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Fragas de Panóias

Fragas de Panóias

O ponto de interesse Fragas de Panóias encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Constantim e Vale de Nogueiras no municipio de Vila Real e no distrito de Vila Real.

Santuário rupestre galaico-romano, dedicado a Serápis, deus dos infernos ou dos Deuses "Severos", composto por três afloramentos rochosos onde se procedia a um ritual de iniciação com uma ordem sequencial e um itinerário entre si muito preciso: na primeira rocha eram sacrificadas as vítimas, fazia-se o sacrifício do sangue, a incineração das vítimas, o consumo da carne, a revelação do nome da autoridade máxima dos infernos e, por fim, a purificação; na segunda repetia-se a iniciação, mas num grau mais elevado, e, na terceira, o ponto mais alto do santuário, acorreria o principal acto da iniciação: a morte, o enterro e a ressurreição. Santuário dedicado ao deus dos infernos cujos rituais tinham forte influência oriental, em especial da Ásia Menor, onde se encontram vestígios desse culto. Sobre os rochedos erguiam-se templos, de que subsistem os entalhes nas rochas para o seu assentamento. A rocha nº 1 apresenta várias inscrições gravadas em cartelas, em latim e grego, aludindo à sagração do local e aos próprios procedimentos rituais e a rocha nº 3, em local que domina o conjunto, tem a particularidade de apresentar uma disposição dos tanques que denuncia uma sobreposição de estruturas, num momento mais avançado da utilização do sítio. Nos rochedos existem cavidades distintas que serviam para queimar as vísceras, assar a carne e limpar o sangue, a gordura e o azeite, bem como outras onde eram guardados os instrumentos sagrados usados nos rituais.

Santuário rupestre, conservando três grandes rochedos nos quais estão talhadas várias cavidades de formato rectangular, de diferentes tamanhos, pias circulares, e escadas de acesso, existindo num dos rochedos inscrições. A rocha nº 1 situa-se à entrada do recinto, na extremidade S. do santuário, e possui quatro inscrições gravadas, uma delas em grego, aludindo à consagração do recinto por G. C. Calpurnius Rufinus à principal divindade dos deuses do inferno, Serápis, bem como aos deuses dos Lapitae, ou seja, aos deuses da comunidade indígena existente na região, e dando orientações sobre o procedimento ritual. Para a rocha subia-se por vários degraus, existindo à esquerda das escadas uma inscrição, e na sua superfície existem várias cavidades: umas rectangulares onde se queimavam as vísceras dos animais sacrificados, umas pequenas circulares onde se vertia o sangue e uma cavidade circular maior, disposta atrás da terceira inscrição, em grego, onde se assava a carne da vítima, que era consumida no local, em frente da divindade Gastra. A última inscrição indica que numa das cavidades o iniciado se purificava do sangue, gordura e azeite com que se tinha sujado. A rocha nº 2 e a nº 3, a mais elevada, com cerca de 3,5 m, e disposta na extremidade N., junto à qual existe estrutura moderna em ferro para observação da sua superfície, com escadas e rampa de acesso, possuem igualmente degraus entalhados até ao topo e as diferentes cavidades rectangulares, que serviam para queimar as vísceras, uma cavidade circular - a gastra - para assar a carne e uma outra onde se procedia à limpeza do sangue, gordura e azeite. Em cada um dos três afloramentos rochosos existem vestígios dos entalhes para o assentamento dos alicerces dos templos rectangulares que se deverão ter erguido sobre estes, tipo de estruturas aliás referidas em duas inscrições, bem como outras cavidades destinadas a guardar os instrumentos sagrados usados nos rituais.

Materiais

Granito.

Observações

*1 - Nas imediações do Santuário foi encontrada uma inscrição bem como cerâmica de construção e pedras lavradas.