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Igreja de Castro de Avelãs

Igreja de Castro de Avelãs

O ponto de interesse Igreja de Castro de Avelãs encontra-se localizado na freguesia de Castro de Avelãs no municipio de Bragança e no distrito de Bragança.

Arquitectura religiosa, românica, barroca e novecentista. Igreja de planta composta com nave única, de construção seiscentista, e cabeceira tripardina e escalonada de abside e absidíolos em românico mudéjar, interiormente com tectos em masseira e em cúpula, respectivamente, e iluminada pelos vãos laterais, axial e fresta da abside. Nave rebocada e pintada terminada em cornija, com fachada principal de cunhais apilastrados e terminada em empena, coroados por pináculos e cruz central, rasgada por portal de verga recta encimado por cornija contracurvada e janela rectilínea. Fachadas laterais rasgada por janela de capialço e, a lateral direita, por porta travessa de verga recta. A cabeceira em alvenaria de tijolo, apresenta as paredes exteriores e interiores decoradas com um a três registos de arcaturas, de arcos de volta perfeita, separados e rematados por friso em dentes de serra. No interior possui estrutura do antigo púlpito, no lado do Evangelho, dois retábulos colaterais, de planta recta e um eixo e o retábulo-mor em talha dourada de planta côncava e um eixo, todos do estilo barroco nacional. No absidíolo da Epístola, existe arca tumular, dos sécs. 13 e 14 (BARROCA, 1996), o qual deve ter sido concebido para integrar um arcossólio, talvez no exterior S. da igreja primitiva, ou na parede interior N., dado que as inscrições se localizam na mesma face. Estruturas várias do antigo mosteiro beneditino de São Salvador de Castro de Avelãs, o qual teve subjacente um projecto grandioso de que apenas restam a cabeceira, restos de uma arcada do claustro, uma torre, que se suspeita ter pertencido à fachada principal da igreja primitiva, segmentos de cerca, em cantaria de xisto, e pavimentos, apesar do nível do solo não corresponder ao primitivo; segundo Carlos A. F. de Almeida (2001), estes elementos permitem concluir que o mosteiro nunca foi totalmente edificado. A maior parte dos coutos referidos nas primeiras doações ao mosteiro, situavam-se a E., próximo da fronteira com Leão, formando uma linha defensiva do território. A cabeceira da igreja afirma-se como caso de excepção no contexto da arquitectura românica portuguesa, devido à conjugação da influência da Escola Borgonhesa, divulgada pelos cistercienses, com o recurso ao tijolo como material de construção, opção que também se verificou nos cubelos do Castelo de Bragança (v. PT010402420003) e, que a inclui no românico mudéjar, comparável com alguns templos do N. de Espanha e, de Itália, tendo determinado toda a arquitectura bragançana dos sécs. 13 e 14. Segundo Paulo Fernandes, a igreja inscreve-se numa corrente de arquitectura mudéjar relativamente modesta, mais comum na arquitectura religiosa das comunidades rurais de Castela e Leão durante o séc. 13. Teria sido o eco de uma arquitectura religiosa originada nas grandes construções religiosas de Sahagún, porém com recurso a mão-de-obra formada presumivelmente nas terras de Arévalo ou na região de Toro. Existem semelhanças entre a cabeceira de Castro de Avelãs e as da igreja de S. Martín de Cuéllar, em Segóvia, e a da igreja de Peñarandilla, em Salamanca. Segundo F. Alves, possui ainda semelhanças em termos de escala, sistema de construção e aspectos decorativos com as seguintes igrejas espanholas: Arévalo - Santa Maria Lugareka; Segóvia - Santo André, São Basílio, São Salvador, de Samboal e da Trindade; Zamora - São Lourenço de Toro, São Pedro, em Pozo Antigo e São Pedro em Villalpando; Salamanca - Vilória, Rágama e Santa Maria de Béjar; Toledo - Santiago do Arrabal; Palência - Santa Maria de La Veja, e em Ávila - São Nicolau Madrigal das Torres Altas, Santa Maria e Santo Martín. A influência espanhola seria sustentada pelos movimentos de itenerância dos mestres, os alarifes equivalentes ao arquitecto ou mestre de obra e os mazarites, isto é alvenéis, especialistas em construção de tijolo, oriundos de Toro, Zamora, Sahagún, León, do aro de Vallodolid e Segóvia, promovidos pela estreita relação entre o Mosteiro Leonês da Castanheira e Castro de Avelãs, a que acresce a abundância da matéria-prima nesta região. A cabeceira inspirou a primitiva cabeceira da Igreja do Convento de São Francisco (v. PT010408100008) e da igreja de São Vicente (v. PT010402420086), em Bragança. Em termos decorativos, os dois primeiros níveis de arcadas cegas, têm os vãos sobrepostos, enquanto no terceiro estes são desencontrados. Os frisos em dentes de serra do exterior sob os telhados, repetem-se no interior em dois níveis sobrepostos (nos absidíolos intercalados com frisos de tijolos dispostos verticalmente e, na capela-mor, separados por arcarias cegas mais apertadas que as exteriores e sublinhadas por um único arco). Os frisos de tijolos, dispostos ora horizontalmente, ora verticalmente, nas mísulas que antecedem os arcos definidores das coberturas, formam jogos cromáticos com as superfícies de argamassas. Segundo Paulo Almeida Fernandes, a arcaria cega deveria também percorrer as paredes interiores das naves, visto ainda ser reconhecível o negativo de um desses arcos na parede que limita actualmente o adro pelo lado meridional. O mesmo autor acredita que o corpo da igreja seria seccionado por arcos diafragma, de que ainda existem os pilares de arranque junto aos absidíolos, seria mais elevada do que a cabeceira, comunicando com esta através de três altos arcos. Durante o desmantelamento do mosteiro diversos materiais foram reutilizados na Igreja Matriz de Bragança (v. PT010402420259). A reedificação da igreja reduziu o plano da igreja românica, limitando-se à largura da abside e posteriormente construiu-se uma sacristia inserindo o absidíolo esquerdo. O retábulo-mor foi reaproveitado, tendo vindo da igreja de São João, de Bragança. Obras do séc. 20 apearam o coro-alto, de estrutura muito simples, e o púlpito, adaptando o vão a oratório com o reaproveitamento de vários elementos de talha. Segundo F. Alves existem analogias entre o túmulo e um outro existente na Igreja de Malta ou do Divino Salvador, em Macedo de Cavaleiros (v. PT010405230025).

Planta longitudinal composta de nave única e cabeceira tripartida com abside e absidíolos, tendo adossado ao absidíolo esquerdo sacristia quadrangular. Nave com massa de predominante horizontal e cobertura em telhado de duas águas, e cabeceira de predominante vertical, com coberturas escalonadas em telhados de duas e uma água, a telha de aba e canudo; sacristia com telhado de uma água. A nave e sacristia apresenta fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas em cornija sobrepostas por beirado simples. Fachada principal terminada em empena, com friso e cornija, coroada por cruz latina de cantaria, sobre acrotério, e de cunhais apilastrados encimadas por pináculos, assentes em plintos paralelepipédicos; é rasgada por portal de verga recta, com moldura encimada por cornija contracurvada, formando falso tímpano de cantaria, encimado por janela rectangular de capialço. As fachadas laterais são rasgadas por janela de capialço, gradeada, e, na lateral direita, por portal de verga recta com moldura simples; a sacristia possui cunhal em perpianho, tendo na fachada principal portal de verga recta e moldura simples. A cabeceira, em alvenaria de tijolo e cantaria de xisto, é percorrida por embasamento em cantaria de xisto e rematada por friso em dentes de serra, cornija e banda lombarda, sobreposta por beirada; a abside apresenta três registos ornamentados por arcaturas de arcos dobrados, de volta perfeita, os dois primeiros sobrepostos e o último desencontrado, sendo rasgada, no primeiro registo, por três estreitas frestas; os absidíolos ostentam dois registos com ornamentação idêntica, rasgados por uma fresta, no primeiro registo. A abside e o absidíolo do lado do Evangelho possuem as paredes fundeiras exteriores rebocadas e pintadas de branco com arcos quebrados dobrados, em alvenaria de tijolo, entrecortados pela cobertura da nave e sacristia respectivamente. O absidíolo direito encontra-se aberto e ostenta parede fundeira rasgada por arco de volta perfeita, dobrado, sobre imposta, dando a ilusão de arco em ferradura; no interior tem embasamento, em cantaria de xisto de aparelho irregular, friso em dentes de serra, seguido de registo decorado com arcos de volta perfeita, o central dobrado e rasgado por fresta, terminado por dois outros