igreja monacal, de construção românica, com planta em cruz latina, apresentando três naves com quatro tramos de tamanho desigual, transepto, ábside e absidíolos redondos. É, na opinião de especialistas, um " monumento nuclear da nossa arte românica". Devido às diferentes cronologias e oficinas da sua fábrica, que se deduz morosa, apontando para prováveis alterações de planos, apresenta numerosas anomalias e irregularidades visíveis na estrutura dos pilares, na distribuição das colunas ao longo dos muros, na colocação das frestas, na aplicação dos contrafortes, bem como na falta de uniformidade dos alçados (REAL 1982 / 14 - 15), transformando-a assim numa das igrejas mais curiosas desse período. Vestígios de um templo pré-românico.
Planta composta, de cruz latina, de três naves com quatro tramos de tamanho desigual, sendo os dois últimos, do lado da entrada principal, mais pequenos do que os restantes, transepto, ábside e absidíolos redondos. A frontaria apresenta-se reforçada com contrafortes tendo, no corpo central, o portal de cinco arquivoltas assentes em colunelos com capitéis profusamente decorados. No tímpano, ostenta a figura de Cristo Pantocrator, recortado num nimbo oval e ladeado por duas figuras. Nas aduelas das arquivoltas estão representados os apóstolos e anjos enquanto os capitéis mostram animais míticos, sereias, figuras humanas disformes, máscaras e outros motivos. Sobre o portal, uma rosácea. O portal da fachada lateral S., tem arquivolta dupla, colunelos com capitéis historiados e, no tímpano, em baixo-relevo o Agnus Dei. A ábside, em hemiciclo, apresenta cinco arcadas assentes em colunas adossadas. Os absidíolos são reforçados por contrafortes. Sob a cornija corre um renque de modilhões. No INTERIOR, a nave central está separada das laterais por arcos desiguais, de volta perfeita ou quebrados, apoiados sobre robustos pilares de diferente tipologia. A cobertura das naves é de madeira. O tramo recto da ábside está coberto por abóbada de berço quebrado enquanto a zona fundeira tem abóbada em quarto de esfera.
Materiais
Granito; madeira; vidro.
Observações
Segundo a tradição, Pedro de Rates teria sido um dos primeiros convertidos por São Tiago na Península Ibérica. No tempo do imperador Calígula, São Tiago sagrara Pedro como bispo de Braga e ter-se-ia fundado uma pequena comunidade religiosa em Rates, onde viria a sofrer martírio e receber sepultura. A igreja actual foi construída por iniciativa dos Condes D. Henrique e D. Teresa segundo uma planta de três naves, cinco tramos e transepto. Posteriormente, verificou-se um primeiro reajustamento no sentido do modelo do plano beneditino português para igrejas de três naves. Esta transformação não terá sido levada até ao fim, procurando-se então conjugar as duas plantas o que esteve na base de numerosas anomalias e irregularidades visíveis na estrutura dos pilares, na distribuição das colunas ao longo dos muros, na colocação das frestas sobre o arranque dos pilares, na aplicação dos contrafortes, bem como na falta de uniformidade dos alçados (REAL 1982 / 14 - 15). *1 - Devido ao estado de deteorização da pedra torne-se difícil ou mesmo impossível a leitura de alguns pormenores escultóricoa