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Castelo e Muralhas de Monsanto

Castelo e Muralhas de Monsanto

O ponto de interesse Castelo e Muralhas de Monsanto encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha no municipio de Idanha-a-Nova e no distrito de Castelo Branco.

Castelo construído no séc. 12, pela Ordem do Templo, e cerca urbana construída no séc. 13, por ordem da Coroa, num local de grande importância estratégica para a defesa da fronteira leste do país, sobre estruturas anteriores, tendo sido remodelado no séc. 15 e 16, e depois, no séc. 19, com alteração da estrutura, articulando-se com outros castelos da Beira. Constituindo um território de grande instabilidade, onde já no séc. 10 é documentado a existência de um castelo árabe "muito sólido", foi doado à Ordem do Templo, em 1165, cujo mestre, segundo inscrição no castelo de Tomar, ali terá construído ou reconstruído a fortificação, até 1171. Contudo, na sequência de um litígio com a Ordem do Templo, o castelo é doado, logo em 1172, à Ordem de Santiago mas, talvez por esta não tomar posse efetiva do castelo ou ter defendido os interesses do reino de Leão durante os conflitos, o mesmo, ainda antes de terminar a década, passa para a Coroa. Em 1460, D. Afonso V concede a alcaidaria aos condes de Monsanto, deixando assim o castelo de integrar os bens régios. A fortificação tem planta irregular, desenvolvendo-se no topo do cabeço, adaptada à morfologia do terreno de afloramentos graníticos ciclópicos, o que resulta num grande ondulamento dos muros, reservando para o castelo a zona mais alta e inacessível, de planta alongada e com acesso apenas a partir da vila muralhada. As estruturas apresentam os paramentos aprumados e já sem o remate, com um número e tipo de cubelos e torres certamente diferente do que teve. Atualmente, a cerca urbana tem duas portas, a principal, virada a norte, e a porta falsa a sul, ambas em arco de volta perfeita sobre impostas, sendo a principal protegida por barbacã da porta, com troneiras cruzetadas, possivelmente construída no séc. 16, após a representação de Duarte de Armas, com porta lateral, em arco biselado, encimado por brasão e as insígnias de D. Manuel. A cerca tem três cubelos, dois a norte, a defender a porta, um a nascente e uma torre a sul, também a defender a porta, todos desenvolvidos para o exterior. Intramuros, o adarve tinha acesso por escadas salta cão. Aí se implantava o primitivo núcleo populacional, com igreja dedicada a Santa Maria e um grande poço que, no séc. 15 foi envolvido por uma torre de couraça, circular, desenvolvida a partir da porta do castelo. Este, segundo a representação de Duarte de Armas, tinha uma torre, um cubelo ou avançado a defender a porta e, no interior do recinto, a torre de menagem, com aljube no piso térreo, uma cisterna, as casas do alcaide e outras dependências. Segundo Mário Barroca, a edificação da torre de menagem, da qual só sobrevivem os entalhes abertos nos afloramentos rochosos, pode ser balizada entre os anos de 1169 e 1171, pertencendo, assim, ao conjunto das mais antigas torres de menagem em Portugal. Durante a guerra da Restauração, a fortificação recebeu algumas obras de adaptação à artilharia, com construção de terraplenos, baterias, abertura de canhoneiras e construção de cortinas defensivas e após a Guerra dos Sete Anos o conde de Lippe manda executar trabalhos essencialmente nos núcleos populacionais. Assim, manda construir uma muralha circundando parte da capela de São Miguel, que seguia em direção aos chamados Penedos Juntos, de que ainda há vestígios, e, na parte baixa da povoação, construir a porta de Santo António e a do Espírito Santo nas entradas da povoação, com cortinas aprumadas, e portas em arco ou de verga reta, ladeadas por frestas de tiro e uma guarita, sendo a de Santo António sobreposta por brasão real, e uma bateria trapezoidal, a norte. O número de torres ou cubelos do castelo deve ter aumentado depois do início do séc. 16, dado que no relatório das obras de reedificação, em 1813, o engenheiro Eusébio Cândido Furtado manda demolir cinco das sete torres que então possuía, para obtenção de pedra para conservar os muros. Nesta data, no interior do castelo a antiga casa do alcaide já havia sido transformada em hospital, a torre de menagem servia de armazém de pólvora, que então foi subdividida em três pisos, e ainda existia a cisterna, que recebia água dos telhados. O engenheiro manda construir uma porta nova do castelo e, à sua frente, um travez de cantaria e uma