frisos em dentes de serra, rematado por cornija; a cobertura é em cúpula de alvenaria de tijolo, apresentando vestígios de reboco e policromia. No lado da Epístola possui arcossólio em arco de volta perfeita e ao centro do absidíolo surge túmulo em cantaria de granito, paralelepipédico, com tampa de secção pentagonal com remate superior em 2 águas. INTERIOR de paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimento, ao centro, em lajes de cantaria de granito, ladeado por soalho de madeira e cobertura em madeira formando masseira. Portal axial de verga abatida; no lado do Evangelho, surge o baptistério, com arco de volta perfeita, de juntas cimentadas, apoiado em pilastras, uma delas embebida na caixa murária, albergando cruz de madeira decorada com resplendor dourado; frontalmente, sobre soco quadrangular de cantaria, dispõe-se a pia baptismal, com taça circular e pé circular. Sobre o soco existem três blocos de cantaria independentes, um deles ostentando decoração geométrica. Do lado da Epístola, possui confessionário com estrutura em madeira e cortiça, tendo a face frontal de três panos e sobre a porta pequeno frontão decorado com elementos relevados. A meio da nave, no lado do Evangelho, surge sobrelevado oratório, em talha dourada e policroma, em arco de volta perfeita, decorado com acantos enrolados e flores, e cartela no fecho, sobre duas pilastras com o mesmo tipo de decoração, sobre mísula ornada com três anjos policromos a branco; alberga peanha dourada e ornada com motivos fitomórficos. Segue-se portal de verga recta e moldura simples de acesso à sacristia e ao absidíolo do lado do Evangelho. Na parede do lado da Epístola a porta travessa, de verga recta, é ladeado, à esquerda, por pia de água benta cilíndrica, de bordo boleado sobre mísula em pirâmide invertida. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras toscanas, ladeado por dois retábulos colaterais, em talha dourada e policroma branca e azul,de planta recta, e um eixo, sendo o do lado do Evangelho dedicado a Nossa Senhora de Fátima e, o do lado da Epístola, ao Sagrado Coração de Jesus. Capela-mor com paredes laterais de dois panos, o primeiro em alvenaria de xisto, com duplo friso cerâmico criando quatro registos, e o segundo em alvenaria de tijolo, de dois registos sobrepostos, decorados por arcaturas cegas em arco de volta perfeita, encimados por friso em dente de serra; cobertura em falsa abóbada de berço, rebocada e pintada de branco com dois arcos de reforço em tijolo. Sobre supedâneo de três degraus, encosta-se à parede testeira o retábulo-mor em talha dourada, de planta ligeiramente côncava e um eixo, definido por seis colunas torsas, decoradas por pâmpanos e anjos, encarnados, assentes em dupla ordem de plintos paralelepipédicos, ornados de acantos enrolados e querubins, os inferiores mais altos; as colunas prolongam-se pelo ático, em três arquivoltas, com a mesma decoração e unidas no sentido do raio, rematado por friso formado por cartelas enroladas, possuindo no arranque dois anjos encarnados, e tendo no fecho cartela inscrita com a data de 1702; ao centro, abre-se tribuna em arco de volta perfeita, com moldura fitomórfica, interiormente de perfil curvo, com apainelados pintados a vermelho e cobertura em abóbada de concha, com apainelados em talha dourada, decorada com florões, albergando trono poligonal de dois registos, decorado de acantos, integrando ao centro sacrário, com a inscrição IHS e cruz latina em cartela na porta, envolvida por acantos enrolados. Altar tipo urna, em talha a branco, com frontal almofadado, decorado com acantos enrolados envolvendo, ao centro, ave. A sacristia tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento cerâmico e tecto em gamela com estrutura de madeira. Num dos lados possui porta precedida de escada de pedra com guarda de madeira de acesso ao antigo púlpito e, no lado oposto, lavabo em cantaria, de espaldar rectangular, vertical, gravado com motivo inserido num círculo, encimado por reservatório, em arco de volta perfeita, moldurado, terminado em frontão triangular com tímpano inscrito por IHS, encimada por cruz; bacia rectangular, de bordo boleado. O absidíolo, em alvenaria de tijolo, apresenta as mesmas características da capela-mor, tendo abóbada com um arco de reforço.

