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Instituto de Reeducação Bom Pastor

Instituto de Reeducação Bom Pastor

O ponto de interesse Instituto de Reeducação Bom Pastor encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada no municipio de Vila Nova de Gaia e no distrito de Porto.

Arquitectura religiosa, barroca, e assistencial, modernista. Convento adaptado no século 20 a estabelecimento assistencial congreganista, incluindo ampliação, através de construção de um pavilhão para alojamento em internato. A instalação do Instituto de Educação e Regeneração do Bom Pastor através da extensão do Convento de Corpus Christi em Vila Nova de Gaia, segundo projecto do arquitecto Januário Godinho anterior a 1930, representa um exemplo singular na história da arquitectura assistencial, dentro da tipologia de estabelecimentos organizados para práticas reeducativas em internato. A partir dos anos 40 passará a integrar a rede de estabelecimentos do Minsitério da Justiça para execução de medidas tutelares, abrangendo a criminalidade infanto-juvenil feminina. Neste sentido, aproxima-se, de outro exemplo invulgar, também da primeira metade do século XX, consubstanciado na criação do Instituto Médico-Pedagógico Dr. Navarro de Paiva em Benfica, Lisboa, com projecto do arquitecto Carlos Chambers Ramos de 1931. Estas realizações representam a incursão de duas figuras cimeiras da arquitectura portuguesa do Movimento Moderno no programa de internamento de menores, em contexto assistencial e judicial, e constituem casos excepcionais de aproximação da prática edificatória do Estado neste programa ao nível mais elevado de erudição e técnica da disciplina arquitectónica, como até então não se verificara. Em Vila Nova de Gaia, Januário Godinho trata de completar funcional e arquitectonicamente uma antiga casa religiosa com as componentes indispensáveis ao alojamento, alimentação e instrução das internadas de uma instituição gerida por uma comunidade religiosa (as Irmãs do Bom Pastor). A proposta do arquitecto tem em atenção o valor monumental do existente e utiliza uma linguagem formal moderadamente contemporânea, próxima das correntes regionalistas no desenho das coberturas ou dos parlatórios exteriores, chegando a apontar a reconstituição de um antigo claustro. Os interiores servem um programa relativamente convencional de modo coerente e regrado, segundo mecanismos de circulação e distribuição optimizados, de matriz moderna; a simplicidade, a ambição modesta do projecto e um certo conservadorismo do conjunto justificarão, em parte, a concretização integral da proposta de Godinho, no que esta constitui uma excepção no universo de realizações incompletas que serve a instalação deste programa até meados do séc. 20 (com os exemplos do Instituto Navarro de Paiva, desde logo, mas também anteriormente na Colónia Agrícola Correccional de Vila Fernando ou na Casa de Detenção e Correcção de Lisboa, entre outros). Ilustrativo da sobriedade prosseguida pelo arquitecto no estabelecimento de uma relação formal com a estrutura existente é, por exemplo, a fachada do conjunto sobre o Lg. de Aljubarrota, onde a parte nova constitui um contraponto, com eixo no portão, ao topo do corpo da comunidade, utilizando vãos inseridos em faixas horizontais e verticais de geometria moderna mas atingindo um equilíbrio de cheios e vazios equiparável ao encontrado naquele corpo, pré-existente. Com esta pré-existência é estabelecido um diálogo, assente ainda em pormenores como, por exemplo, os cunhais, embasamento e guarnições em pedra, ou a cimalha sob o beiral, cujas linhas prolongam as da estrutura antiga.

Observações

EM ESTUDO: *1 - No primeiro piso, ficaram instaladas 3 área museológicas, uma permanente, de arte sacra e as outras duas temporárias, no piso superior continuaram instalados os cursos da Coopertiva Árvore, da Escola Supeior de Belas Artes e da Cooperativa do Vidro e o sector municipal do Património da Cidade, e na ala direita a Escola de Bailado Ginasiano e a Companhia de Bailado Kalé.