Portal de Cidadania

Cerca urbana de Viseu

Cerca urbana de Viseu

O ponto de interesse Cerca urbana de Viseu encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Viseu no municipio de Viseu e no distrito de Viseu.

Muralha quatrocentista, a meia encosta com planta ovalada de traçado irregular, cujo perímetro é passível de definição pelos vestígios subjacentes na disposição da malha urbana. Rasgada primitivamente por 7 portas, de que subsistem 2. estas são definidas por arco quebrado, abatido no intradorso, contendo nichos, onde se inscrevem os santos tutelares das mesmas. Muralhas desprovidas de merlões e existência de escadas de acesso a caminho de ronda, no troço junto à Porta do Postigo. Aproveitamento de afloramentos graníticos na implementação da muralha. Vestígios da existência de caminho de ronda num dos troços, surgindo noutro algumas gárgulas em forma de canhão. Subsistem duas portas, cada uma com 2 nichos, no exterior e no intradorso, contendo as imagens tutelares das entradas.

Cintura de muralhas de planta poligonal, de traçado irregular, cujo perímetro é passível de definiç¦o pelos vestígios subjacentes na disposiç¦o da malha urbana. Os troços subsistentes aparecem isolados, flanqueados ou encimados por construçöes. Mantêm-se duas portas e vestígios de duas outras. A O., adossada a casa senhorial, situa-se a antiga porta de São Francisco, Porta de Soar ou Arco dos Melos. É de arco apontado e encimado por lápide epigrafada *1 e Armas de Portugal, tendo, no seu alçado posterior, arco abatido e pequeno nicho com imagem. As muralhas prolongam-se para ambos os lados, estendendo-se o pano esquerdo para a Rua Silva Gaio, aproveitando grandes afloramentos graníticos, moldando-se a eles, e o direito para a Rua Almeida Moreira, onde é visível o pequeno troço muralhado com ameias e gárgulas de cano. Segue-se pela referida Rua Almeida Moreira em direcção à Rua Formosa onde inflecte para a Rua Direita *2. Cortava depois em direcção à Rua da Árvore onde são visíveis ainda os arranques dos arcos da Porta do Senhor Crucificado, no terreiro de Santa Cristina e um troço de muralha, sobre o qual se encontra apoiada a Antiga Casa Senhorial (v. PT021823240009). Em seguida, continuava pelo Quintal da Prebenda *3 e Rua do Gonçalinho, seguindo até ao Largo Mouzinho de Albuquerque *4 e à Porta dos Cavaleiros ou do Arco. Esta, de arco apontado, encontra-se sobrepujada por lápide epigráfica de 1646, nicho com a imagem de São Sebastião e, superiormente, no ângulo da cortina com a muralha, outro nicho em forma de baldaquino com a imagem de Nossa Senhora. Sob este ângulo e já no pano da muralha, um arco de volta perfeita aberto na espessura da mesma, que deve ter sido fonte de charco ou chafurda. Do lado interior, arco abatido e pano da muralha que, interrompido pela rua, continua para a Rua dos Loureiros subindo o monte. No cruzamento desta com a Calçada de São Mateus, são visíveis os vestígios da Porta da Senhora do Postigo ou da Senhora das Angústias. Continuava subindo, passando o cimo da Rua do Viriato e continuando pela Rua Silva Gaio, onde são visíveis os maiores troços da muralha, ligando-se de novo à Porta do Soar. Ambas as portas remanescentes são semelhantes, tendo arcos de perfil apontado no exterior e abatido no intradorso. Possuem nicho com a imagem do santo tutelar da mesma. Na Porta de São Sebastião, o nicho tem três lados vazados, formando arcos de volta perfeita, assentes em quatro colunas toscanas sobre alto plinto, possuindo baldaquino em coruchéu, rematado por pináculo. Na zona existem vestígios da muralha romana, com cerca de quatro metros de largura e foram aproveitadas para a construção do solar. Junto, parte da muralha afonsina.

Materiais

Granito; alvenaria; cantaria; aparelho ciclópico; afloramentos rochosos graníticos.

Observações

*1 - a lápide atesta que D. Afonso V mandou cercar a cidade de muralhas em 1472. *2 - nesta zona, situava-se a Porta de São José ou Cimo da Vila. *3 - esta seguia até à desaparecida Porta de São Miguel ou da Regueira. *4 - no local, surgia a Porta de S. Sebastião; *5 - a escavação inscreveu-se no projecto de construção de um parque de estacionamento neste Largo. Alguns troços da muralha foram, então, postos a descoberto, sendo necessário limpar e transportar as pedras, por não ser viável a sua conservação "in situ". Os responsáveis pensaram, então, preservar a memória da muralha, utilizando uma marcação no pavimento onde ela se inscrevera.