Materiais

Torre, molduras dos vãos, pilastras, friso, cornijas, pavimento, cruzes, pináculos, figuras zoomórficas, baptistério e lavabo, em cantaria de granito; cabeceira, segmentos de cerca e residência paroquial em alvenaria de tijolo e de xisto; alvenaria mista argamassada nas paredes externas do absidíolo do lado do Evangelho, nas paredes interiores da capela-mor e na casa vernacular adossada à torre; retábulos, oratório e atril de talha dourada e policroma; soalho de madeira na nave, de cantaria na capela-mor e cerâmico na sacristia; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; telha de aba e canudo; portão de ferro.

Observações

*1 - Segundo F. Alves (1929), o túmulo deve ter sido de um membro da família de Chacim, devido à identificação de uma banda de arminho gravada, contrariando a corrente, fundada por Frei Leão de São Tomás (1644-1651), então generalizada, que, defendia ter sido sepultura do Conde de Ariães. Este nome teve origem na associação com a Ribeira de Ariães, com nascente na Serra de Nogueira e foz na Ribeira de Fervença, de que é afluente. O título de conde de Ariães, segundo M. Barroca (1996), remete para uma personagem fictícia, ainda que considere que poderá ter existido uma figura da alta nobreza que estivesse associado a esta designação. Aliás existe mesmo uma lenda relacionada, narrada com algumas variantes, mas segundo a qual, certo dia, um conde, depois de ter estado a montar, regressou a casa, ofendeu sua mãe por não ter a ceia pronta e atirou-a a cães famintos que habitavam no pátio do castelo. Por ter cometido este acto cruel, diz-se que foi sepultado juntamente com uma cobra que criara. Mário Jorge Barroca (1996) identificou D. Nuno Martins de Chacim como o destinatário do túmulo, pensando que teria sido executado depois de 1262, pertencendo provavelmente a D. Nuno de Chacim, falecido entre 1283 e 1288. *2 - Alguns autores atribuem a sua fundação a São Frutuoso, arcebispo de Braga, no ano de 667, o que foi desmistificado por D. Rodrigo da Cunha, na História Eclesiástica de Braga (1634). Segundo Ana Maria Afonso (2000), a fundação do mosteiro pode ser incluída no movimento do monaquismo visigótico, ou hispânico, centrado, sobretudo, no Mosteiro de Dume, atendendo ao local da sua implantação, pois nessa época preferiam-se os vales dos rios, onde se desenvolviam os principais núcleos urbanos, justificando o facto de, na sua maioria, se tratarem de mosteiros familiares, portanto dependentes da localização dos bens das famílias. Neste período observavam-se as normas monásticas de Santo Isidoro ou de São Frutuoso, além das normas do direito eclesiástico (Concílios de Lérida, 546; Toledo, 589, 633, 655; Sevilha, 619, entre outros). A partir de 1080, com a difusão da reforma gregoriana e da regra de São Bento, pelos monges de Cluny, alguns mosteiros foram extintos e, outros, adoptaram estas normativas, como é o caso do Mosteiro de São Salvador. Neste caso, optou-se pela regra de São Bento, o que significava a adopção dos costumes cluniacenses, porém não usufruindo de autonomia relativamente à autoridade episcopal, mas sim colaborando com a mesma. Observância que terá sido interrompida durante o período em que o mosteiro esteve sob a jurisdição do Mosteiro de São Martinho da Castanheira, exercendo um papel relevante na economia e no desenvolvimento da região, sobretudo durante o século 13. *3 - Inicialmente, a casa dos monges beneditinos localizava-se noutros terrenos próximos dos actuais, contudo houve necessidade de ampliar o mosteiro e procedeu-se à demolição da Ermida de São Salvador (A. D. B. G. C., Tombo do mosteiro de Castro de Avelãs, Lv. 76, fl. 