Arquitetura religiosa, românica, gótica, manuelina, maneirista, neoclássica e revivalista. Antigo mosteiro medieval posteriormente transformado em Colegiada composto por igreja envolvida, lateralmente e posteriormente pelo edifício da Colegiada, formando claustro entre eles. Deste primitivo mosteiro restam apenas alguns vestígios, nomeadamente a Sala do Capítulo e duas alas do claustro. O portal e as janelas geminadas da Sala do Capítulo apresentam arco ultrapassados, em ferradura, fruto de influência moçárabe, sentida na primeira metade do séc. 13, em Guimarães, havendo mais testemunhos no Mosteiro de Santa Marinha da Costa (v. PT010308120020). Igualmente nas molduras dos arcos do claustro e nos capitéis das colunas que os sustentam surge a mesma inspiração. (ALMEIDA, 1986). A igreja, fruto de uma reconstrução gótica, apresenta planta em cruz latina de três naves, com três tramos, transepto, cabeceira escalonada com capela-mor profunda, e torre sineira quadrada adossada à fachada principal, acabada posteriormente já com introdução de elementos decorativos manuelinos, nomeadamente nas janelas e nos túmulos do Dr. Pedro Esteves e Isabel Pinheiro. A fachada principal apresenta portal com arquivoltas quebradas, decoradas por pérolas e rosetas, assentes em capitéis fitomórficos, antropomórficos e zoomórficos. O portal é encimado por janelão, actualmente cego, e que originalmente possuiria um caixilho pétreo com a forma da Árvore de Jessé. É enquadrado por cinco arquivoltas decoradas e ritmadas por anjos coroados por baldaquinos rendilhados que servem simultaneamente de mísula à figura seguinte. Interior com naves separadas por arcaria quebrada assentes sobre pilares com colunas adossadas com capitéis antropomórficos arcaizantes, alguns idênticos aos do Mosteiro da Batalha (v. PT021004010001). A capela-mor remodelada no séc. 17 apresenta abóbada de caixotões maneirista, misturando elementos fruto de remodelações posteriores como é o caso do retábulo-mor rococó e da decoração neoclássica de estuques das paredes. A remodelação neoclássica que se estendeu a todo o interior da igreja foi praticamente retirada já nos restauros do séc. 20, procurando devolver o estilo gótico original, introduzindo alguns elementos neogóticos, restando apenas os retábulos laterais e colaterais e o órgão como memória neoclássica. As arcadas do claustro, e o portal da Sala do Capítulo, de excelente técnica construtiva, constituem o melhor conjunto românico-mudéjar, em granito, de Portugal (ALMEIDA, 1986). O janelão da fachada principal possui uma enorme riqueza decorativa e escultórica como se de um portal se tratasse. Este janelão inicialmente possuiria um original caixilho pétreo com a forma da Árvore de Jessé. Possui o único conjunto de pinturas a têmpera góticas sob tecto em Portugal *6, com representações heráldicas, cenas religiosas, indumentária civil e militar, mobiliário, caçadas, danças, instrumentos musicais, bestiário e decorações geométricas, florais e cordiformes. A qualidade revelada pelo desenho e composição varia consoante os temas, encontrando-se nos temas religiosos uma pintura mais erudita, ainda que com um cunho popular, deixando transparecer uma influência italo-bizantina sob uma forma livre de tratar os temas. As cenas de cavaleiros e batalhas revelam uma grande afinidade com as pinturas catalãs. Os motivos pintados nos frisos e linhas de asnas caracterizam-se pela simplicidade do desenho nítido de linhas contínuas que tinham como função demarcar as figuras e o fundo.
Planta composta por igreja envolvida, lateralmente e posteriormente pelo edifício da antiga Colegiada, formando claustro entre eles. IGREJA de planta em cruz latina de três naves, com três tramos, transepto, cabeceira escalonada com capela-mor profunda, e torre sineira quadrada adossada à fachada principal, do lado esquerdo. Volumes escalonados com naves laterais mais baixas do que a central, e dominante horizontal, quebrada pelo verticalismo da torre sineira. Coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas e quatro águas. Fachadas em cantaria de aparelho isódomo, em granito. Fachada principal de dois panos, com torre adossada no lado esquerdo. Pano central em empena corada por cruz de Alcântara com a pedra de armas de D. João I, rasgado por portal, precedido por escadaria de um lanço, composto por quatro arquivoltas em arco quebrado assentes em três colunas e um colunelo, de cada lado, com capitéis fitomórficos, antropomórficos e zoomórficos. A arquivolta exterior possui decoração de pérolas e rosetas, repetindo-se este último ornato na terceira arquivolta. A encimar o portal, esbarro onde assenta janelão cego, em pedra de Ançã, com cinco arquivoltas decoradas por círculos enlaçados e anjos coroados por baldaquinos rendilhados que servem simultaneamente de mísula à figura seguinte, sobre pé direito com duas ordens de três estátuas, de cada lado, inscritas em nichos de arco trilobado com gablete e alfiz decorado. Na primeira ordem, figuras de corpo inteiro encimadas por cabeças humanas e, na segunda, bustos de frades e anjos segurando livros com inscrições. A encimar o janelão, meia arquivolta com bustos humanos, na base, do lado esquerdo masculino, e do lado direito feminino, encimados por pináculos. Pano lateral direito, mais baixo, em meia empena, com cartela rectangular com inscrição encimada por pedra de armas de D. João I, ladeada por anjos, inscrita em nicho de arco trilobado. Acima deste, encontra-se janelão de arco pleno, em capialço. Torre sineira de três registos, separados por friso, com corda entre o primeiro e o segundo, que se repete nos cunhais, com alto embasamento saliente, delimitado por friso. Remate em merlões decorados com rendilhado, com gárgulas zoomórficas nos cunhais e duas sineiras, uma voltada ao pano frontal, em arco pleno, coroada por pináculos de morfologia idêntica à dos merlões e cruz de Cristo sobre estreito e alto acrotério, e outra bastante mais simples, também em arco pleno, voltada ao pano lateral N.. Primeiro registo com janelões gradeados, nos panos frontal e lateral S.. O janelão do pano frontal possui duas arquivoltas plenas, com decorações florais, assente sobre colunelos. O conjunto é envolvido por arco conopial decorado no extradorso por cogulhos com alfiz decorado e rematado por rendilhado, possuindo no centro pedra de armas esquartelada, dos Pinheiros, Lacerdas, Pereiras e Lobos, inscrita em cartela rectangular com inscrição, envolvida por silhares formado arco pleno. Janelão do pano lateral S. com duas arquivoltas plenas, decoradas por motivos fitomórficos e antropomórficos, rendilhado superiormente. Segundo registo possuindo frontalmente as armas dos Pinheiros com chapéu eclesiástico. Terceiro registo com par de sineiras em arco quebrado, em cada uma das faces, na face frontal encimadas por relógio. Fachadas laterais marcadas pelo escalonamento dos vários corpos, com remates em cachorrada recortada sob cornija estreita, nos panos das naves e braço do transepto e em cornija sob beiral nos absidíolo e capela-mor. A lateral N. é rasgada no pano da nave lateral por janelas em capialço e por portal em arco pleno, delimitado por pilastras toscanas, encimado por entablamento que suporta sacada de janela, igualmente delimitada por pilastras toscanas, enquadradas superiormente por aletas e gárgulas de canhão e rematada por frontão de volutas coroado por cruz e delimitado por pináculos piramidais. Pano da nave central aberto por três janelas em arco bilobado, de dois lumes, em arco pleno. Pano do braço do transepto tapado inferiormente pelas dependências da Colegiada e superiormente aberto por janelão em arco quebrado. Pano da capela-mor aberto por três janelões em capialço. Fachada lateral S. com contrafortes junto ao cunhal que forma com a fachada principal, apresentando o pano da nave lateral aberto por fresta, pano da nave central e topo do braço do transepto, com vãos iguais aos do lado oposto, absidíolo com janela de verga recta e pano da capela-mor com dois janelões em capialço, e inferiormente dois arcossólios com pedra de armas entre eles e arcas tumulares com inscrições. Fachada posterior tapada pelas dependências da Colegiada, sendo apenas visível a empena da capela-mor, com cruz sobre acrotério e pináculos nos extremos. INTERIOR: Paredes em cantaria de granito e pavimento em laje de granito com taburnos de madeira nas naves laterais. Coberturas diferenciadas das naves, em madeira com o travejamento à vista, na nave central e