Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, rococó e neoclássica. Convento franciscano capucho de que apenas subsiste a igreja e uma ala do antigo claustro, anexa à primeira, ao lado esquerdo, formando uma planta rectangular. A igreja tem planta longitudinal com nave, antecedida por galilé, para onde abre uma capela profunda e capela-mor mais estreita, com coberturas em falsas abóbadas de berço, pintadas com temática franciscana e estucadas, iluminada homogeneamente por janelas rectilíneas rasgadas em ambas as fachadas laterais. Fachada principal com remate em frontão triangular sem retorno, rasgado por janelão, de feitura tardo-barroca, com acesso à galilé por arco de volta perfeita com aduelas almofadadas, encimado por janela rectilínea. No interior, coberto em abóbada de aresta, surge o portal de verga recta, tendo, nas paredes laterais e confrontantes, dois vãos de verga recta e moldura de cantaria, correspondentes à portaria, no lado esquerdo, e a Capela do Senhor dos Passos, no lado oposto. No lado esquerdo, surge o campanário, de dois registos, o inferior com janelas rectilíneas em capialço e, no segundo registo, uma sineira em arco de volta perfeita, rematada por friso, cornija e pináculos de bola. Interior com revestimento em silhares de azulejo de figura avulsa, tendo coro-alto em asa de cesto, sustentado por pilares toscanos, onde surge o cadeiral com assentos fixos e braços volutados, encimados por espaldar com vestígios de pintura; no lado da Epístola, a tribuna assente em mísula, do órgão, em talha dourada, do estilo barroco, composto por castelos e nichos nas ilhargas, rematado por "putti" e folhagem vária. No mesmo lado, uma estrutura retabular neoclássica, de planta recta e um eixo, semelhante ao que se implanta na Capela de Nossa Senhora das Dores, bastante profunda. No lado opsoto, quatro confessionários embutidos no muro, de vãos rectilíneos e o púlpito, quadrangular, sobre mísula e guarda plena, de talha pintada tardo-barroca. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por dois retábulos de talha dourada de estilo nacional, o mesmo que surge no retábulo-mor, também em talha dourada e com três eixos. Sacristia com arcaz seiscentista com espaldar de estilo rococó, que tem acesso por pequena Via Sacra, onde se implantam as antigas Escadas das Matinas, de acesso ao segundo piso, ao corredor do coro-alto. Os vãos possuem sanefas de talha dourada e policroma tardo-barroca.
Convento antigo, de que subsiste a igreja e uma ala da zona regral, de planta rectangular simples, com igreja de planta longitudinal, composta por nave, antecedida por galilé, e capela-mor ligeiramente mais estreita, com uma ala do convento e sacristia, rectangulares adossados a S., e capelas laterais, também rectangulares, adossadas a N., de volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e uma águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento em cantaria e remate em beirada simples. Fachada principal *1 virada a E., enquadrada por cunhais com pilastras almofadadas, sobrepujadas por pináculos de esfera sobre plintos paralelepipédicos, rematadas por friso e cornija, que suportam frontão triangular sem retorno, com cruz latina no vértice e tendo o tímpano rasgado por janelão recortado com moldura de cantaria. Possui acesso à galilé através de arco abatido com moldura em aduelas almofadadas, protegido por grade em ferro forjado, encimado por janela rectilínea com moldura simples e pano de peito, ladeada por dois nichos em arcos de volta perfeita e abóbada de conchas, assentes em mísulas, contendo as imagens de pedra pintada de São Bento e Santo António. Na galilé, rebocada e pintada de branco, com silhares de azulejo de figura avulsa, com cobertura em abóbada de aresta e pavimento em lajeado de granito, surgem confrontantes duas portas de verga recta e moldura simples, a do lado esquerdo constituindo o acesso à antiga portaria *2, com a data inscrita de 1674 e a sigla "IHS" inscrita numa das almofadas da folha, correspondendo a oposta, à Capela do Senhor dos Passos, protegido por portada de madeira, iluminada por lâmpada metálica e possuindo uma caixa de esmolas de madeira. Fronteira, o portal axial, de verga recta e moldura simples em cantaria, com duas folhas de madeira almofadadas. No lado esquerdo, ligeiramente recuado, o campanário de dois registos separados por friso e cornija, o inferior com janela rectilínea e o superior com sineira em arco de volta perfeita, rematado por friso, cornija e pináculos de bola, semelhantes ao da fachada. Fachada lateral esquerda, virada a S. com seis janelas jacentes no anexo e sacristia, surgindo uma janela rectilínea a iluminar a capela-mor e outra na nave; o anexo possui porta rectilínea de acesso ao exterior. Fachada lateral direita, virada a N. com duas janelas rectilíneas a iluminar o corpo da capela-mor e uma na nave. Fachada posterior com a empena cega da igreja e duas janelas jacentes rasgadas no corpo da sacristia, mais recuado. INTERIOR da nave rebocado e pintado de branco, percorrido por silhares de azulejo de figura avulsa, com cobertura em falsa abóbada de berço assente em cornija com vestígios de policromia e pavimento em taburnos de cantaria. A cobertura possui, sobre a sanca, um friso de estuque formado por acantos enrolados, que se alteiam equidistantemente, dando origem a figuras híbridas, surgindo, ao centro, um painel pintado rodeado por