Quinta e casa nobre renascentista, maneirista, barroca, neoclássica, cuja estrutura actual enquadra-se nos padrões da arquitectura senhorial regional, com alguns tópicos que a remetem para influências mais urbanizadas, lisboetas. Quinta de Recreio de caracterização estilística renascentista e barroca, contendo jardim, mata e campos agrícolas; as características renascentistas concentram-se essencialmente no pátio da cisterna, na sua disposição e enquadramento. As características barrocas estão patentes nos elementos construídos ricamente ornamentados do como bancos e elemenmtos de águas; é ainda notória a estrutura de buxos característica deste estilo.
Planta composta pelo palácio e quinta murada. Palácio de dois corpos, de planta rectangular, de dois pisos, estruturados por eixos longitudinais perpendiculares, orientados respectivamente no sentido E-O e N-S, encontrando-se e unindo-se no topo SO. e encaixando no quadrado o pátio adjacente ao jardim, acabado de delimitar por cerca altaneira. Cobertura diferenciada para os dois corpos, em telhados de quatro águas, de ténue pendendente. A fachada principal, orientada a O., rematada nos cunhais por fortes pilares de silharia granítica, dispõe-se em dois registos; o primeiro é marcado pelo pórtico, de moldura esquadriada de mármore, rematado por arquitrave de profunda moldura, padrão aplicado a todos os vãos da frontaria, flanqueado por alinhamento de portas e janelas de peitoril; o segundo é rasgado por alinhamento de 6 varandas de sacada. As restantes fachadas repetem sensivelmente esta disposição e na fachada O., virada para o jardim, rasga-se no primeiro registo o amplo vão da porta dos carros. Ao jardim dá acesso imponente pórtico de composição apilastrada, rasgado no paramento N. da cerca. No interior, agora em ruínas, imponente fonte obelisco de mármore.A Quinta é limitada por muro com acesso principal por imponente portão barroco, datado de 1770. A ligação do palácio ao exterior tem início no PÁTIO DA CISTERNA, de forma rectangular, limitado por muro alto, sem contacto visual com o resto da quinta. Adossado aos muros, banco corrido com alegretes e no meio do pátio, quatro canteiros de desenho rombóide. Este espaço tem ligação, a S:, ao PEQUENO JARDIM, também murado. O muro a S. apresenta duas janelas cegas com molduras e estuque. O muro, a E., é mais baixo que os outros permitindo avistar o resto da quinta e apresenta alegretes alternados com "caixotões". Junto a portão deste muro, existe tanque de forma oval com repuxo ao centro. Passando o portão, surge ALAMEDA, paralela ao edifício, limitada por muros de suporte onde se inserem alegretes e com acesso, por escadarias dispostas simetricamente, ao POMAR de laranjeiras, que constitui a zona mais baixa da quinta. Aqui se desenvolve um sistema de caleiras que funciona por gravidade devido ao declive suave e tem uma nora de forma circular como elemento base. No alinhamento da escadaria está implantada uma fonte-obelisco, no cruzamento de caminhos de buxo. Este elemento é constituído por taça circular tendo ao centro pedestal de planta quadrada ornamentado com quatro caras que, pela boca, jorrariam água recolhida por taça em forma de concha. Este pedestal assenta numa base de calhaus de basalto que receberiam a água transbordante da concha em efeito de cascata. Sobre o pedestal, pirâmide com 9m de altura, tem pinha no vértice e base quadrangular ornamentada com inscrições latinas nas faces. Grande parte da propriedade apresenta construções recentes de apoio a actividades da Santa Casa da Misericórdia com perca de leitura do traçado original. São estas construções: o Lar, a Lavandaria, o Depósito de gás, o Edifício de serviços administrativos, o Alpendre, o Infantário, o Parque infantil e a Casa da bomba de água. Dos edifícios existentes permanecem as antigas Cocheiras, no limite S., os Anexos, a SE. voltados à R. Por Trás do Jardim e a Casa da Guarda.
Materiais
Alvenaria, silharia granítica, cantaria de mármore
Observações
Edifício com grande valor histórico-cultural, pois nele se sediaram importantes empreendimentos culturais e literários, durante o Séc. 18. Em escandaloso estado de ruína e degradação progressiva, decorrente, entre outras causas, de ocupação imprópria. Da estrutura geral do paço quinhentista pouco resta.