Convento feminino da Ordem Terceira Franciscana, fundado no séc. 16, transformado, em 1767, em quartel e hospital, de que apenas subsiste a igreja, elevada a paroquial em 1840, a delimitação da quadra e uma ala conventual. Conserva a estrutura primitiva quinhentista, implantada numa área periférica da antiga vila, junto ao caminho que se dirigia para a Praça do Pelourinho. Ostenta numerosos vestígios de vãos entaipados, incluindo a porta travessa, sobre a qual surge um nicho com abóbada de concha, comportando uma imagem da Virgem. A fenestração conjuga janelas esguias com capialço e janelas de proporção quadrangular. O interior integra capela seiscentista com vão em arco pleno enquadrado por pilastras e friso dórico, mostrando as cantoneiras decoradas por rosetas e cartelas, uma sequência de ondas enroladas de inspiração clássica no friso, apresentando afinidades com o portal da Igreja da Misericórdia (v. IPA.00004763) e com uma das Portas de Santo António (v. IPA.00001382), atribuíveis a Jerónimo Velho de Azevedo. Os retábulos que tem no interior são recentes, construídos no séc. 19, para servir a paróquia, surgindo a torre sineira no séc. 20.
Planta poligonal irregular, composta pela igreja e pelo corpo da antiga área conventual, de que subsiste a marcação do claustro e um corpo virado a oriente. IGREJA de planta poligonal composta por nave, capela-mor, capela lateral, sacristia e torre sineira adossadas ao lado direito, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas rematadas em beiradas duplas. Fachadas em alvenaria de granito aparente, flanqueadas por cunhais apilastrados, dois deles encimados por pináculos, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal voltada a ocidente, rematada em empena com cruz latina no vértice, de hastes floreadas. É rasgada por portal em arco abatido, assente em impostas salientes e fecho volutado, com moldura saliente, encimado por janelão retilíneo rematado por segmento de frontão curvilíneo e pequeno avental. No lado direito, a torre sineira, de três registos definidos por frisos, os inferiores cegos, surgindo, no segundo, o mostrador do relógio; no topo, as ventanas de volta perfeita, assentes em impostas salientes e fecho marcado. A estrutura remate em cornijas e pano de muro encimado por ameias, tendo, no topo, cruz latina. Fachada lateral esquerda mostra a marcação, por ressalto de muro, dos coros, sendo rasgada, no corpo da nave por três janelas retilíneas, em capialço, sendo visível a antiga porta, entaipada, encimada por nicho em abóbada de concha que encerra a imagem da Virgem. No corpo da capela-mor, janela em capialço e, no corpo dos antigos coros, a atual porta travessa, de verga reta e uma janela quadrangular gradeada, que iluminava o coro-alto, havendo vestígios de vãos entaipados. Fachada lateral direita com duas janelas em capialço no corpo da nave e duas janelas no da capela-mor. Fachada posterior rematada em empena, com cruz latina no vértice, cega. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambris de madeira, cobertura de madeira em masseira e pavimentos em soalho. Coro-alto em betão. No lado do Evangelho, capela retabular lateral, à face, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. No lado oposto, a antiga Capela do Menino Jesus, de que sobreviveu o portal, em arco de volta perfeita, flanqueado por pilastras dóricas e com seguintes marcados por folhagem, rematado por frisos e cornija, encimado pela pedra de armas do promotor. No interior da capela, existe um altar e duas mísulas. O arco triunfal, de volta perfeita e assente em pilastras toscanas, é ladeado por duas capelas retabulares colaterais, dispostas em ângulo, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem. Capela-mor com cobertura semelhante à da nave, marcada por supedâneo de cantaria, com mesa de altar, em cantaria de granito, assente em dois pilares. Retábulo-mor de corpo convexo de três eixos definidos por colunas de fuste liso, de marmoreado fingidos e capitéis coríntios, assentes em plintos de perfis côncavos, as exteriores encimadas por urnas. Ao centro, ampla tribuna de perfil contracurvo, contendo trono. Cada um dos eixos laterais possui mísulas envolvidas por frisos e remate de acantos, tendo, na base, portas de acesso à tribuna. A estrutura remata em espaldar seccionado por duas pequenas pilastras. Mesa de altar encimada por sacrário em forma de templete. ZONA CONVENTUAL com uma ala de dois pisos, em cantaria de granito aparente, rasgada por portas e janelas retilíneas.
Materiais
Estrutura em alvenaria e cantaria de granito, rebocada e pintada no interior; modinaturas, cruz, cunhais, mesa de altar em cantaria de granito; coberturas, pavimentos e lambris em madeira; cobertura exterior em telha de aba e canudo.
Observações
*1 - Epitáfio da freira fundadora, que anteriormente se encontrava na igreja, junto às grades da capela-mor, tinha a seguinte inscrição: "Sepultura de Gracia da Coroa / fundadora desta casa para a sua / gente da Beira, falleceo a 16. / de Iunho. Era 1590." (CARVALHO, II, 312).