4), da qual não restam quaisquer vestígios. *4 - A sucessão dos abadessados foi: 1178 / 1187 - abadessado de D. Mendo Alão, durante o qual o mosteiro recebeu a filha do Rei da Arménia e sua comitiva; 1192 - era abade D. Martinho; 1199 / 1202 - era abade Frei Pedro Nunes; 1210 - era abade D. Miguel; 1221 - era abade D. Lourenço Rodrigues; 1227 / 1270 - era abade Frei Frutuoso; 1285 - era abade Frei Pedro Sanches; 1287 - era abade Frei Pelágio, ou Paio; 1319 - era abade Frei Martinho Pais, que com D. Dinis fez escambo de algumas aldeias; 1344 - era abade Martinho Pelágio; 1350 - era abade Frei Martinho Lourenço; 1378 - era abade D. Gonçalo Eanes; 1384 - era abade D. Aires (?) Lourenço; 1400 - era abade D. Frei Luís Eanes que aforou a aldeia de Arufe, por três vidas; 1402 - faleceu o abade Frei João; 1402 - os monges ultrapassaram o prazo para nomeação de novo abade, pelo que D. Martinho, Arcebispo de Braga, confirmou "Jure devoluto" Frei Pedro como abade de Castro de Avelãs; 1402 / 1433, entre - era abade Frei Pedro; 1403 - era abade D. Paio; 1405 - era abade D. Pedro; 1433 / 1451, entre - abadessado de D. Frei Rodrigo; 1451, Janeiro / 1454, entre - abadessado de Frei Luiz Eanes-o-moço; 1463 / 1478 - abadessado de Frei Luís Eanes de Madureira; 1490 - era abade comendatário D. Diogo Pinheiro, sendo seu procurador Lopo Ferreira; 1530 - era comendatário D. Paulo Pereira; 1545 - abadessado de D. Diogo Pinheiro; este foi figura notável, filho do Dr. Pêro Esteves e de Isabel Pinheiro, (sepultados na capela da torre da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães), falecido em 1526 e sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, onde foi vigário. Os seus pais foram os fundadores da linhagem dos Pinheiros de Barcelos, possuindo casa nobre construída em 1448 e eram devotos da Casa de Bragança, à qual deviam a sua prosperidade económica e social. D. Diogo Pinheiro distinguiu-se pela notabilidade do seu abadessado, tendo inclusivamente procedido a algumas obras na igreja, embora tenha desempenhado outras funções de destaque, nomeadamente, de Bispo do Funchal, de Comendatário dos Conventos de São Bento de Viana, do Carvoeiro e da Junqueira, de Prior de Guimarães, de Desembargador do Paço, de Defensor de D. Fernando II, Duque de Bragança; 1546 - era abade Frei Francisco Correia; séc. 16, 2ª metade - foram abades do mosteiro D. Paulo Pereira e o Cardeal D. Henrique. *5 - Era proprietário de Argoselo, metade da vila de Babe (partilhando-a com a Ordem do Hospital), Castanheira, dois casais em Crespos, um casal foreiro do rei em Formentãos, dois casais menos um terço em Formil, Gostei (vila filhada pelo mosteiro), um casal adquirido durante o reinado de D. Sancho II em Izeda, um vilar velho em Lamas de Orelhão, a vila e igreja de Milhão, padroado da igreja de Mós, um casal em Negreda, quatro quinhões em Nunes, vila e igreja de Outeiro, Pinelo, uma herdade reguenga em Rebordãos, doada durante o reinado de D. Sancho II, padroado da igreja de Santo André de Ousilhão, com foreiros do rei e outros cavaleiros, um quarto de casal em Santa Comba de Rossas, um casal em Samil (filhado pela força em 1254), Santulhão, a vila de Sarzeda (excepto quatro casais), uma herdade e dois casais em Selas, um casal em Serzedo, Sezulfe (vila filhada pela força), dois terços de Sortes, dois casais em Travanca, um casal em Uzoi, um vale em Vale Bom, uma herdade em Veiga de Avelãs (colocou marcos numa herdade foreira do rei, quando D. Afonso Lopo era proprietário), Vilar de Sanceriz, Vilares (no reinado de D. Sancho II, os juizes de Bragança queriam povoar a vila, mas o abade ofereceu dinheiro para que isso não acontecesse