Arquitectura residencial, agrícola e recreativa do sec. 20. O jardim ocupa sucessivos níveis, ligados por pérgula que formaliza o caminho principal.
Casal de planta alongada desde a encosta NO. até à várzea a S.; apresenta uma distribuição funcional de usos de acordo com a topografia local. Os edifícios residenciais e utilitários ocupam as cotas mais elevadas da propriedade entre os 12 e os 16 m, que ocorrem a N., na proximidade da EN115; a S. do edifício, a cota inferior e com suave pendente no sentido da várzea, localizam-se o jardim e o pomar de citrinos; na proximidade da Ribeira da Barroca, parte E. da propriedade, localiza-se a horta; a O., na encosta de declive médio existe olival; disperso na área S. da propriedade e no sentido da várzea alguns pinheiros denotam a anterior existência de um pinhal; a cota mais baixa da propriedade ocorre no limite S. e é de 4.5m. O acesso principal ao casal é enquadrado por uma sebe que efectua a protecção ao tráfego da EN.115, a entrada principal é marcada lateralmente por dois ciprestes (Cupressus sempervirens) de grande porte. A parte construída deste casal agrícola é composta por um EDIFÍCIO RESIDENCIAL PRINCIPAL de planta rectangular, dois pisos e um sótão, por um pequeno edifício destinado originalmente a habitação de caseiros e portaria, que comporta uma pequena sineira com sino de bronze servindo de campainha, uma grande vacaria de planta quadrada a O. da casa e ainda um outro edifício de apoio à produção, de planta rectangular, situado a S. da vacaria e da casa principal. No alinhamento deste edifício, para o lado E. situa-se um forno. A casa principal possui cobertura de quatro águas interrompidas por mansardas abertas a S., O. e E., servindo de iluminação do sótão. O remate do telhado é em duplo beirado e telhas de andorinha nos ângulos. O alçado da casa virado a N., para a Estrada nacional 115, antiga Calçada de S. Roque, possui três janelas de peito ao nível do piso térreo, emolduradas a cantaria de calcário, tendo a janela central uma moldura recortada característica da segunda metade de setecentos. O primeiro piso apresenta duas janelas de sacada emolduradas a cantaria de calcário e guardas de ferro forjado de grande sobriedade. Entre as sacadas encontra-se um nicho de pedra com molduras recortadas e verga boleada, servindo para a colocação de uma imagem sagrada. Esta fachada é enquadrada por cunhais e soco, em massa, rebocados e pintados de branco e rematada por cornija em massa, muito recortada, e pintada também a branco. O pano de parede é rebocado e pintado a cor-de-rosa, bem como as restantes paredes da casa. O alçado principal deita para o pátio ao qual se acede pelo portão na EN 115. Divide-se actualmente em duas partes: a parte N. possui, no piso térreo, a porta de acesso ao interior da casa, ladeada por janela de peito e no piso superior duas janelas idênticas. Na parte S. desta fachada colocou-se a posteriori um pórtico de três arcos abatidos sobrepujado por varanda alpendrada cujo beiral é suportado por quatro colunelos de inspiração toscana. Abrem-se para a varanda, dois vãos de janela no piso térreo e dois vãos de porta no piso superior. Todos os vãos são emoldurados a cantaria de calcário. A fachada S., possui duas janelas no piso inferior e duas outras no piso superior, embora de alinhamento assimétrico. A fachada O. encontra-se adossada a edifício de apoio à produção. No telhado, marcam presença as quatro janelas de mansarda cada qual com seu telhado próprio, remate em duplo beirado e molduras a cantaria de calcário, bem como quatro chaminés de secção rectangular e boca em ábaco muito recortado. Através do pátio fronteiro à fachada E. do edifício residencial principal acede-se por escada de calçada grossa de calcário ao JARDIM que se situa a S.; um percurso rectilíneo, com orientação segundo um eixo N. S., coberto por pérgula de buganvílias (Bougainvillea glabra, ssp.), alegretes na base com agapantos (Agapanthus praecox Willd.) plantados, e ladeado por laranjeiras (Citrus sinensis), formaliza um eixo que culmina no tanque de rega da propriedade, sendo o pavimento em mosaico com aparência de calçada; a E. deste percurso situa-se o pomar de citrinos e a O., em posição fronteira aos corpos edificados situa-se, uma área relvada marginada de ambos os lados por palmeiras (Washingtonia filifera), no centro da qual se encontram árvores ornamentais em que se destacam uma corízia (Chorizia speciosa) com um porte notável e cinco jacarandás (Jacaranda mimosifolia) de porte mediano; a S. do relvado, um alinhamento de palmeiras (Phoenix canariensis), marginado por um percurso em pavimento idêntico ao eixo de ligação à habitação principal, que une os dois percursos laterais; o jardim é limitado a S. pelo conjunto formado por um sistema de rega composto por poço antigo de alvenaria de pedra e engenho de ferro, nora com os respectivos alcatruzes e caleira sobrelevada que efectua o abastecimento de água ao tanque de rega; estes elementos enquadrados por algumas ameixieiras de jardim (Prunus cerasifera, var.pissardii), delimitam física e visualmente o jardim da restante propriedade agrícola que se estende a S. até à várzea; do jardim acede-se ao olival, que se situa a O., através de uma escada estreita que abre a SO. do poço com nora, para um percurso que margina o alinhamento de palmeiras do lado O. do jardim, este percurso, lateral ao olival, permite a passagem de máquinas agrícolas desde o portão de serviço da propriedade, a N. junto à EN. 115, passando pelos edifícios utilitários, até à área S. da propriedade, onde até final do séc. 20 se efectuavam culturas arvenses de sequeiro(*1).
Materiais
Material vegetal: Árvores - laranjeiras (Citrus sinensis), limoeiros (Citrus limon), cedro (Cupressus sempervirens), jacarandá (Jacaranda mimosifolia), corízia (Chorizhia speciosa), ameixieira de jardim (Prunus cerasifera, var.pissardii), oliveira (Olea europaea var. europaea), palmeira das canárias (Phoenix canariensis), palmeira das vassouras (Washingtonia filifera); Trepadeiras - buganvilea (Bougainvillea glabra, ssp.); herbáceas - agapantos (Agapanthus praecox Willd.).
Observações
*1 - A última cultura de trigo foi realizada em 1999, segundo informação do proprietário, as culturas arvenses de sequeiro dominavam a produção agrícola deste casal, pode observar-se na carta de Cadastro Geométrico da Propriedade Rústica do Instituto Geográfico Português (dados de 1950-1951) uma eira à ilharga do olival, próxima do poço, entretanto desaparecida.