transepto as linhas de asnas, a cachorrada que as apoia e os frisos ao longo das paredes entre as asnas, conservam pinturas decorativas de diferente temática, tais como: representações heráldicas (armas reais, as armas das Ordens de Cristo e de Avis, a cruz de São Jorge e as armas de alguns dos cavaleiros que acompanharam D. João I na batalha de Aljubarrota, nomeadamente os escudos de Vasconcelos, dos irmãos Mem Rodrigues e Rui Mendes, dos Sousas, de Martim Afonso de Sousa, dos Sás, de João Rodrigues de Sá, dos Silvas, de João Gomes da Silva, dos Peixotos ou Portocarreiros, Avelal, Azevedos, Correias, Barbudos, Fonsecas, Coutinhos ou Tavares, Albuquerques), cenas religiosas (Anunciação, Visitação, Natividade, Adoração dos Reis Magos, Séquito dos Magos, Herodes dando ordem para a matança, Matança dos Inocentes e a Fuga para o Egipto), indumentária civil e militar, mobiliário, caçadas, danças, instrumentos musicais, bestiário e decorações geométricas, florais e cordiformes. Naves laterais separadas por arcaria quebrada e biselada, com vestígios de pinturas a dourado de grotescos, assentes em pilares rectangulares, com colunas adossadas com capitéis fitomórficos e antropomórficos, encimada por clerestório de dois lumes. Coro-alto de madeira ocupando a nave central e a lateral, do lado do Evangelho, com guarda em balaustrada de talha policroma a branco e dourado, com órgão a ocupar toda a zona central. Sob este encontra-se guarda-vento de madeira decorado com pilastras coríntias estriadas. Naves laterais com quatro retábulos confrontantes, inscritos em arcos plenos, os do lado do Evangelho dedicados ao Espírito Santo e São Nicolau, e os do lado da Epístola a Nossa Senhora da Conceição e de Santa Ana. Na nave lateral, do lado do Evangelho, na parede fundeira abre-se abre abatido de acesso à Capela dos Pinheiros, no corpo da torre sineira. Esta capela apresenta cobertura por abóbada de nervuras, na parede lateral direita dois arcossólios quebrados, e ao centro as arcas tumulares em pedra de Ançã do Dr. Pedro Esteves e sua mulher Isabel Pinheiro, rodeados por grades de ferro, com jacentes muito mutilados e na cabeceira estrutura em pedra com policromia vazada por dois vãos geminados em arco quebrado, decorados com arcos trilobados, e no topo a imagem pétrea de Nossa Senhora da Piedade. No desvão da porta lateral, uma edícula com arca tumular de Inês de Guimarães sobre quatro leões com escudo liso e inscrição. Segue-lhe capela baptismal inscrita em arco pleno assente sobre pilastras toscanas, com rodapé de azulejos de padrão seiscentistas e pia baptismal de taça circular decorada por grandes acantos. A encimar esta capela encontra-se dois nichos em arco pleno assimétricos. Braços dos transepto abertos por janelões quebrados. Absidíolos inscritos em arco pleno, abobadados, com paredes pintadas de branco, com apontamentos dourados e retábulos de talha, dedicados, do lado do Evangelho ao Sagrado Coração de Jesus, e do lado oposto ao Santíssimo Sacramento. Arco triunfal pleno com pilastras adossadas, estriadas e demarcadas no terço inferior, com vestígios de policromia. Capela-mor elevada por dois degraus, com cobertura em abóbada de caixotões, tendo ao centro as armas reais. Paredes laterais rebocadas e pintadas com apontamentos de estuque fitomórficos, abertas por três janelões, de cada lado, dois deles com varandim único e telas representando São Dâmaso e São Torcato. Adossado às paredes encontra-se cadeiral de uma fila com alto espaldar, em madeira, com apontamentos de dourado e superiormente ritmando por urnas. Parede testeira integralmente preenchida pelo retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava, de um só registo, rematado por espaldar recortado ricamente decorado por elementos fitomórficos, e cartela ao centro. Tribuna em arco pleno com trono enquadrada por par de colunas coríntias com o fuste decorado por concheados, assentes em plintos bojudos, também com decoração de concheados e ramagens. Altar recto. DEPENDÊNCIADA DA COLEGIADA de planta irregular composta pelo adossamento de vários corpos rectangulares, em torno da igreja, formando claustro, com antiga Casa do Cabido, voltado a S., por onde se faz o acesso ao museu, e Casa do Priorado, voltada a E.. Volumes escalonados de dominante vertical, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas. Fachadas em alvenaria de granito, excepto no corpo da antiga Casa do Cabido, rebocado e pintado de branco. Remates em cornija sob beiral, excepto na fachada voltada a O., com cachorrada. Fachada voltada a S. dominada pela volumetria da antiga Casa do Cabido, de três registos separados por friso, enquadrada por cunhais apilastrados, em pedra fendida. É rasgada por vãos em arco abatido, com moldura recortada, no primeiro registo com portal central, ladeado por janelas, no segundo, janelas com ombreiras prolongadas inferiormente até ao friso de separação de registos e no último por janelas de sacada com guarda de ferro. Fachada