Arquitectura hospitalar, modernista. Sanatório modernista, de planta rectangular e alçados de quatro pisos ritmados por varandas, onde o betão surge como elemento plástico no tratamento das superfícies e elemento estruturador de grandes pórticos e varandas. A plasticidade do material no desenho dos frisos e moldagem de peças decorativas como as guardas das varandas (pré-fabricação e normalização). A forma do edifício e a sua imagem dependente da sua função. O girassol, elemento decorativo mais utilizado na caracterização do edifício, encontra-se moldado em betão nas guardas das varandas, nas molduras das portas de entrada em ferro, nas guardas metálicas da caixa de escadas e elementos de protecção do elevador, nos mosaicos dos pavimentos e ainda em alguns candeeiros de tecto. Esta planta, do género Helianthus (do grego: helios sol anthos flor) está na origem do nome deste edifício: Heliantia. Os mosaicos das varandas possuem a letra H no canto inferior e foram fabricados na Bélgica expressamente para esta Clínica.
Edifício de planta rectangular de quatro pisos, orientado no sentido N. e S.. Volumes simples com cobertura em terraço, revestida a lajetas de betão. Para E. um corpo saliente de dois pisos de planta quadrangular e cobertura plana em terraço. Fachada principal orientada a O.. Todos os alçados são marcados apenas por varandas de 5m de largura, sobrepostas nos diferentes pisos, mas escalonadas a S., e separadas por pilares, que no segundo piso são redondos e estriados. O espaço interior remodelado recentemente mantem a escadaria principal e as grades do antigo elevador do edifício. Tanto estas grades em ferro, como as guardas das varandas em betão exteriores são marcadas no seu desenho pelo mesmo elemento estilizado: o girassol.
Materiais
Pórticos e guardas das varandas em betão; Pavimentos revestidos a soalho e / ou mosaico cerâmico; Caixilharias interiores e exteriores em madeira e / ou ferro pintado; Tectos das varandas rebocados; Tectos interiores estucados.
Observações
O Arquiteto Francisco Ferreira foi discípulo e colaborador de José Teixeira Lopes, e autor de edifícios com significado arquitectónico e urbano na cidade. Algumas das suas obras são: Ourivesaria Cunha, na R. do Loureiro (1913); Sanatório de Valadares (1916), Paços do Concelho de V. N. de Gaia (1916); Casa de Saúde, na Av. dos Aliados (1922); Hotel Astória de Coimbra (1925); Casino de Vila do Conde (1929); Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular em Lisboa (1909); Ourivesaria Aliança no Porto (1930) e Lisboa (1944).