e ficasse na posse da mesma). Nas Inquirições de D. Dinis os bens do mosteiro são compostos por seis casais em Alfaião, seis casais em Armoniz, um casal e uma herdade em São Bartolomeu de Bragança, co-propriedade de Calvelhe, com fidalgos, Ordens do templo e do Hospital, dois casais em Castrelos, um casal em Edrosa, co-propriedade de seis casais, com fidalgos e a Ordem do hospital, em Ferreira, seis casais em Fomil, catorze casais em Izeda, cinco casais em Lamas, seis casais em Lamas de Orelhão, quatro casais em Moás, dezassete casais em Negreda, cinco casais e um herdamento em Ousilhão, catorze casais em Penhas Juntas, co-propriedade de seis casais em Rebordainhos, com o arcebispo de Braga e a Ordem do Hospital, uma herdade em Rio Frio do Monte, quatro casais em Rossas, dois casais em Sabariz, um casal em Samil, a povoação de Sesulfe, dois casais em Teixeda e dois casais em Vinhais. Em 1435 os bens do mosteiro eram compostos por uma quinta em Alfaião, dois casais em Alimonde, a povoação de Arufe, toda a povoação de Cabanelas, dois casais em Castelãos, sete casais em Selas, dois casais mais um quarto de casal em Coelhoso, um casal em corujas, um casal em Crastelos, uma quinta em Castro de Cova de Lua, cinco casais em Donai, cinco casais em Edrosa, a povoação de Ervedosa, um casal em Espadanedo, um casal em Fontes, quatro casais em Formil, a povoação de Grandais, um casal em Grijó, seis casais em Guide, duas partes da aldeia de Lagomar, sete casais em Lamas de Podenca, um casal em Lação, um casal em Meixedo, a povoação de Milhão, dez casais em Mós, dez casais em Negreda, dez casais em Nogueira, oito casais em Nunes, um casal em Oleiros do Sabor, cinco casais em Ousilhão, a povoação de Paçó, as povoações de Paradinha a Nova e Paradinha Velha, um casal em Penhas Juntas, um casal em Rabal, a povoação de Rio Frio, oito casais em Salselas, uma quinta em Samil, três casais em Santa Comba de Roças, a povoação de Sarzeda, sete casais em Selas, um casal em Serzedo, a povoação de Sezulfe, dez casais em Sortes, as povoações de Soutelo de Pena Mourisca, Vale de Prados Viduedo, Vila Franca e Vila Nova, sete casais em Vila Boa, sete casais em vila Boa de Trás-os-Montes, dois casais em Vinhais e um casal em Zoio; o corregedor determinou que D. Duarte, Duque de Bragança, não podia reclamar privilégios nos casais do arcebispo e vice-versa; Entre 1501 /1514, os bens do mosteiro reuniam um moinho, oito casais (um ermo) e uma terra em Nogueira, um casal em Fontes Barrosas, uma herdade, um linhar, uma eira, uma casa um pardieiro e cinco títulos em Frieira, quatro terras, uma cortinha, uma leira, onze casas, um pardieiro, dois moinhos e vinte títulos em Bragança, cinco casais em Formil, quatro casais e três moinhos em Vila Nova, dois casais em Sarzeda, um casal em Alimonde, três casais em Vila Boa, um couto em Capelinhas (antiga povoação agora erma), uma igreja e oito casais em Lagomar, oito casais e quatro terras em Sortes, dois casais em Edrosa, sete casais em Nunes, três casais e dois moinhos em Santa Comba de Rossas, um casal em Espadanedo, cinco casais em Lamas de Podence, três casais e um moinho em Gradíssimo, dois casais (ermos) em Samil, um casal em Castelãos, um casal em Vinhais, uma igreja (S. Martinho de Alfaião) e dois casais em Alfaião, duas terras, uma vinha, dois linhares, duas leiras, uma casa, um celeiro, um curral, uma adega e onze títulos em Outeiro, dois casais (um ermo) em Crastelos, cinco casais em Donai, uma igreja (S. André de Ousilhão) e um casal em Ousilhão, uma igreja (S. André de Meixedo) e um casal em Meixedo, um casal em Oleiros do Sabor, uma herdade, uma terra, uma vinha e três