moldura de estuque, recortada e decorada por elementos fitomórficos, a representar São Francisco em retiro e oração. Os vãos possuem sanefas de talha pintada com lambrequins e elementos recortados, ornados por concheados. Coro-alto *3 assente em arco em asa de cesto, sustentado por pilares toscanos, com guarda vazada, em ferro, formando enrolamentos. No coro, subsistem duas fiadas do cadeiral, em madeira de castanho com assentos fixos e braços volutados, compondo 22 cadeiras dum total de 30, tendo, no espaldar vestígios de pinturas. A ladear o portal axial, duas pias de água benta em cantaria. No lado do Evangelho, quatro confessionários, parcialmente entaipados, mas que ainda servem na actualidade, possuindo estruturas volantes em madeira encerada; sobre estes, o púlpito quadrangular, com bacia ornada por marmoreados fingidos, assente em mísula estriada e com guarda plena, decorada por painéis decorados por motivos vegetalistas, com acesso por porta de verga recta. Ainda deste lado, um amplo vão em arco de volta perfeita e assente em pilastras toscanas, de acesso à ala conventual. No lado da Epístola, surge uma tribuna assente em mísula, onde surge o órgão de talha dourada e, ao lado deste, uma porta de acesso à antiga casa dos foles, que se desenvolve sobre a Capela do Senhor dos Passos. Ao lado deste, o retábulo dedicado a São Bento e um pouco afastada, a Capela de Nossa Senhora das Dores, com acesso por arco de volta perfeita, com as cantarias ostentando vestígios de policromia e de folhas de acanto. A capela é rebocada e pintada de branco, possuindo silhares de azulejo de figura avulsa e reaproveitamento de azulejaria figurativa, com cobertura em falsa abóbada de berço, também rebocada e pintada, rasgada por clarabóia, que ilumina o espaço. O arco está protegido por grades metálicas e, no fundo, retábulo de talha policroma e dourada *4. Junto a esta e fechando o espaço dos frades, as grades dos confessionários, formadas por elegantes colunas torsas, inscritas em molduras rectilíneas de madeira, que criam a estrutura fixa das grades, sobre as quais, nos topos, surgem confessionários volantes, fixos às paredes, formados por painel rectilíneo, ornado por pequenos botões, onde se inscreve o ralo, de perfil curvo, decorado por estrelas de seis pontas, inscritas em círculos, elementos fitomórficos, cruz latina e a sigla "IHS". Arco triunfal de volta perfeita, em cantaria de granito, encimado pro sanefão de talha recortada e vazada, com cartela central bipartida com as armas seráficas e as cinco chagas; sobre o arco, a representação de um Calvário, assente em mísulas e envolvido por drapeados fingidos pintados. Está ladeado por dois retábulos de talha dourada, dispostos em ângulo, dedicados a Santo António (Evangelho) e São Boaventura (Epístola). Elevada por um degrau a capela-mor, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em falsa abóbada de berço, assente em cornija de cantaria, possuindo, ao centro, um painel ovalado com a figura de São Francisco em oração, alimentado por um corvo, rodeado por elementos fitomórficos pintados, e duas cartelas com os símbolos do orago do templo, a mitra e o báculo; possui lambril de azulejos de figura avulsa. Sobre supedâneo de três degraus de madeira, o retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos, actualmente, por duas colunas torsas, decoradas por pâmpanos e sustentadas por atlantes, mas que seriam em número de quatro, as quais se prolongam em arquivolta, constituindo o ático. Ao centro, a tribuna desenvolve-se em arco de volta perfeita, rematada por cornija com o mesmo perfil, assente em duas colunas com o fuste liso e o terço inferior estriado e ornado por festões, que substituíram as torsas primitivas, contendo trono expositivo de cinco degraus, encimado por baldaquino, surgindo, no banco, bastante amplo e ornado por acantos e olivas, o sacrário embutido. Lateralmente, duas mísulas com imaginária; altar paralelepipédico, tendo, fronteiro, altar em forma de urna, em talha pintada de branco e dourada, ornada por cartela e elementos fitomórficos. No lado do Evangelho, uma porta de verga recta de acesso à Via Sacra, de pequenas dimensões, que liga, no lado esquerdo, ao corredor dos confessionários, com pavimento em lajeado de granito, com algumas sepulturas e as portas de verga recta dos antigos confessionários, e à portaria, surgindo, no lado direito, a sacristia *5. Esta tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por rodapé de azulejo figurativo reaproveitado, com tecto plano, rebocado e pintado e pavimento em lajeado de granito; num dos lados, sobre estrado de madeira, o arcaz, feito em madeira de carvalho, com quinze gavetas, com ferragens metálicas, de decoração vazada e recortada, encimado por um espaldar mais tardio, de madeira em branco, dividido por pilastras, ornadas por cartelas e entrelaçados dourados, e rematado em cornija, tendo, ao centro, oratório com o Crucificado, rodeado por dois nichos contracurvos, contendo bustos e braços-relicários, na base dos quais surgem concheados em forma de cornucópia a sustentar putti encarnados. No lado oposto, dois armários de madeira, embutidos na parede. Desta, saem as Escadas das Matinas para o piso superior, ladeada por pia de água benta gomeada e com bordos boleados. Neste, pavimentado a soalho, surge uma ampla sala sobre a sacristia e o corredor do coro-alto, o que subsiste do primitivo convento *6.
