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Castelo de Segura

Castelo de Segura

O ponto de interesse Castelo de Segura encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Zebreira e Segura no municipio de Idanha-a-Nova e no distrito de Castelo Branco.

Castelo construído na transição do séc. 13 / 14, pela Ordem do Templo ou pelo Concelho, após D. Dinis dar autorização, em 1299, a este e aos alcaides para a sua construção, no prazo de dois anos, para defesa da fronteira com Leão, tendo sido reformado no séc. 16 e acrescentado, durante os conflitos com Espanha, no séc. 17 e 18, por uma cortina desenvolvida para leste, a partir do castelo, de modo a envolver grande a vila. Do castelo medieval subsiste apenas parte da marcação do seu recinto, de planta ovalada, adaptado à morfologia do terreno, hoje convertido em miradouro e no meio do qual se construiu recentemente uma torre do relógio descaraterizante. No início do séc. 16, foi reformado e adaptado às novas necessidades de defesa, sendo composto por castelo e barbacã completa, de planta ovalada, circundada por fosso quase completo, só interrompido na zona da porta principal. Os paramentos, em cantaria (castelo) ou pedra e barro (barbacã), eram aprumados e terminados em parapeitos ameados, rasgados por seteiras ou troneiras. A barbacã era reforçada por três cubelos, um circular e dois retangulares, um destes com alambor, e tinha duas portas, uma nas imediações da porta do castelo, e a porta falsa, do lado oposto e virada à vila, com ponte levadiça sobre o fosso; a liça era seccionada por muro oblíquo na zona da torre que defendia a cisterna. O castelo era composto por muralha e três torres, a de menagem e a dos Gatos, quinhentista, dispostas nos extremos, e a da Farinha, mais pequena, com alambor e telhada, a meio da muralha, que no pano confrontante era saliente. Tinha acesso por uma só porta, em arco, encimada por balcão com matacães, quinhentista. A torre de menagem, reformada do meio para cima no início do séc. 16, tinha portal sobrelevado, encimado por balcão com matacães, feito de novo, interiormente com três pisos, o térreo adaptado a aljube, e os outros sobradados, o último, coberto por abóbada, sobreposta por terraço. No interior do recinto, encostado à muralha, desenvolviam-se os aposentos do comendador, com dependências térreas e sobradadas, tendo sobre o portal da casa de armaria, as armas reais. Duarte de Armas desenha duas cisternas, uma antiga e desativada, junto à torre de menagem, e a outra junto à torre dos Gatos. A cortina construída a envolver a vila, no séc. 17, de planta irregular, vagamente trapezoidal, era em alvenaria aparente e tinha três baluartes a partir da barbacã, com guaritas, que a toponímica manteve na Rua do Baluarte, e duas portas, conservando-se hoje apenas a porta de Baixo, em cantaria, com arco abatido e estrutura muito simples, datada de 1739. Posteriormente demolida, devido aos conflitos militares, ou sobretudo à reutilização da pedra nas construções da vila, subsistem apenas alguns trechos da cortina, integrados nas habitações ou nos quintais. O castelo medieval mantinha contacto visual com outras fortificações, nomeadamente Salvaterra, e tinha a sua defesa reforçada por meio de atalaias *4.

Recinto do castelo de planta ovalada irregular, atualmente transformado em miradouro, conservando apenas em alguns troços as fiadas inferiores dos paramentos, aprumados, em alvenaria de granito, adaptadas à morfologia do terreno, sobrepostas por muro de pedra ou simplesmente guarda tubular em ferro. Sensivelmente a meio do antigo recinto, ergue-se torre do relógio, de planta quadrada e cobertura piramidal, rebocada e pintada de branco, coroada por cata-vento em ferro. Apresenta faces em alvenaria de granito e juntas em cimento, com cunhais ciclópicos tendo, em ritmo alternado, silhares mais salientes, terminadas em cornija com pináculos piramidais nos cunhais. Superiormente, é rasgada, em cada uma das faces, por ventana, em arco de volta perfeita, sobre impostas salientes e chave relevada, com guarda em ferro; em duas das faces opostas tem, num plano inferior, vão sobrelevado retilíneo, bastante estreito e com porta de madeira. Na face principal possui, sobre a cornija do remate, relógio circular. Das antigas muralhas seiscentistas que cercavam a vila, de traçado irregular, conserva algumas cortinas, em alvenaria de granito, sem remate, integradas, adossadas ou flanqueadas por habitações ou nos muros dos quintais das mesmas. Destaca-se a da Porta de Baixo, que tem arco abatido sobre os pés direitos, conservando no intradorso silhar com data inscrita.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou cantaria de granito; cimento nas juntas.