barreira murada com comunicação por ponte levadiça. Na antiga vila intramuros, a igreja de Santa Maria era o armazém de víveres, a torre junto à porta falsa era o quartel do governador, conservava-se o grande poço, mas já sem as estruturas da couraça e respetiva torre. Uma das alterações mais significativas deste espaço, será a construção de um recinto retangular, disposto na sequência da porta norte, formando bateria, com cortinas aprumadas, para colocação de peças de artilharia, dando assim origem a três recintos. O remate com canhoneiras da cortina paralela à porta foi construído pela DGEMN, nas obras da década de 1940. Em 1813, entre outros trabalhos, dotou-se a face interna da barbacã com uma banqueta para mosquetaria, de que se conservam os orifícios das traves que a sustentavam, e construíram-se três outras na rampa que a precedia. A queda de um raio no paiol e a sua subsequente explosão, entre 1813 e 1815, provoca a destruição de grande parte das muralhas e das construções no interior da fortificação, conduzindo ao seu progressivo abandono. A defesa do castelo medieval era complementada com atalaias, nomeadamente a Torre do Pião, implantada nas suas imediações, mas que em 1509 já se havia derrubado uma face, "por que perigaua ho castelo", conforme indicado por Duarte de Armas, visto estar construída a cavaleiro do mesmo, e a torre do Lucano, construída em 1420 no núcleo populacional de São Salvador, sendo depois transformada em torre dos sinos da primitiva igreja, atual Misericórdia.

Fortificação composta por castelo e cerca urbana da vila, de planta irregular, desenvolvida no topo do cabeço, mas em níveis progressivamente mais altos, estando o interior da cerca subdividida por panos de muralha de construção oitocentista, formando um retângulo, e dando assim origem a três recintos. As estruturas apresentam paramentos aprumados, em cantaria ou alvenaria de granito, já sem o remate, mas tendo em algumas zonas da face interna falso adarve, protegido por parapeito simples, acedido por escadas salta cão, na cerca da vila dispostas a norte e a sudeste, perto das portas. CERCA URBANA com os panos de muralha reforçados por três cubelos retangulares, dois, na frente norte, a cobrir a porta principal, e outro a nascente, e uma torre quadrangular, a sul, a cobrir a porta falsa, aberta nas imediações. O principal acesso ao interior faz-se por pano de muralha virado a norte, encaixado entre grandes penedias, tendo frontalmente barbacã da porta retangular, com porta rasgada lateralmente, a nascente, em arco de volta perfeita, biselado e de aduelas largas, sobre os pés direitos, encimado por vão, destinado ao brasão, ladeado, à esquerda, por esfera armilar; do lado direito existe inscrição. Na face norte da barbacã rasgam-se três troneiras, cruzetadas, a do cunhal nordeste num nível mais baixo e a da direita só com uma travessa a cortar o vão vertical. Na face interna, a barbacã possui superiormente orifícios dispostos regularmente, para sustentação de um andaime, oitocentista, para mosquetaria, e a porta tem arco abatido, conservando as caixas das coiceiras e os buracos laterais da tranca. A porta da cerca urbana, precedida por vários degraus formando patamar, é em arco de volta perfeita, de aduelas largas, sobre impostas, tendo no intradorso, com abóbada de berço, as caixas das coiceiras e os buracos laterais da tranca. Esta porta acede a um recinto retangular, construído em 1813 e definido por muralhas laterais, em alvenaria de pedra, e por uma outra muralha paralela à da porta, em cantaria, rasgada por porta em arco de volta perfeita sobre impostas, e terminada em parapeito de merlões e quatro canhoeiras, tendo na face interna bateria, com as canhoeiras mais a poente, precedidas por rampas. Sensivelmente a sul, abre-se na cerca urbana a porta falsa, em arco de volta perfeita, sobre impostas. Nas imediações, a torre sul desenvolve-se para o exterior, tendo na face interna, virada a norte portal sobrelevado, de verga reta, atualmente sem função, com o falso adarve precedido por escadas de tiro. No recinto, no enfiamento da porta da cidadela, existe penedia junto à qual há grande poço, de perfil curvo, apresentando dois arcos de volta perfeita, perpendiculares, sem cobertura, protegido por guarda em alvenaria e gradeamento. CIDADELA de planta ovalada, bastante irregular, desenvolvida na cota mais alta e apenas acedida pela antiga vila muralhada, por porta em arco de volta perfeita, de aduelas largas, sobre impostas, coberta a nascente por pequeno cubelo