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Capela de São Pedro de Varais

Capela de São Pedro de Varais

O ponto de interesse Capela de São Pedro de Varais encontra-se localizado na freguesia de Vile no municipio de Caminha e no distrito de Viana do Castelo.

Arquitectura religiosa, românica. Capela rural, de planta longitudinal composta por uma só nave e cpaela-mor, mais baixa e estreita, construída num românico tardio, como atestam os portais de arco já muito quebrado. Intrega-se na 2ª fase do Românico Português e, mais concretamente, na 2ª fase do foco do Alto Minho. O arcosólio parece datar do séc. 14, época em que provavelmente sofreu algumas modificações, denotáveis na diferença de frestas e na rosácea do frontispício. Interior com cobertura de madeira, pinturas a fresco do séc. 16 na nave, envolvendo o arco triunfal, e na capela-mor. O retábulo-mor é barroco, de estilo nacional. Incluída no Itenerário do Românico da Ribeira Minho. Caracteriza-se pela sua simplicidade, quase sem decoração, a qual reserva exclusivamente para os tímpanos, com grafitos de valor apotropaico, e para os modilhões, quase todos rudes e arcaicos, embora os da capela-mor, ainda que lisos, acusem um maior cuidado. Planimetricamente o eixo central da capela-mor desvia-se cerca de 10º para S. do eixo longitudinal da nave, sem qualquer razão de ordem topográfica. O facto do aparelho apresentar diferenças construtivas entre a nave e a metade inferior da capela-mor, os entablamentos serem mais cuidados e com cachorros na capela-mor e mais irregular e com cachorros grosseiros na nave, as diferentes modinaturas das frrestas, umas simples e capialçadas para o interior, e outras serem mais elaboradas, com fecho moldurado e capialçadas para o exterior, mas claramente rasgadas em fase posterior às primeiras, indiciam diferentes épocas construtivas. Possui pinturas murais do séc. 16 na nave, envolvendo o arco triunfal e organizando-se em três registos com várias imagens enquadradas por frisos, e na capela-mor. As pinturas do primeirro registo na nave utilizam mais recursos cromáticos o que, juntamente com a análise estilística, leva a crer serem posteriores às restantes. O friso lembra as pinturas da Igreja de Midões, datadas de 1536 e assinadas por Arnaus, embora esta seja de melhor execução.

Planta longitudinal composta de nave única e capela-mor quadrangular irregular. Coberturas escalonadas com telhados de 2 águas. Frontispício orientado, terminado em empena truncada por sineira, de arco pleno e rematada em empena. Portal de arco quebrado, com duas aduelas sobre imposta saliente, assente em pés direitos e tímpano com cruz hasteada ladeada por dois sinos - saimões dentro de círculos; encima-o rosácea. Fachadas laterais iguais, com pórtico de arco quebrado, de duas aduelas sobre pés-direitos e tímpano com cruz hasteada, enquadrado por duas frestas capialçadas para fora, à excepção de uma na fachada N., e com moldura curva superior. Sob as frestas, surgem dois ou três cachorros dispostos regularmente. Cornija biselada assente sobre modilhões lisos ou de motivos geométricos. INTERIOR rebocado, com as frestas capialçadas para dentro com moldura curva superior. Pavimento de lajes graníticas irregulares e tecto com forro de madeira. No lado da Epístola, arcosólio de arco quebrado chanfrado, mas já sem tampa. Arco triunfal, quebrado, sobre impostas salientes e encimado por pequena fresta entaipada. É envolvido por pinturas a fresco, desenvolvidas em três registos, separados por friso ocre liso traçado a terra sienna de traçado livre sem preocupação de esquadria. No primeiro registo figura o Martírio de São Sebastião, no segundo um monge inserido numa edícula, segurando um livro e uma cruz, e no terceiro três cenas separadas por friso: na primeira figura Cristo morto no regaço da Virgem, tendo São João à esquerda e Maria Madalena enxugando as lágrimas, à direita; na segundo, ao centro, figura uma imagem muito incompleta e ainda por identificar; e na do lado esquerdo ilegível. Mesa de altar colateral, no lado da Epístola, em pedra, com o pano lateral pintado com motivos geométricos. O intradorso do arco é pintado com motivos decorativos variados, de forma geométrica. Capela-mor com duas frestas capialçadas para o interior e arcosólio sem tampa no lado do Evangelho; na parede testeira, pinturas a fresco, enquadradas por frisos geométricos e vegetalistas separadores; uma outra cena existe à volta da fresta sobre o arco triunfal. Retábulo-mor em pedra, com embutidos de várias cores, de nicho entre pilastras e arquivoltas a pleno centro, sobrepostas por raios e mitra papal com chaves - símbolo do Apóstolo Pedro. Mesa de altar também em pedra, com sebastos, sanefa e pano central destacados.

Materiais

Granito, talha, frescos e madeira. Pavimento de lajes e cobertura de telha.

Observações

Segundo a tradição, foi inicialmente uma igreja conventual, contudo nem os documentos fazem qualquer alusão ao facto, nem os vestígios materiais são suficientes para ateslá-lo. Os cachorros dispostos nas duas fachadas laterais serviriam para suporte de alpendre, como era comum na época. Durante os desaterros no adro, afloraram à superficíe algumas ruínas, designadamente partes de sepulturas nas proximidades do portal lateral S., o alicerce de uma parede e entalhes escavados na rocha. O alicerce, descoberto perpendicularmente ao cunhal SE. da nave, é constituído por alvenaria de blocos graníticos de várias dimensões, toscamente afeiçoados e alinhados em duas fiadas paralelas. Sobre ele elevar-se-ia uma parede com 90 cm de espessura, como revelam as marcas do seu arranque no cunhal da nave. Aí são visíveis os silhares partidos que "engatavam" na parede da igreja denunciando uma contemporaneidade construtiva dos vestígios, que poderão corresponder a restos de um anexo ou da ala de um edifício mais complexo. Frente à fachada principal identificaram-se diversos recortes artificiais na rocha, de planta quadrada, paralelamente à parede, inflectindo em ângulo recto para esta fachada no topo N. Este embasamento poderá ter pertencido a um alpendre / pórtico, que antecederia a estrada. Segundo os autores do artigo "Capela de São Pedro de Varais" in "Monumentos" nº 13 ( p. 140 ) a diferença de aparelho entre a nave e a metade inferior da capela-mor, das cornijas e cachorros e das frestas poderão ser justificadas por três fases construtivas distintas; 1) séc. 10 a 12 - como ermida alto-medieval, de que a metade inferior da capela-mor parece ser o resto subsistente; 2) séc. 12 - 13 - reconstrução / ampliação românica; séc. 13 - 14 - reconstrução gótica. As pinturas a fresco foram realizadas com pigmentos minerais de terras vermelhas, ocres, ocres amarelos naturais, vermelhão e negro. Os rebocos são constituídos por cal e areia fina e com muitas partículas de origem marítima como crustáceos. São compactados e finos não tendo havido preocupação de nivelamento exaustivo da superfície.