laranjeira, freixo, jacarandá, amoreira-branca, oliveira, amendoeira-doce, pessegueiro, damasqueiro, cerejeira, salgueiro-branco; arbustos: hibisco, alfazema, murta, alecrim, roseira-trepadeira, cinerária-marítima, salvia; herbáceas: planta-cigarro, gentiana, morangueiro-silvestre, erva-de-são-joão, hortênsia, lírio, oregãos, santolina, serpilho, amores-perfeitos; bolbosas: fresia, flor-de-merendera; manta orgânica de empalhamento
Observações
*1 - A linha de fortificações de 1833 consistia num arco em volta de Lisboa que começava em Alcântara, contornava a cidade e terminava no Tejo, junto à Madre de Deus, englobando 27 obras de fortificação ligadas entre si por entrincheiramentos de terra, muros seteirados e obstáculos naturais. O seu contorno possuía 9 Km de extensão e 20 Km de desenvolvimento, a partir de O.. A primeira linha de defesa era afastada e contínua com fortes independentes, a segunda era simplificada e possuía simples parapeitos de circunvalação e alguns redutos de terra, onde o recinto exterior de sítio tinha cerca de 35 Km com 11 obras de fortificação permanente ou mista - Monte Sintra, Ponta da Aguieira, Arpaulas, Costa da Luz, Moinhos do Marco e do Campo, Altos do Abraão, do Cotão e de Cabeças, Casal do Mocho e Forte do Duque de Bragança, detendo no total 600 bocas de fogo. A terceira constituía a defesa do porto de Lisboa. As principais obras de fortificações eram: as baterias da Cruz da Pedra, de Manique, dos Apóstolos, reduto do Alto de São João, baterias da Penha de França, dos Sete Castelos, reduto da Quinta do Pina, bateria das Águias, dos Ciprestes, da Horta da Cera, reduto da vinha do Manique, do Arco do Cego, da Cova da Onça, baterias da Quinta do Seabra, do Atalaia, de Campolide, do Alto do Carvalhão, baterias da rua dos Poisos, dos Prazeres, do Livramento e baluarte da Alfarrubeira. *2 - O plano levado a cabo consistia essencialmente em: 1) uma linha de defesa avançada compreendendo posições fortificadas em Alhandra, Monte Agraço e Mafra; 2) uma linha de fortes destacados, com a direita em Vialonga, o centro no Machado Rebolo e a esquerda em Sintra; 3) um recinto de segurança entre Sacavém e Caxias, e respectivas obras auxiliares na retaguarda do recinto, consistindo as obras auxiliares no reduto central de Monsanto e lunetas, o reduto do Alto do Duque, Bateria marítima do Bom Sucesso e forte da Ameixoeira; 4) na margem esquerda do Tejo uma série de baterias apoiadas no forte de Almada, reconstruído. *3 - O recinto de segurança que circundava a cidade de Lisboa, constituindo a linha de defesa mais próxima da cidade procurava protegê-la contra uma invasão por terra. Era formada por redutos de fortificação permanente ligados entre si por uma estrada militar e um entrincheiramento que corria pela frente, ao longo do qual existiam 34 baterias. A estrada militar sai dos redutos de Caxias, consistindo o 1º reduto de fortificação permanente, do recinto de segurança. O entrincheiramento segue pela margem esquerda da ribeira de Caxias, onde é interrompido pela passagem do vale da ribeira de Queijas. Recomeça na margem oposta, segue juntamente com a estrada militar até ao Alto dos Moinhos do Cartaxo e Rovinheira. Interrompido na passagem do vale da ribeira do Jamor, recomeça com a bateria da Matinha, na encosta de cima da Tapada de Queluz, seguindo pela encosta da serra de Alfragide, em direcção ao Casal da Serra. Passa pela encosta dos moinhos da Atalaia, pela Damaia descendo na encosta para o vale de Benfica. Na zona da Damaia é interrompido pelo Aqueduto das Águas Livres e pela Linha de caminho de ferro Lisboa-Sintra. Passando em frente do cemitério de Benfica, dirige-se para o Alto dos Moinhos dos Arneiros depois para a encosta da Paiã e da Luz, sendo interrompido na passagem do Vale do Foro, seguindo até ao sítio dos Alcoutins. O entrincheiramento, depois de interrompido pelo desfiladeiro, prossegue pelo Alto do Chapeleiro, seguindo a cumeada bastante acidentada, até à zona da Boa-Vista e Vale de Frielas; na zona entre a Calçada de Carriche e a Boa-Vista, é protegido pelo reduto da Ameixoeira. Segue depois em direcção ao Alto da Pimenta e Ponte da Aguieira. Acompanha então a encosta direita do vale de Sacavém até ao Alto da Malvasia, interrompe-se na passagem do Vale dos Almosteis. Recomeça na outra margem no Casal do Mocho, seguindo até cerca do convento de Sacavém, onde é de novo interrompido na passagem do vale da povoação de Sacavém. Recomeça na outra encosta do vale, passa sobre o canal do Alviela, dirigindo-se para o reduto de Sacavém onde termina juntamente com a estrada militar. O campo entrincheirado de Lisboa devido à lentidão da sua construção, em grande parte devido aos cortes orçamentais, levou à sua desactualização em termos de engenharia militar. *4 - Segundo o projecto inicial do reduto de Monte Sintra, as instalações eram reduzidas ao máximo. Toda a guarnição e material de guerra dispunha de espaços acasamatados à prova de bomba. As guarnições dormiam protegidas em quartéis que eram, simultaneamente, camarata, zona de lazer e posições de combate para defender o fosso. Estavam dimensionadas para alojar, em tempo de paz, um terço da guarnição completa e em tempo de guerra até 2/3 da guarnição. O reduto seria artilhado com 7 peças de aço estriadas de 15 cm de praça, montadas em reparos de caixilho no flanco esquerdo que batiam a cumeada da margem esquerda do rio de Sacavém; 6 peças curtas de 15 cm de aço ou bronze comprimido estriadas e de carregamento pela culatra montadas em reparos de sítio e de praça e 5 peças estriadas de 12 cm de bronze comprimido e de carregamento pela culatra, montadas em reparos de sítio e de praça para a face da testa do reduto; 4 peças de 12 cm de bronze comprimido estriadas de sítio, ou de reserva, montadas em reparos de sítio no flanco direito e na gola; 10 morteiros lisos de 22 cm de bronze ordinário montado em reparos de cepo atrás do espaldão que corre ao longo da gola. Por não estar disponível parte deste material, foram montadas em reparos AEP 15 cm MK 7 peças compridas de praça estriadas de bronze ordinário. *5 - O sistema de rega cobre toda a área do reduto com excepção das zonas taludadas.