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Povoado fortificado de São Brás

Povoado fortificado de São Brás

O ponto de interesse Povoado fortificado de São Brás encontra-se localizado na freguesia de Torre de Dona Chama no municipio de Mirandela e no distrito de Bragança.

Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro com ocupação romana e medieval. Castro. Possivelmente desenvolveu-se sobre um povoado anterior, datado da Idade do Bronze, tendo tido ocupação humana até, pelo menos, à Idade Média, de que existe a antiga igreja matriz. As estruturas subsistentes estão encobertas pela vegetação, erguendo-se perto da igreja coreto, construído no séc. 20, sobre estrutura tipo torre, numa alusão à denominação da povoação.

Na coroa do outeiro os possíveis vestígios do povoado encontram-se encobertos pela vegetação, sobressaindo apenas um coreto, de planta centralizada, quadrangular, de volume simples, constituído pela base e cobertura de betão, também quadrangular. Base bastante alta, com paramentos em cantaria, caiada e com faixa cinzenta, terminados em cornija, rasgando-se a O. porta de verga reta com portão em ferro. Sobre a base corre guarda plena em silhares de cantaria, na face frontal e lateral direita sobreposta por ferro, integrando nos cunhais plintos paralelepipédicos sensivelmente mais altos. Sobre os ângulos e no meio de cada uma das faces, à excepção da posterior que tem quatro, erguem-se colunas, pintadas de branco, sustentando a cobertura, em placa de betão, pintada de amarelo, e com lambrequim recortado inferior. O coreto tem acesso pela fachada posterior, por escada de pedra com vários degraus.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; porta de ferro.

Observações

*1 - Em 1758 justificava-se nas Memórias Paroquias que a vila tomara o nome de Torre pela torre que existia na antiga povoação, no castelo, e acrescentara-se Dona Chama devido à notícia que esta Torre e vila haviam sido de uma grande senhora gentia, no tempo em que os mouros residiram nestas terras, chamada Dona Chamorra. Essa senhora, "inclinada ilicitamente aos cristãos", mandava chamar "aqueles de melhor perfeição e os metia na torre para satisfazer o seu apetite" e, para que não a descobrissem, "não tornavam mais a sair por lhe fazer ir conhecer o mundo da verdade". Sucedendo um dia ir um mais avisado, D. Chamorra "desde que fizera o seu apetite", adormeceu encostada a ele, mas esse conseguiu retirar-se, levando consigo um anel que lhe tirara do dedo, dizendo que havia sido oferecido pela senhora, conseguindo assim passar pelos guardas. Acordando D. Chamorra, ordenou para que o mandassem chamar, mas percebendo que ele a descobrira, acabou por se suicidar. Como se dizia que se chamava Torre da D. Chamorra, a expressão acabou por se corromper e se fixar em Torre da Dona Chama.