Arquitectura religiosa, românica. Igreja conventual da 2ª fase do românico Português, 1ª do foco do Alto Minho e do grupo das igrejas da Ribera Lima. A sua planimetria, resultou de uma redução do programa construtivo inicial e a sua espacialidade e iluminação foram profundamente alterados pelas obras concluidas em 1760. Segundo Carlos Alberto F. de Almeida (1988), a decoração dos capitéis e cachorros mostram uma evolução de modelos da bacia do Minho e são muito semelhantes a outros de construções mais meridionais, como Valdreu (Terras de Bouro), Fervença (Celorico de Basto) e Ferreira (Paços de Ferreira). Julgando por estes elementos e pelas bases bulbiformes, de plinto decorado, o autor aventa que as obras da cabeceira não deverão ser anteriores aos finais do 1º quartel do séc. 13. A talha dos altares e as pinturas do tecto são neoclássicas. Evolução planimétrica bastante particular. Possivelmente, devido ao desafogo económico inicial, optou-se por uma planta de três naves e cabeceira de três capelas quadrangulares, sendo a central mais desenvolvida e alta que as laterais, seguindo o esquema cisterciense, conservando ainda vestígios nas arcadas que davam para os absidíolos. Este esquema não se concluiu e foi drasticamente reduzido para uma planta ocupando pouco mais do que o espaço projectado para a primitiva nave central. Parte da arcada, um pouco afastado da igreja confirma a grandiosidade do projecto inicial para as dependências conventuais que, entretanto, se devem ter restringido a algumas construções mais modestas adossadas à fachada S. da igreja, como comprovam os pingadouros ali existentes.
Planta composta por nave longitudinal, capela-mor quadrangular, sacristia e torre sineira, com acesso por escada de pedra, adossadas a N.. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas. Frontispício terminado em empena com cruz sobre peanha e enquadrado por pináculo sobre soco. Rasga-o portal de arco pleno sobre pé-direito, com tímpano vazado por cruz equilátera, e fresta. Fachada S. com portal idêntico, mas de tímpano liso, e tendo, perpendicularmente, a parede testeira do antigo absidíolo, rasgada por vão pleno de dupla arquivolta, o interior sobre colunas de capitel coríntio, encimado por fresta, que abriria para o interior. Fachada N. com campanário disposto paralelamente à nave e com escada de acesso entre ambas, sendo encimado por pináculos e frontão triângular. Capela-mor com fresta enquadrada por colunas, com capitéis de folhagem encimados por impostas com laçaria, onde se apoia o arco pleno. A cobertura da nave repousa sobre cornija com cachorros lisos ou decorados num nível mais baixo à empena, cortando assim parte da rosácea, toda esculpida. INTERIOR iluminado por quatro frestas, duas no lado da Epístola, uma no Evangelho e outra no frontispício; pórtico do lado do Evangelho entaipado, púlpito quadrangular, e dois altares colaterais de talha, postos de ângulo; tecto em madeira de perfil curvo. Arco triunfal, apontado, com sanefa sobre impostas esculpidas; as colunas têm bases com losangos, garras e capitéis de folhagem. Na capela-mor fresta com colunas, mísulas e capitéis pintados, sendo encimada por representação do Padre Eterno e vêm-se atributos de São Tiago; retábulo de talha policroma com trono central e acesso para a sacristia onde também se conserva o arco do antigo absidíolo. Por trás do retábulo da capela-mor fresco, com sobreposição de pinturas, que cobre toda a parede com excepção da parte baixa que se encontra danificada. Do antigo convento conservam-se apenas a S. da igreja pequena arcada, de arcos plenos, entaipados.
Materiais
Granito, madeira, pinturas, talha. Pavimento de madeira e cobertura de telha.
Observações
*1 - Dof. ... Restos da Igreja e da Abadia Cisterciense. *2 - Desconhece-se a data de construção do primitivo edifício conventual, estando no entanto normalmente associado a D. Teresa. O Padre Avelino J. da Costa, contudo, tendo em consideração uma necrópole e inscrição de um religioso, descobertos na Freguesia do Vale e que poderão ser do período visigótico, considera aceitável a existência do mosteiro antes de D. Teresa, a qual, neste caso, teria sido apenas sua benfeitora, promovendo o seu restauro e doado-lhe alguns bens. *3 - Em data não averiguada procedeu-se ao restauro do tecto da nave, iliminando as pinturas dos quatro Evangelistas e da Virgem, que existiam em medalhões, e apeou-se os dois altares colaterais de talha.