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Solar dos Silveiras

Solar dos Silveiras

O ponto de interesse Solar dos Silveiras encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Poiares e Canelas no municipio de Peso da Régua e no distrito de Vila Real.

Arquitectura residencial, tardo-barroca. Solar de planta rectangular, com fachadas de um ou dois pisos adaptados ao socalco do terreno, de pilastras toscanas nos cunhais e terminadas em duplo friso e cornija, sendo rasgadas regularmente por vãos rectilíneos. Fachada principal de um piso rasgado por portal encimado por bandeira vazada, interiormente com os lados curvos, cornija e frontão de volutas interrompido, e seis janelas de peitoril de igual esquema. Fachada lateral esquerda e posterior com os pisos separados por friso, rasgando-se no térreo janelas de peitoril com pano de peito em cantaria, encimadas por friso e, no andar nobre, por janelas de sacada, com bandeira vazada de lados curvos, sobrepujados por frontões triangulares. Interior com vestíbulo descentrado, tendo as salas viradas à fachada principal e os quartos à posterior. Solar construído em finais do séc. 18, ou já no início do 19, mas seguindo o esquema setecentista. Alguns elementos, como as argolas ritmando o friso do remate das fachadas, ou o perfil da moldura das janelas de sacada da fachada posterior, com os frontões bastante afastados, aponta para a sua construção ou reforma durante a centúria de oitocentos. Os vãos entre os frontões da fachada posterior devem ter sido abertos posteriormente, assim como tardia será a adaptação do piso térreo a quartos. Possui capela ladeando o vestíbulo. O corpo adossado com a cozinha é incaracterístico.

Planta rectangular simples com cobertura homogénea em telhados de quatro águas, coroados por dois pináculos cerâmicos. Fachadas de um ou dois pisos, adaptados ao declive do terreno, rebocadas e pintadas de branco, com vestígios de pintura rosa subjacente, com embasamento de cantaria, pilastras toscanas nos cunhais e terminadas em duplo friso, o mais largo ritmado por argolas de ferro, e cornija, sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a NO. de apenas um piso, rasgada no embasamento por vãos rectangulares jacentes de arejamento e por sete vãos, sendo um o portal principal, de verga recta, encimado por bandeira vazada lateralmente curva, sobreposta por cornija e frontão de volutas interrompido, e os restantes seis janelas de peitoril, molduradas e igualmente encimadas por bandeira vazada sobreposta por cornija e frontão de volutas interrompido; todas as bandeiras vazadas possuem gradeamento em ferro e as janelas têm caixilharia de duas folhas, decoradas com elementos vegetalistas, e bandeira envidraçada. Fachada lateral esquerda e posterior de dois pisos separados por friso, abrindo-se no primeiro janelas de peitoril, com molduras envolvidas por pano de peito liso, e, superiormente, friso com fresta de arejamento, interligando-se aos vãos do andar superior; aí abrem-se janelas de sacada, de verga recta encimadas por bandeira vazada, lateralmente curva e sobreposta, num plano afastado, por frontões triangulares; as sacadas assentam em duas mísulas, possuindo a meio friso com dois losangos relevados, e apresentam guardas em ferro. Na fachada posterior, entre os frontões e sob o remate da fachada, abrem-se ainda quatro vãos quadrados, moldurados e gradeados. Os vãos da fachada lateral esquerda estão tapados e parcialmente ocultos pelas construções adossadas, que correspondem à cozinha e a outras zonas de serviço. Na fachada lateral direita abre-se porta de verga recta e moldura simples e, no segundo piso, janela de varandim a interromper o friso e cornija do remate. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas. O andar nobre, possui vestíbulo disposto no extremo da casa, seguido, para a esquerda, de salas, viradas à fachada principal e ao terreiro, e, no lado direito do mesmo, existe espaço destinado a Capela. Os quartos desenvolvem-se para a fachada posterior. Nos pisos inferiores outros compartimentos constituíam alas de quartos.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito rebocada e pintada; molduras dos vãos, pilastras, frisos e cornijas em cantaria de granito; paredes interiores com acabamento a reboco estanhado; pavimentos em soalho de madeira; tectos em estuque; escadaria em madeira; porta, caixilharia e portadas em madeira; vidros simples; grades, argolas, guardas das varandas e portão de entrada em ferro pintado; cobertura de telha.

Observações

*1 - Francisco da Silveira foi moço-fidalgo com exercício na Casa Real e fidalgo-cavaleiro; 9.º senhor donatário das Honras de Nogueira e S. Cipriano; senhor do morgado do Espírito Santo na vila de Canelas; comendador de Santa Marinha de Rio Frio da Carregosa, no bispado do Miranda, na ordem de Cristo; grã-cruz da ordem de Cristo, da antiga ordem da Torre e Espada, e da ordem militar de S. Fernando e Mérito da Espanha; tenente general do exército e governador das armas da província de Trás-os-Montes, durante o período da invasão francesa. O conde de Amarante era condecorado com a medalha de sete campanhas da guerra peninsular, com as medalhas inglesas e espanholas por acções e batalhas durante a mesma guerra, e com a cruz de ouro de comando. Teve três filhos: Manuel da Silveira Pinto da Fonseca, que foi 2.º conde de Amarante e 1.º marquês de Chaves, tendo tomado parte activa na Guerra Peninsular e nas lutas civis de 1823, 1826 e 1827; Miguel da Silveira, 2.º tenente da armada real que morreu assassinado no antigo Colégio dos Nobres; e D. Mariana da Silveira, que foi a 1.ª viscondessa de Várzea, por ter casado com o 1.º visconde daquele título, Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca.