Castelo construído no séc. 13, pela Ordem do Templo, após o Concelho da Guarda lhe doar, em 1220, o padroado e dízimos de algumas igrejas na região, na condição da Ordem edificar um castelo em Touro para proteger os habitantes, e da concessão do foral, em local estratégico do Riba Côa, para defesa da fronteira leste de Portugal. É formado por uma simples cerca, com planta poligonal irregular, adaptada à morfologia acidentada do terreno, integrando afloramentos rochosos, com paramentos aprumados, em cantaria, sem remate, possuindo acesso por uma única porta, virada a sul e à povoação, em arco apontado, de dupla arquivolta, sobre impostas, provavelmente do séc. 14. A fortificação nunca chegou a ser concluída, devido à perda de importância estratégica, com o avanço da fronteira para leste, estando já no início do séc. 16, "todo derroído" e com algumas das antigas oito casas do interior do recinto, adaptadas a pardieiros. Segundo Gutiérrez Gonzalez, a sua construção visava fazer frente, juntamente com a fortificação de Sortelha, aos castelos leoneses-castelhanos do Sabugal, de Alfaiates e de Vilar Maior.
Planta poligonal irregular, devido à sua adaptação à topográfica extremamente acidentada do terreno. As muralhas, com o perímetro quase completo, apresentam paramentos aprumados, em aparelho elementar pseudo-isódomo, com a altura máxima de 4 metros, integrando pontualmente os afloramentos rochosos naturais; não possuem remate e o adarve encontra-se já muito destruído, tendo em algumas zonas escadas de acesso. Tem uma única porta, aberta na frente sul, denominada por Porta de São Gens, com vão em arco apontado, de dupla arquivolta, com aduelas desencontradas, na face virada para a vila, sobre impostas, marcadas por friso saliente. Conserva ainda os gonzos em cantaria e a abóbada em berço quebrado com o extradorso a descoberto; na face interna, o arco assenta igualmente em imposta percorrida por friso. No interior do recinto existem grandes afloramentos rochosos e, no lado norte, as fundações de um edifício de planta retangular.
Materiais
Estrutura em cantaria e alvenaria de granito; portal em cantaria de granito.
Observações
*1 - O topónimo de Vila do Touro deriva de "taurus", estando provavelmente relacionado com o culto da ganadaria, anterior à Nacionalidade. Contudo, segundo a tradição popular, o topónimo Touro tem a ver com uma lenda que refere ter sido encontrado um bezerro de ouro, num terreno circundante. Refira-se que ainda hoje, a nordeste da antiga vila, existe o Ribeiro do Bezerrinho. *2 - No Tombo dos bens da comenda de Vila do Touro faz-se a seguinte descrição do castelo: "sobre a dicta villa contra o norte tem a hordem huu castello em huu cçerro de penedia alto. o qual estaa de todo derroído e as casas delle todas em pardieiros honde se mostra auer em outro tempo oito casas. e tem huua çerca arredor que da banda do norte tem ajnda huu lanço de muro forte e boom de cantaria. e asi ao sul tem outro e nelle huu portal forte e bem obrado. o comendador da dicta comenda he alcaide do dicto castello e nom haa outro alcaide se nom elle. O chão que dentro do dicto castello estaa antre barrocaaes e os ditos pardieiros. traz ora lopo afomsso e paga delle de Renda em cada huu anno dous alqueires de pam. abaixo da porta do dicto castello quanto seja huu jogo de melham. tem a hordem huu chão que se diz seer em outro tempo adega da hordem. e leua oito varas de longo e sete de largo. parte ao norte com chãoo d ante porta do dicto castello e das outras bandas com Ruas publicas".