títulos em São Pedro, um casal em Rabal, uma igreja (S. Miguel de Paradinha a Nova) e quatro casais (ermos) em Paradinha a Nova, um couto, uma igreja (Grandais) e um casal em Grandais, um couto em Paçó, um couto em Refega, um couto em Vale Prados de Milhão, um couto, uma igreja (Rio Frio) e dois títulos em Rio Frio, um couto em S. Mourisco, um couto em Valongo, um couto em Penhas Juntas, um couto (antiga granja) e um título em Ermida de Santa Engrácia, um couto em Milhão, um couto, uma igreja e um título em Paradinha, um couto e uma igreja (Sarzeda) em Sarzeda, um couto em Izei (antiga povoação erma) além de, diversas casas em Bragança, a Ermida de Santa Engrácia em Vinhais, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Samil, a igreja de Santa Maria de Lamas de Podence e a Igreja de Lagomar. *6 - "Depois de juntos os frades em capítulo, ao som da campa tangida, os procuradores do cabido mirandez, leram, magna voce, e mostraram-lhes a procuraão do dito, assim como a bula pontifícia, de verbo ad verbum. Com reverência ouviram as leitura e no fim tomaram as bulas nas mãos, beijaram-na e puseram-na sobre as cabeças, declarando que a tudo obedeciam, como lhes cumpria. A seguir, o notário deu posse do mosteiro e da igreja dos procuradores. Continuaram os monges no convento, a seu pedido, como depositários, em nome do bispo de Miranda". *7 - Existem referências a vendas de toalhas e panos de igreja, de ladrilhos, a Gonçalo Rodrigues, de Vila Nova; ao pagamento de dívidas recorrendo a materiais da igreja, como os casos de Catarina Vaz de Vila Nova, cujo pagamento de um tostão foi feito em madeira, ou, uma Beatriz, da Castanheira, que recebeu madeira, traves e tirantes, usados depois numa casa entre Castanheira e Nogueira; os foreiros do mosteiro também eram pagos desta forma, referindo-se por exemplo um foreiro que havia feito um forno com ladrilhos do mosteiro e, em troca, levara 7 ou 8 pedras lavradas e uma porta para a sua casa; Pantaleão de Morais de Nogueira mandou levar para sua casa madeira do mosteiro; Pedro Lopez, licenciado, levou um portal de cantaria, que foi reutilizado na casa do licenciado Manuel Gomez; João Cortez de Castanheira levara dois cravos do mosteiro; João Vaz de Formil levara cinco ou seis ladrilhos; Pedro Pirez levou uma tábua, que transformou em palheta para um moinho e três cravos pequenos; para a casa de Gonçalo Teixeira, em Gostei, teria sido levado um portal; Manuel Morais possuía em casa uma pedra com sua medalha; o paço dos abades e as casas do mosteiro também foram delapidados; madeira e outros materiais foram reutilizados no colégio de São Pedro (madeira, cantaria e grades da sacristia), Colégio dos Jesuítas (uma campa) no Convento de São Francisco, na Igreja de Santa Maria (madeira e ladrilhos), na Igreja de São Jorge, no Convento de Santa Clara (onde se usou madeira e uma portada). Os materiais desviados tiveram também os mais diversos fins: para os pés de um órgão, para poder tocar nas procissões; para a essa do duque, obséquias feitas no convento de São Francisco, ficando depois a madeira para os frades que com ela fizeram um dormitório, para os palanques e tabernáculos de uma tourada que se realizou quando o duque veio de África, etc. *8 - A inscrição do túmulo, ainda no interior da igreja, foi publicada por Francisco Xavier Ribeiro de São Payo nas Memórias da Litteratura Portugueza: ERA DE MIL E CCC E. *9 - Segundo Pinho Leal a lápide tinha a inscrição D. DIOGO PINHEIRO, BISPO DO FUNCHAL, ADMINISTRADOR D’ESTE CONVENTO, MANDOU FAZER ESTA OBRA; numa credencia, em mármore, colocada no altar-mor, do lado da Epístola, lia-se DEO AETERNO ORDO ZELATUR EX VOTO.