voltada a E., no seguimento da fachada principal da igreja, com escalonamento de dois corpos, correspondente ao claustro e a capela de São Brás, rasgada por portal em arco pleno, de acesso ao claustro e janelão em arco bilobado, de dois lumes, no corpo da capela. Fachada voltada a O., de dois registos, rasgada por vãos de verga recta e em arco pleno. Fachada voltada a N. marcada por três corpos de diferentes alturas, rasgados irregularmente por vãos de verga recta e em arco pleno, apenas no segundo registo do corpo central, com escadaria de pedra adossada no extremo esquerdo de acesso ao segundo piso do corpo central. CLAUSTRO com arcaria plena, biselada, suportada por colunas com capitéis decorados por motivos fitomórficos e geométricos. Interior da galeria coberto por tecto de madeira, com o travejamento à vista, suportado por cachorrada, na parede interior, e pavimento em laje de granito. Porta da Sala do Capítulo com arco em ferradura assente sobre colunas com capitéis fitomórficos e zoomórficos, com arquivolta também em ferradura, ladeada por janelas geminadas em arco de ferradura com mainel de capitel fitomórfico, inscritas em arquivolta em ferradura biselada. Ala S. com nicho de verga recta, enquadrado por pilastras toscanas e remate em entablamento com pedra de armas, integrando túmulo com jacente. Ala O., com arcossólio junto ao portal que comunica com o exterior, protegido por gradeamento de ferro. Junto a este encontra-se painel de azulejos de padrão monocromos a azul. Apresenta dois pátios, separados pelo corpo da capela-mor, com passagem entre este pela galeria do claustro, e jardim decorado no lado S., por arco quebrado decorado por perlado, parcialmente revestido com planta trepadeira, a enquadrar uma imagem pétrea da Virgem. INTERIOR com acesso principal feito no corpo da antiga Casa do Cabido, com vestíbulo que comunica com escada de acesso ao claustro e ao piso superior. No primeiro piso, com acessos pelos claustro, encontra-se na ala E., no corpo do Priorado, a Sala do Capítulo com tecto de caixotões, em madeira pintada com grotescos e no caixotão central a data de 1709, e várias salas de exposição intercomunicantes, nomeadamente a Sala dos Penselos, Sala de Talha e a Sala de Santa Clara. Na ala N. a Sala de Cerâmica e na ala S. a Capela de São Brás, com cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, pavimento em laje de granito e dois arcossólios com túmulos com jacentes. Segundo piso com salas de exposição no corpo da antiga Casa do Priorado, nomeadamente a Sala de Ourivesaria, Sala de Aljubarrota e Sala de Escultura.
Materiais
Estrutura, elementos decorativos, pavimentos da igreja e claustro, molduras dos vãos, arcos, colunas, cunhais, varandas, gárgulas, lápides e escadas, em granito; janelão da fachada principal e túmulos do Dr. Pedro Esteves e D. Isabel Pinheiro, em pedra de Ançã; cobertura, com elementos de betão; portas, janelas, estrutura dos telhados, coberturas das naves e transepto, pavimentos interiores, retábulos, e tectos, em madeira; janelas da igreja, com vitrais; ferro forjado na janela da torre sineira, guarda dos túmulos do Dr. Pedro Esteves e D. Isabel Pinheiro, guardas das varandas, caixilhos de janelas e ferragens em ferro; chapas da cobertura do edifício e gárgulas da Colegiada, em cobre; coberturas em telha de canudo.
Observações
*1 - Trata-se de uma Zona Especial de Proteção Conjunta da Colegiada de Guimarães (v. PT010308340007), da Padrão comemorativo da Batalha do Salado (v. PT010308340025) e dos Paços Municipais de Guimarães (v. PT010308340014). *2 - a lápide existente na fachada principal é de 1608 e foi mandada fazer pelo Cabido da Colegiada para substituir a original, do séc. 14, recolhida no Museu Alberto Sampaio. A lápide que substituiu a original perdeu algumas palavras, nomeadamente a última parte da mesma que referia como mestre pedreiro João Garcia. *3 - segundo a tradição o nome da igreja teve origem na oliveira que o povo plantou frente à igreja. Junto ao seu tronco seco, foi erguido o Padrão comemorativo da Batalha do Salado que, para espanto de todos, passados três dias, a oliveira reverdeceu levando o povo a tê-la como milagrosa. *4 - no claustro existe uma lápide, retirada do local de origem (parede interior da capela-mor), que faz parte do acervo do museu, referente à sagração da igreja, no dia de Santo Ildefonso, pelo Bispo do Porto, D. João de Azambuja. *5 - do acervo do museu faz parte uma outra inscrição retirada do sitio original (junto à antiga capela, do lado da Epístola), referente à instituição da Capela de Santo André. *6 - as pinturas dos tectos foram executadas sobre madeira de castanho, sem preparação, e em algumas zonas com uma camada de protecção, de época posterior. Os pigmentos utilizados foram o branco de chumbo, vermelhão, orpimento, indigo e o tominho fixados em gesso. O aglutinante para as cores pretas é do tipo cola animal e, para as outras cores é uma emulsão à base de proteínas e óleo secativo.