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Teatro de São João

Teatro de São João

O ponto de interesse Teatro de São João encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Cedofeita no municipio de Porto e no distrito de Porto.

Arquitectura civil pública, neoclássica. Teatro de planta rectangular, com sala de espectáculos em ferradura, inspirado na arquitectura francesa da passagem do século (renovação do estilo Luís 16). Apesar da sua forma clássica, utiliza técnicas modernas, sendo mesmo os ornatos executados em betão. O revestimento, tendo em vista a sua correcta inserção urbanística, foi dotado de uma coloração própria que, com o envelhecimento se assemelha ao granito.

Planta rectangular com coberturas em terraço e em telhado de duas águas. Fachada principal num dos lados menores do rectângulo, enquadrada lateralmente, por cunhais de ângulo rusticados, acentuados por caprichosas urnas e grinaldas. Andar nobre com 3 arcadas sobre pilastras embebidas, inscritas em colunas de amplo fuste e capitéis jónicos, com as portas das logias rematadas por frontões interrompidos. As 3 logias prolongam-se em sacadas fazendo soleira na grossura das paredes interligadas por uma varanda corrida assente em 4 fortes consolas no mesmo alinhamento das colunas de ordenamento. As arcadas têm um fecho em mísulas de suporte e transição para o entablamento no qual se abre um friso correspondente a um "mezzanino" de três aberturas e baixos-relevos alusivos às paixões humanas (A Dor, O Ódio, A Bondade e O Amor), com legendas sobre a arquitrave. Um cordão denticulado remata, superiormente, o friso e indicia o arranque da forte cornija assente em mísulas de ressalto, densas no ritmo repetitivo que percorrerá todo o edifício. Coroando a fachada em empena, ergue-se uma alta platibanda, com o mesmo ritmo tripartido da fenestração do alçado e o insinuado desenho formal de compósita e ornamentada balaustrada cega. As fachadas laterais são simétricas quanto a vãos, cheios e decoração. No r/c, abrem-se 3 portas arqueadas (encimadas por uma varanda corrida apoiada em 4 consolas da mesma génese das outras sacadas), ladeadas por 2 pequenas portas, com um remate / frontão curvo interrompido. Dão sobre a varanda 3 portas que se repetem nos dois outros pisos superiores, aí com varandas de peitoris, entre 4 pilastras jónicas embebidas. O conjunto é ladeado por fortes mascarões, ao nível do piso intermédio, sobre os quais se abre na parte superior uma janela e na parte inferior uma pequena fresta. Correspondendo à zona de palco, abrem-se altas frestas. Nesta zona, o corpo da cena eleva-se acima do entablamento, acompanhando as formas requebradas dos encontros ou remates das empenas, sublinhada pela faixa moldurada e ornamental que debrua as superfícies. São elementos que se evidenciam na fachada posterior, com uma linguagem mais contida e com uma imediata leitura dos 6 pisos do teatro. INTERIOR - No r/c, o vestíbulo, ocupa toda a largura do edifício, com acesso através das 3 portas da fachada principal e 2 laterais. Deste espaço acede-se aos corredores que conduzem à plateia ou, lateralmente, às escadas para os pisos superiores. Sobre o átrio e vestíbulo, no primeiro andar, localizam-se respectivamente o salão "avant-foyer" e o "foyer", que, embora parecendo ocupar toda a largura do edifício, tem lateralmente duas salas para restaurante e sala de fumo. De pé-direito duplo, correspondendo ao andar nobre em fachada, revela internamente, por entre profusa decoração, em janelas e balaustres e largo óculo sobre as portas de transição para o "avant-foyer", os 2 pavimentos correspondentes aos camarotes de 1ª ordem e ao camarote real, e, superiormente a estes, os camarotes de 2ª ordem e o segundo balcão. Das circulações avistam-se o "avant-foyer" e "foyer" com as suas varandas desenhadas. Nos últimos pisos estão as galerias e o anfiteatro, formando um só grupo de lugares mas com diferentes acessos, um ao nível dos andares mais baixos, outro ao nível dos mais elevados. No primeiro pavimento do anfiteatro ficava uma arrecadação e uma oficina de pintura iluminada superiormente. Do r/c partem as escadas para as galerias e anfiteatros, por duas entradas directas, exteriores, rasgadas sobre as fachadas laterais. A disposição da sala em ferradura, previa um total de 1328 lugares, incluindo os 6 camarotes de boca, projectados amplamente, sendo o do lado direito, à altura do 1º andar, destinado em alternativa a camarote real. No espaço de transição da plateia para o palco, em fosso, ficava instalada a orquestra, com entradas independentes, bem denunciadas sobre as fachadas laterais. O espaço de cena e os camarins, autónomos, com entradas laterais e posteriores, podem ser separados da sala por um pano de cena metálico.

Materiais

Soalho de madeira no palco e os dois andares dos camarins; "parquet" de carvalho no "foyer" e "avant-foyer"; lambrins, fachas e contrafachas, alizares, rodapés, guarnições são fundamentalmente em madeira da Suécia, tal como as principais portas; mármore nas portas das logias do andar nobre, e, ainda, nos degraus das escadas principais, pelo menos até ao balcão; os patamares têm ladrilho mosaico de mármore, tal como o átrio e os patamares das escadas principais do r/c e os socos dos degraus. Há uma larga utilização do ferro em caixilharias, cantarias em frestas, nas sacadas interiores e exteriores com diferentes desenhos e algumas aplicações ornamentadas. Toda a armação do palco é de ferro laminado, excepto os barrotes do telhado e forro que são de madeira.

Observações

O teatro primitivo fora construído no fim do séc. 18 (1796), segundo projecto do Italiano Vicente Mazzoneschi, tendo sido inaugurado a 13 de Maio de 1798, devendo-se a sua construção a Francisco de Almada Mendonça. Originalmente, o edifício era constituído por 4 andares, com janelas de peitoril. Na fachada principal tinha um brasão real e, sobre ele, uma inscrição. Em 11 de Abril de 1908 ardeu, sendo reconstruído no seu lugar o teatro actual. Antes do incêndio a planta era em forma de ferradura. O tecto, redondo, fora pintado por Joaquim Rafael e em 1856 recebeu nova pintura de Paulo Pizzi. Tinha quatro ordens de camarotes, ficando a tribuna real na segunda. O átrio era amplo, os corredores largos e tinha boas escadarias. No pavimento da 2ª ordem de camarotes existia um magnífico salão para concertos. O teatro possuía uma excelente acústica. O pano do palco tinha sido pintado por Sequeira, sendo substituído em 1825 por um novo da autoria do espanhol João Rodrigues e mais tarde por outro de Palucci. Até 1838 a iluminação foi de velas de sebo e depois de azeite.