Materiais
Estrutura em cantaria, com paramentos rebocados e pintados; modinaturas, pavimentos, sineira, sepulturas, base do púlpito, pilares do coro-alto, arco triunfal e capelas em cantaria de granito; supedâneo, retábulos, grades-confessionários, confessionários, portas, órgão, cadeiral em madeira; janelas com vidro simples; tecto da nave com estuque decorativo; silhares de azulejo tradicional; catavento e grade de ferro; coberturas em telha.
Observações
*1 - a igreja primitiva tinha a fachada principal rematada em frontão triangular e os vãos rasgados em eixo, seguindo uma tipologia característica de alguns edifício integráveis na Província da Conceição, como Mosteiró, Vila Real, Serém e Vila Cova de Alva. *2 - na portaria, surgia um nicho com a imagem de Nossa Senhora das Dores, num esquema incomum na Província, surgindo, invariavelmente, a figura de São Francisco. *3 - o coro-alto tinha, em 1834, duas telas grandes na parede da Epístola, desconhecendo-se a sua temática, possuindo, ainda, quatro estantes. *4 - a imagem de Nossa Senhora das Dores, entretanto substituída, é descrita em 1834, como sendo de vulto, sentada, com manto verde, com resplendor e espada de folha. *5 - a comunidade possuía várias alfaias: um vaso de comunhão de estanho, quatro campainha e vasos para flores, três cálices de latão com as respectivas patenas e colheres em prata, uma custódia de preta, quatro pares de galhetas de prata, três deles pequenos, um gomil e uma bacia; tinham um turíbulo e naveta de latão, uma cruz processional de pau preto, uma umbela de damasco branco e flores azuis e duas lanternas para o pálio; existia, ainda, um relicário dos Mártires de Marrocos. *6 - a Casa do Capítulo possuía um retábulo de talha, considerado antigo em 1834, desconhecendo-se qual o seu orago; existindo, no refeitório, sete tábuas para formar as mesas, assentes em pilares de pedra, sendo o espaço decorado pela pintura da Última Ceia e iluminado por candeeiros de latão; a cozinha tinha um armário e uma pia de pedra. Certamente no segundo piso, situava-se a livraria, onde se achavam dezoito estantes numeradas com 1540 volumes; a enfermaria, com quatro cubículos, tinha um retábulo pequeno e dourado, com a imagem de vulto de Nossa Senhora do Rosário, tendo, na base, sacrário embutido; sobre a banqueta, possuía duas sacras velhas e dois anjos tocheiros, recenseados no Inventário de 1834; possuía, ainda, uma mesa, três cadeiras e um relógio. A hospedaria tinha duas camas, duas bancas, quatro cadeiras, seis bancos de encosto e três arcas em madeira de castanho; era iluminada por um candeeiro dois candeeiros de latão. O convento tinha uma cerca com terra de lavradio, hortas, latadas, pomares, zonas de mata com castanheiros e árvores de espinho; fora dos muros tinha 44 carvalhos que garantiam as necessidades de lenha da comunidade; a água era captada em zona elevada e canalizada até ao edifício. Na Quinta de São Bento, anexa, mantém-se uma fonte em cantaria que faria parte do antigo sistema hidráulico. *7 - fazem parte da Província os seguintes Conventos: Santa Maria de Mosteiró (v. PT011608030013), Santa Maria da Ínsua (v. PT011602120133), São Francisco de Viana (v. PT011609310047), Santo António de Ponte de Lima (v. PT011607350252), Santo António de Viana (v. PT011609310048) Santo António de Caminha (v. PT011602070044), São Bento de Arcos de Valdevez, São Bento e Nossa Senhora da Glória de Monção (v. PT011604170011), Nossa Senhora da Conceição de Melgaço (PT011603180044), Santo António do Porto (v. PT011312120035), São Francisco de Lamego (v. PT011805010074), São Francisco de Orgens (v. PT021823190031), São Francisco de Moncorvo (v. PT010409160053), São Francisco de Vila Real (v. PT011714240091), Santo António de Serém (v. PT020101120131), Santo António de Viseu (v. PT021823240358), Santo António de Viana, Santo António de Vila Cova de Alva (v. PT020601180012), Santo António de Pinhel (v. PT020910170012), São José de São Pedro do Sul (v. PT021816140005), Convento do Senhor da Fraga (v. PT021817040031), Colégio de Santo António de Coimbra (v. PT020603020036 e PT020603020163) e o desaparecido Hospício de Lisboa.