quadrangular avançado para o exterior. No interior do recinto, de diferentes níveis, um pano de muralha a sudoeste tem escadas de ligação ao falso adarve. Neste recinto observam-se, sobre os afloramentos rochosos, sulcos que poderão corresponder às fundações de outras estruturas. Escadas bastante estreitas, entre a muralha e as penedias, conduzem a uma cota superior, onde existem vestígios dos alicerces da cisterna e do edifício retangular, dos antigos aposentamentos e depois hospital, adossado à muralha poente. EXTRAMUROS existem vestígios de baterias perpendiculares à Igreja de São Miguel, em alvenaria de pedra, e a norte a TORRE DO PIÃO, a cavaleiro, fronteiro ao castelo, de planta quadrada e apresentando apenas o arranque dos paramentos de três faces, em cantaria. No NÚCLEO URBANO DE SÃO SALVADOR existem várias estruturas defensivas, construídas nos pontos de entrada da vila, a nascente, a porta do Espírito Santo, adossada à capela da mesma invocação, a poente, a porta de Santo António, junto à capela do mesmo orago e ao cemitério, e a norte, sob o parque de estacionamento do Largo do Baluarte, o denominado baluarte ou bateria. A porta do Espírito Santo abre-se em cortina aprumada, em aparelho de cantaria irregular, encimada por parapeito simples, com portal em arco de volta perfeita, biselado, de aduelas largas sobre os pés direitos, e de verga reta na face interna; é ladeada por duas frestas de tiro e, a sul, apresenta guarita adossada, de planta quadrada, com cobertura plana, acedida por porta de verga reta, precedida por escadas de pedra, com guarda em ferro, e tendo frestas de tiro a norte e a nascente. A porta de Santo António, de verga reta, abre-se em cortina aprumada, rematada em parapeito simples, sobreposto por brasão com as armas reais, sendo ladeada por três frestas de tiro, uma delas atualmente sem função. A norte tem guarita sobrelevada, de planta quadrangular e cobertura plana, com fresta de tiro a nascente e a poente e acesso por porta de verga reta, assente sobre pequena cortina, em alvenaria de pedra, com várias frestas de tiro. A bateria do Largo do Baluarte tem planta trapezoidal, com cortinas em talude e porta de verga reta, ladeada por duas janelas quadrangulares na frente poente.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito, de aparelho isódomo, aparente, ou em alvenaria de pedra, também aparente.

Observações

*1 - Duarte de Armas desenhou o castelo e a povoação de Monsanto que, pela vista da banda do norte, prova ser constituída por dois polos habitacionais: o da freguesia de São Miguel, numa cota mais elevada e desenvolvido à volta da Igreja de São Miguel, e o da freguesia de São Salvador, mais no sopé da colina, desenvolvido à volta da igreja com aquele orago. No cimo do cabeço, sobre os afloramentos ciclópicos, desenvolvia-se o castelo e a cerca urbana do primitivo núcleo populacional, composto por quatro torres, três na cerca urbana e uma na cidadela, onde também se erguia a torre de menagem, com paramentos aprumados, rematados em parapeito ameado. A porta da cerca, em arco, surge rasgada num pano de muralha entre os penedos, virada a norte. Extramuros e a poente, igualmente sobre grande penedia, erguia-se a Torre do Pião, com uma das faces derrubada. O castelo propriamente dito ou a cidadela, erguia-se na parte dominante do cabeço, tendo as muralhas 4 ou 5 varas de altura, adaptadas às penedias sobre as quais se erguiam, sendo composto por torre no ângulo nordeste, com 2 varas e 1 palmo por 1 vara e 4 palmos; a torre de menagem no interior do recinto, com 5 varas por 5 varas e 4 palmos, 16,5 varas de altura e 1 vara de grossura, tendo no piso térreo um aljube; uma cisterna quebrada; as casas de aposentamento, adossadas á muralha poente; e outros compartimentos não identificados. A porta de acesso, virada à vila muralhada, era defendida por uma couraça, com um corredor de 14,5 varas, e terminava numa torre circular, integrando no interior um poço com 9 varas e 4 palmos de altura e muito largo, contendo água muito boa; a couraça tinha acesso pela zona lateral mais larga havendo ainda uma porta para a torre couraça. *2 - Segundo o pároco da freguesia de São Salvador, arcipreste Ayres Francisco de Proença e Silva, nas Memórias Paroquiais, Monsanto pertence ao bispado da Guarda, comarca de Castelo Branco e é seu donatário o conde de Monsanto. Tem 330 vizinhos e 1053 pessoas, de ambos os sexos, entre maiores e menores. A "povoação não é murada, mas muito ajudam a defender o inacessível das penhas por onde no ano