Albergaria de origem medieval. Capela com fachada de gosto maneirista. Inicialmente, terá sido um paço, mandado construído pela rainha Santa Mafalda, para sua residência, e que por testamento determinou tornar-se Albergaria.
Edifício térreo de planta longitudinal, composta por capela de nave única adossada a dois compartimentos rectangulares, denominados sala e cozinha *1. Volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhado de três águas. A fachada principal orientada a NE é constituída pela associação dos dois corpos de empena triangular, capela e sala. A fachada da capela, mais elevada, é rematada por cornija tendo no vértice central um acrotério e nos extremos pináculos piramidais. No ângulo um sino suspenso numa sineira metálica. Apresenta portal simples de verga recta, encimado por um pequeno óculo quadrilobado sobre o qual se insere um nicho de arco pleno. A fachada da sala, com beiral saliente apresenta ao eixo uma porta igual à da capela e ao mesmo nível, sobrelevada relativamente ao terreno dada a pendente deste. O acesso faz-se através de uma escada em madeira. A fachada NO., correspondente ao lado mais extenso da sala, rematada por cornija em granito com beiral saliente é marcada apenas por uma porta ladeada por duas aberturas rectangulares gradeadas. O acesso faz-se por uma escadaria em granito apoiada numa zona lajeada parcialamente destruida. A fachada posterior apresenta no corpo da sala uma janela rectangular gradeada e no corpo da antiga cozinha uma porta. A fachada SE, constituída pela fachada lateral da capela mais elevada e pelo corpo da cozinha, apresenta respectivamente uma janela e uma porta. No INTERIOR, a sala corresponde a um espaço amplo caiado com a estrutura da cobertura visível com asnas de madeira. Num dos extremos, um lagar e na restante área vários tonéis. O espaço interior da capela, com tecto curvo em madeira apresenta um altar-mor pintado e dourado. O compartimento outrora cozinha está actualmente ocupado por vasilhame, patenteando um tecto plano em madeira bastante degradado.
Materiais
Paredes em alvenaria de granito aparente no exterior e interior, excepto na capela rebocada no interior; cobertura em telha marselha apoiada sobre estrutura de madeira; portas em madeira; pavimento em soalho de madeira na capela; tecto corrido em madeira na capela e cozinha; grades em ferro forjado nas janelas
Observações
A questão da administração da Albergaria, foi sempre muito disputada, tanto no reinado de D. Dinis como nos de D. Afonso IV e D. Pedro I, pelo que foram muitas as reclamações contra os albergueiros por parte do povo de Canaveses, originando várias cartas régias. Sabe-se que esta albergaria possuíu dois livros de Tombo, mas só um deles é conhecido e está nas mãos da família Lencastre. *1 - Em termos organizativos, este pequeno paço, era constituído por capela, sala e cozinha. Inicialmente, a sala era constituída por nove compartimentos, separados por divisórias em castanho até meia altura e tinham dentro um catre. Os documentos mais antigos fazem crer que havia três camas para nove peregrinos; *2 - a Rainha Santa Mafalda terá mandado construír este edifício para sua residência, para acompanhamento das obras da ponte, e terá aí permanecido até se recolher no Mosteiro de Arouca. No Livro das Ordens, fl. 29 (na Torre do Tombo) lê-se: " Deixo o meu Paço de Canaveses que eu fiz em que pousei enquanto mandei fazer a ponte sobre o Tãmega..."; *3 - a albergaria seria para recolher temporariamente pobres e peregrinos, dando-lhes obrigatoriamente na entrada e saída, lume e sal, poderiam eventualmente receber cuidados de enfermaria e se algum falecesse seria enterrado com três missas. A Rainha, fez com que a Albergaria tivesse rendas próprias tais como: os foros e rendas das freguesias de São Pedro e Santa Maria de Fornos, a apresentação da igreja de Santa Maria Sôbre-Tâmega, as azenhas do rio Paçô, os fornos de cozer pão, as portagens da Ponte de Canaveses (actualmente submersa), o rendimento de duas quintas nas proximidades e etc.