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Povoado castrejo de Álvora

Povoado castrejo de Álvora

O ponto de interesse Povoado castrejo de Álvora encontra-se localizado na freguesia de União das freguesias de Alvora e Loureda no municipio de Arcos de Valdevez e no distrito de Viana do Castelo.

Aglomerado proto-urbano. Povoado da Idade do Ferro com ocupação anterior da Idade do Bronze final e com posterior ocupação romana. Povoado fortificado / castro. É um dos mais modestos castros do concelho de Arcos, mas teve alguma importância no contexto territorial (AGUIAR, 1979).

Povoado com diversos sistemas defensivos descritos por Félix Alves Pereira como consistindo em muralha, 2 escarpas e 1 banqueta circundando-o em quase toda a sua circunferência, excepto a noroeste, onde se fazia ligação com os terrenos limítrofes. Aí começa a elevar-se a banqueta de terra com 1 declive moderado até sobressair nitidamente sobre o relevo da primeira escarpa. No cume parecem reconhecer-se vestígios de construções que, na sua maioria, deveriam ser circulares. Nos rochedos que se julga terem pertencido ao sistema defensivo encontram-se fossetas em 3 grupos distintos: 1) 6 de pequenas dimensões e pouco profundas, num grande rochedo, a S. do castro e voltadas a S.; 2) 2 cavidades interligadas por curto rêgo, num penedo a E. estando voltadas a N.; 3) 1 cavidade grande, situada e virando-se a N. Num outro penedo encontrou-se gravado cruz latina, com os 2 braços desiguais e tendo covinhas nas suas extremidades.

Materiais

Granito

Observações

Localizado no litoral, à beira-rio, e com condições defensivas privilegiadas, quer do ponto de vista defensivo, devido aos acessos difíceis, quer pela facilidade de contacto com os outros castros vizinhos e que deste se divisavam, como de Eiras, o de Aboim, o de Loureda, etc. Apesar de bastante destruído e de inexistência de escavações sistemáticas, já foi detectado uma ocupação anterior à Idade do Ferro, provavelmente do Bronze Final, e parece ter tido o seu término com a romanização, por volta do séc. 4. O espólio recolhido não difere substancialmente do de outros castros e pode classificar-se em material lítico, objectos de cerâmica e de metal. Se não fossem os desastrosos curiosos e caçadores de tesouros, o espólio cerâmico, muito abundante, estaria bem conservado, pois as superfícies de fractura são recentes.A cerâmica sendo o produto da actividade humana mais frequente nos castros, é aqui muito variada, não só no que diz respeito à sua parte (muito fina, fina, grosseira e muito grosseira), mas também quanto à coloração (branca acinzentada, cinzenta, preta e vermelha). Ainda que a maioria não seja decorada, alguns são-o-os com motivos frequentes em estações congéneres. Deste últimos destacamos fragmento com grafito inciso e o que tem 2 figuras em relevo. O espólio numismático é também numeroso: 54 moedas romanas identificadas, 1 de D. João V (1734), 43 romanas parcialmente danificadas, mas não permitindo identificação segura e 41 totalmente danificadas. As telhas romanas tão comuns noutros castros não são aqui muito abundantes à superfície, o que se poderá explicar pelo pequeno tamanho do povoado que, consequentemente, deveria ter poucas casas. Quanto à cruz gravada num penedo, tal como no castro da Curalha, parece haver relação entre os pontos cardeais e a sua orientação.