Observações

*1 - No Tombo dos bens da comenda de Segura, de 1505, faz-se a seguinte descrição do castelo: "junto da dicta Villa de segura contra ho ponente tem ha hordem huu castello em huu monte alto e tem huua caua que ho çerca quaisi todo arredor e aalem da dita caua tem logo huua barbacãa com dous cubellos pequenos todo de pedra e barro com suas seeteiras e bombardeiras bem corrigida e ameada. e tem mais huu muro forte de cantaria bem ameado parte delle. e ho que estaa por amear se faz ora de nouo. tem huu portal de pedraria bem feito com suas portas fortes e bem fechadas. e sobre ho dicto portal. huua guarita de cantaria nouamente feita. Estam no dito muro duas torres. huua noua rasa com ho muro que se chama a torre dos gatos. toda de cantaria bem obrada com suas ameas e juntas feitas de cal. moçiça atee ho andar do dito muro. e ha outra torre mais pequena que se chama ha torre da farinha. ha meatade della he de cantaria e ha outra meatade de pedra e cal tem huua janella ao norte e estaa igualmente madeirada e cuberta de telha vãa. dentro na dicta çerca tem huua torre de menagem toda de canteria. do meyo pera cima. feita de nouo e tem huu portal pequeno com suas portas mujto forte pera ho qual sobem per huua escaada de pedra de xij degraaos. sobre ho dicto portal tem outra guarita de cantaria nouamente feita. tem ha dita torre logo na primeira entrada huu sobrado e debaixo delle huu aljube. e tem mais açima outro sobrado pera que sobem per huua escaada de madeira com seu mainel todo bem obrado. e quais nouo. e tem em cada sobrado sua freesta ao norte. e do dito sobrado de çima sobem per huua escaada de madeira e des i per outra escaada de pedra que uay pello moçiço da parede da dita torre teer açima aa aboueda e tem no topo da escaada. huua porta d alcapõoe forte. e tem ha dita aboueda fecto ho terreiro de cima de cal muito chãao com seu peitoril ameyado e fecto de nouo e bem obrado com suas seeteiras dobradas. dentro na dicta çerca estaa ho aposentamento do comendador ho qual he alcaide moor do dicto castello. e tem logo aa entrada da çerca huua salla terrea com huua chaminee de sebe e barro. e he bem madeirada. barrada e cuberta de telha. e leua viij uaras e meya de longo e quatro e meya de largo. aa maao seestra da dita sala tem huua camera sobradada. barrada da dita manejra e cuberta de telha pera que sobem per huua escaada de madeira mal corregida e tem huua janela d asentos da parte de dentro contra ho sul com suas portas bõoas com huua chamjnee noua de cal e tijollo leua de longo per baixo seis uaras e quatro de largo e outras tantas leua pello sobrado. E aalem desta camara tem outra asi sobradada e madeirada da dita maneira e asi telhada. e leua de longo per baixo quatro uaras e meya e duas e meya de largo. e outro tanto pello sobrado. aalem destas casas tem huua casa que serue de estrebaria com seu palheiro em çima. e tem hum sobrado que nom chega ao muro e he mal coberto de telha. Todas estas casas estam pegadas no muro da parte do norte. tem has paredes de pedra e barro e adobes bem corregidas. fechadas com suas portas: defronte das dictas casas e dentro na dita çerca estamos duas casas. huua .a saber. de mantijmentos e outra d armaria. bem oliuelladas sobre has asnas. cubertas de telha. e solhadas de tauoado sobre ho chãao com bõoas portas e bem fechadas. ha primeira leua quatro uaras de longo e quatro de largo. e ha outra casa outro tanto. sobre ho portal estam has quinas rreaes com sua coroa em pedra. antre has ditas casas e aposentamento do comendador estaa a cisterna bõoa e alta. e estaa no dito terreno. huua moreira. no dicto castello se acharom estas armas .a saber. huu passauolante e huua serpentina. e seis beestas de garruche e sete spingardas. e eram a correger duas bombardas pequenas. ho alcaide do dito castello faz delle menagem". *2 - Os desenhos de Duarte de Armas permitem perceber melhor a estrutura do castelo de Segura, retratando-o com planta ovalada, composta por barbacã, com muralha ameada, de 4 varas de altura, reforçada por três cubelos, um circular e dois retangulares, um deles com alambor, rasgadas por troneiras e duas portas, uma nas imediações da porta do castelo, e a porta falsa, do lado oposto e virada à vila, com ponte levadiça sobre o fosso, que circundava quase por completo a barbaça. Na liça, a barbacã era seccionada por muro oblíquo entre a muralha e a torre mais pequena de um dos topos. O castelo, igualmente de planta ovalada, possuía muralhas ameadas com 7 varas e 4 passos de altura, e em cada um dos extremos uma torre, desenvolvidas para o exterior: de um lado, a torre de menagem, quadrangular, com 7 varas e dois passos, por face, e 13 varas e meia de altura, ameada, com 4 vãos e um balcão, existindo junto à mesma uma antiga cisterna, à qual se seguiam escadas para o adarve; no lado oposto, existia uma outra torre, com 4 varas e meia por 3 varas e 1 passo, e com 10 varas e 1 passo de altura; em frente desta ficava uma cisterna com muita água. Sensivelmente a meio das faces compridas existia, de um lado, uma torre, de 3 varas, e, do outro, um pano de muralha saliente, com 7 varas. Nas suas imediações abria-se a porta do castelo, em arco, encimado por balcão com matacães. No interior do recinto, desenvolviam-se, adossadas à face interna da muralha, as várias dependências da casa do comendador e de apoio, entre o pano de muralha avançado, e a torre telhada do lado oposto. Extramuros, desenvolvia-se a nascente a povoação com a igreja de planta composta por nave e capela-mor, alpendre frontal e campanário disposto lateralmente. Duarte de Armas representa ainda a ponte sobre o rio Erges, então em mau estado, que integrada a estrada imperial romana, que ligava Mérida à Guarda, passando por Egitânia. *3 - Segundo Mário Marques de Andrade, a cerca urbana construída no séc. 17, teria o seguinte traçado: principiava pela encosta voltada para o ribeiro da Fontainha, seguia pelo castelo, Rua da Guarita, Rua das Portas de Cima, Rua do Outeiro, Terreiro; daqui iria ao muro das paredes do palheiro de José Dias (em 1949), muro do chão do Galo, Arco da porta de Baixo, Rua da Calçadinha e Rua da Encosta do Castelo, até encontrar a muralha da fortaleza. Ao que parece as muralhas tinham seis guaritas. As Portas de Cima e de Baixo permitiam o acesso ao interior da vila. *4 - Segundo João de Almeida, em 1945, ainda existiam ruínas de duas atalaias que reforçavam a defesa do castelo de Segura, uma a 500 m a sudoeste da Ponte de Segura, sobre o outeiro da cota 254, onde uma torre vigiava a passagem do Erges, e a outra no cabeço Canchal, a 1,5 km a nordeste de Segura, a cavaleiro da confluência do ribeiro de Santa Marinha com o rio Erges, onde uma grande torre interligava Segura e Salvaterra e, simultaneamente, vigiava a passagem do rio Erges.