de 1704, sendo invadida pelo exército real de Filipe V lhe mataram na subida do monte seiscentos homens, e não entrariam no castelo se nele não houvesse alguma gente paga, pois ficando presidiada com sessenta franceses se defendeu ao depois de um pé de exército nosso largos dias, e por não terem esperança de socorro se entregaram a partido, confessando que se esta praça estivera em França havia de ser o cofre do tesouro do reino". Relativamente ao castelo refere que "no cimo do monte tem um fortissimo castelo com quatro torres. Uma defronte do castelo, em penha viva, chamada Torre do Pião, demolida pela face que olha para a fortaleza. Ignora-se quem a demoliu. Há, porém, a tradição que pelo tempo das alterações de Évora, no ano de 1637. É esta fortaleza obra dos Templários que nela fizeram fortes contra a potência e orgulho dos mouros, que tiveram em sitio sete anos - e não fora os romanos, como alguém escreveu por menos veridicas informações - a tão prolixo cerco não podiam já resistir os cristãos por falta de sustento até que em dia da invocação da Santa Cruz, três de Maio, pelo ano de 1230 lhe inspirou Deus que dessem de comer a uma bezerrinha uma limitada porção de trigo que só havia no castelo, e a lançassem dele à vista dos inimigos que achando-a rebentada e cheia de trigo julgaram que ainda havia tanto mantimento que sustentavam os animais com trigo pelo que desconfiados da empresa levantaram o cerco". Segundo o padre da freguesia de São Miguel, a cisterna de água nativa existente dentro do castelo terá quarenta palmos de altura, havendo ainda um "armazeém destruído de munições e sem porta, uns casarões dentro de outro segundo ou cidadela que serviam de casas do governador e sua família"; num outeiro, frente ao castelo, na "distância de um tiro de mosquete", está a chamada Torre do Peão com a face que tem para o castelo demolida. *3 - O relatório das obras efetuadas em 1813, pelo major Eusébio Cândido Furtado diz: "Encontrei no castelo sete torres de várias alturas de que demoli cinco, tanto por serem de nenhuma vantagem para a defesa como pela precisão que tinha de sua pedraria já lavrada para restabelecimento de todos os seus parapeitos e mais obras que construi (...). Tem as muralhas perpendiculares revestidas interior e exteriormente de cantaria lavrada muito bem ligadas e sólidas. Têm de grossura de 9 a 10 palmos até à altura dos parapeitos que tem 3 a 4 palmos de grossura. Os seus perfis variam segundo as desigualdades dos penedos em que estão assentados. Tem o castelo duas entradas, a primeira e principal que olha para a vila e a segunda fronteira a esta. A primeira é coberta por um tambor, em roda do qual construi uma banqueta ou andaime para mosquetaria e fora da porta estabeleci sobre a calçada 3 baterias para mosquetaria dominantes umas as outras e que servem para proteger a retirada dos defensores da vila e bater a mesma calçada, sendo este o ponto por onde parece que naturalmente o inimigo se dirigirá com mais comodidade os ataques. Além destes fogos exteriores construi na distância de 168 palmos no terreno mais alto do interior do castelo uma bateria paralela à muralha de entrada apoiada de um e outro lado a penedos, e nela servem duas canhoneiras (...) esta bateria tem uma altura regular de 15 palmos, a sua grossura é de 10 palmos e do parapeito é de 4, tudo revestido interior e exteriormente de cantaria, e de um e outro lado sobre os rochedos estabeleci parapeitos e muralha que ligam os intervalos dos mesmos penedos, ficando desta maneira inteiramente fechada toda a comunicação com o interior do castelo, que portanto não pode ser entrado por lado algum sem ser por escalada. (...). A igreja serve de depósito de víveres, é assas espaçosa e cómoda para esse fim. Tem água nativa mui abundante e de excelente qualidade e não há notícia de se ter jamais exaurido. Dentro da pequena cidadela se vêm os edifícios que servem de depósito da pólvora, que é uma grande torre quasi quadrada e cujas muralhas têm 8 palmos em toda a sua grossura, a sua altura exterior é de 50 palmos e a interior é de 70, foi dividida em três pavimentos mui sólidos e neles se acham acolhidas todas as munições. (...) Junto do Hospital há uma cisterna bem vedada que tem um vão de 100 palmos cúbicos, para onde estão encaminhadas todas as águas dos telhados. Além de uma porta nova que fecha esta cidadela, e mui sólida, construi na sua frente em toda a sua largura um travez de cantaria, e fechado com sua forte barreira, cuja comunicação é feita por uma ponte levadiça".